Capítulo 15 — Embalando-se como um batalhador obstinado
Decidido a escrever alguns artigos para ganhar dinheiro, Lin Chaoyang não se apressou a pôr a ideia em prática. Não só porque ainda não havia definido sobre o que escreveria, mas também porque não podia revelar facilmente essa intenção — afinal, ele pretendia escrever para alimentar um fundo secreto, e escrever em casa seria o mesmo que anunciar uma rebelião às claras.
Naquela noite, Lin Chaoyang revirou-se na cama sem conseguir dormir; era do tipo que, quando algo lhe ocupava o pensamento, perdia o sono, com a cabeça cheia de ideias, sentindo que, se não escrevesse logo, explodiria por dentro. Tao Yushu, sua esposa, também demorou a adormecer devido aos seus movimentos inquietos; pensou que ele estivesse apenas animado por seu primeiro dia de trabalho e não deu importância.
No dia seguinte, ao retornar ao trabalho, Lin Chaoyang esteve ocupado das seis e meia até às oito horas; depois que os alunos foram para as aulas, seu serviço tornou-se mais sossegado. Pegou o manual de trabalho e pôs-se a rabiscar ali mesmo. Hu Wenqiong, cuja estação de trabalho ficava ao lado da dele, notou que ele estava enrolando, mas não disse nada.
Naquela época, quem não enrolava no trabalho?
Perto do meio-dia, enquanto Lin Chaoyang estava absorto escrevendo, ouviu o som de uma bengala batendo no chão. Ergueu os olhos e viu um senhor magro, aparentando setenta ou oitenta anos, apoiando-se numa bengala e dirigindo-se ao balcão de atendimento.
Hu Wenqiong tinha ido ao banheiro naquele momento, então Lin Chaoyang perguntou:
— O senhor deseja emprestar algum livro?
O idoso apontou com a bengala para o armário onde estavam os cartões de referência:
— Procure para mim a coletânea de ensaios críticos de estética da Editora dos Escritores.
Esse velho era mesmo exigente!
Lin Chaoyang resmungou internamente, mas, afinal, o homem era idoso — não valia a pena contrariá-lo. Correu até o armário e, depois de procurar por um tempo, encontrou o cartão de referência do livro solicitado.
— Vou registrar o empréstimo para o senhor.
Assim que se sentou para anotar, o idoso acrescentou:
— Procure também para mim a "História da Estética Ocidental" da Editora de Literatura Popular.
Por que não falou antes?
Se não tivesse medo do velho desabar e culpá-lo, Lin Chaoyang teria questionado — estava ali só para ser enrolado?
Talvez percebendo sua insatisfação, o idoso disse:
— Jovem, não seja tão apressado; eu ainda não tinha terminado de falar.
A culpa é minha por ser rápido demais?
Paciência, ele é idoso, vou relevar mais uma vez. Quando voltou com o outro cartão, o velho fez um gesto de desprezo:
— Deixe para lá. Pensando bem, esse livro não é grande coisa, não vou ler, não tem interesse.
Sem dar chance para Lin Chaoyang responder, virou-se e foi embora, deixando-o completamente atônito.
O que foi isso? O velho estava só brincando comigo?
Olhando para o cartão de referência — "História da Estética Ocidental", escrita por Zhu Guangqian. Uma obra-prima de um renomado esteta, teórico literário, educador e tradutor contemporâneo na China — e ele diz que não vale nada?
Velho rabugento!
Lin Chaoyang praguejou mentalmente enquanto observava o senhor se afastar.
Depois desse pequeno episódio, Lin Chaoyang voltou sua atenção para o manual de trabalho.
O tal manual era um livrinho de poucos centímetros quadrados, com algumas dezenas de páginas, pequeno demais para escrever qualquer coisa relevante. Em um dia, ele já havia preenchido metade.
Ao sair do trabalho, foi até o portão sul da Universidade de Yan. Do outro lado da rua, havia o Restaurante Longa Marcha, um local tradicional onde os estudantes da universidade iam para variar a alimentação, apelidado de “refeitório externo”.
Ao lado desse restaurante havia um beco chamado Toca do Tigre, com uma casa de poupança, uma papelaria e uma loja de utilidades. Lin Chaoyang foi até lá comprar papel de carta. A caneta-tinteiro que usava para escrever era fornecida pela biblioteca, mas a tinta se esgotava em um dia; quanto ao papel, não queria mais se aproveitar da instituição, pois poderia ser considerado exemplo de quem tira proveito do socialismo.
Depois de comprar o papel, voltou para a biblioteca, guardou as folhas na gaveta de sua mesa de trabalho e então foi para casa.
Após o jantar, perguntou a Tao Yushu se queria ir ao cinema.
O grande refeitório da Universidade de Yan servia não só como restaurante, mas também como salão de festas e cinema. Não havia finais de semana duplos, apenas um dia de folga; por isso, todo sábado e domingo à noite, a universidade vendia ingressos para sessões de cinema ao público, por cinco centavos, embora fossem sempre filmes antigos.
— Hoje à noite preciso fazer lição de casa — respondeu Tao Yushu, balançando a cabeça.
— Então vamos amanhã.
— Amanhã preciso estudar.
Em uma semana de volta a Pequim, Tao Yushu revelou seu lado apaixonado pelos estudos. Duas recusas seguidas deixaram Lin Chaoyang desanimado:
— Então vou à biblioteca ler.
— Não é a mesma coisa ler em casa?
— Com você aqui, não consigo me concentrar.
As palavras galanteadoras de Lin Chaoyang fizeram Tao Yushu corar e lançar-lhe um olhar de censura, mas ele saiu de casa sem dificuldades.
Caminhando pela margem leste do Jardim Langrun até a biblioteca da universidade, já eram sete e vinte da noite. As salas de estudo e leitura estavam lotadas, o prédio iluminado por completo.
Ao lado da escadaria principal, havia uma portaria, onde trabalhava o senhor Xie, com quem Lin Chaoyang já se familiarizara em dois dias de trabalho.
— Xiao Lin, o que faz aqui a essa hora?
— Em casa não tinha o que fazer, vim ler um pouco.
O senhor Xie elogiou:
— Vocês, das áreas culturais, são diferenciados. Se meu filho tivesse metade da dedicação de vocês, professores e alunos, certamente passaria no vestibular.
— Trabalhando aqui, seu filho um dia também começará na Universidade de Yan.
Essas palavras fizeram o senhor Xie abrir um largo sorriso:
— Que assim seja!
Após alguns minutos de conversa, Lin Chaoyang foi ao balcão do setor de empréstimos fechados, decidido a continuar o trabalho iniciado durante o dia.
Lin Chaoyang não era arrogante a ponto de acreditar que, só por ter atravessado o tempo, poderia dominar o cenário literário chinês; utilizava, sim, um método astuto: “inspirar-se” em obras de sucesso do futuro. O texto que estava escrevendo era fruto desse artifício.
No entanto, desde que se formara, fazia anos que não escrevia nada. Retomar a prática de repente, mesmo com muitas ideias, resultava em textos confusos e medianos, mesmo contando com modelos de sucesso para se inspirar.
Sabia que não adiantava apressar-se; era preciso paciência e trabalho constante. Reescreveu e revisou o conteúdo do dia no papel de carta, ajustando e copiando novamente.
Após muito tempo curvado sobre a mesa, sentiu os braços e ombros doerem. Levantou-se para se alongar e, ao olhar o relógio da biblioteca, viu que já eram nove horas.
Rapidamente guardou o material e voltou para casa. Tao Yushu já se preparava para dormir e não lhe fez perguntas.
Na manhã seguinte, ao terminar o café, Tao Yumo avisou que sairia com colegas e queria emprestar a bicicleta da irmã.
Tao Yushu estava escovando os dentes e não podia responder, então Lin Chaoyang consentiu:
— Pode levar.
— A bicicleta nem é sua — resmungou Tao Yumo.
Ora, essa menina, não sabe reconhecer quem lhe faz favores.
Lin Chaoyang não se incomodou com a insolência, mas Tao Yushu se irritou e, após enxaguar a boca, respondeu:
— Não empresto!
— Só quero pegar emprestada, não estou dizendo que não vou devolver! — protestou Tao Yumo.
— A bicicleta é minha, empresto se quiser, se não quiser, não empresto.
— Foi papai quem comprou!
— Comprou para mim!
As irmãs trocaram farpas, e Tao Yumo, furiosa, foi queixar-se à mãe.
Tao Yumo costumava ser indelicada com Lin Chaoyang; Tao Yushu apenas queria dar-lhe uma lição. Vendo a mãe tomar o partido da caçula, desistiu da discussão:
— Empresto, mas mude esse tom comigo!
— Hum!
Com a mãe ao seu lado, Tao Yumo ficou cheia de si, mas não ousou abusar, pois sabia que ainda precisaria da bicicleta no futuro.
Assim que saiu pedalando, Lin Chaoyang abraçou Tao Yushu:
— Você é a melhor esposa.
Entre os três irmãos da família Tao, Tao Yushu puxara ao pai: era generosa, competente e muito apreciada por ele. Tao Yucheng e Tao Yumo pareciam mais com a mãe, com um certo ar burguês.
Tao Yumo, muito influenciada pela mãe, nunca teve grande simpatia por Lin Chaoyang.
— Essa menina precisa de disciplina, tudo culpa da minha mãe, que a mimou demais.
— Não tem problema, eu não vou me rebaixar ao nível de uma adolescente — respondeu Lin Chaoyang, magnânimo. Em seguida, propôs:
— Vamos sair para passear hoje?
Tao Yushu hesitou. Tendo recusado o convite para o cinema na noite anterior, sentiu-se mal em recusar novamente. Mas, ao lembrar da pilha de livros e materiais esperando por ela, perdeu toda a vontade de sair.
Lin Chaoyang leu o que se passava em seu rosto e pensou que, afinal, uma esposa tão dedicada aos estudos talvez não fosse tão bom assim.
Compreensivo, disse:
— Está bem, entendi, vou à biblioteca.
— Vai de novo?
— Com você por perto eu... — percebeu que já estava exagerando nas desculpas. Como Tao Yushu não reagiu tão mal quanto na noite anterior, continuou: — Acabei de chegar lá, de qualquer forma, não tenho o que fazer, e se o chefe me vir trabalhando no fim de semana, vai me elogiar!
Tao Yushu brincou:
— Olha só esse seu jeitinho interesseiro!
— Isso é o que eu chamo de buscar progresso.
Por causa do fundo secreto, Lin Chaoyang apenas abandonou temporariamente seus planos de vida pacata, vendendo-se como alguém dedicado e esforçado.
Ao sair, não pôde evitar de rir de si mesmo.
Quem diria que, depois de tanto esforço para viajar no tempo, acabaria se transformando justamente naquilo que mais detestava!