Capítulo 107 Quanto mais penso, mais me sinto angustiado (6000 votos mensais, capítulo extra)
“Que sorte?” Chen Jiangong perguntou instintivamente, e logo sua expressão se tornou séria. “A sua peça...”
Lin Chaoyang assentiu. “Ontem me contaram que vão participar de uma apresentação artística, deve ser esse evento que você mencionou.”
Chen Jiangong mostrou preocupação. “Vocês ensaiaram pouco, né? Se apresentarem às pressas e o resultado for ruim, não seria um desperdício do seu roteiro?”
“Não teve jeito! A Universidade Normal não tinha nenhum programa decente, e nossa peça recebeu grande apoio da direção, que ainda liberou dois mil yuans de verba. A ideia era fazer uma apresentação para toda a escola no final do semestre, mas agora tivemos que adiantar.”
Lin Chaoyang não mentiu; anteriormente, Huang Huilin havia solicitado verba à direção da Universidade Yan, que apoiou, mas não queria desperdiçar o dinheiro. A intenção era realmente realizar a apresentação de “O Primeiro Prédio do Mundo” no final do semestre.
Sua voz era serena, sem grandes emoções, mas para Chen Jiangong soava como pura pose.
Os dois eram muito próximos, mais do que simples conhecidos.
Chen Jiangong confiava plenamente em “Consciência”, um roteiro que ele havia lapidado cuidadosamente, contando com a ajuda de Lin Chaoyang, Lan Tianye e Lan Yinhai.
A estreia na Universidade Yan dias atrás fora aclamada, e as apresentações seguintes foram quase sempre lotadas. Tanto a crítica quanto a recepção estudantil superavam em muito “Amor Bonito”, que havia sido o sucesso do campus há mais de um mês.
Ele, sempre ativo em diversas organizações e eventos, tinha um bom conhecimento das produções das universidades vizinhas.
Conhecia quase todos os programas de destaque, e se gabava da qualidade superior de “Consciência”.
Mas agora a presença de Lin Chaoyang era uma incógnita...
Chen Jiangong refletiu, mas logo achou que estava exagerando.
Lin Chaoyang escrevia melhor que ele, isso era verdade, mas nunca havia trabalhado com teatro. Nos ensaios de “Consciência”, sempre enfrentavam dificuldades; afinal, seu próprio roteiro não poderia ser tão superior assim.
Além disso, mesmo que o roteiro fosse um pouco melhor, o pouco tempo de ensaio certamente prejudicaria a performance, que não chegaria aos pés de “Consciência”.
Reconfortado consigo mesmo, Chen Jiangong sorriu confiante.
“Então ótimo, vamos competir no mesmo palco.”
Lin Chaoyang concordou. “Combinado.”
O mês de dezembro mal havia começado, e as árvores lá fora pareciam galinhas depenadas, com poucos fios de penugem no céu cinzento.
Ainda escuro, Lin Chaoyang corria ao redor da biblioteca.
Meses atrás, desprezado por Tao Yushu, ele viu o velho Zhu correndo e decidiu acompanhá-lo por dois dias, sem imaginar que continuaria.
Claro, a persistência de Lin Chaoyang também se devia às provocações do velho Zhu.
O velho Zhu não falava enquanto corria, mas ao parar, despejava toda a raiva contida, especialmente porque Lin Chaoyang adorava provocá-lo, sempre na frente dele.
Correram juntos todas as manhãs, e após os treinos, trocavam insultos; essa rotina virou hábito, e quando alguém faltava, sentiam falta.
Hoje o velho Zhu não apareceu, provavelmente preguiçando na cama.
Com o frio intenso, Lin Chaoyang só corria cedo porque precisava ir trabalhar.
Após o exercício, ele foi até a entrada da biblioteca.
No inverno, a fila para entrar era menor, mas ainda havia muitos segurando café quente, esperando o portão abrir.
Ele ficou enrolando meia hora no balcão de empréstimos quando Du Rong lhe entregou um bilhete: alguém o procurava lá embaixo.
Descendo, viu Zhang Dening com uma expressão melancólica no hall ensolarado. Ao se aproximar, ela disse: “Você não veio me ver esse tempo todo, tive que ser eu a ir atrás de você?”
Lin Chaoyang quase tampou a boca dela. Que palavras duras eram aquelas?
“Vamos conversar direito, pode ser?”
Zhang Dening sorriu, “Só estou brincando.”
“Mas faz tempo que não venho te ver, estou aqui agora.”
“Isso nem parece um elogio.”
Fora estava muito frio, e a biblioteca não era o melhor lugar para conversar, então Lin Chaoyang levou Zhang Dening para um canto tranquilo na escada.
“A peça ‘A Coroa nas Montanhas’ está fazendo sucesso, hein!” Zhang Dening parecia tensa.
“Pois é, nem eu esperava.”
“Ouvi dizer que a edição da ‘Literatura Popular’ vendeu 1,5 milhão de exemplares. A editora humanística não pensou em lançar um volume separado para você?”
Zhang Dening ficou desconfortável, como se a vaca da família tivesse sido emprestada para arar a terra do vizinho, e na colheita o vizinho tivesse mais frutos.
“Volume separado vai demorar, o exército talvez tenha planos.”
“Também ouvi que ‘Sapatinhos’ vendeu bem.”
Lin Chaoyang olhou surpreso para Zhang Dening. A versão em volume separado de “Sapatinhos” também fora lançada pela mesma editora humanística. Antes da publicação, Li Shuguang havia informado a tiragem de mais de 30 mil exemplares, um número considerável.
Mas ele não se preocupava com vendas; agora que a editora não pagava direitos autorais nem por tiragem, era uma venda avulsa, e ele não se importava.
“Você sabia disso tudo?”
“Não é segredo. Quem se informar sabe.”
“E as vendas?”
Embora não se importasse muito, era seu trabalho publicado, então sentia curiosidade.
“Não sei o número exato, só que já imprimiram 150 mil exemplares.” Zhang Dening falou com um tom meio melancólico.
Naquela época, não havia estatísticas precisas de vendas; as tiragens eram usadas como referência.
Embora os dados possam ter erros, geralmente eram confiáveis, pois nenhuma editora imprimia livros para ficarem acumulando no depósito.
Lin Chaoyang refletiu: “Sapatinhos” foi lançado há menos de dois meses e já imprimiram 150 mil. Em um ano, deve chegar a algumas centenas de milhares.
Ah, se ainda fosse a era dos direitos autorais, só esse volume já teria rendido uma fortuna.
Quanto mais pensava, mais se sentia lesado, mais se incomodava.
Maldição! Por que é tão difícil para o povo trabalhador ganhar um pouco de dinheiro?
Não só ele se sentia frustrado; os editores de “Arte e Literatura de Yanjing”, como Zhang Dening, também.
Eles perderam a chance com “Sapatinhos”, e embora lamentassem, ainda aceitavam.
“A Coroa nas Montanhas” era um tema militar, com um público reduzido e limitações no sistema crítico literário.
Mas quem imaginaria que essa obra pegaria fogo por três meses, fazendo a edição nº 8 da “Literatura Popular” ultrapassar 1,5 milhão de vendas, quebrando recordes e barreiras para revistas literárias nacionais.
Sua influência foi imensa, alcançando todo o país, com milhões de leitores.
Hoje em dia, há bicicletas compartilhadas e carregadores compartilhados; naquela época, as pessoas compartilhavam livros.
Cada exemplar de uma revista era lido não só pelo dono, mas também por familiares, colegas e amigos. A circulação formava uma rede de leitores apaixonados por literatura contemporânea.
Personagens vivos e vibrantes como Zhao Mengsheng, Liang Sanxi e Jin Kailai tornaram-se temas de conversa e ídolos de jovens entusiasmados.
No exército, a influência foi ainda maior. O exército havia comprado 50 mil exemplares da “Literatura Popular”, e em poucos meses, a revista circulou amplamente entre as unidades.
Por tratar de histórias e personagens do exército de base, os soldados sentiam maior identificação, e o enredo com batalhas, sacrifícios e heroísmo conquistou o afeto dos militares.
Principalmente os veteranos, que se emocionavam com a autenticidade da narrativa.
Muitos dos milhares de cartas de leitores vinham das tropas.
Infelizmente, Lin Chaoyang não podia responder a todos, apenas a alguns selecionados para agradecer.
“A Coroa nas Montanhas” dominou 1979 de forma única.
Nem “Sapatinhos”, que causou muito impacto meses antes, tinha tamanho sucesso.
O tema militar tem suas limitações, mas também seu poder: sua popularidade reflete a opinião pública dominante.
Quando uma obra assim faz sucesso, ultrapassa o público literário, alcançando a massa popular.
O único consolo para Zhang Dening e sua equipe era que “Sapatinhos” tinha melhor reputação crítica que “A Coroa nas Montanhas”.
No meio literário, o tema militar é avaliado segundo critérios oficiais, com pouca promoção interna. “A Coroa nas Montanhas” teve boa recepção, mas não superou essas barreiras.
Em outubro, Feng Mu publicou uma crítica importante no “Jornal de Artes”, seguida por outras avaliações oficiais, todas positivas, mas o impacto na crítica literária foi morno diante do sucesso popular.
Pensar que a editora também publicou “Sapatinhos” deixava os editores de “Arte e Literatura de Yanjing” ainda mais frustrados — era como fazer vestido para noiva alheia.
“Então não foi pouco.” Lin Chaoyang suspirou, aceitando a situação.
Zhang Dening, também incomodada, mudou de assunto. “Tem alguma ideia nova?”
“Não.” Lin Chaoyang respondeu com firmeza.
“Não? Já faz quatro ou cinco meses que entregou ‘A Coroa nas Montanhas’.”
Zhang Dening olhava surpresa, desconfiada.
Depois daquela experiência, ela estava cautelosa.
“De verdade, não. Estou ocupado com teatro, sem tempo.” Lin Chaoyang explicou.
“Teatro? Para quê?”
“Para ajudar minha esposa.”
Lin Chaoyang disse isso, e Zhang Dening ficou em silêncio, olhando-o com uma mistura de admiração e desprezo: admirava seu talento para dramaturgia, desprezava o fato de estar se desviando do ofício principal.
“Esse é seu verdadeiro sustento.” Zhang Dening parecia temer que Lin Chaoyang se perdesse no teatro e abandonasse a escrita.
“É só uma peça estudantil.”
Zhang Dening assentiu. “Ok, volto depois.”
“Combinado.”
“Ah, qual o nome da peça da sua esposa?” perguntou Zhang Dening ao sair.
“O Primeiro Prédio do Mundo!”
“O Primeiro Prédio do Mundo? Nome forte para uma peça estudantil.” Zhang Dening murmurou.