Capítulo 72: Você quer se tornar crítico, é isso?
Ao final da conversa, Lin Chaoyang perguntou:
— Irmã Xiaolin, sobre o padrão de remuneração dos textos na “Colheita”...
Naquela época, era quase vergonhoso falar de dinheiro, então a pergunta de Lin Chaoyang surpreendeu um pouco Li Xiaolin, mas ela respondeu:
— Tudo segue os parâmetros nacionais, com certa margem de flexibilidade. Não há um valor fixo, depende muito da qualidade do texto.
Enquanto falava, olhou para Lin Chaoyang. Afinal, só pergunta quem realmente se importa.
— No seu caso, se o texto for aceito, podemos pagar sete yuans por cada mil caracteres.
Li Xiaolin se sentia confortável em oferecer esse valor, em parte porque havia batalhado para conseguir o texto de Lin Chaoyang, mas também porque a confiança lhe fora dada pelo sucesso de “Qiu Ju Entra com uma Ação Judicial”.
Apesar de ser apenas um conto, “Qiu Ju Entra com uma Ação Judicial” demonstrava uma habilidade narrativa notável. Descrever as idas e vindas de Qiu Ju nos órgãos públicos era uma tarefa difícil, fácil de cair num relato monótono e burocrático.
No entanto, Lin Chaoyang tratou o tema de forma ampla e profunda, conduzindo a narrativa como quem sobe uma montanha, revelando paisagens a cada passo, ao mesmo tempo em que construía uma progressão emocional sofisticada.
Além disso, Li Xiaolin acabara de ouvir toda a história de Lin Chaoyang e percebeu o quanto era vívida, com personagens cheios de vida e personalidade.
Com uma história tão envolvente e personagens tão interessantes, aliados ao domínio maduro da escrita de Lin Chaoyang, Li Xiaolin depositava grande esperança naquela obra que ainda nem fora iniciada.
Ouvindo as palavras de Li Xiaolin, Lin Chaoyang sorriu satisfeito:
— Com certeza terminarei o quanto antes e, assim que estiver pronto, enviarei para vocês imediatamente.
Diante da promessa de Lin Chaoyang, Li Xiaolin deixou a Universidade de Yanjing repleta de alegria.
A visita de Li Xiaolin trouxe mais trabalho para Lin Chaoyang. Ele ainda não havia terminado o texto prometido a Du Feng e agora assumia também a encomenda da “Colheita”.
Não teve alternativa senão dividir o tempo: à noite, em casa, escrevia o que prometera a Du Feng; durante o dia, no trabalho, escrevia para a “Colheita”.
Na boca dizia que não queria se sobrecarregar, mas o corpo era mais diligente do que nunca.
Que trabalhador hipócrita!
O tempo passou e chegou o feriado de Primeiro de Maio. Sem a chamada “Semana Dourada”, o feriado parecia sem alma, mas ainda assim um dia de descanso era um dia de descanso.
Naquele dia, Lin Chaoyang levou Tao Yushu para assistir à apresentação do Ballet Real Britânico, que visitava o país para encenar o clássico “O Lago dos Cisnes”. Os ingressos haviam sido conseguidos com a ajuda de Liang Zuo e custaram três yuans cada.
Ir ao cinema custava apenas dez centavos, então pagar um e meio por pessoa para um espetáculo era, para aquela época, um luxo.
O casal só pôde se dar a esse luxo porque, antes do feriado, ambos haviam recebido os comprovantes de pagamento da “Arte e Literatura de Yanjing”.
E não era só um, mas dois. Além do conto de Lin Chaoyang, havia também um artigo de crítica assinado por Tao Yushu sobre “O Cavaleiro”.
O conto, com 58 mil caracteres, rendeu 406 yuans a sete por mil, e o artigo de Tao Yushu somou mais dezoito. Juntos, receberam 424 yuans, quase o equivalente ao salário anual de Lin Chaoyang.
Se tivessem que economizar, talvez nem em dois anos conseguiriam juntar essa quantia.
Com uma entrada tão significativa, Tao Yushu mal conseguia conter a felicidade.
Lin Chaoyang sugeriu que fossem comer no restaurante Lao Mo, mas Tao Yushu, depois de pensar um pouco, não teve coragem.
Por outro lado, quando ele propôs conseguir dois ingressos para o balé com Liang Zuo, ela aceitou com prazer.
A satisfação intelectual era, para Tao Yushu, mais valiosa que a material.
Lin Chaoyang pensou em sugerir que comprassem algo para a família, mas Tao Yushu discordou:
— Não podemos criar o hábito de comprar presentes para eles toda vez que recebermos o pagamento, senão, se um dia não comprarmos, vão achar estranho.
Lin Chaoyang ficou sem palavras. Achava que sua esposa tinha verdadeiro talento para a administração, talvez até para ser empresária.
Ao término do espetáculo, Tao Yushu comentou:
— Não chega aos pés do “O Destacamento Vermelho de Mulheres” do Balé Central.
Lin Chaoyang nunca tinha assistido à versão do Balé Central, mas percebeu que sua esposa tinha um gosto artístico próprio e firme, difícil de ser influenciado.
Ela parecia, aliás, imune aos encantos do capitalismo, algo que também se revelava no estudo do inglês. Apesar de ser uma das melhores alunas da turma em quase todas as matérias, inglês era sua pedra no sapato — esquecia as palavras facilmente e gastava mais tempo para aprender.
— Na próxima vez, te levo para ver “O Destacamento Vermelho de Mulheres”.
Tao Yushu sorriu:
— Nós assistimos “O Lago dos Cisnes”; eles deveriam assistir “O Destacamento Vermelho de Mulheres”.
A provocação fez Lin Chaoyang rir alto.
— Ótima ideia!
Na época do Quatro de Maio, o campus da Universidade de Yanjing estava especialmente animado. O evento comemorativo dos sessenta anos do Movimento de 4 de Maio acontecia no Ginásio da Capital, com a presença de líderes importantes, além das apresentações do Coro e do Conjunto de Dança Central. Os estudantes estavam empolgados, e o burburinho tomou conta da universidade por uma semana inteira.
No último dia da primeira quinzena de maio, saiu uma nova edição da “Arte e Literatura de Yanjing”.
Após a aula do meio-dia, Tao Yushu, sem almoçar, correu à livraria para comprar a revista.
— Camarada, já chegou a nova edição da “Arte e Literatura de Yanjing”?
— Chegou hoje de manhã. Vai querer uma?
— Duas, por favor.
A revista custava vinte e cinco centavos; Tao Yushu pagou cinquenta e saiu da livraria radiante, folheando o exemplar recém-saído do prelo.
Primeiro, deparou-se com o conto de Lin Chaoyang, que, com quase sessenta mil caracteres, tomava mais da metade da edição. Seus olhos percorriam as páginas com alegria.
Em seguida, encontrou seu próprio artigo: “Uma Alma Nobre — Análise da Figura de Xu Lingjun, o Protagonista”. Era seu segundo texto publicado; o primeiro, sobre “Cicatriz”, havia saído no “Jornal de Arte e Literatura”.
Mas, ao ver as letras impressas, sentiu-se ainda mais feliz do que da primeira vez.
Pela primeira vez, os textos do casal apareciam juntos, impressos, na mesma revista. Tao Yushu não conteve a felicidade.
De bicicleta, voltou para o campus da Universidade Normal. O refeitório já estava lotado.
O costume de refeições na Universidade Normal de Yanjing era diferente do da Universidade de Yanjing. Ali, servia-se o chamado “arroz de panela grande”: cada turma se dividia em mesas, e os pratos já estavam dispostos, para que todos pudessem comer e conversar em pé, ao redor das mesas.
Wu Yingfang, ao ver Tao Yushu, perguntou:
— Onde você estava? Demorou tanto! A comida quase acabou.
— Fui comprar uma revista.
— Devia ter ido depois do almoço.
Quando Tao Yushu voltou com sua bandeja, quase todos os colegas já haviam saído, restando apenas Wu Yingfang à sua espera.
— Come logo! Se não fosse por mim pedindo para deixarem um pouco, nem as migalhas você teria encontrado.
— Obrigada.
Enquanto Tao Yushu comia, Wu Yingfang, sem cerimônia, remexeu em sua bolsa de lona.
— Deixa eu ver que revista você comprou?
As duas eram muito próximas na turma, sem qualquer formalidade, e Tao Yushu não se incomodou.
— “Arte e Literatura de Yanjing”?
Wu Yingfang achou a revista e, entediada à espera de Tao Yushu, começou a folhear.
— Olha só! Xu Lingjun publicou coisa nova! — exclamou animada.
Ouvindo isso, Tao Yushu sorriu discretamente, com um certo orgulho no olhar.
— Ah, agora entendi por que estava tão ansiosa para comprar a revista.
Wu Yingfang apontou para o índice:
— Você publicou outro artigo?
Tao Yushu, mastigando, assentiu.
— Puxa vida, você é realmente incrível! — suspirou Wu Yingfang.
Apesar de a Universidade Normal de Yanjing não ter o mesmo prestígio que a Universidade de Yanjing ou a Tsinghua, o curso de Letras era um dos melhores do país.
A turma de Tao Yushu era a primeira após o “zumbido” das universidades reabrindo; muitos haviam trabalhado antes de entrar, alguns até em cargos ligados à escrita.
Mas publicar em revistas literárias não era para qualquer um.
Em mais de um ano de faculdade, cerca de um terço da turma já tinha publicado algo em jornais ou revistas, mas poucos em publicações de grande prestígio — dava para contar nos dedos de uma mão.
Quando Tao Yushu publicou o artigo em “Jornal de Arte e Literatura”, já havia causado alvoroço na turma.
Afinal, era o “Jornal de Arte e Literatura”. Para um estudante, escrever um artigo ali era uma honra e tanto.
Agora, Tao Yushu publicava na “Arte e Literatura de Yanjing”, e Wu Yingfang, ao ver o título no índice, não podia sentir outra coisa senão admiração.
— Yushu, está virando crítica literária!
— Nada disso, é só um artigo.
Terminado o almoço, como ainda teriam aula à tarde, Tao Yushu e Wu Yingfang seguiram juntas para o dormitório.
— Por que comprou duas revistas? — perguntou Wu Yingfang, e antes mesmo de ouvir resposta, concluiu:
— Ah, já entendi! Uma para ler e outra para colecionar.
Já tinha imaginado tudo, e Tao Yushu nem se deu ao trabalho de corrigir.
— Seu texto está ótimo. Quando eu publicar, você escreve sobre mim também? — pediu Wu Yingfang, depois de ler o artigo de Tao Yushu.
— Claro. Desde que publique em “Arte e Literatura de Yanjing”, “Outubro”, “Contemporânea” ou “Colheita”, escrevo sobre você.
— Ah, assim está dificultando!
Tao Yushu zombou:
— Ou será que você quer que eu escreva sobre uma notinha de jornal local?
— Sua danada, que língua afiada! Vou te dar uma lição!
Depois das brincadeiras, Wu Yingfang deixou de lado o artigo de Tao Yushu e mergulhou na nova obra de Xu Lingjun.