Capítulo 92: O Estudo Traz Felicidade (Quatro Atualizações Hoje)
Hong Zicheng veio procurar Lin Chaoyang para discutir suas opiniões sobre a literatura das cicatrizes; jamais imaginou que seria considerado um “especialista em experiência” por Tao Yushu.
Apesar de surpreso, Hong Zicheng respondeu sinceramente à pergunta de Tao Yushu.
“Para ser franco, minha visão sobre a literatura das cicatrizes é relativamente complexa. Assim como o camarada Chaoyang, penso que devemos reconhecer o valor fundamental que essa corrente proporcionou ao desenvolvimento da literatura e da sociedade chinesa após seu nascimento e durante seu auge, mas também precisamos perceber suas deficiências.
Em minhas pesquisas teóricas, dividi de modo superficial a literatura contemporânea chinesa em duas partes, separadas pela chamada ‘época do zumbido’.
Hoje, o debate principal no meio literário gira em torno de se devemos ou não retomar o estilo de criação e a ideologia da ‘literatura dos dezessete anos’. Se não seguirmos o caminho dessa literatura, que direção devemos tomar?
Após a época do zumbido...”
Neste ponto, Hong Zicheng hesitou; talvez não soubesse como denominar esse novo período literário. Afinal, apenas três anos se passaram desde 1976, tudo ainda está em fase inicial, e ninguém no meio literário definiu ou descreveu precisamente esse momento.
“Literatura do novo período!”, exclamou Lin Chaoyang, de repente.
Ouvindo isso, os olhos de Hong Zicheng brilharam, e ele se levantou, aplaudindo.
“Literatura do novo período! Que expressão excelente! Camarada Chaoyang, sua pesquisa sobre literatura contemporânea realmente é profunda; esse nome é absolutamente preciso!”
Lin Chaoyang apressou-se em gesticular, dizendo: “Foi apenas uma expressão espontânea; o nome definitivo ainda depende do consenso acadêmico.”
Hong Zicheng, porém, ficou cada vez mais empolgado. “Esse nome é ótimo. Camarada Chaoyang, gostaria de usá-lo em meu livro, posso?”
“Use à vontade, é só um nome.”
Hong Zicheng sorriu satisfeito. “Só por esse termo, já valeu a viagem!”
Originalmente, Hong Zicheng procurou Lin Chaoyang para trocar ideias sobre a literatura das cicatrizes, mas o domínio de Lin Chaoyang sobre a literatura contemporânea, especialmente do período pós-zumbido, ficou claro com um simples termo, e a conversa logo se expandiu para outros temas.
“Você leu a edição de julho de ‘Literatura Popular’? Tem um artigo lá.” Perguntou Hong Zicheng.
“Você está falando de ‘O Registro da Nomeação do Diretor Qiao’, de Jiang Zilong, certo?”
“Exato, sabia que você iria notar.”
“É um texto excelente, com grande influência, como eu poderia não prestar atenção?”
Hong Zicheng assentiu: “Alguns críticos já lançaram o slogan de ‘literatura da reforma’; ‘O Registro da Nomeação do Diretor Qiao’ pode ser considerado a obra inaugural, sua influência é profunda.”
“É uma ótima obra, mas se for para definir o ponto de partida da literatura da reforma, acho que ‘Um Dia na Vida do Diretor de Engenharia Elétrica’, do mesmo autor, talvez seja ainda mais apropriada.”
Hong Zicheng ficou surpreso; ele conhecia Jiang Zilong a partir de ‘O Registro da Nomeação do Diretor Qiao’ e ainda não havia explorado suas obras anteriores.
“Essa eu ainda não li, conte-me sobre ela.”
“‘Um Dia na Vida do Diretor de Engenharia Elétrica’... você deve saber que foi publicada no início de 1976, em plena época do zumbido. A obra inteira transmite uma atmosfera de opressão, com uma narração preocupada sobre o estado do setor industrial naquele momento.
Isso destoava completamente do ambiente político e econômico da época. Jiang Zilong já demonstrava ali uma percepção aguçada sobre o desenvolvimento industrial chinês, acompanhada de um forte senso de responsabilidade.
O nome ‘literatura da reforma’ se encaixa perfeitamente nela.”
O interesse de Lin Chaoyang pela recém-emergente literatura da reforma surpreendeu Hong Zicheng, que ficou ainda mais curioso sobre como Lin Chaoyang conseguia conhecer essas obras tão profundamente. Afinal, mesmo sendo especialista em literatura contemporânea, Hong Zicheng admitia suas próprias lacunas.
Diante da dúvida, Lin Chaoyang sorriu. “Você esqueceu onde eu trabalho? Na biblioteca, o maior benefício é poder ler. De todas as épocas e lugares, especialmente as revistas literárias contemporâneas, nosso setor de periódicos é completíssimo.”
Antes da popularização da internet, a biblioteca era o canal mais autoritário e conveniente para obter conhecimento e informação. A Biblioteca da Universidade Yan era uma das principais do país, e Lin Chaoyang, inserido nesse ambiente, era naturalmente beneficiado.
Porém, Lin Chaoyang trabalhava na biblioteca havia apenas um ano, e suas obrigações o impediam de ler tudo. Suas palavras eram metade verdade, metade exagero.
Seus pontos de vista resultavam tanto das leituras desse ano quanto de conhecimentos adquiridos em tempos futuros.
Mas Hong Zicheng não sabia disso; a ideia de “trabalho na biblioteca” e “leitura ampla” despertou em sua mente associações grandiosas. Ao ouvir Lin Chaoyang, seu olhar se tornou involuntariamente reverente.
Ser funcionário temporário na biblioteca, de fato, não era para qualquer um!
O diálogo intenso levou Hong Zicheng a considerar Lin Chaoyang um verdadeiro amigo; ao final, ele comentou, emocionado: “Chaoyang, alguém como você não dar aulas em nosso departamento de literatura é realmente uma pena.”
Lin Chaoyang sorriu, balançando a mão. “Com o meu nível, ensinar está fora de questão; ser aluno até combina.”
Hong Zicheng riu, lembrando que Lin Chaoyang mencionara frequentar aulas do departamento de literatura.
Antes, Lin Chaoyang assistia às aulas como aluno, mas num certo dia foi parar no púlpito como professor; ao imaginar essa cena, Hong Zicheng não conteve o riso.
O tempo passou depressa, e já eram mais de oito da noite quando Lin Chaoyang se despediu de Hong Zicheng.
Ao voltar para o quarto, percebeu que Tao Yushu o encarava com olhos radiantes, quase assustadores.
Antes, ao discutir literatura com Lin Chaoyang, por serem marido e mulher, as conversas sempre se resumiam ou desviavam para assuntos mais íntimos.
A visita de Hong Zicheng fez Tao Yushu perceber, surpresa, que o marido havia crescido a ponto de ser digno de sua admiração.
“Por que está me olhando assim?”
Tao Yushu não respondeu, puxou sua mão e, com expressão carinhosa, disse: “Chaoyang, você merece todo meu orgulho.”
Orgulho? Antes que Lin Chaoyang perguntasse o motivo, Tao Yushu continuou: “Na biblioteca você não deixa o trabalho de lado, ainda arranja tempo para aulas e leituras, e em casa ainda escreve.”
Imaginando o marido sempre ocupado, Tao Yushu sentia-se ao mesmo tempo orgulhosa e preocupada.
“Ah, bem... é verdade.” O rosto de Lin Chaoyang, antes cheio de energia, imediatamente mostrou sinais de cansaço. “É cansativo, mas aprender me traz alegria.”
“Aprender traz alegria?”
Tao Yushu repetiu a frase, seus olhos ainda mais brilhantes.
Ter um companheiro tão motivado era realmente uma bênção!
Ela assentiu vigorosamente: “Está certo, aprender traz alegria. Chaoyang, você disse uma verdade maravilhosa, deveria escrever isso e colar na parede.”
Lin Chaoyang assustou-se com o entusiasmo da esposa. “Querida, não precisa, basta sentirmos isso, colar na parede só causa pressão para todos.”
“Por que seria pressão? Se sente pressão, é porque não tem vontade de melhorar!”
Tao Yushu rebateu de forma irrefutável.
Lin Chaoyang argumentou: “Aqui é casa, não escola nem empresa. Pense no seu irmão...”
“Ah... esqueci que temos aqui alguém sem interesse pelos estudos.”
Quando se tratava de criticar o irmão, sua esposa era uma especialista.
“Mas essa frase é tão boa, seria um desperdício não usá-la.” Tao Yushu murmurou, com um brilho estranho nos olhos.
No dia seguinte, ao voltar do trabalho, Lin Chaoyang encontrou o sogro escrevendo com pincel. Como a cunhada não estava presente, seus elogios finalmente encontraram espaço.
“Pai, hoje o senhor está inspirado!”
O sogro, concentrado, mal teve tempo de responder ao elogio do genro. Com um movimento fluido, escreveu seis grandes caracteres no papel:
Aprender traz alegria!
Lin Chaoyang: ????
“Pai, isso é...?” Lin Chaoyang não resistiu a perguntar.
O sogro pôs o pincel de lado e respondeu: “Yushu disse que Xiwen já está na escola, Xiwu logo também estará, pediu que eu escrevesse algo para colocar no quarto deles, para incentivá-los a estudar.”
“Ela pediu para escrever?”
Lin Chaoyang ainda tinha outra pergunta: Se ela pediu, o senhor obedeceu?
“Sim, admiro que ela, como tia, ainda pense nos dois pequenos.” O sogro falava com satisfação sobre a filha.
Só Lin Chaoyang, conhecendo os bastidores, sentia-se sem palavras. Temia que, com esse ritmo, a casa logo se tornaria um campo de batalha.
“Yucheng, cole este cartaz para Xiwen e Xiwu!”
O sogro chamou, e o cunhado saiu do quarto, admirando a caligrafia do pai e ainda elogiando.
“Pai, sua escrita está cada vez melhor!”
Lin Chaoyang balançou a cabeça discretamente; os elogios do cunhado eram inferiores aos seus.
Sua esposa estava certa: realmente não era dedicado aos estudos!
Com cuidado, Tao Yucheng levou o cartaz para o quarto dos filhos, colando-o na mesa de Xiwen, onde ele escreve e faz lição de casa.
Tao Yumou havia se mudado para o dormitório da escola há poucos dias e ainda não voltara, aparentemente aborrecida; a sogra mandou o cunhado arrumar o quarto.
Antes, Tao Yucheng dormia com o filho mais velho, Tao Xiwen, enquanto Zhao Li ficava com o filho mais novo, Tao Xiwu, e Tao Yumou. Agora, conforme a orientação da mãe, Xiwen e Xiwu passaram a dividir um quarto, e Tao Yucheng com a esposa outro.
Com os filhos juntos e o casal em outro quarto, o cunhado ficou feliz, agindo com uma agilidade inédita.
Só que, assim, Tao Yumou, nos fins de semana ou nas férias, teria que dividir o quarto com os pequenos.
Por enquanto, os irmãos são pequenos e não há inconveniente, mas em alguns anos será diferente.
Lin Chaoyang sentiu pena da cunhada; a hierarquia familiar era evidente.
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