Capítulo Noventa e Dois: Reestruturação

Cavaleiros Dominam o Mundo Atirador Número Um 3425 palavras 2026-02-07 18:32:37

No início da manhã, quando os oficiais adentraram a residência do comandante, trocavam entre si olhares carregados de estranheza. Todos já sabiam o que acontecera na noite anterior; alguns estavam curiosos, outros excitados, outros ainda preocupados. Shang Haibo franzia a testa com força. Sendo o mais importante dos subordinados de Li Qing e seu principal conselheiro, ele pensava mais longe e mais profundamente do que os demais. A juventude de Li Qing era uma desvantagem em certos aspectos, mas em questões matrimoniais, revelava-se uma enorme vantagem. Shang Haibo vinha ponderando há tempos sobre como melhor aproveitar esse trunfo, porém os acontecimentos recentes haviam claramente ultrapassado suas previsões.

Ele não se opunha ao interesse de Li Qing por Qingfeng, tampouco se importava com o número de mulheres que Li Qing viesse a ter; o essencial era que o casamento de Li Qing fosse benéfico ao pequeno grupo que haviam formado. Como líder desse círculo, essa era uma responsabilidade inescapável para Li Qing, um dever do qual não podia se esquivar.

Qingfeng surgiu à porta. Sua presença provocou um murmúrio surpreso entre todos na sala. Em comparação com outros dias, ela estava muito diferente: ainda vestia um longo vestido branco como a neve, mas, pela primeira vez, trazia o rosto levemente maquiado. O penteado de menina dera lugar ao de uma mulher casada, com os cabelos presos em um coque simples, adornado apenas por um modesto palito de madeira. Um leve rouge tingia-lhe as faces alvas e a sombra nos olhos disfarçava as olheiras. Os belos olhos amendoados, ao perceberem que todos os oficiais e generais levantavam-se à sua entrada, exceto por Shang Haibo, demonstraram certo nervosismo. Qingfeng baixou a cabeça, abraçando uma pilha de documentos, e dirigiu-se ao primeiro assento da segunda fileira atrás de Lu Yiming, lugar que sempre lhe cabera nessas ocasiões solenes.

Os olhares a acompanharam até que tomasse seu lugar; só então os demais sentaram-se, exceto Lu Yiming, à sua frente, que se mostrava inquieto.

Shang Haibo observava tudo com frieza, atento às reações. Estava claro que os militares e oficiais já aceitavam a posição especial de Qingfeng. Não era um homem comum; soubera por alguns meios de certos detalhes da noite anterior. A reação de Qingfeng lhe parecera admirável: era uma mulher sensata, discreta e atenta ao bem maior. A escolha do traje e do penteado naquele dia seria, acaso, uma mensagem velada? Esse pensamento ocupou sua mente.

Do salão dos fundos, ouviram-se passos pesados. Li Qing entrou, acompanhado de Yang Yidao e Tang Hu.

O olhar de Li Qing recaiu imediatamente sobre Qingfeng, sentada atrás de Lu Yiming. O coque alto parecia ferir-lhe os olhos; as pupilas se contraíram, as mãos penderam rígidas e cerradas, e, por um instante, os passos vacilaram antes de avançar com firmeza até o assento diante da mesa do comandante.

À esquerda da sala, ocupava o primeiro assento Shang Haibo, seguido de Lü Dalin. Embora Lü Dalin possuísse maior patente e cargo que Li Qing, era homem esperto e perspicaz, e sabia que, de fato, era Li Qing quem comandava Dingzhou. As nomeações da corte eram mera formalidade. Seguiam-se Lü Dabing, Wang Qinian e outros generais.

À direita, liderando os civis, sentava-se Lu Yiming. Até Xu Yunfeng fora chamado de Chongxian, e os prefeitos dos demais condados de Dingzhou, mesmo os que Li Qing mal conhecia, estavam presentes. Xiao Yuanshan fora posto em prisão domiciliar, Fang Wenshan, acusado de conspiração, estava preso, e a família Fang, punida com expropriação de todos os bens. A maior fonte de renda, a mina de ferro de Yiling, fora totalmente tomada pela oficina de Li Qing. Os prefeitos compreendiam que Dingzhou tinha um novo senhor. Um clima de apreensão pairava: ninguém sabia que destino os aguardava.

Li Qing dormira pouco na véspera, descansando apenas um pouco ao amanhecer. Com olheiras profundas, sentou-se no alto, fitando os oficiais civis e militares que, sentados rígidos e respeitosos à sua frente, lhe despertavam uma súbita sensação de poder absoluto — o direito de vida e morte. Não era de admirar que tantos buscassem o poder; aquela sensação era verdadeiramente embriagadora ao espírito masculino.

Dormir junto à beleza, acordar e comandar vidas! Para um homem, não havia nada maior que isso.

Com Dai Che chamado por ordem de Xiao Yuanshan e caindo nas mãos de Li Qing, Dingzhou estava agora sob controle total. Ao todo, Li Qing dispunha de dez mil homens do Campo da Vitória, quinze mil sob Lü Dalin, quinze mil sob o antigo comando de Dai Che, e três mil do campo central de Xiao Yuanshan — quase cinquenta mil soldados. Quando integradas, essas forças, embora incapazes ainda de lançar ofensiva em larga escala contra Bayar, eram suficientes para garantir a segurança de Dingzhou. Além disso, Li Qing mantinha um trunfo: a filha amada de Bayar, Naf, e o general Noqia. No relatório de vitória, Li Qing ocultara essa informação, pois tinha planos para ambos. Se a corte soubesse, exigiria a entrega dos prisioneiros, o que nada lhe traria de bom e, pior, poderia enfurecer Bayar, precipitando um ataque a Dingzhou, algo que Li Qing queria evitar. Seu foco era consolidar o controle local; só depois, quando todos estivessem sob sua liderança, seria o momento de enfrentar as estepes.

Li Qing queria resolver o problema das estepes de forma definitiva, não apenas vencer uma batalha. Caso contrário, ao deixar Dingzhou, Bayar poderia causar tumultos em sua retaguarda.

A reunião daquele dia trataria principalmente de nomeações: uma partilha de recompensas, um reconhecimento de méritos, além da divulgação e implementação de políticas bem-sucedidas anteriormente em Chongxian.

— O mérito principal por termos superado a crise e mantido Dingzhou estável pertence ao general Lü Dalin! — declarou Li Qing, olhando ao redor.

Lü Dalin levantou-se e respondeu, com as mãos em saudação:

— Não ouso aceitar tal honra. Apenas cumpri meu dever; poupar Dingzhou da guerra sempre foi meu desejo.

Li Qing fez sinal para que se sentasse e continuou:

— Os bárbaros, derrotados de tal forma, certamente não descansarão. Em breve, tentarão retornar. Seremos postos à prova novamente, mas sem sua base de avanço em Shanglinli, sofreram um golpe difícil de suportar. Para atacar Dingzhou, primeiro terão de recuperar Shanglinli. General Lü!

Lü Dalin levantou-se de novo.

— Ordeno que continue comandando seus quinze mil cavaleiros e, ainda, lhe atribuo mais dois batalhões de infantaria, totalizando vinte mil soldados para ocupar Shanglinli — anunciou Li Qing.

Lü Dalin arregalou os olhos, surpreso. Não era homem de confiança direta de Li Qing e imaginava que parte de suas tropas lhe seria retirada. Preparara-se para isso, pois parecia inevitável. No entanto, o que ocorria era o oposto: além de não perder comando, recebia reforços.

— Um dos batalhões será de Feng Guo, que demonstrou grande valor nesta guerra. Autorizei-o a criar, com base na ala direita do antigo Campo da Vitória, o Batalhão Rocha, com cinco mil homens. O outro ficará sob comando do general Lü Dabing, reestruturando o Batalhão dos Pioneiros, também com cinco mil soldados.

— Recebo as ordens! — responderam Feng Guo e Lü Dabing, levantando-se entusiasmados. Feng Guo comemorava a promoção; Lü Dabing, por enfim comandar tropas reais, e não apenas um título vazio sob o irmão.

— Além disso, enviarei trabalhadores para construir uma fortaleza em Shanglinli. Com uma cidade fortificada e a experiência do general Lü, não haverá problemas em defender o local.

— General Lü? — chamou Li Qing, ao ver que Lü Dalin hesitava.

— Compreendo e recebo as ordens! — respondeu, agora tomado de emoção. Jamais imaginara que Li Qing lhe confiaria tanto poder. Em toda Dingzhou, havia cinquenta mil soldados, e vinte mil estavam agora sob seu comando. A confiança e a generosidade o deixavam comovido. "Morre-se pelo amigo que o reconhece", pensou ele. Trair no momento certo fora, de fato, a decisão certa.

Vendo a reação de Lü Dalin, Shang Haibo acariciou o recente cavanhaque e sorriu interiormente. Que jogada astuta! Shanglinli isolava-se nas estepes, a centenas de quilômetros de Fuyuan. Embora Lü Dalin comandasse grande tropa, toda a logística dependia de Dingzhou. Caso Lü Dalin traísse, bastava cortar suprimentos e ele nada poderia fazer. Assim, conquistava-se sua lealdade e minimizava-se o risco. Lü Dalin era veterano de Dingzhou; se ganhasse seu coração, todos os soldados estariam sob controle. Com um ou dois anos de ajustes, sua influência diminuiria ao mínimo.

— Eu, que vim de origens humildes, só alcancei tudo graças ao plano do senhor Shang Haibo. Hoje, desejo convidá-lo para o cargo de conselheiro militar. Aceitaria? — indagou Li Qing, sorrindo.

— Aceito com prazer! — respondeu Shang Haibo, curvando-se sorridente. Ambos riram, cúmplices.

— Wang Qinian, com base na ala esquerda do Campo da Vitória, formará o Batalhão Trovão. Feng Guo, com a cavalaria, criará o Batalhão Vendaval.

— Recebo as ordens! — disseram em uníssono, sem surpresa dos demais. Ambos haviam acompanhado Li Qing desde os dias de pobreza e mereciam as recompensas.

— Yang Yidao, com base na antiga guarda pessoal, formará o Batalhão da Guarda.

— Recebo as ordens! — Yang Yidao deu um passo à frente e curvou-se, finalmente sorrindo. Era, enfim, general.

— Após a construção em Shanglinli, o lugar se tornará alvo principal dos bárbaros. Os quatro fortes de Fuyuan serão nossa retaguarda, aliviando a pressão. Portanto, manteremos apenas um batalhão de prontidão em Fuyuan, enquanto os outros três terão tropas reduzidas gradualmente. Senhores, a partir de hoje, Dingzhou deixará de apenas se defender; formaremos forças móveis para atacar as estepes e não deixar os inimigos terem paz! — Li Qing gargalhou. — Não somos como os guerreiros das estepes, que só lutam no outono; nosso Exército da Vitória pode atacar o ano todo!

Os generais, tomados de entusiasmo, levantaram-se de súbito, levantando os braços e, conduzidos por Lü Dalin, gritaram:

— Seguiremos o comandante e cavalgaremos sobre as estepes!

Ontem, reclamava-se; hoje, ao despertar, o número de leitores chegara a 53, membros a 77. Para um livro recém-publicado há um mês, era motivo de grande alegria. Os leitores eram, de fato, formidáveis. Mais um capítulo, em agradecimento.