Capítulo Setenta e Oito: O Golpe Final (3)

Cavaleiros Dominam o Mundo Atirador Número Um 2717 palavras 2026-02-07 18:31:41

O ataque daquele dia terminou abruptamente devido à destruição de Wanian Jitai e ao desmaio de Wanian Bulu. O clima de luto e desânimo pairava sobre todo o acampamento aliado nas estepes, após quatro dias consecutivos de investidas que custaram mais de dez mil vidas, apenas para alcançar os arredores da Fortaleza de Fuyuan. A intensidade dos combates superava até mesmo a sangrenta batalha anterior pelo mesmo lugar. Os defensores resistiam com a mesma ferocidade de outrora, mas agora empregavam táticas ainda mais variadas e difíceis de enfrentar. Os pequenos clãs estavam tomados pelo medo, especulando se não seria o momento de bater em retirada.

No acampamento central de Wanian Bulu, reuniam-se os chefes de cada clã. Wanian Bulu, que acabara de recobrar os sentidos, trancara-se na tenda, recusando-se a receber quem quer que fosse. Apesar de todos compreenderem o estado de espírito do comandante, não podiam deixar de buscá-lo para obter orientações — era urgente decidir entre avançar ou recuar. Os olhares convergiram para Noqia. O semblante de Noqia era sombrio: por duas vezes sofrera derrotas frente ao Acampamento dos Invencíveis. Da primeira vez, fora enxotado como um coelho assustado; agora, mais grave, seus adversários assassinaram deliberadamente o general Wanian Jitai diante de seus olhos. Para alguém que sempre se considerara superior, Noqia sentia-se profundamente humilhado.

Após um momento de hesitação, Noqia deu largos passos até a entrada da tenda, anunciando com firmeza: “Senhor Comandante da Ala Esquerda, sou Noqia e peço audiência.” Reinava o silêncio do lado de dentro. Noqia permaneceu imóvel, aguardando com paciência. Após alguns instantes, ouviu-se a voz de Wanian Bulu: “General Noqia, peça que todos entrem.” Aliviados, todos seguiram Noqia para o interior da tenda.

Wanian Bulu, sentado altivo à cabeceira da mesa, mostrava-se sereno, exceto pelos olhos inchados e avermelhados, sem revelar qualquer outra emoção.

— Senhores, acomodem-se.

— Depois de quatro dias de sangrenta luta por Fuyuan, pagamos um preço altíssimo, mas finalmente nos aproximamos do objetivo. Estamos às portas da fortaleza, a vitória está diante de nossos olhos e não devemos desistir. Esta não é apenas minha vontade, mas também a ordem do Grande Khan Bayar: a Fortaleza de Fuyuan precisa ser conquistada — declarou Wanian Bulu em tom grave.

Noqia estranhou. O Grande Khan havia dito apenas que, se possível, conquistassem a fortaleza, não que fosse obrigatório. Por que Wanian Bulu distorcia suas palavras? Queria motivar os chefes ou pressioná-los? Ou teria outros motivos? Sentia uma inquietação crescente.

— Portanto, peço que todos se esforcem ainda mais amanhã. Não descansaremos enquanto não conquistarmos Fuyuan. Decidi mobilizar os dez mil soldados de Xanglin, trazendo mais armas de cerco. A ordem já foi dada. Amanhã ao amanhecer, os reforços chegarão e quero tomar a fortaleza em um só dia — disse Wanian Bulu, a voz exaltando-se, o rosto rubro.

Noqia ficou alarmado. Xanglin já contava apenas com dez mil soldados. Se todos fossem deslocados, a cidade ficaria desguarnecida, e qualquer contratempo poderia ser desastroso, arruinando os planos da caça de outono do Grande Khan Bayar.

— Senhor Comandante da Ala Esquerda, não podemos retirar as tropas de Xanglin — protestou Noqia, levantando-se. — É nossa base de retaguarda e ponto de apoio para a caça do outono do Khan. Precisamos garantir que nada ocorra ali. Temos quase quarenta mil soldados aqui, isso basta para tomar Fuyuan.

Wanian Bulu lançou um olhar gélido a Noqia, prestes a responder, quando do lado de fora se ouviram passos apressados e vozes ansiosas: “Senhor Comandante, Senhor Comandante!” Um guarda escancarou a entrada da tenda e entrou de rompante.

Furioso, Wanian Bulu bradou: — Insolente! Como ousa invadir o acampamento central? Guardas, levem-no e decapitem-no!

O guarda, apavorado, caiu de joelhos: — Senhor, tenho notícias urgentes! — As lágrimas corriam-lhe pelo rosto. Wanian Bulu estranhou: aquele era um veterano do clã Angu, homens acostumados ao sangue, não às lágrimas. O que teria acontecido para tamanha perda de compostura?

Nesse momento, o alvoroço também se fez ouvir do lado de fora. Os chefes levantaram-se de súbito, temendo uma revolta ou motim iminente.

— Senhor, senhor, sua tenda dourada! Sua tenda dourada!

— O quê? — Wanian Bulu ergueu-se de um salto.

— Sua tenda dourada foi erguida pelo Acampamento dos Invencíveis diante dos muros da cidade, e nela pendem duas cabeças!

Wanian Bulu não disse palavra e correu para fora da tenda, seguido pelos chefes, que, intrigados, cavalgaram apressadamente até o campo de batalha. Sobre os muros de Fuyuan, luzes brilhavam, iluminando a magnífica tenda dourada plantada diante da cidade. No topo do mastro, pendiam duas cabeças. Uma era de Wanian Buhua, a outra de Wanian Jitai.

Os chefes entreolharam-se: o massacre do clã Angu, no inverno passado, fora mesmo obra das tropas de Dingzhou.

Wanian Bulu permanecia imóvel sobre o cavalo, como uma estátua, sangue escorrendo pelos cantos da boca. De súbito, alguns guardas do clã Angu avançaram a galope até a tenda dourada. Para surpresa de todos, os defensores da cidade não dispararam flechas, permitindo que os guardas descessem dos cavalos, subissem no mastro e retirassem as cabeças.

Sem nada dizer, Wanian Bulu voltou para o acampamento. Quando chegou à tenda, os guardas lhe entregaram as duas cabeças. Depositou as dos filhos sobre a mesa; a de Wanian Buhua, conservada com cal e nitrato, mantinha a aparência viva, apesar de morto havia muito tempo. A de Wanian Jitai estava irreconhecível, desfigurada pelos ferimentos.

Wanian Bulu posicionou as duas cabeças diante de todos, voltadas para os chefes. Um calafrio percorreu o corpo de cada um, mas ao mesmo tempo uma onda de indignação e espírito de vingança tomou conta do ambiente. O ódio coletivo pairava como uma sombra densa. Noqia percebeu que, neste ponto, não havia mais o que discutir. Levantou-se e disse:

— Senhor Comandante, deixe-me apenas três mil... não, dois mil homens em Xanglin. Voltarei para defendê-la. Os outros oito mil podem vir atacar Fuyuan. Desejo-lhe sucesso.

Wanian Bulu levantou-se e fez uma mesura. O estatuto de Noqia era especial; se ele realmente se opusesse, nada poderia ser feito. Mas, com esse gesto, Noqia deixava claro seu apoio.

Na região de Chong, junto ao Pântano do Canto do Galo, no acampamento de Lü Dalin, o dia mal rompia quando Guoshanfeng chegou ofegante à cabana de Lü Dalin, batendo à porta com urgência.

— General Lü, mensagem urgente de Fuyuan. O peixe mordeu a isca, por favor, parta imediatamente!

Lü Dalin saltou da cama ainda em roupas de baixo, abriu a porta e agarrou Guoshanfeng pelo colarinho:

— O que disse? As tropas de Xanglin realmente partiram?

Guoshanfeng assentiu vigorosamente:

— Sim, os últimos dez mil soldados de Xanglin partiram ontem à meia-noite. Estimo que restem apenas dois ou três mil, além de alguns milhares de escravos. O general Li pede que, após tomarmos Xanglin, você volte imediatamente para atacar Wanian Bulu pelas costas, aniquilando o exército bárbaro diante de Fuyuan. General, esta é a nossa chance!

— Excelente! — exultou Lü Dalin, correndo para dentro, apanhando sua armadura e armas e saindo às pressas. — Toquem a corneta de emergência! Toda a tropa, formar imediatamente!

Ao som da corneta, grupos de soldados saíram apressados das cabanas, reunindo suas montarias e formando fileiras. Em poucos minutos, estavam alinhados diante do comandante.

Shen Mingchen chegou apressado, vestindo-se às pressas:

— O que houve? O que aconteceu?

Lü Dalin ria:

— Senhor Shen, chegou a hora. O general Li conseguiu atrair todas as tropas de Xanglin para Fuyuan. Agora, restam lá menos de três mil soldados e alguns milhares de escravos. Atacaremos imediatamente, tomaremos Xanglin de surpresa e queimaremos até as cinzas todos os suprimentos que o cão Bayar acumulou. Deixemo-lo chorar! Avante, todo o exército!

Brandindo sua grande espada, Lü Dalin deu a ordem e a vanguarda avançou.

Guoshanfeng ia à frente, junto de seus batedores, guiando o exército.

— Ele realmente conseguiu! — murmurou Shen Mingchen, montando e, rodeado pelos guardas, seguiu com o exército em direção ao Pântano do Canto do Galo.

Nota do autor: Ontem, ao acessar a página e reler o capítulo publicado, senti vergonha pelos inúmeros erros de digitação. Não revisei antes de postar. Prometo mais atenção daqui em diante. Peço desculpas a todos.