Capítulo 42: O verdadeiro valor dos filmes confidenciais

O Escritor de 1978 Sentado, contemplo a Montanha Jingting 2746 palavras 2026-01-30 14:21:54

Durante o jantar, o humor de Taoyumo parecia longe de ser dos melhores, provavelmente porque seus pais não a levaram para assistir à peça, o que a deixou emburrada.

Linchao Yang compreendia bem os sentimentos da cunhada. Excluindo os dois pequenos, ela era a única solteira da família, e talvez sua posição em casa fosse até inferior à dele, afinal, ele ainda contava com o apoio incondicional de Taoyushu.

E a cunhada? O pai não era próximo, a mãe não demonstrava afeto, a irmã vivia ostentando o casamento feliz, e o irmão mais velho só pensava em aproveitar a vida. Quem seria mais desafortunada que ela?

Mais tarde, naquela noite, Taoyushu estava novamente revisando seu pequeno tesouro. Naquele dia, comprara um colchão de molas e uma estrutura de cama de faia, gastando cinquenta e seis yuans, mais do que Linchao Yang ganhava em um mês. Do dinheiro que recebera na noite anterior, mais de noventa yuans, quase metade já se fora, e a avareza de Taoyushu sentia cada centavo perdido.

— Deixa disso, vem experimentar essa cama enorme da nossa casa.

Linchao Yang puxou Taoyushu para a cama, cheio de intenções. Por causa das duas camas velhas de ferro, Linchao Yang conteve-se por quatro meses. Na noite anterior, arriscou-se, mas quando estavam no auge, Taoyushu não aguentou e se rendeu. Agora, com uma cama nova e espaçosa, finalmente Linchao Yang pôde se satisfazer por completo.

Nessa época, mesmo para depender de uma mulher, era preciso ter algum talento! O vento em Pequim soprava especialmente forte naquela noite, balançando até a cama.

Depois, recostado na cabeceira, Linchao Yang perguntou:

— Você não vai contar pros seus pais que estou escrevendo romances?

Taoyushu, ainda ofegante e coberta de suor perfumado, respondeu:

— Não há pressa.

Linchao Yang não entendeu. Ele pensava que, conhecendo o temperamento de Taoyushu, ao publicar um conto na revista, ela sairia correndo para mostrar a revista à sogra, exibindo-se.

— Temos muitos gastos pela frente. Se minha mãe souber que você está ganhando dinheiro com seus textos, certamente vai arranjar um jeito de pedir dinheiro pra despesas do dia a dia.

Linchao Yang não imaginava que Taoyushu fosse tão astuta.

— Vocês duas vivem numa batalha de inteligência! — brincou.

— A culpa é dela por ser parcial. — Taoyushu mudou de posição em seus braços e continuou: — Além disso, você publicou só um conto curto, ainda não é seguro. Fazer alarde agora seria forçado demais. Melhor esperar para, quem sabe no próximo ano, lançar um livro. Aí sim, jogar uma bomba atômica! O ideal seria que eles soubessem por terceiros e viessem me confirmar, e eu, casualmente, dissesse: pois é!

Linchao Yang imaginou a cena que a esposa descreveu e não conteve o riso.

Sua esposa realmente nasceu na época errada. Se fosse daqui a trinta anos, escrevendo romances online, ficaria milionária!

— E então, o que acha do meu plano? — brincou Taoyushu.

— Você é ainda mais ambiciosa que eu — respondeu Linchao Yang.

— É porque tenho motivos para isso! Se você fosse um inútil, eu é que teria que me esforçar para provar que não escolhi errado.

As palavras dela fizeram Linchao Yang refletir. Exatamente, é a confiança que nos faz não precisar explicar ou provar nada às pressas. Pensando em como se sentiu nos últimos seis meses em Pequim, percebeu que também era assim.

— Além disso, minha mãe tem ideias formadas. Se eu contar agora o quanto você é talentoso, ela pode achar que estou querendo afrontá-la.

Linchao Yang pensou um pouco e, mesmo sendo brincadeira, viu que Taoyushu estava certíssima.

Quando alguém cria um preconceito, tudo o que vê é distorcido.

— Você tem tanto talento para a literatura, sua primeira história já causou um impacto tremendo. Se não planejar bem o futuro, será um desperdício. E, afinal, “O Cavaleiro das Estepes” é só um conto. Por melhor que seja a repercussão, não dá pra publicar um livro, o alcance ainda é limitado. Acho que agora devia focar em romances médios ou longos...

Linchao Yang lembrava que, há pouco, foi Taoyushu quem se rendeu primeiro, mas agora ela falava com mais entusiasmo, brilhando de outra forma. Bastava tocar em assuntos sérios para que ela se animasse, seria esse o “halo da aluna prodígio”?

Quatro meses de espera, uma noite de felicidade, e no dia seguinte Linchao Yang foi trabalhar revigorado — juventude é realmente diferente.

Com o início das férias de inverno, não só a universidade de Pequim ficou vazia, mas até a biblioteca parecia deserta. Linchao Yang estava de plantão no arquivo do primeiro andar naquela semana e, finalmente, sentiu o prazer de trabalhar ali: passou a manhã toda enrolando, teve tempo até de polir a mesa de tanto ócio.

Na hora do almoço, ao ver o cardápio, percebeu que vinha comendo carne demais e resolveu optar por algo mais leve. Ao se dirigir ao balcão, viu Liu Zhenyun chegando com sua marmita.

— Zhenyun, você não foi pra casa? — cumprimentou Linchao Yang.

— Não, só volto antes do Ano Novo.

Enquanto comiam, Linchao Yang soube, pela boca de Liu Zhenyun, o motivo de ele ter ficado nas férias. Antes do recesso, um grupo de estudantes do Departamento de Letras, vindos de regiões distantes, não quis voltar para casa e pediu à direção oportunidades de trabalho para ajudar nas despesas.

Os líderes atenderam ao pedido, designando tarefas como copiar manuscritos e revisar roteiros.

Naquela época, não havia computadores e poucos sabiam usar máquina de escrever. Quando editoras ou revistas precisavam montar um livro ou artigo às pressas, contavam com copistas.

Quem já trabalhou com texto sabe: parece fácil, mas é tarefa dura — até trabalhos escolares de algumas horas cansam a mão e o ombro, imagine copiar livros inteiros.

Em comparação, revisar roteiros era bem mais fácil. Mas tudo tem seu preço: copiar era exaustivo, mas pagava em dinheiro; revisar roteiros era tranquilo, mas a recompensa vinha em ingressos de cinema.

Liu Zhenyun, sempre esperto, achou que precisava de dinheiro, mas não tanto assim, então escolheu revisar roteiros.

Os roteiros que Liu Zhenyun e seus colegas revisavam vinham do Ministério da Cultura; após a leitura, os estudantes escreviam suas opiniões, servindo como uma primeira triagem.

Para cada roteiro lido, recebiam dois ingressos para “cinema interno”.

Naquele tempo, os filmes estrangeiros exibidos no país vinham principalmente de países socialistas, mas os ingressos internos do Ministério da Cultura permitiam acesso a filmes novos e clássicos dos países capitalistas, muito disputados pelo público. Quem via um desses filmes podia depois contar vantagem por dias no trabalho.

Ao ouvir Liu Zhenyun citar os títulos dos filmes, Linchao Yang perguntou:

— Tem todos esses?

— Só vi um roteiro até agora, tenho dois ingressos para “Rashomon”, mas meus colegas têm outros.

— Consegue mais alguns pra mim?

Alguns dos filmes Liu Zhenyun mencionou, Linchao Yang já conhecia; outros, não. Mas isso não importava: o essencial era que Taoyushu e sua família nunca tinham visto.

Liu Zhenyun ficou satisfeito com o pedido. Os alunos que não voltaram para casa nas férias estavam ali para ganhar dinheiro. Os ingressos, claro, assistiriam alguns, mas o resto era pra vender — afinal, era preciso buscar o desenvolvimento espiritual e material ao mesmo tempo.

Trabalhar meio período nas férias e garantir a passagem de trem para casa, não era ótimo?

— Combinado, depois junto uns ingressos e te levo na biblioteca.

Naquela tarde, Liu Zhenyun apareceu com oito ingressos. Quatro para o filme japonês “Rashomon”, dois para o soviético “A Sentença” e dois para o francês “Napoleão”, todos exibidos na Cinemateca Chinesa do Pequeno Xitian.

Linchao Yang contou dois yuans em notas pequenas e entregou a Liu Zhenyun, que recusou:

— É muito dinheiro.

Na época, o ingresso comum de cinema custava oito centavos, na cantina ainda menos — quem levasse seu banquinho pagava só cinco centavos.

Linchao Yang lhe deu dois yuans e meio, ou seja, vinte e cinco centavos por ingresso.

— Filme interno tem outro valor, não se compara — disse, forçando as notas nas mãos de Liu Zhenyun.

Ao sair da biblioteca, Liu Zhenyun olhou para o dinheiro que segurava.

Filme interno, isso sim valia ouro!