Capítulo 96: O Exército Precisa de Talentos Como Você (Terceira Atualização de Hoje)
O cunhado não pôde deixar de comentar: na manhã, Lin Chaoyang acabara de pensar nele, e ao entardecer, ele apareceu.
— Tio, tia, meu pai quer convidar vocês para um jantar neste fim de semana — disse Du Feng ao entrar, dirigindo-se ao pai e à mãe de Tao.
— Que negócio é esse de convite do nada? — perguntou a mãe de Tao.
— É que o feriado do onze está chegando — Du Feng tentou justificar, mas viu que sua razão não convenceria ninguém. Então, sorrindo, acrescentou: — Na verdade, o principal convidado é meu cunhado.
— Lin Chaoyang? — O espanto estampou-se nos rostos de todos, e o irmão mais velho, Tao Yucheng, indagou: — Qual é o motivo?
Du Feng exibia um ar de satisfação. — Por causa da obra dele, “Grinaldas ao Pé da Montanha”.
Os membros da família Tao compreenderam de imediato.
“Grinaldas ao Pé da Montanha” havia sido publicada há um mês na “Literatura Popular”, e nesse período, a família já ouvira diversas vezes comentários sobre a obra. Não apenas leitores habituais discutiam o livro, mas até aqueles que nunca se interessaram por literatura passaram a debater.
O impacto de “Grinaldas ao Pé da Montanha” não se devia apenas ao fato de romper barreiras dos temas militares, mas sobretudo ao seu alinhamento com o momento histórico e ao sentimento popular.
A guerra no sul já durava mais de meio ano, afetando o coração de milhões de compatriotas. Embora o tempo passasse, e o interesse pela guerra não fosse tão intenso quanto no início, “Grinaldas ao Pé da Montanha” era a primeira obra a refletir tão realisticamente esse conflito. Todos que se preocupavam com o desenrolar dos acontecimentos eram leitores potenciais.
Mesmo quem não lia, acabava envolvido pelas conversas ao redor, e esse grau de repercussão é raro.
Qualidade inovadora, atenção nacional, imenso público potencial...
Todos esses fatores reunidos fizeram com que “Grinaldas ao Pé da Montanha” conquistasse, em pouco tempo, milhões de admiradores e elogios.
Essa onda, em apenas um mês, formou uma poderosa força de opinião, reunindo novamente a vontade popular, exatamente o que as autoridades desejavam.
Lin Chaoyang imaginou que o convite do tio Du Ruolin era uma celebração pelo impacto que a obra alcançara, atingindo o efeito desejado pelas forças armadas.
Du Feng, após dar o recado, preparava-se para sair, mas Lin Chaoyang o deteve.
— Não anda namorando ultimamente?
— Não — respondeu Du Feng, com um olhar de quem se incomoda com perguntas inconvenientes.
Lin Chaoyang sentiu certa decepção: não ganharia comissão de casamento.
— Então, arranje para mim dois maços de cigarros.
— Achei que era algo mais sério. Tudo bem, te entrego no domingo, durante o jantar.
Du Feng achou que era só isso, mas Lin Chaoyang acrescentou:
— Ainda nem falei do assunto principal.
— E o que é?
— Me ajude a procurar um apartamento.
Du Feng estranhou. — Cunhado, quer alugar um lugar para morar?
— Não é aluguel, é compra. Você conhece a situação aqui: muita gente, pouco espaço. Xiwên e Xiwú vão crescer, não é adequado manter Yumo junto com eles. E eu e sua irmã, inevitavelmente, teremos filhos.
Então ter uma casa própria é indispensável.
Du Feng concordou. — Faz sentido, mas por que comprar com dinheiro próprio? Não é melhor procurar o auxílio da instituição?
— Sou contratado temporário, sua irmã ainda é estudante. Você acha que, confiando na instituição, quando teremos uma casa decente?
— É, mas hoje em dia não é fácil comprar um imóvel!
— Só quero sondar, vai que aparece uma oportunidade. — disse Lin Chaoyang.
— Tudo bem, você não está com pressa, então posso procurar com calma. — Du Feng aceitou a tarefa, mas não deixou de brincar: — Olha só, cunhado, escritores como vocês ganham bem. Mal escreveu algumas obras e já vai comprar casa.
O tom de Du Feng misturava brincadeira e inveja. Apesar de ser filho de militares, atualmente, não importa a origem, as diferenças de riqueza eram pequenas.
Nessa época, o principal motivo para não comprar casas era a propriedade, que normalmente não estava nas mãos do comprador. Outro fator era a dificuldade de adquirir um imóvel com os rendimentos modestos da maioria.
As casas eram baratas, é verdade, mas os salários igualmente baixos. Além disso, diferentemente do futuro, o custo com alimentação e vestuário era exorbitante.
Para exemplificar, o preço da carne de porco nos mercados de Pequim era de 75 centavos por quilo, variando pouco.
Considerando um salário mensal de 50 yuan, era possível comprar cerca de 67 quilos de carne de porco. É bom lembrar que 50 yuan já era considerado um salário médio-alto. Comparando com quarenta anos depois, equivale a um salário de 8 mil yuan. Com esse valor, quanto de carne se compraria? Em tempos de carne barata, talvez dez vezes mais.
O lado positivo era a pequena diferença entre ricos e pobres, mas o padrão de vida material limitado restringia fortemente a felicidade nacional.
A maioria das famílias gastava quase toda a renda anual com comida e roupa. Comprar um imóvel, que custava facilmente milhares de yuan, era uma pressão enorme para as famílias comuns.
A família de Du Feng era abastada, mas ele mesmo era um gastador típico dos anos setenta.
Lin Chaoyang ganhava centenas de yuan por obra, o que despertava inveja em Du Feng.
— Se quiser, também pode comprar. — Lin Chaoyang brincou.
— Eu não!
Naqueles tempos, só se comprava casa com dinheiro próprio se fosse absolutamente necessário. Afinal, todos tinham vínculo com alguma instituição.
Essa ideia pode soar estranha para os contemporâneos, mas era perfeitamente normal naquela época.
No dia seguinte, sábado, Lin Chaoyang, aproveitando o almoço no trabalho, foi à agência dos correios perto do portão sul da escola para enviar o manuscrito prometido à revista “Colheita”.
Do início à conclusão, o texto se arrastou por quase cinco meses.
Nesse período, publicou “Os Sapatinhos”, “O Surgimento e Declínio Inevitable da Literatura de Feridas” e “Grinaldas ao Pé da Montanha”.
Para os padrões de Lin Chaoyang, foi um ritmo de tartaruga.
Mas, comparado aos escritores atuais, sua produtividade ainda era respeitável.
Durante os meses, Li Xiaolin enviou apenas algumas cartas cobrando novidades. Mas só cobrando, nunca enviando votos mensais que pudessem motivar Lin Chaoyang.
Porém, como já havia prometido, Lin Chaoyang finalmente enviou o manuscrito antes do feriado.
Com isso, ele ficou realmente livre.
Durante quatro ou cinco meses, escrevera sem parar, tanto no trabalho quanto em casa, sentindo-se mais exausto que um trabalhador do regime 996.
Agora, era hora de descansar.
No domingo, toda a família Tao foi ao bairro militar de Shijingshan.
Após cumprimentarem os anfitriões, Du Ruolin riu alto e disse à mãe de Tao:
— Ruohui, você realmente escolheu um excelente genro!
Imediatamente, todos da família Tao olharam para a mãe, com um ar de diversão.
A mãe de Tao ficou constrangida, esboçando um sorriso forçado. — Irmão, ele só escreveu uma obra, não é nada demais.
— Como pode dizer isso? Você não imagina o quanto “Grinaldas ao Pé da Montanha” animou nossos soldados na linha de frente e na retaguarda!
Chaoyang escreveu muito bem, elevou o moral das tropas, mostrou ao povo o sacrifício dos soldados, conquistou a confiança popular. Isso é o mais importante!
Du Ruolin era um homem expansivo, sua voz mais alta que a dos outros.
A mãe de Tao tentou ser modesta, mas foi refutada. Só lhe restou sorrir sem graça, encerrando o assunto.
As irmãs Tao Yushu e Tao Yumo observavam a mãe, divertindo-se internamente.
Tao Yushu se alegrava pelo modo como a mãe tratava o marido; Tao Yumo, pela recente troca de quartos promovida pela mãe.
— Pelo jeito, prepararam muita coisa hoje!
O pai de Tao, querendo poupar a esposa, atraiu a atenção de Du Ruolin.
— Hoje vocês aproveitaram o sucesso de Chaoyang. Ele fez um grande favor às tropas, então merece uma boa recompensa. Trouxe até o chef do refeitório — disse sorrindo.
As palavras de Du Ruolin, embora diretas, não soavam ásperas. Todos entendiam a brincadeira, mas sabiam que o almoço era mesmo dedicado a Lin Chaoyang.
O pai de Tao brincou:
— Chef cozinhando só para nós, vai mostrar o talento. Preciso provar tudo hoje.
Du Ruolin conversava animadamente com o pai de Tao e Lin Chaoyang, enquanto Tao Yushu corria à cozinha, puxando a tia Qí Hongying.
— Tia, venha experimentar o casaco que comprei para você.
— Precisa disso? Por que comprar casaco?
Qí Hongying sabia bem o motivo do presente de Tao Yushu.
Nos últimos tempos, Du Feng andava dizendo por aí que “Grinaldas ao Pé da Montanha” fora escrita por seu cunhado, e que o protagonista tinha traços de sua própria experiência.
Por causa disso, Du Feng quase levou uma surra do pai.
Embora a obra se inspirasse em pessoas reais, após examinar os materiais que Du Feng trouxera, Du Ruolin sabia que não havia nada de seu filho ali.
Se Du Feng fosse o modelo do protagonista, seria Zhao Mengsheng.
Nesse caso, sua esposa Qí Hongying seria a mãe de Zhao Mengsheng, Wu Shuang, que se envolvia arbitrariamente nos assuntos militares. E Du Ruolin seria um pai negligente, incapaz de educar o filho.
Tudo isso só para Du Feng se exibir, prejudicando a família. Não era à toa que o pai queria castigá-lo.
Do ponto de vista de Qí Hongying, o fardo caíra sobre ela sem mais nem menos.
O marido garantira que o filho não era o modelo do personagem, mas o incômodo persistia.
Tao Yushu sabia que Du Feng nunca deixava de comentar sobre a suposta inspiração. O rapaz pensava apenas em si, sem se preocupar com o impacto sobre a família, colocando Lin Chaoyang numa posição delicada.
Por isso, Tao Yushu foi à loja de departamentos e comprou um casaco para Qí Hongying.
A família Du não precisava desse presente, mas era um gesto de consideração, para que Qí Hongying não depositasse seu desconforto no marido.
Tao Yushu queria que Qí Hongying experimentasse o casaco no quarto, mas ela respondeu sorrindo:
— Não precisa. Você sempre pensa em tudo, desde pequena. O problema é Du Feng falando bobagens; não tem nada a ver com Chaoyang.
— Eu sei, mas isso sempre gera associações desagradáveis...
Qí Hongying interrompeu:
— E na sua opinião, sou alguém sem discernimento? Afinal, ele ajudou muito seu tio. Não posso aceitar seu presente. Dê o casaco à sua mãe.
Após tantos anos como cunhadas, Qí Hongying conhecia bem a personalidade de Du Ruohui. Seja qual for o motivo, Tao Yushu comprava para ela; se não desse à mãe, esta ficaria ressentida.
— Tia, você realmente conhece minha mãe. Mas se eu der o presente depois, ela também se irrita.
— Se não der, ela se irrita mais ainda. — Qí Hongying sorriu, com um toque de inveja. — Gostaria de ter tido a vida da sua mãe: sempre bem vestida, protegida pelo marido, e os filhos cresceram bem, apesar das dificuldades.
— Você não é diferente...
Tao Yushu e Qí Hongying conversaram bastante no quarto antes de sair. Com o chef contratado, ninguém precisava se preocupar com a cozinha, e as duas famílias se espalharam pela pequena casa de dois andares, entre risos e alegria.
O chef era de Shandong, especializado na culinária Lu.
Filé de peixe ao molho especial, almôndegas quatro felicidades, rins salteados, camarões ao molho...
Perto do meio-dia, os pratos começaram a chegar à mesa, e as crianças esperavam ansiosamente pelo início da refeição.
Du Ruolin mandou Du Feng abrir duas garrafas de aguardente, dizendo que era para homenagear Lin Chaoyang, o grande benfeitor, mas parecia mais querer embriagá-lo.
Na metade do banquete, Du Ruolin, animado pelo álcool, perguntou:
— Chaoyang, sua obra “Grinaldas ao Pé da Montanha” é excelente. Muitos líderes das forças armadas elogiaram você, dizendo que escreve sobre temas militares como ninguém. Precisamos de gente como você. Não esqueci o que prometi: quer vir trabalhar conosco?
Imediatamente, todos os olhares se voltaram para Du Ruolin e Lin Chaoyang.