Capítulo 97: Eu Acredito em Você!

O Escritor de 1978 Sentado, contemplo a Montanha Jingting 4024 palavras 2026-01-30 14:22:38

O convite de Du Ruolin não foi exatamente inesperado. Como ele mesmo dissera, desde o início, quando Du Feng pediu a Lin Chaoyang para escrever, ele já havia feito essa promessa: se Lin Chaoyang escrevesse bem, poderia ser transferido para o exército. Lin Chaoyang, contudo, nunca levou muito a sério as palavras de Du Ruolin. Não era por desdenhar dele, mas porque jamais considerara, de fato, ir para o exército.

As palavras de Du Ruolin chamaram a atenção de todos à mesa. O cunhado mais velho, Tao Yucheng, interveio:
— Tio, o senhor está falando sério?
— Quando foi que eu menti para você? — respondeu Du Ruolin, lançando um olhar de admiração para Lin Chaoyang.
— Chaoyang, as condições no nosso exército certamente serão melhores do que as que você tem na cidade ou na escola, pode ficar tranquilo quanto a isso. E, além disso, se você publicar alguma obra estando no exército, além de receber pelo texto, ainda pode ser promovido. Isso é muito melhor do que ficar numa escola.

Diante da argumentação paciente de Du Ruolin, Lin Chaoyang permaneceu em silêncio, refletindo. Ele não respondia, mas do outro lado da mesa, a mãe de Tao não conseguia esconder a impaciência no rosto.
— O que está acontecendo com ele? — perguntou baixinho a Tao Yushu.
Tao Yushu sabia que a mãe queria entender por que Lin Chaoyang hesitava. Ela sabia que, aos olhos da mãe — e, de fato, da maioria das pessoas —, a chance de ser transferido para o exército, já entrando com uma patente, era algo que dificilmente se recusaria. Com resultados futuros, poderia subir ainda mais. Em suma, era muito melhor do que ser um funcionário temporário na biblioteca.

Mas Tao Yushu também conhecia Lin Chaoyang. Ele parecia despreocupado, sem ambições aparentes, mas possuía convicções próprias. Como dizia o Analectos de Confúcio: “O nobre busca harmonia, mas não igualdade”. Lin Chaoyang tinha uma personalidade difícil de adaptar ao estilo rígido do exército, e dificilmente entraria por mera busca de status ou vantagens.

— Chaoyang tem as próprias ideias, não se preocupe — disse Tao Yushu, querendo evitar que a mãe influenciasse Lin Chaoyang.
— Como não me preocupar? Se ele tivesse um bom emprego, eu ficaria em paz? Vocês são todos teimosos... Ir para o exército é uma oportunidade e tanto! — resmungou a mãe, olhando ansiosa para Lin Chaoyang, que ainda hesitava, e sentindo vontade de se levantar para intervir.
Tao Yushu segurou-a pelo braço:
— Onde você pensa que vai?
— Isso não é da sua conta!
— Não vá atrapalhar, Chaoyang não vai para o exército.
— Você...

O comportamento de Tao Yushu deixou a mãe ainda mais ansiosa e irritada, prestes a repreendê-la, quando Lin Chaoyang finalmente falou:
— Tio, agradeço a consideração do senhor e dos demais oficiais. Mas eu sou uma pessoa de espírito livre, temo não conseguir me adaptar ao ritmo do trabalho e da vida militar, e acabar trazendo mais problemas do que soluções.

As palavras de Lin Chaoyang, ditas em tom sério, mostravam que sua hesitação fora bem pensada. Ao ouvi-lo, o cunhado Tao Yucheng suspirou, não escondendo a decepção, e logo levou um cutucão de Zhao Li ao lado.

Du Ruolin parecia inconformado e insistiu:
— Tem certeza que não vem? Se vier para o exército, moradia não será um problema.

Essas palavras fizeram brilhar os olhos de alguns jovens ao redor. Não só no futuro, mas mesmo naquela época, a questão da moradia já atormentava as famílias. Teoricamente, todos tinham direito a um imóvel funcional, mas na prática, isso dependia de tempo de serviço, desempenho, cargo...
Com tantas regras, se você não soubesse se relacionar, podia esperar dez anos ou mais, talvez até ver o neto nascer antes de receber uma nova casa.
Claro, ninguém ficava na rua, sempre havia o dormitório para os que esperavam.

— Chaoyang! — chamou o cunhado, conhecendo bem as dificuldades de quem não tinha casa própria, e não pôde deixar de lembrar o amigo.
Lin Chaoyang sorriu, primeiro para o cunhado, depois voltou-se para Du Ruolin.
— Tio, o exército resolver a questão da moradia é realmente ótimo. Mas sei que valorizam em mim a capacidade de criação. Para ser sincero, “As Grinaldas ao Pé da Montanha” foi uma exceção, não pretendo dedicar muitos esforços à literatura militar. Se eu entrar agora e, no futuro, não conseguir corresponder às tarefas, será ruim para mim e colocará o senhor numa situação difícil.
Portanto... — ergueu a taça — agradeço de coração pela generosidade.

— Ai...!

Ao perceber a firmeza de Lin Chaoyang, Du Ruolin manteve o semblante calmo, mas suspirou resignado:
— Que pena, com o seu talento, é uma lástima não entrar para o exército.

Esse suspiro ecoou no coração de vários à mesa: Tao Yucheng, a mãe de Tao, até Tao Yumo. Todos esperavam que Lin Chaoyang aceitasse o convite. Afinal, entrar no exército por seu talento, com Du Ruolin como apoio, era infinitamente melhor do que continuar como temporário na biblioteca da Universidade Yan.

Nesse momento, o pai de Tao soltou uma gargalhada:
— Irmão, meu genro realmente tem talento para a literatura. O exército é um excelente lugar, mas talvez não seja o melhor para ele.

O sogro era um homem ponderado, raramente falava com ênfase, muito menos de modo presunçoso. Mas, com algumas taças de vinho, o rosto ruborizado, parecia desabafar, elogiando Lin Chaoyang com entusiasmo inusitado.

Du Ruolin, ouvindo-o, também riu alto:
— Que sorte a sua, ter um genro assim! Pois bem, se Chaoyang não tem esse desejo, vamos esquecer o assunto. Venha, vamos brindar!

Du Ruolin ergueu a taça, brindou com Lin Chaoyang e ambos beberam de um gole só.
— Ai, que decisão... — murmurou Tao Yucheng, lamentando a oportunidade perdida.
Zhao Li comentou:
— Chaoyang sabe o que quer, pare de se preocupar, ele certamente pensou melhor que você.
— E por acaso eu não penso direito?
— Você...

O casal de cunhados trocava farpas em voz baixa, enquanto a mãe de Tao, contrariada, resmungava:
— Teimoso!
— Mãe, chega! — ralhou Tao Yushu, franzindo a testa.
A mãe bufou e calou-se.

Embora em silêncio, Tao Yushu não conseguiu esconder a preocupação no olhar. Quando Du Ruolin mencionou a questão da moradia, ela própria sentiu-se tentada, pois isso impactaria a vida do casal por anos. Como não se deixar tocar?
No entanto, no momento decisivo, Lin Chaoyang recusou o convite do tio.
Naquele instante, Tao Yushu sentiu a dor de perder a oportunidade, e uma ponta de insatisfação pela decisão unilateral do marido. Mas, no fundo, sabia que talvez fosse a melhor escolha para ele. E orgulhava-se da firmeza com que Chaoyang resistiu às tentações materiais.
Esse era o homem que ela escolhera!

Depois da refeição, a família Tao deixou a casa de dois andares dos Du.
Du Ruolin, já um pouco embriagado, sentou-se no sofá de casa, olhos fechados, repousando.
Naquele dia, ele trouxera um cozinheiro, poupando Qi Hongying de preocupações; ela aproveitou para preparar uma xícara de chá para o marido.
Du Feng, ignorando o olhar da mãe, serviu-se logo de uma taça, esvaziando-a de um só gole:
— Que sede!

— Quem mandou beber tanto? Seu pai hoje estava recebendo seu cunhado — reclamou Qi Hongying.
— Mãe, não é justo. Se não fosse por mim, meu cunhado nem teria escrito “As Grinaldas ao Pé da Montanha” — disse Du Feng, orgulhoso. — Sem mim, não haveria história e nem jantar!
— Teu descaramento é digno de um muro de pedra!
Du Feng, levando o sermão, respondeu brincando:
— Herdei do pai, claro!

Mencionado, Du Ruolin abriu os olhos, e Du Feng logo se calou, observando a expressão do pai.
Perguntou:
— Pai, por que será que meu cunhado não quis entrar para o exército?

Du Ruolin o encarou:
— E você, por que acha?
— Por isso mesmo estou perguntando. Meus camaradas fazem de tudo para ficar, para serem promovidos...

Você queria transferir meu cunhado para o exército, ser oficial não seria problema. Com mais obras, quem sabe não viraria até major.
Será que ele ficou constrangido por causa do tio? Quando ele chegou à cidade...

A ida de Lin Chaoyang à biblioteca da Universidade Yan só aconteceu graças ao sogro. Agora, com o sucesso, se entrasse no exército sem hesitar, soaria como ingratidão.
Du Feng não concluiu, mas tanto Du Ruolin quanto Qi Hongying entenderam a insinuação.

— Não me parece isso — disse Qi Hongying. — Quando o pai falou em transferi-lo, ele hesitou, mas sem emoção alguma. Ficou claro que nunca considerou de verdade a proposta.
Ela olhou para o marido:
— E você, o que acha?

Du Ruolin, calado até então, sorveu um gole de chá antes de responder calmamente:
— Não adianta especular, Chaoyang já deixou tudo bem claro.

— O senhor acha mesmo que meu cunhado não quer mais escrever literatura militar? Por que não? Receber pelo texto e ainda ser promovido! — Du Feng não entendia.
Du Ruolin lançou-lhe um olhar de desdém:
— Como um pardal entenderia a ambição de um cisne?

— Pai, pode elogiar meu cunhado sem me diminuir!
— Em toda sua vida, quantas pessoas já ouviu seu tio elogiar?
Du Feng pensou:
— Humm, deve ser bem poucas, só mesmo para o genro...

— Vai, some daqui! — interrompeu Du Ruolin, com olhar severo, impondo respeito.
Du Feng, ouvindo o “vai embora!”, pulou instintivamente, mas, vendo que o pai não tirava o cinto, relaxou.

— Vai, sobe! — ordenou Qi Hongying, enxotando o filho.
Ela então se virou para o marido, que suspirava:
— Falta menos de um ano entre eles, mas a diferença é enorme!

Qi Hongying sabia que ele comparava o filho ao genro, e respondeu de mau humor:
— Dragão gera dragão, fênix gera fênix.

Du Ruolin, ouvindo a resposta mordaz, não se irritou, apenas sorveu o chá, dizendo:
— Chaoyang parece afável, mas tem orgulho. Não quer ver sua criação limitada por imposições.

Qi Hongying concordou com um aceno.

A família Tao saiu do bairro militar e, no ônibus de volta, Lin Chaoyang sentou-se ao lado de Tao Yushu.
— Desculpe por não ter consultado você antes de recusar o convite do tio — disse ele, em tom baixo.

O pedido espontâneo de desculpa aqueceu o coração de Tao Yushu.
— Recusar uma oferta dessas? Eu admiro sua coragem.

— Não vai perguntar por quê?
O sorriso de Tao Yushu era suave e radiante:
— Eu confio em você!

Uma frase que valia mais que mil palavras.

O casal trocou um olhar terno, apertando as mãos com força.
No banco de trás, Tao Yumo, que se inclinava para ouvir a conversa, sentiu-se como quem recebia uma dose de afeto alheio e logo endireitou a postura, resignada.
“E eu achando que era uma conversa profunda... Tanta intimidade em público!”

Na frente, a mãe de Tao, num tom de reprovação, disse:
— Ele não sabe ponderar, e você ainda não o aconselha? Só coloca lenha na fogueira!

O pai de Tao, rosto corado e olhos sonolentos, murmurou:
— Esse genro tem personalidade, e o coração é grande...

— O que quer dizer com isso?
A mãe indagou de novo, mas o marido não respondeu, encostando a cabeça em seu ombro e adormecendo.
Ela franziu a testa, com um quê de desagrado, mas ajeitou a cabeça do marido para mais perto de si.