Capítulo 24: O Comum e Simples Lin Chaoyang

O Escritor de 1978 Sentado, contemplo a Montanha Jingting 2868 palavras 2026-01-30 14:21:41

Às nove horas da manhã, realizou-se oficialmente na sala de conferências da Biblioteca de Yanjing a cerimônia de restauração do Círculo Literário Quatro de Maio da Universidade de Yanjing. Na janela sul da sala pendia uma faixa: “Cerimônia de Restauração do Círculo Literário Quatro de Maio da Universidade de Yanjing”.

Quando os líderes e convidados iam se acomodando, Lin Chaoyang de repente avistou um rosto familiar entre eles.

Não era aquele velho que tinha zombado dele na biblioteca outro dia?

Ele viu o velho apoiar-se na bengala até sentar-se, olhando para a plaquinha à sua frente: Zhu Guangqian.

Lin Chaoyang não conteve um xingamento mental.

Velho... camarada, não bastava tirar sarro de mim, também precisa implicar consigo mesmo? Machucando-se mais do que ao inimigo, é isso?

Aquela História da Estética Ocidental, escrita mais ou menos — Zhu Guangqian.

O espanto de Lin Chaoyang não teve qualquer efeito sobre a cerimônia, e todos os convidados tomaram seus assentos.

A pequena sala da Biblioteca de Yanjing estava repleta das maiores personalidades do meio cultural chinês, incluindo figuras de grande peso.

Entre eles, estavam Ma Shijiang, vice-secretário do Comitê do Partido da Universidade de Yanjing; Ji Xianlin, vice-reitor; Wang Yao, professor do Departamento de Letras; Kawashima, amigo íntimo de Lu Xun; o crítico de poesia Xie Mian; o poeta Zhang Zhimin; o escritor Liu Xinwu; Zhou Yanru, chefe do grupo de romances da revista Artes e Letras de Yanjing; e, claro, Zhu Guangqian, o próprio que brincara com Lin Chaoyang.

Já Chen Jiangong e Zou Shifang, que tanto trabalharam pela restauração do círculo, não participaram como membros da mesa, limitando-se a assistir de frente para os líderes e convidados.

Após a fundação do Círculo Literário Quatro de Maio, ambos se tornaram apenas vice-presidentes. O único membro do círculo a sentar-se junto aos demais era o presidente já confirmado, Zhang Youhua, responsável pelo Departamento de Cultura do Comitê da Juventude.

A cerimônia começou com a apresentação da resposta do senhor Mao Dun à Universidade de Yanjing e da dedicatória que fez para a revista Lago Sem Nome, arrancando calorosos aplausos dos presentes.

Em seguida, Ma Shijiang anunciou os membros da nova diretoria do círculo, e vários dos convidados de peso discursaram, felicitando a restauração.

Lin Chaoyang viu os jornalistas do Diário do Povo e do Diário da Juventude da China anotando freneticamente, certo de que, no dia seguinte, a notícia da restauração do círculo apareceria nas páginas desses jornais de grande autoridade.

Afinal, trata-se de uma universidade de elite!

Ele não pôde deixar de admirar: até uma simples restauração de grêmio estudantil é notícia para jornais desse calibre.

Em menos de uma hora, a cerimônia foi encerrada. Depois, o círculo literário organizou uma foto coletiva dos participantes em frente à biblioteca.

Enquanto todos se ocupavam em arrumar o salão, Lin Chaoyang correu para fora.

Do lado de fora da biblioteca há um gramado chamado Triângulo pelos membros da universidade, local das fotos coletivas.

Quando ele chegou, a foto acabara de ser tirada. Ele se aproximou de Zhou Yanru e a chamou:

— Professora Zhou!

— Que professora Zhou, me chame só de velha Zhou — respondeu ela, descontraída.

— Velha Zhou — ele prontamente corrigiu —, a senhora tem um momento agora?

Zhou Yanru já sabia ao que ele vinha, assentiu e seguiu com ele em direção ao Lago Sem Nome.

Ji Xianlin, olhando para as costas de Lin Chaoyang, perguntou a Zhu Guangqian:

— Aquele é o genro da família Tao, não é?

Nos últimos dias, um assunto vinha sendo bastante comentado entre os professores da universidade.

A filha de Tao Jingfa, do Departamento de História, não só casou-se com um genro do campo, como o trouxe para a cidade e o arranjou para trabalhar na biblioteca.

Ser professor ali significava, naturalmente, estar acima de preconceitos mesquinhos, ninguém via com desdém o fato de Lin Chaoyang ser camponês; o que intrigava era a quebra de convenções.

Naqueles tempos, toda família urbana tinha jovens enviados ao campo, fosse entre parentes ou amigos, e não eram poucos os casamentos entre jovens urbanos e locais das regiões rurais.

Com a onda de retorno à cidade, esses jovens enfrentavam um dilema: todos queriam voltar, mas e o cônjuge do campo?

As opções eram três: ficar na zona rural para sempre; abandonar a família e voltar sozinho; ou trazer o cônjuge e os filhos para a cidade.

Diante de escolhas tão difíceis, a maioria optava pelo caminho do meio, e não faltavam escândalos de abandono familiar.

O caso de Lin Chaoyang e Tao Yushu chamava atenção por ela, brilhante e bela, ter se casado com um rapaz sem bens do campo, e mais ainda por ter feito de tudo para trazê-lo à cidade e conseguir-lhe um emprego.

Uma moça assim, quem não a elogiasse por lealdade e sentimento?

Isso também aguçava a curiosidade dos professores sobre o genro da família Tao. Muitos conheciam Tao Yushu, e se perguntavam que tipo de jovem teria conquistado tão excelente mulher e a convencido a lutar por ele.

Zhu Guangqian sorriu como um menino travesso:

— É ele mesmo, tão comum quanto dizem por aí.

Se Lin Chaoyang ouvisse, teria retrucado: “Com esse senso estético, não é à toa que a educação estética chinesa ficou emperrada por sua causa!”

Quando já estavam afastados do grupo, Zhou Yanru tomou a iniciativa:

— Veio perguntar do manuscrito, não foi?

— Sim.

Anteriormente, Chen Jiangong levara Lin Chaoyang ao editorial da revista Artes e Letras de Yanjing para entregar um conto. Tanto o editor do primeiro parecer, Zhang Dening, quanto Zhou Yanru, chefe do grupo de romances, elogiaram a obra, garantindo sua qualidade.

Em tese, bastava que o responsável final revisasse, pedisse ajustes e depois fosse publicado na fila. Mas já se haviam passado duas semanas sem qualquer notícia.

Na época, Zhou Yanru ainda prometera avisar Lin Chaoyang para corrigir o texto após a avaliação da comissão editorial.

— Seu texto é muito bom, eu sou favorável à publicação. Mas estamos para ter mudanças na equipe editorial, então vai atrasar um pouco.

Lin Chaoyang, acostumado aos percalços da vida, sabia que, se fosse apenas troca de pessoal, seu manuscrito não seria postergado.

— Não me venha com conversa, hein!

Sua franqueza fez Zhou Yanru rir:

— Você é mais esperto que um macaco, garoto.

O clima da conversa era leve, e vendo sua maturidade, Zhou Yanru não escondeu mais nada:

— De fato, o responsável vai mudar. Seu texto foi para discussão na comissão, mas a principal liderança ficou receosa com alguns trechos. Você entende, ele está de saída, e o que mais teme é algum deslize.

Lin Chaoyang lamentou:

— Que falta de consideração desse líder!

Zhou Yanru sorriu, sem comentar. Ela também estava insatisfeita, mas o trabalho precisava continuar.

— E se o novo chefe também for conservador?

— Chaoyang, você acha que mudariam o chefe por quê?

Com a resposta, ele assentiu. Zhou Yanru então garantiu:

— Fique tranquilo, seu texto será publicado. E se, no fim das contas, realmente não der, eu mesma indico para outra revista.

Com isso, Lin Chaoyang não insistiu mais.

— Aliás, publicar mais tarde pode ser até melhor!

Ao ouvir isso, Lin Chaoyang ficou pensativo, logo compreendendo a razão do “melhor” que Zhou Yanru mencionava.

No momento, as discussões sobre “Cicatriz” eram intensas em todo o país; não faltavam elogios, mas havia também muitas críticas.

No entanto, todos percebiam que essa situação era passageira. “Cicatriz” expressava o sentimento coletivo da sociedade; seu triunfo no debate público era inevitável.

Lin Chaoyang sabia que “Cicatriz” acabaria, como “O Professor Responsável” de Liu Xinwu, sendo reconhecido como obra inaugural da “literatura da cicatriz”.

Quando a polêmica se acalmasse, obras do mesmo tipo, como “O Pastor de Cavalos”, que ele escrevera, teriam melhor acolhida.

Pensando nisso, Lin Chaoyang quase se sentiu grato àquela obra pioneira.

Zhou Yanru então perguntou:

— Escreveu algo novo ultimamente?

Na mesma hora, Lin Chaoyang ficou em alerta.

Se o manuscrito velho nem saíra, queria outro? E ainda nem tinha terminado a nova história — mesmo se tivesse, não pretendia entregar à mesma revista.

Quanto mais textos ficassem na fila da revista, maior o custo afundado para ele.

— Não, ainda não.

Zhou Yanru pareceu um pouco desapontada:

— Você tem muito talento, e é tão jovem! Escreva sempre, não desperdice seu dom e sua idade.

— Assim que eu puder, escrevo mais.

Nem precisava que ela o lembrasse; o dinheiro minguando no bolso já bastava para deixá-lo inquieto.

O pequeno cofre estava em crise!