Capítulo Cinquenta e Um: Erguendo Bandeiras
Wanyan Bulu observava silenciosamente a fortaleza de Fuyuan diante de si. Apesar do brilho de ódio em seus olhos, seu semblante permanecia extraordinariamente calmo. Seu inimigo encontrava-se dentro daqueles muros, e ele acreditava plenamente nas palavras de Bayar; o sábio e ilustre Grande Cã não teria motivo para enganá-lo. Os homens de Chu haviam atacado seu clã durante o Festival de Mulan, exterminando todos, sem deixar sequer galinhas ou cães vivos. Agora, chegara a sua vez.
Wanyan Bulu era um seguidor fiel de Bayar, tendo passado a vida inteira em guerra contra os homens de Chu e conhecia-os muito bem. Chu era uma potência colossal, mas, como Bayar dissera, esse gigante estava adormecido. Seu lar encontrava-se em desordem, e essa era a oportunidade perfeita para os povos das estepes. Se deixassem passar esse momento, quando o gigante despertasse, tudo voltaria a ser como séculos atrás, quando o jovem império de Chu esmagara os homens das estepes, não lhes dando chance de reação.
No entanto, embora o gigante ainda estivesse adormecido, não se podia baixar a guarda. Ele não podia fracassar; um erro e a última esperança de ressurreição de An Gu seria destruída. Wanyan Bulu, um velho astuto de mais de sessenta anos, que sobrevivera na estepe onde só os mais fortes prevalecem, nunca deixara de ser frio e calculista. Mesmo envolto pelo ódio, esforçava-se para manter o coração gélido.
Ao seu lado, Wanyan Jitai ainda era jovem demais. Observando o filho, olhos injetados de sangue, coxas apertando o dorso do cavalo e as mãos tensas nas rédeas, Wanyan Bulu suspirou quase imperceptivelmente. Para vingar-se, antes de tudo, era preciso manter a calma.
— Rei da Ala Esquerda, a fortaleza de Fuyuan é robusta e imponente. Nossos três mil cavaleiros não poderão tomá-la — questionou, intrigado, o comandante de mil homens, Nuo Qia, ao lado de Wanyan Bulu. Nuo Qia era um dos poucos generais valentes de Bayar, experiente em campanhas por todas as direções. Bastou-lhe um olhar para a reconstruída Fuwu e compreendeu que mesmo com todo o exército, um ataque com mais de dez mil homens dificilmente teria sucesso; e se tivessem, seria à custa de enormes perdas, algo que um estrategista jamais arriscaria. Temia que Wanyan Bulu, cego pelo ódio, ordenasse um sacrifício em vão dos guerreiros da tribo Bai. Afinal, Wanyan Bulu era agora o Rei da Ala Esquerda dos Bai; e se ordenasse o ataque, como guerreiro leal, Nuo Qia teria de obedecer.
Wanyan Bulu sorriu e disse:
— Valoroso Nuo Qia, fique tranquilo. Jamais cometeria tal loucura. Preciso preservar minha vida para, com minhas próprias mãos, decepar a cabeça do meu inimigo, transformá-la em adorno e pendurá-la em minha tenda!
Nuo Qia sentiu-se aliviado ao ouvir isso. Wanyan Bulu era realmente um veterano experiente, enxergava a situação com clareza. Ele próprio havia sido excessivamente cauteloso e, um tanto envergonhado, saudou-o com um gesto:
— Rei da Ala Esquerda, vossa sabedoria é admirável.
Wanyan Bulu continuou, sorrindo:
— Bravo Nuo Qia, já que estamos aqui, não devemos apenas alinhar o exército diante da fortaleza. Vamos apenas nos mostrar, enfraquecer-lhes o moral e fortalecer o nosso. Que lhe parece?
Nuo Qia soltou uma gargalhada:
— Acaso o Rei da Ala Esquerda quer me pôr à prova?
Wanyan Bulu riu alto:
— Sempre ouvi dizer que Nuo Qia é o mais valente dos guerreiros sob o Grande Cã. Hoje, deixemos que os bravos vejam do que é capaz!
Lisonjeado, Nuo Qia abriu um largo sorriso, radiante:
— Não ouso tomar o primeiro posto; esse pertence ao senhor Huhe, o mais corajoso da tribo Bai. Mas quanto ao segundo, talvez eu possa disputar. Tragam-me a minha bandeira!
Nuo Qia era o principal general de Bayar. Diferente dos guerreiros que só sabiam atacar, ele era completo: valente e astuto.
Com a bandeira em mãos, Nuo Qia esporeou o cavalo, que relinchou alto, e saltou à frente das fileiras, galopando em direção à fortaleza de Fuyuan sob os gritos dos guerreiros Bai.
— O que ele pretende? — perguntou Feng Jian, intrigado, ao ver o comandante inimigo avançar brandindo a bandeira. — É um desafio?
Lü Dabing cerrou lentamente os punhos, com o rosto tingido de um tom estranho de azul-arroxeado. Isso não era um desafio; era uma afronta escancarada. Experiente nas fronteiras, ele sabia exatamente o que o outro queria.
— Tragam-me meu arco! — ordenou em voz grave. Imediatamente, um guarda lhe entregou o poderoso arco de dez pedras. Lü Dabing inspirou fundo, armou o arco até o limite, posicionou uma flecha na corda e segurou outras duas entre o dedo mínimo e o polegar. A ponta da flecha ergueu-se e, lentamente, mirou para baixo.
À medida que Nuo Qia se aproximava da fortaleza de Fuyuan, ambos os lados silenciaram. Milhares de olhos se fixaram na bandeira branca esvoaçante, levada pelo cavaleiro que galopava impetuoso.
Nuo Qia planejava fincar a bandeira dentro do alcance das flechas da fortaleza. Quanto mais próximo dos muros, maior a glória e, claro, o perigo crescia na mesma medida.
Com a aproximação, todos os músculos do corpo de Nuo Qia ficaram tensos; sua atenção estava totalmente voltada para as flechas que poderiam ser disparadas. Segurava o mastro com as duas mãos, controlando o cavalo apenas com as pernas.
Um zunido cortou o ar. Pela experiência, ele soube que a flecha vinha diretamente em sua testa. O estrondo da flecha rasgando o vento fez seu coração gelar — era uma flecha veloz. Com um movimento da bandeira, desviou o projétil, mas sentiu os braços dormentes — era um arco de dez pedras.
Mal teve tempo de pensar, outro zunido soou: flechas em sequência. Nuo Qia ficou alerta. Alguém que atira flechas em série com um arco tão pesado é realmente um exímio arqueiro. Não ousou avançar mais. Esporeou o cavalo, que imediatamente diminuiu a velocidade e virou à direita, acelerando em seguida. Num movimento ágil, Nuo Qia inclinou-se para o lado do cavalo, fincou a bandeira no solo, montou novamente, desembainhou o sabre e, com dois golpes, desviou as flechas restantes. Retornando em disparada, ainda virou-se para saudar o arqueiro da fortaleza com um polegar erguido, que logo virou para baixo, em provocação.
Entre aplausos trovejantes dos guerreiros Bai e os xingamentos da guarnição no alto dos muros, Nuo Qia retornou triunfante ao acampamento.
Os guerreiros Bai explodiram em júbilo. O movimento de Nuo Qia parecia simples, mas, em todo o exército, poucos seriam capazes de, em pleno galope, realizar tal manobra, desafiando a própria inércia. E as três flechas disparadas do alto dos muros tinham sido rápidas como relâmpagos, todas em direção aos pontos vitais. Só de ouvir o som, já se percebia o perigo. Entre os Bai, todos eram arqueiros, sabiam bem o que aquilo significava.
No alto do muro, Lü Dabing estava com o rosto escurecido pela raiva. Atirou o arco ao chão e desceu sem olhar para trás.
— Comandante Nuo Qia, de fato possui coragem para enfrentar mil homens! — exclamou Wanyan Bulu, sorrindo, e estendeu o braço para cumprimentá-lo. — Fincar a bandeira é roubar-lhes o ânimo; o moral do inimigo está perdido.
Nuo Qia respondeu, descontraído:
— Apenas um pequeno truque, nada de coragem.
— Muito bem. O inimigo, mesmo após esta humilhação, se recusa a sair para lutar. Decidiram defender a fortaleza até o fim. Wanyan Jitai, conduza mil guerreiros para saquear as aldeias vizinhas. Nuo Qia, mantenha mil homens prontos para apoiar. Eu ficarei aqui com o restante, vigiando a fortaleza de Fuyuan — ordenou Wanyan Bulu, resoluto.
Se não saem, saquearei seus arredores. Se ousarem sair para enfrentar-me em campo aberto, será exatamente o que desejo. Wanyan Bulu acariciou a barba e sorriu. Homens de Chu, agora é a vez de vocês sentirem o peso da nossa força.