Capítulo 112: Entrada no Palácio
No dia seguinte, Li Qing levantou-se antes do amanhecer. Qingfeng, ainda debilitada, esforçou-se para se levantar e ajudá-lo com os preparativos. Ela arrumou seu cabelo meticulosamente, vestiu-o com a roupa de baixo que ela mesma costurara, colocou sua túnica, ajustou a armadura peça por peça, posicionou o elmo e prendeu o sabre na cintura. Após uma análise minuciosa, disse satisfeita: "Pronto, agora está tudo em ordem."
Em Dingzhou, Li Qing sempre estivera atarefado demais, ora lutando pela sobrevivência, ora em meio aos horrores do campo de batalha. Mesmo nos raros momentos de folga, precisava gastar suas energias enfrentando as maquinações de Xiao Yuanshan e outros. Não havia tempo para preocupações com a aparência. Foi apenas após se aproximar de Qingfeng que, sob sua supervisão, ele passou a cuidar minimamente de si, embora, na maior parte do tempo, continuasse a exibir uma aparência desleixada, com barba por fazer e roupas empoeiradas ou enlameadas. Hoje, contudo, estava impecável: roupas novas, armadura reluzente e o rosto barbeado. Como diz o ditado, o hábito faz o monge, e a nova aparência de Li Qing deixou Qingfeng deslumbrada. Ele sempre fora um homem atraente, mas as marcas da guerra e o confronto constante com a morte conferiram ao seu rosto uma firmeza e uma serenidade singulares, além de uma aura indescritível que atraía os olhares de todos ao seu redor.
"Conhece bem as normas do palácio, não é? Diante do Imperador, a etiqueta é estrita. Qualquer deslize pode ser usado contra você, e o Imperador não tolera erros", advertiu Qingfeng.
"Não se preocupe", respondeu Li Qing. "Meu tio explicou-me tudo detalhadamente ontem. Não haverá problemas. De qualquer forma, a audiência de hoje é apenas um procedimento formal; não levará muito tempo. O Imperador apenas quer me conhecer e trocar algumas palavras protocolares."
"Ainda assim, seja cauteloso", disse ela, ajustando a pluma vermelha no elmo de Li Qing.
Vendo a palidez no rosto de Qingfeng, Li Qing segurou suas mãos com ternura: "Fique tranquila, está tudo bem. Depois que eu sair, você poderá voltar a dormir e descansar. Certifique-se de que Zhong Jing prepare o remédio enviado pelo médico e tome-o no horário certo. Quando eu voltar, teremos que nos mudar, então você terá pouco sossego."
Qingfeng sorriu: "Não estou tão fraca assim. Vá tranquilo, voltarei a dormir assim que você partir."
Li Qing segurou suas mãos e beijou-lhe a testa levemente: "Tudo bem, mas quando eu voltar, irei verificar." Ele soltou-a, saiu do quarto e encontrou Yang Yidao, que já o aguardava com os cavalos prontos.
Dentro do quarto, com os olhos marejados, Qingfeng observou fixamente o caminho por onde Li Qing desaparecera. Após um longo momento, fechou a porta, voltou para a cama e cobriu-se inteira com a colcha.
A Cidade Imperial do Grande Chu situa-se exatamente no coração de Luoyang. Dividida em cidade interna e externa, a muralha é cercada por um fosso e possui torres de vigia em seus quatro cantos. O portão principal, o Portão Wu, destaca-se pela sua estrutura em formato de "U", com cinco passagens. O pavilhão central, com seus telhados sobrepostos, assemelha-se a cinco fênix abrindo as asas, sendo por isso chamado de "Pavilhão das Cinco Fênix".
Ao cruzar a praça e passar pelo portão guardado pela Guarda Imperial, Li Qing entrou na cidade externa. O complexo arquitetônico, com o Templo Ancestral à esquerda e o Altar do Solo e das Colheitas à direita, impressionava pela simetria e grandeza. Mesmo acostumado a grandes cenários, Li Qing sentiu-se intimidado pela imponência daquele palácio, cuja solenidade superava qualquer monumento turístico que conhecera em sua vida anterior.
Os ministros já se reuniam no Salão da Harmonia Suprema para a audiência matinal. Li Qing, sentindo-se um animal em exibição no zoológico, notou que quase ninguém o reconhecia, exceto seu tio, Li Tuizhi, que se aproximou para cumprimentá-lo. O gesto de Li Tuizhi revelou a identidade do jovem general, desencadeando sussurros e olhares curiosos entre os presentes.
De repente, o eunuco Huang, que outrora levara o decreto imperial a Dingzhou, aproximou-se apressado e radiante: "General Li, finalmente o encontrei!"
Li Qing estranhou a familiaridade, sabendo que, no Grande Chu, a interação entre eunucos e funcionários externos era estritamente vigiada. "O que traz o senhor aqui, eunuco Huang?"
"General, o Imperador tem grande estima pelo senhor! Sua Majestade ordenou que eu o levasse ao Salão da Harmonia Central para aguardar, evitando que o senhor precise participar da audiência com os outros ministros", disse o eunuco com servilismo.
A revelação causou espanto entre os ministros próximos. Um general das províncias, ao retornar à capital, deveria apresentar-se na audiência matinal; uma convocação privada era algo raro. Confuso, Li Qing seguiu o eunuco para o interior.
No Salão da Harmonia Central, um local de descanso imperial cercado por um pequeno jardim, o eunuco Huang providenciou chá e assentos. Ao questionar se aquela espera privada não seria inadequada, Li Qing recebeu a garantia de que fora uma ordem direta do Imperador. Tentando obter informações, Li Qing ofereceu discretamente uma nota bancária ao eunuco.
"General, o senhor logo saberá. Talvez Sua Majestade queira ouvir detalhes sobre sua vitória contra os bárbaros", respondeu o eunuco, guardando a nota e esquivando-se da pergunta.
Li Qing percebeu que o eunuco nada sabia. Restou-lhe apenas aguardar pacientemente, nas profundezas do palácio, a chegada do Imperador Tianqi.