Capítulo Cinquenta e Quatro: O Plano de Wanyan Bulu
Abaixo da fortaleza de Fuyuan reinava uma tranquilidade aparente. Tanto no alto das muralhas quanto ao pé delas, tudo estava mergulhado em um silêncio estranho. Wanyan Bulu não demonstrava intenção de atacar; limitava-se a manter suas tropas postadas diante da fortaleza. Dentro dela, Feng Jian, responsável pela defesa, sentia que o tempo se arrastava angustiantemente, o coração sempre sobressaltado, como se pressentisse que algo grandioso estava para acontecer. Desde a partida de Lü Dabing, não se permitiu nenhum momento de descuido, a ponto de se mudar para morar na torre da muralha.
Feng Jian não era um erudito alheio à arte militar. Nos anos em que seguiu Lü Dalin, aconselhou-o em diversas ocasiões e até mesmo o acompanhou no campo de batalha. No entanto, agora tudo lhe parecia demasiadamente estranho. “Quando o general retornará?” perguntou inúmeras vezes ao longo do dia. Sun Guoqing, o capitão do destacamento de defesa, sempre abanava a cabeça. Juntos, observavam ao longe, através do crepúsculo, as luzes intensas do acampamento de Wanyan Bulu. De súbito, Feng Jian indagou: “Capitão Sun, você acha que Wanyan Bulu atacará a fortaleza?”
Sun Guoqing sorriu: “Senhor Feng, está se preocupando demais. Wanyan Bulu possui pouco mais de mil homens em seu acampamento, como poderia atacar a fortaleza? Esse contingente mal nos serviria de aperitivo.” Feng Jian suspirou em silêncio. Se Lü Dabing não tivesse partido, a fortaleza de Fuyuan seria inabalável. Mas agora? E se Wanyan Bulu recebesse reforços?
“E se ele aumentar as tropas?” Feng Jian expressou sua inquietação. Sun Guoqing descartou imediatamente: “Impossível! Nossos batedores estão sempre de vigia lá fora. Se houvesse uma concentração de reforços, já saberíamos.” Feng Jian, contudo, não se sentia seguro. “Seja como for, é imprescindível que o general retorne o quanto antes”, disse a Sun Guoqing. “Envie batedores para localizá-lo e peça que volte imediatamente.”
No acampamento de Wanyan Bulu, apesar da noite avançada, o comandante estava cheio de energia, sentado ereto em sua tenda, diante de Wanyan Jitai. “Está tudo pronto? Amanhã, ao meio-dia, todos chegarão a tempo?”, perguntou. Wanyan Jitai assentiu: “Não se preocupe, pai. Reforcei o efetivo em Shanglin com mais três mil homens e convoquei diversas tribos vizinhas, que trarão alguns engenhos de cerco rudimentares. Ao meio-dia de amanhã, todos estarão reunidos.”
Wanyan Bulu sorriu satisfeito: “Ótimo. Ao amanhecer, eliminem os batedores inimigos para retardar ao máximo que descubram nossos movimentos. Assim que nossas forças chegarem, Fuyuan será como uma presa em minhas mãos.” Os olhos de Wanyan Jitai brilharam com ferocidade. Esta operação fora meticulosamente planejada por Wanyan Bulu: queria conquistar a fortaleza de Fuyuan tanto por vingança quanto para provar sua competência a Bayar, subjugando o descontentamento do clã Bai com sua recente promoção a Príncipe-Chefe da Esquerda.
Primeiro, Wanyan Bulu exibiu três mil homens diante de Fuyuan para intimidar o inimigo, evitando que saíssem para combater. Em seguida, dividiu suas tropas para pilhar, destruir e matar, provocando o comandante adversário. Se fosse Lü Dalin no comando, ele jamais cairia nessa armadilha; mas Lü Dabing era diferente. Ambos eram generais temidos do exército de Dingzhou, e os bárbaros os estudavam a fundo.
Depois de atrair Lü Dabing para o campo, o objetivo era mantê-lo distante, não necessariamente aniquilá-lo, mas impedir seu retorno à fortaleza. Finalmente, mobilizou secretamente mais tropas e recrutou tribos vizinhas, esperando dar um golpe fulminante em Fuyuan, abrindo caminho para uma grande campanha no outono.
Ao relatar seu plano a Bayar, recebeu apenas uma resposta sucinta: “Você é o Príncipe-Chefe da Esquerda.” O significado era claro: ele tinha autoridade para agir, mas também seria o responsável por qualquer fracasso. Wanyan Bulu não hesitou, apostou tudo. Agora, com tudo correndo como planejado, pretendia tomar Fuyuan antes que Xiao Yuanshan, de Dingzhou, percebesse qualquer coisa, e mantê-la até o outono.
Em Yixing, após várias horas desde o primeiro confronto, Lü Dabing passou do entusiasmo inicial para a inquietação e, por fim, à perplexidade. Os bárbaros não tentavam romper seu quadrado de infantaria, limitando-se a investidas superficiais, sempre mantendo distância suficiente para iniciar combate, com a iniciativa toda em suas mãos. Isso enfurecia Lü Dabing profundamente. Se ao menos tivesse uma cavalaria de mil homens, expulsar aqueles bárbaros seria trivial. No entanto, a realidade era outra. Após um dia de escaramuças, sua cavalaria perdera várias dezenas de homens, restando apenas o suficiente para guarnecer as laterais sob proteção da infantaria.
Qual era a real intenção do inimigo? Lü Dabing refletia, observando seus soldados exaustos sentados ao chão, mastigando pão seco e bebendo água. Do outro lado, os bárbaros estavam igualmente exaustos, mas ambos os exércitos mantinham-se em alerta máximo.
Por que aquele comandante bárbaro insistia em um combate tão obstinado? Isso não condizia com o estilo ágil e fugaz de sua gente. Além disso, Lü Dabing percebia, após alguns confrontos, que o comandante adversário era alguém astuto, mas por que escolher uma tática tão desfavorável para seu povo? Qual era seu objetivo?
Inquieto, Lü Dabing levantou-se e olhou na direção de Fuyuan. De súbito, um calafrio percorreu-lhe o corpo, coberto de suor frio. Compreendeu: o inimigo queria Fuyuan. A divisão destacada servia apenas para prender sua força principal, e Wanyan Bulu certamente ocultava reforços, pronto para tomar a fortaleza em sua ausência.
Dentro da fortaleza havia pouco mais de mil soldados; o restante eram civis.
Lü Dabing bateu com força no próprio rosto, o som claro e seco atraindo a atenção dos soldados ao redor, que observavam espantados, sem entender o que se passava com seu comandante.
“Formar! Retornar a Fuyuan!” gritou com voz rouca.
Nuoqia percebeu o movimento do exército inimigo e, resignado, pensou que sua tática de ganhar tempo fora finalmente decifrada. Agora, uma batalha árdua era inevitável. Que o Príncipe-Chefe da Esquerda tenha sucesso, pois, do contrário, a morte de seus homens seria em vão.
“Montem!” ordenou Nuoqia em alta voz.
Sem mais testes, ambos os lados mergulharam de imediato em um combate feroz. Após um dia de confrontos, cada lado já conhecia os pontos fortes e fracos do outro, sem mais segredos. Os cascos dos cavalos martelavam o solo, e os guerreiros do clã Bai não mais contornavam as formações, mas lançavam-se com fúria sobre o quadrado armado de lanças. Os cavalos relinchavam, forçados pelos cavaleiros a avançar para a morte; quando colidiam com as lanças, os cavaleiros eram arremessados ao ar, e, ao cair sobre as lanças, lançavam suas armas na tentativa desesperada de ferir ao menos um inimigo. Alguns, por sorte, caíam entre as brechas e, sem tempo de se levantar, tombavam, ainda tentando lutar.
Nuoqia, avançando como uma cunha no quadrado inimigo, logo foi envolvido pela infantaria. Sem velocidade, os cavaleiros tornavam-se presas fáceis, como peixes fora d’água. As lanças dançavam, ondas de aço derrubando um a um os cavaleiros, enquanto soldados do batalhão de elite também tombavam sob os golpes adversários.
Gritos de agonia, gemidos de feridos, o rufar frenético dos tambores, o entrechoque metálico das armas — tudo compunha uma sinfonia mortal no campo de batalha.
Após mais um ataque, Nuoqia girou o cavalo e contava os guerreiros que ainda o cercavam; só naquela investida, dezenas de bravos haviam ficado para sempre nos quadrados inimigos. Uma dor apertou-lhe o peito.
Do outro lado, as duas formações da linha de frente recuaram lentamente até se abrigarem atrás de outras três, reorganizando-se em quadrados cerrados.
Nuoqia sorriu amargamente e começou a reunir suas tropas. Sempre que o inimigo recuava, ele preparava novo ataque, estabelecendo um ciclo mortal de combates sem trégua.
Com o cair da noite, travaram-se diversas batalhas sangrentas; dezenas, talvez centenas, de vidas se perderam de ambos os lados. O batalhão de elite só conseguiu recuar pouco mais de cinco quilômetros em direção a Fuyuan. Exaustos, ambos os exércitos foram obrigados a parar e reunir forças para o próximo embate.
Os olhos de Lü Dabing estavam vermelhos de sangue e veias saltavam de fadiga. Nos três combates anteriores, o perigo fora extremo; na última luta, ele próprio comandou a linha de frente para repelir o inimigo. Embora o adversário tivesse sofrido grandes perdas, sua situação também era difícil — a proporção de baixas se mantinha em dois para um, e, nesse ritmo, quando o inimigo fosse aniquilado, ele próprio também estaria esgotado.
Contemplando a noite, Lü Dabing tomou uma decisão difícil. Chamou o capitão de sua cavalaria. Olhando para aquele oficial coberto de sangue, os olhos de Lü Dabing revelaram uma ponta de culpa.
“Perdoe-me, irmão! Preciso de você, o batalhão de elite precisa de você, e Fuyuan precisa de você!”