Capítulo 25: O Espírito da Pomba
Depois de conversarem sobre o manuscrito, Lin Chaoyang voltou para a biblioteca e, ao passar pelo Triângulo, foi abordado por Chen Jiangong, Zhou Shifang e outros, todos animadíssimos.
— Chaoyang, venha tirar uma foto!
Os líderes e convidados já haviam feito suas fotos em grupo. Alguns já tinham ido embora, outros conversavam com conhecidos. Os jovens responsáveis pela organização do Círculo Literário Quatro de Maio estavam eufóricos, ansiosos para tirar fotos com os presentes. Quando viram Lin Chaoyang passar, logo quiseram puxá-lo para junto deles.
Lin Chaoyang avistou o diretor Xie Daoyuan se aproximando e rapidamente se desvencilhou do braço de Chen Jiangong.
Não somos tão próximos, não me envolva nisso!
— Diretor!
Xie Daoyuan acenou com a cabeça. — Querem que eu tire a foto para vocês?
— Não precisa, não precisa. — Lin Chaoyang agitou as mãos, assustado.
Ser pego distraído pelo diretor e ainda pedir que ele tirasse a foto? Nem pensar!
— O senhor pode seguir, eu já estou voltando para a biblioteca — disse ele, saindo apressado sem olhar para trás.
Depois de tirar fotos com Liu Xinwu, Chen Jiangong comentou, um pouco desapontado:
— Chaoyang é muito discreto. Eu queria apresentá-lo a você. Aquela obra dele, "O Pastor de Cavalos", herda completamente o núcleo ideológico do seu "O Professor Responsável", criticando profundamente o dano causado pelo zumbido na alma dos compatriotas. Está muito bem escrita.
Liu Xinwu olhou para as costas de Lin Chaoyang, que se afastava rapidamente.
— Por que ele saiu correndo assim?
— Ele trabalha na biblioteca, e com o diretor por perto, como não correria?
— Interessante! — Liu Xinwu soltou uma gargalhada. — Da próxima vez, quero muito conhecê-lo. A propósito, quando será publicada a obra dele?
— Não sei, isso só o camarada Zhou pode responder.
Assim que Zhou Yanru retornou à multidão, Liu Xinwu foi até ela saber quando "O Pastor de Cavalos" seria publicado. Zhou Yanru ficou imediatamente alerta.
Afinal, Liu Xinwu não era apenas um escritor, mas também um dos editores da recém-lançada "Outubro". E corria o boato de que a revista estava carente de manuscritos, especialmente de contos.
— O conselho editorial aprovou a publicação por unanimidade, mas temos muitos textos acumulados. Teremos de esperar um pouco mais — respondeu ela.
Enquanto Chen Jiangong elogiava Lin Chaoyang e "O Pastor de Cavalos" como se fossem uma flor rara, Liu Xinwu apenas perguntou por curiosidade, sem imaginar o turbilhão de pensamentos de Zhou Yanru.
Mesmo dando uma resposta evasiva a Liu Xinwu, a sensação de crise persistia em Zhou Yanru.
A literatura nacional começava a se libertar, revistas literárias voltavam a circular, e cada autor talentoso e promissor era um recurso precioso. Não podia permitir que Lin Chaoyang fosse "roubado" por outra publicação.
Era preciso publicar "O Pastor de Cavalos" o quanto antes, mas, pensando na situação do quadro de pessoal de "Arte Literária de Yanjing", Zhou Yanru sentia-se ainda mais ansiosa. Certas decisões, afinal, não dependiam só dela.
Naquela noite, Tao Yushu voltou da Universidade Normal de Yanjing radiante. Lin Chaoyang logo soube que sua resenha crítica sobre "As Cicatrizes" foi elogiada pelo professor, que ainda se dispôs a recomendá-la para o recém-relançado "Jornal de Arte Literária" neste verão.
— Ora, ora! Minha esposa está virando uma crítica literária! — elogiou Lin Chaoyang, num tom um tanto exagerado, deixando Tao Yushu feliz e um pouco constrangida.
— Não diga isso. Ainda nem sei se o jornal vai aceitar — respondeu ela, com as faces ruborizadas de entusiasmo. — Mas tudo graças às suas sugestões.
Naquela tarde em que Tao Yumo extorquiu carne de porco assada, Lin Chaoyang e Tao Yushu discutiram longamente o texto, e ele deu várias ideias, contribuindo para o sucesso.
— Então a medalha é metade minha, metade sua? Quando sair o pagamento, quero metade!
Ouvindo isso, Tao Yushu se recompôs:
— Para que separar tanto? O que é meu não é seu também? E além do mais, ainda estou juntando dinheiro para comprar um relógio para você!
— Eu só estava brincando! — Lin Chaoyang percebeu que não conseguiria convencê-la, então preferiu adotar um tom conciliador.
Essa garota não é fácil de enrolar!
Logo chegou o dia 29, sexta-feira. Naquele ano, o feriado nacional caía no domingo e segunda-feira seguinte, garantindo um fim de semana prolongado.
Enquanto trabalhava, Lin Chaoyang planejava aonde poderia ir durante o feriado. Fazia mais de um mês que chegara a Yanjing, mas mal tinha passeado pela cidade.
Durante o jantar, Tao Yumo olhou para os pratos e não conteve o lamento:
— Já estamos no feriado nacional e não podemos ter mais um prato? Não tem nem gordura no estômago!
A família Tao era composta de sete adultos e duas crianças, nove ao todo. Quatro pratos à mesa, apenas uma travessa de carne refogada dava um pouco de sabor, mas não havia carne suficiente para todos.
Reclamar não adiantava, era preciso comer do mesmo jeito. E as queixas de Tao Yumo não eram infundadas.
— Mamãe está cada vez mais pão-dura — reclamou Tao Yushu, já no quarto, insatisfeita com o jantar.
Curioso, Lin Chaoyang perguntou:
— Seu pai ganha tão bem, sua mãe tem aposentadoria, e ainda pagamos a taxa da comida todo mês. Por que, no fim do mês, a comida é tão ruim?
O pai de Tao era professor de terceiro grau, com um salário de 229 yuan por mês — um alto salário para os padrões urbanos, já que a renda média mensal mal chegava a 70 yuan.
— Porque não há dinheiro — respondeu Tao Yushu distraidamente.
É claro que "não há dinheiro" não significava ausência total de recursos. A família Tao tinha boas economias, mas, naquele tempo, todos tinham o hábito de poupar e raramente mexiam no que estava depositado.
O pai separava 29 yuan para si, entregava 200 para casa. Com a aposentadoria da mãe, metade ia direto para o banco, e só o restante era usado nas despesas diárias.
— Tao Yumo e Xiwen ainda estão estudando, Xiwu precisa de leite em pó, e as crianças trocam de roupa todo ano. O problema é meu irmão...
Falar mal do irmão pelas costas não incomodava nada Tao Yushu.
— O salário dele não dá, vive pedindo dinheiro para mamãe!
Como assim?
De fato, o cunhado tinha mesmo um quê de "filho que depende dos pais".
Lin Chaoyang lembrou da primeira vez que o conheceu. Tao Yushu perguntou se ele tinha dinheiro, e ele pensou que, assim como ele, o cunhado entregava tudo em casa. Agora via que a pergunta vinha do fato de o cunhado ser gastador.
— Ele não dá dinheiro para a esposa?
— Dá, trinta yuan por mês, mas antes do meio do mês já pede de volta.
— E ela ainda devolve? — Lin Chaoyang admirou-se.
— Aquele temperamento dela você conhece. E meu irmão é cheio de conversa fiada, basta ele enganá-la um pouco que ela devolve.
Nesta altura, o tom de Tao Yushu deixava clara sua frustração com a cunhada Zhao Li.
Lin Chaoyang chegou a sentir inveja do cunhado. Se Tao Yushu fosse tão fácil de convencer quanto Zhao Li, ele não precisaria escrever tanto para juntar um dinheirinho extra. Já estaria deitado, tranquilo.
Qualquer dia, precisava pedir umas dicas ao cunhado.
— Em que está pensando? — Tao Yushu percebeu algo em seu semblante.
— Nada — respondeu, mudando de assunto. — E sua mãe, não diz nada?
— Dizer? Ela é que estragou ele! De onde você acha que veio esse jeito mimado dele? — protestou Tao Yushu, cada vez mais indignada. — Mamãe sempre preferiu os filhos homens!
— Pronto, já não é dinheiro seu mesmo. Lembro que, quando cheguei a Yanjing, seu irmão ainda comprou um peixe para me receber.
— Ele adora fazer pose de generoso fora de casa!
Depois de ironizar o irmão, Tao Yushu se acalmou e disse:
— Eu nem gostava de falar dessas coisas. Só falei porque você insistiu!
Tá bom, a culpa é minha!
— Vamos passear no feriado! — sugeriu Lin Chaoyang, mudando de assunto.
Ao ouvir isso, Tao Yushu ficou constrangida.
Lin Chaoyang sentiu um mau presságio.
— Não me diga que terá aula no feriado?
— Não. É que a redação para o "Jornal de Arte Literária", o editor pediu mais revisões. E justo nesses dias de folga...
Lin Chaoyang ficou indignado e sentiu-se injustiçado.
Mais uma vez, seria deixado de lado!