Capítulo 27: O Talento Brilha
Zhou Yanru fez seus cálculos com clareza: Lin Chaoyang teria duas semanas para revisar “O Cavaleiro dos Pampas”. O tempo era apertado para um autor iniciante, mas ela acreditava que, com o talento de Lin Chaoyang, não haveria grandes problemas.
— Que manuscrito? Você nem revisou ainda!
— Já vou, é rapidinho.
Falando isso, Lin Chaoyang, desconsiderando a reação dela, tirou uma caneta do bolso do peito, agachou-se no banco do Triângulo e começou a escrever com afinco.
Zhou Yanru ficou atônita com aquela atitude inusitada, e Chen Jiangong, ao lado, também não entendeu nada.
Ambos perceberam que Lin Chaoyang estava revisando o texto, mas por que ele segurava Zhou Yanru, impedindo-a de ir embora?
— “Muito rápido” seria quanto tempo? Será que Zhou Yanru já sairia dali hoje com o manuscrito revisado?
Com essa dúvida persistente, Zhou Yanru e Chen Jiangong ficaram ao lado do banco, esperando. Temendo interromper o raciocínio de Lin Chaoyang, não ousaram falar, limitando-se a acompanhar atentos as revisões que ele fazia no manuscrito.
Rasgo — uma linha revisada!
Rasgo, rasgo — mais um parágrafo!
Rasgo, rasgo, rasgo — uma página inteira!
Zhou Yanru sempre considerou Lin Chaoyang um autor de grande talento, mas o desempenho dele naquela manhã superava todas as suas expectativas. Haveria mesmo alguém capaz de revisar a tal velocidade?
Parecia quase como se não precisasse pensar, a caneta fluía como um rio impetuoso.
A redação recebia inúmeros textos, mas quase todos tinham defeitos. Revisar era uma rotina, e Zhou Yanru dialogava com autores locais e de outras cidades quase diariamente.
Alguns eram mais produtivos, outros menos, mas todos compartilhavam um defeito: lentidão exasperante para corrigir. Mexer nos textos deles era como tirar-lhes a vida. “Isso não pode mudar, aquilo não se toca.” Preocupavam-se mais em discutir detalhes de palavras do que em examinar a estrutura. Faltava pouco para gravarem na testa: “Minha obra é para a posteridade”.
Pior eram os que, ao revisar, acabavam perdendo a confiança, mergulhavam no desespero e perdiam totalmente o rumo.
Para um manuscrito de oito ou dez mil palavras, um autor experiente levava três, cinco dias ou até uma semana para revisar. Se fosse iniciante, só mesmo com orientação paciente, e duas semanas ou até um mês não eram raros.
Dar a Lin Chaoyang duas semanas, sem ela ao lado para orientar, era um claro reconhecimento de sua capacidade. Ainda assim, Zhou Yanru percebeu que o subestimara.
A velocidade dele...
Zhou Yanru viu Lin Chaoyang revisar mais uma página e não resistiu: olhou o relógio discretamente.
Apenas vinte minutos e já eram três páginas — quatro trechos revisados e mais de quatrocentas palavras alteradas, entre cortes e acréscimos.
Quatrocentas palavras em vinte minutos pode não parecer muito, mas não se tratava de uma cópia mecânica; era revisão profunda, que exige reflexão! Só pelo ritmo, já fazia qualquer autor corar de vergonha.
Chen Jiangong, desde a primeira página revisada, não conteve a curiosidade e foi ler. Observou cada marca feita a caneta vermelha com atenção minuciosa.
— E então? — murmurou Zhou Yanru.
— Está ótimo!
Rápido e bom?
Zhou Yanru, incrédula, tomou o manuscrito das mãos de Chen Jiangong e analisou ainda mais detidamente, quase enfiando os olhos nas folhas.
Era domingo, o campus vibrava com jovens e seus gritos cheios de vitalidade. Mas no pequeno espaço ao redor do banco do Triângulo, reinava o silêncio, quebrado apenas pelo som da caneta deslizando no papel.
Zhou Yanru recolocou as folhas cuidadosamente no banco, prendeu-as com a tampa da caneta e fez sinal para Chen Jiangong. Caminharam até um ponto afastado o bastante para não incomodar Lin Chaoyang.
Após longo silêncio, Chen Jiangong perguntou:
— Professora Zhou, isso que Chaoyang faz já se pode chamar de “raciocínio veloz”?
Zhou Yanru não respondeu. Olhava para as costas de Lin Chaoyang e, de repente, falou de outro assunto:
— Quando a “Literatura de Yanjing” foi fundada, havia poucos funcionários e menos ainda manuscritos de qualidade. Era uma luta pela sobrevivência. Quando se aproximava o fechamento da edição, sentíamos como pobres em véspera de Ano Novo, não sabíamos o que fazer. Às vezes, em desespero, os editores diziam: “Se não houver nada decente, Lao Zhao, escreva você mesmo”. E ele nunca recusava. Afinal, pagavam pelos textos. Melhor que o dinheiro ficasse em casa. Sempre tomava um gole de vinho, comia uma tigela de wontons, rabiscava alguns símbolos no papel, desenhava linhas cruzadas e, sem parar a mão, surgia uma obra-prima.
Enquanto Zhou Yanru contava, Chen Jiangong escutava atento, interessado. Ele conhecia bem a história da “Literatura de Yanjing” e sabia que o “Lao Zhao” mencionado era o romancista e fundador do estilo Batata-doce, Zhao Shuli. Ele também fora editor da revista e, após a morte do senhor Lao She, chegou a dirigir a publicação.
— “Registro” também foi escrito às pressas, assim — disse Zhou Yanru, olhando para Lin Chaoyang, agachado ao lado do banco, escrevendo incansavelmente. — Os verdadeiramente talentosos, muitas vezes, conseguem criar sem pensar. Não menciono Cao Zhi, que compunha poemas em sete passos. Como Lao Zhao, que entre um gole e outro produzia uma obra-prima, tais escritores são raros no mundo. Chaoyang...
Ela parou por um instante.
No caso de Lin Chaoyang, não saberia dizer. Não ousaria afirmar que seu talento pudesse se comparar ao de Zhao Shuli, mas ao menos tinha certeza do potencial. Afinal, ele tinha apenas vinte anos e pouca experiência literária.
Mesmo sem terminar a frase, Chen Jiangong percebeu o quão admirada e impressionada Zhou Yanru estava.
Ele próprio era ficcionista e compreendia perfeitamente os sentimentos dela. Na sua escrita, às vezes passava horas buscando uma única frase, reescrevia textos vezes sem conta, e após dias, tinha poucas centenas de palavras — e ainda assim, nunca satisfeito.
Bastava comparar sua situação com a de Lin Chaoyang para entender o abismo do talento: esse brilho espontâneo era uma diferença intransponível.
Além disso, revisar não era o mesmo que escrever. Escrever era deixar fluir o pensamento, um oceano sem limites. Revisar, porém, exigia enquadrar-se em regras, exercitar o talento dentro de limites e, ao mesmo tempo, romper o próprio raciocínio.
Na opinião de Chen Jiangong, o manuscrito de “O Cavaleiro dos Pampas” já era ótimo, e ainda assim Zhou Yanru apontara muitos defeitos. O mais impressionante era que Lin Chaoyang corrigia tudo com incrível naturalidade, sem qualquer hesitação.
O respeito que sentia se misturava a um leve constrangimento; afinal, antes pensara em dar orientações a Lin Chaoyang.
Uma hora passou rapidamente. Lin Chaoyang levantou-se, bateu os pés dormentes, fechou a caneta e a recolocou no bolso, organizou as folhas.
— Lao Zhou, veja aí se está bom agora?
Zhou Yanru analisou silenciosamente cada parte revisada.
— Está muito bom.
— Então está feito — disse Lin Chaoyang, já se afastando a passos largos. — Depois conversamos, se precisar.
Com o manuscrito na mão, Zhou Yanru perguntou a Chen Jiangong:
— Por que ele saiu assim, tão apressado?
— A senhora não sabe, Chaoyang é mesmo muito esforçado.