Capítulo 116 — Um drama em três atos é assim tão extraordinário?
Ao entardecer, ao voltar para casa, Tao Yushu ainda não tinha chegado. Recentemente, “O Melhor Salão do Mundo” estava em plena turnê pelas principais universidades de Yanjing, e ela, como parte da equipe teatral, chegava em casa tarde todos os dias, exausta.
Por volta das dez horas, Tao Yushu finalmente arrastou seu corpo cansado para casa e, assim que entrou, jogou-se na cama.
— Se estiver muito cansada, então pare com isso — disse Lin Chaoyang, preocupado.
— Não posso — respondeu ela, sentando-se imediatamente, como se tivesse recarregado as energias. — Não posso desistir no meio do caminho.
— Vejo que vocês se esforçam muito, mas é só uma peça estudantil, e não dá dinheiro — comentou Lin Chaoyang.
Tao Yushu lançou-lhe um sorriso misterioso.
— Quem disse que não dá dinheiro?
— O que quer dizer com isso?
Ela tirou de seu bolso um lenço bordado e sacudiu-o para Lin Chaoyang.
— Olhe isso!
Ele se aproximou, e Tao Yushu desdobrou o lenço, revelando uma pilha de dinheiro.
— De onde veio esse dinheiro? — perguntou Lin Chaoyang, curioso. Aquilo certamente não era dinheiro dela, pois não teria motivo para se exibir.
— A escola deu.
— A escola? A sua escola? — perguntou ele.
Tao Yushu assentiu, separando o dinheiro em duas partes.
— Esta parte é a ajuda financeira para os estudantes que participam da peça, um yuan e cinquenta centavos por dia, durante dez dias, totalizando quinze yuans. E esta parte...
Ela levantou a outra pilha, que era bem mais grossa.
— É para você.
— Para mim? Também tenho uma parte? — Lin Chaoyang ficou surpreso.
— Surpreso, não é? — Tao Yushu exibia um ar de orgulho. — O professor Huang conseguiu para nós. “O Melhor Salão do Mundo” trouxe muita fama para a escola, e a direção quer que façamos turnês por aí. Não podemos bancar tudo do nosso bolso, certo? Já recebemos, então você também tem que receber. O professor Huang ainda conseguiu para você uma quantia maior!
Lin Chaoyang olhou para a pilha de dinheiro na mão dela, que parecia considerável.
— Quanto é?
Os olhos de Tao Yushu brilharam como cifrões, ela não respondeu, cuspiu no polegar e começou a contar as notas com uma expressão de pequena avarenta.
Ao final, ajeitou as notas e disse:
— Trezentos yuans.
Na verdade, ela já havia contado várias vezes, e agora apenas fazia isso por prazer.
— Trezentos? A sua escola é generosa.
Lin Chaoyang ficou admirado com a quantia, pois o Teatro Popular de Yanyi havia pago somente duzentos yuans, e a Universidade Normal de Yanjing deu trezentos.
— O impacto de “O Melhor Salão do Mundo” é grande. Não é só uma questão de dar visibilidade à escola nas universidades, isso ajuda a fortalecer o departamento de Letras da nossa universidade. Talvez no próximo ano consigamos mais verbas.
Lin Chaoyang assentiu compreensivamente.
— Não é à toa — disse, sorrindo para Tao Yushu. — Também tenho uma boa notícia para você.
— Que notícia?
Ele tirou dinheiro do bolso.
— Hoje fui ao Teatro Popular de Yanyi, e me pagaram os direitos autorais: duzentos yuans.
— Ah! — Tao Yushu exclamou, feliz, juntando as duas quantias. — Quinhentos yuans, é muito!
Lin Chaoyang já havia publicado outros trabalhos, mas o dinheiro recebido dessa vez superou todas as expectativas.
Eles nunca imaginaram ganhar dinheiro com esse roteiro, e agora, de repente, receberam quinhentos yuans, uma surpresa agradável.
— Mais quinhentos, agora já dá para comprar a televisão!
Tao Yushu sorriu contente, imaginando o que fazer com o dinheiro, e guardou tudo no seu pequeno cofre.
— Ah, hoje o diretor do Teatro do Comando Geral veio assistir à nossa apresentação — contou ela a Lin Chaoyang.
— O Teatro do Comando Geral?
— Sim. Você nem foi ver, não sabe. Quase todos os dias têm pessoas do teatro e do meio cultural assistindo. O impacto da peça está consolidado.
Ela exibiu um sorriso orgulhoso e perguntou:
— Adivinha por que o Teatro do Comando Geral veio?
Lin Chaoyang refletiu.
— O tema de “O Melhor Salão do Mundo” não combina muito com a linha de produção do Comando Geral. Eles não vieram por causa do meu roteiro, certo?
Tao Yushu concordou sorrindo.
— Vieram para avaliar os atores.
— Avaliar os atores? — ele ficou surpreso.
Os principais atores da peça são estudantes, sem experiência prévia de atuação, muito menos técnica. O fato do Teatro do Comando Geral ir até eles para avaliá-los é inusitado, um sinal de que valorizam talentos incomuns.
Durante os ensaios, Lin Chaoyang já havia se familiarizado com os principais atores e perguntou:
— Quem eles estão avaliando?
— Li Luyang!
Esse nome não surpreendeu Lin Chaoyang; Li Luyang interpreta Lu Mengshi na peça.
“O Melhor Salão do Mundo” narra a história da casa de pato assado Fuzhude. Embora seja uma peça de múltiplos personagens, Lu Mengshi é, sem dúvida, o personagem central, e Li Luyang tem amplo espaço para brilhar.
— Lembro que no início dos ensaios Luyang mal conseguia decorar todo o texto. Em menos de dois meses, ele já consegue interpretar Lu Mengshi de forma vívida. Tem talento — comentou Tao Yushu admirada.
— O que o Comando Geral achou? Ele vai ser selecionado?
— Não tão rápido. Eles só viram a apresentação hoje.
Depois de conversarem, Tao Yushu se preparou para dormir.
Na manhã seguinte, ela acordou às seis, após ter ido dormir às onze da noite anterior. Era inverno, e ela mostrava o rosto dolorido.
— Ah... — suspirou durante o café da manhã, o que desagradou sua mãe.
A família já estava acostumada a jantar cedo, o que significava que Tao Yushu precisava acordar muito cedo para preparar a comida, e ainda assim se queixava.
Para evitar problemas, ela se controlou, comeu rapidamente e saiu de casa com Lin Chaoyang.
Eles se separaram na Rua Wusi; Lin Chaoyang correu um pouco contra o vento frio e seguiu para a biblioteca.
Após o almoço, Chen Jiangong e Liu Zhenyun foram procurá-lo.
— Chaoyang, por que você não tem ido às aulas que não são obrigatórias?
— Tenho pedido muitas licenças, não me sinto à vontade para ir — respondeu Lin Chaoyang.
Depois de um breve bate-papo, ele perguntou o motivo da visita deles.
Recentemente, o departamento de Letras estava empolgado com o teatro, mas desde a apresentação de “O Melhor Salão do Mundo” na Universidade de Yanjing, o entusiasmo diminuiu e as apresentações de “Consciência” foram interrompidas.
— Estamos planejando um seminário literário, quer vir? — perguntou Chen Jiangong.
O “nós” de Chen Jiangong referia-se à turma de Letras de 1977, que parecia especialmente interessada em atividades diversas.
— Não vou — Lin Chaoyang recusou diretamente.
Chen Jiangong tentou persuadi-lo, quando uma voz interrompeu:
— Jiangong, em vez de organizar seminários, por que não dedica mais tempo a escrever?
Todos olharam para a voz e viram Zhang Dening ali perto.
A simples presença de Zhang Dening impunha grande pressão sobre Chen Jiangong.
— Ouvi dizer que você anda ocupado com peças de teatro? — ela perguntou.
Chen Jiangong ficou sem graça.
— É só por diversão, os colegas me convenceram, eu só estou ajudando.
— Só diversão? — Zhang Dening insistiu.
— Claro. Dening, você me conhece. Nem escrevo mais poesia, o teatro é só para me divertir, é meu verdadeiro caminho.
Ele falou com convicção, como um canalha jurando para a namorada.
Zhang Dening assentiu satisfeita.
— Acredito em você. Mas já estamos no fim do ano, e faz um ano que não vejo seus textos.
— Ah... este ano foi pesado, muito pesado — ele suava frio, a voz trêmula, demonstrando toda a fragilidade de um escritor sem textos diante do editor.
Zhang Dening avaliou a situação e concluiu que ainda havia esperança.
— Dening, você veio procurar o Chaoyang, certo? — Chen Jiangong tentou mudar de assunto.
Zhang Dening olhou para Lin Chaoyang.
— Li seu roteiro para a peça na Universidade Normal de Yanjing. Muito bom. Vamos publicar na revista “Artes de Yanjing”.
Chen Jiangong ficou perplexo.
— Eu escrevo teatro como hobby? Ele escreve e vocês imploram para publicar?
A diferença de tratamento deixou Chen Jiangong furioso.
— Dening, meu roteiro...
— Não era um monólogo? — Zhang Dening o interrompeu.
E monólogo, não é teatro? Três atos são tão grandiosos assim? Por que não cinco atos?
Chen Jiangong olhou para Zhang Dening com ressentimento, mas ela não tinha tempo para discutir, aguardava a resposta de Lin Chaoyang.
Ele não esperava que Zhang Dening viesse pedir os direitos de publicação do roteiro. Quando escreveu “O Melhor Salão do Mundo”, não pensou em remuneração, mas agora o dinheiro estava chegando.
Com dinheiro vindo, ele não recusaria.
— Se tiver dinheiro, eu publico. Quanto é o cachê?
— Sete yuans — respondeu Zhang Dening prontamente.
Lin Chaoyang ficou calmo.
— Ouvi dizer que vão aumentar o valor em breve, não é?
— Quem te contou? Isso depende de um documento oficial, não se sabe quando.
Zhang Dening desviou o olhar.
Lin Chaoyang balançou a cabeça.
— É por isso que “Artes de Yanjing” não tem a reputação de “Colheita”.
— Esse aumento é certo, tenho fontes internas.
Lin Chaoyang falou com convicção, decidido a ganhar um pouco mais com a revista, afinal já era dezembro, e, se fosse publicado só em janeiro, o aumento seria justo.
Zhang Dening olhou para ele, cansada.
— Você é um grande escritor, tenha mais visão.
— Não me bajule. Escritores também precisam comer, eu quero comprar uma casa tradicional.
— Não tem medo da censura? — ela o encarou ferozmente.
— Eu quero!
Na década de 1950, antes do colapso do sistema de direitos autorais, os escritores tinham bons rendimentos, especialmente em Yanjing, onde a moda era comprar casas tradicionais, muitas delas no atual Beco Meizha.
Mas a boa fase não durou; os direitos autorais desapareceram, e os escritores sofreram.
— Vou negociar o cachê para você depois, me entregue o roteiro.
— Estou no trabalho.
— Então vou esperar.
Zhang Dening planejava esperar por Lin Chaoyang na biblioteca, e ele suspeitava que ela só queria escapar do trabalho.
Saiu para pegar o roteiro, e o dia passou enquanto esperava; que coisa melhor do que isso?
Finalmente, ao terminar o expediente, Zhang Dening acompanhou Lin Chaoyang até em casa, pegou o roteiro e saiu satisfeita.
No dia seguinte, no trabalho, entregou o roteiro para Zhou Yanru.
— Trouxe o roteiro do Lin Chaoyang, mas ele quer aumentar o cachê.
— De novo? — Zhou Yanru franziu a testa.
— Sim, ele é assim, impossível lidar — Zhang Dening reclamou, e apontou para o roteiro nas mãos de Zhou Yanru. — Mas o roteiro é bom, não é à toa que faz sucesso.
Zhou Yanru folheou o roteiro, com expressão indecifrável.
Nos últimos dias, “O Melhor Salão do Mundo” causou grande repercussão nas universidades de Yanjing, criando impacto significativo na esfera cultural.
Até mesmo editores como Zhang Dening e Zhou Yanru ouviram falar; dias atrás, Zhang Dening usou sua influência para assistir a uma apresentação na Universidade Agrícola.
A peça, com trama magnífica e personagens vívidos, deixou-a impressionada, e o fato de Lin Chaoyang ter escrito um roteiro tão notável a surpreendeu ainda mais.
Depois de levar o roteiro para casa, ela percebeu que os estudantes da Universidade Normal de Yanjing não haviam explorado todo o potencial da peça no palco.
Soube por Lin Chaoyang que o roteiro havia sido selecionado pelo Teatro Popular de Yanyi e seria a peça principal do próximo ano; isso a deixou esperançosa.
Zhang Dening observou a expressão de Zhou Yanru e comentou:
— O roteiro é realmente excelente, mas a performance dos estudantes não revela todo o seu brilho.
Zhou Yanru ficou surpresa. Nunca tinha assistido “O Melhor Salão do Mundo”, mas ouvia as pessoas comentarem sobre a peça estudantil, elogiando sua excelência e lembrando a aura de “Cha Guan”.
Agora, ao ouvir que a atuação dos estudantes é inferior à qualidade do roteiro, sua curiosidade cresceu, e voltou sua atenção para o texto.
A manhã passou rapidamente, até que Zhang Dening a chamou:
— Velha Zhou, vamos almoçar!
— Vá você primeiro — respondeu Zhou Yanru, distraída, com os olhos ainda no roteiro.
Como não conseguiu convencê-la, Zhang Dening foi almoçar sozinha.
Quando voltou, viu Zhou Yanru sentada, com expressão absorta, e perguntou:
— Terminou de ler o roteiro?
Zhou Yanru olhou para ela, demorou um pouco para reagir, e finalmente assentiu:
— Terminei, é muito bom!
Sem esperar por mais perguntas, elogiou espontaneamente, claramente satisfeita com o conteúdo.
— O roteiro é ótimo, mas quanto ao cachê...
Zhou Yanru suspirou:
— Esse Lin Chaoyang, tudo bem, menos nesse ponto, é realmente difícil lidar!
Apesar das palavras, ela pegou o roteiro e foi até a sala de Li Qingquan bater à porta.