Capítulo 65: Foi ele quem escreveu
A tarde passou num piscar de olhos. Quando o sinal do fim das aulas tocou, Taís Jade ainda não tinha se dado conta; ao ver os colegas guardando os materiais, sentiu-se atordoada. O que mesmo o professor tinha ensinado naquela tarde? Sua mente estava vazia, e quanto mais pensava, mais se irritava. Em dois movimentos, jogou os livros e o estojo na mochila, ignorou os cumprimentos dos colegas e saiu apressada em direção ao Lago do Alvorecer.
Seguiu o caminho cabisbaixa, até que finalmente chegou em casa. Ao entrar, viu a irmã e o cunhado conversando e rindo juntos. Taís Jade parecia ter recebido alguma boa notícia de Lin Amanhecer; estava radiante, o rosto iluminado por um sorriso encantador. Taís Jade já estava cheia de raiva, e quanto mais olhava para os dois, mais se enfurecia.
Todos sabem, menos eu! Só escondem de mim!
Ela estava prestes a confrontá-los quando foi agarrada pelas pernas pelo sobrinho: “Tia!”
“O que foi?” respondeu, impaciente, tentando se livrar dele.
Mas o menino não largou. “Brinca de figurinhas comigo!”
“Vai lá pra baixo procurar alguém pra brincar, não tenho tempo.”
“Não quero, não quero!”
Crianças mimadas realmente testam a paciência; não percebem a hora certa de parar. Mas, afinal, era seu sobrinho, Taís Jade não poderia bater nele de verdade. “Cunhada!”
Ela chamou a cunhada, Lídia, que prontamente disse: “A tia acabou de chegar da escola, ainda precisa fazer tarefa, deixa ela, vai brincar lá fora.”
Quando Lídia conseguiu distrair o pequeno, Taís Jade também se acalmou.
Como abordar esse assunto?
Enquanto pensava, ouviu a porta se abrir: Taís Jade entrou em casa.
“Hoje o vento está forte!”
Os olhos de Taís Jade se acenderam com uma ideia. Aproximou-se do irmão, falando em voz baixa: “Mano, a professora disse que minha redação não está boa. Você tem um tempo pra me ajudar?”
Após um dia inteiro de preguiça, Taís Jade estava prestes a fingir cansaço do trabalho, mas, ao ouvir a irmã, imediatamente se animou.
“Hum... Você está quase prestando vestibular, realmente precisa melhorar isso.”
“Mano, me ajuda, por favor.” Taís Jade olhou para ele com grandes olhos de súplica.
Taís Jade bateu no peito, confiante: “Sou seu irmão, claro que vou te ajudar! Em outras coisas talvez não possa, mas em redação...”
Ele não escondeu o orgulho: “Me considero entendido nisso. A partir de agora, toda noite vou te dar uma hora extra de aula de redação.”
“O quê?”
Taís Jade não esperava que sua esperteza se voltasse contra ela, acabando por prejudicar a si mesma.
“Uma hora é pouco, mas meu tempo também não é folgado. Hum... Vou arranjar uma hora e meia.”
“Não precisa, não precisa, você é muito ocupado!”, apressou-se em recusar.
“Não vem com essa de falsa modéstia! Você é minha irmã, está numa fase importante da vida. Mesmo que não pedisse, eu ajudaria. Em outras áreas talvez não possa te ajudar, mas nesta, tenho experiência.”
Taís Jade falava sozinho, enquanto Taís Jade, em silêncio, se amaldiçoava por ter aberto a boca.
Animado, ele não se conteve: “Vamos, antes do jantar, vou te ensinar as técnicas básicas de redação!”
Taís Jade segurou-se à porta, querendo chorar de desespero.
“Hora do jantar!”—passou-se uma hora num instante, e a voz de Lídia veio da cozinha.
Taís Jade sentiu um alívio imenso—enfim terminara.
“Mano, você ensina muito bem!”
Taís Jade assentiu com ar de professor: “Sua base está fraca. Mas não se preocupe, faltam mais de dois meses pro vestibular, vou te colocar em dia.”
Fraca é você!—resmungou ela por dentro, mas manteve um sorriso doce no rosto e perguntou: “Com tanta experiência, aposto que meu cunhado vive te pedindo conselhos, né?”
“Seu cunhado?” Taís Jade pareceu surpreso. “Nunca pediu, mas acho que ele anda tentando escrever.”
Ao ouvir isso, o olhar de Taís Jade ficou frio: “Você também sabe?”
“Percebi, parece que sua irmã obrigou o Amanhecer a escrever. Nisso, a Jade puxou ao nosso pai, muito mandona. Aposto que ele, um garoto do fundamental, poderia fazer qualquer coisa, mas ela faz ele escrever.”
Hein?
Taís Jade não pôde deixar de desconfiar. Pelo tom do irmão, ele também não sabia?
“O que ele escreve é bom.” Ela testou.
“Bom? Você leu?”
A resposta do irmão só confirmou que ele realmente não sabia—não estavam escondendo só dela.
Com essa informação, Taís Jade sentiu-se melhor—ao menos sabia antes do irmão, e os pais provavelmente também não sabiam.
Pelo jeito da irmã, só ela, a Jade e o Amanhecer estavam a par.
Bem escondido!
“Você nunca leu?”
Taís Jade ficou confuso: “Ele nunca me mostrou nada.”
“Já publicou. Você leu ‘O Cavaleiro dos Pampas’?”
O tom de Taís Jade era de dúvida, mas o olhar, de ostentação. Ela, afinal, era a primeira da família a saber, além da irmã!
“Claro que li, é muito... espera, o que quer dizer?”
Taís Jade arregalou os olhos para a irmã.
O rosto dela era de pura satisfação, como quando descobriu que o cunhado era, na verdade, Ulisses Lin.
“Meu cunhado, seu cunhado—é o Ulisses Lin.”
Ela pronunciou cada palavra com clareza, sentindo um prazer indescritível.
O irmão ficou boquiaberto, olhando para ela, incrédulo: “Você ficou maluca de tanto estudar? Como ele pode ser o Ulisses Lin? O Ulisses é o autor de...”
No meio da frase, ficou sem palavras, olhando para ela, intrigado: “Como você sabe disso?”
“Já se espalhou na universidade. Ele é até consultor da revista ‘Lago Sem Nome’ da Sociedade Literária Quatro de Maio.”
Taís Jade despejou tudo de uma vez.
Mesmo após ouvir a fonte, o irmão ainda hesitava em acreditar. Sorriu sozinho: “Meu cunhado, Ulisses Lin? Você só pode estar brincando.”
Ela não respondeu, com expressão indiferente: “Acredite se quiser, vou jantar.”
Saiu do cômodo, e o irmão a seguiu até a cozinha. Todos estavam prontos para jantar.
O irmão, achando graça, comentou com a irmã: “Jade, a Jade disse que o Amanhecer é o Ulisses Lin, aquele que escreveu ‘O Cavaleiro dos Pampas’. Essa menina anda lendo fantasia...”
Jade estava prestes a comer quando ouviu isso. Sem parar de mexer os hashis, levou um pouco de batata à boca.
“Hum.”
O irmão só ouviu esse som nasal, como um pato sendo apertado pelo pescoço, e a olhou, espantado.
“O que você disse?”
Não só ele, mas Lídia, o pai e a mãe também pararam e olharam fixamente para Jade.
Ela parecia sob o foco de um holofote, mas manteve a calma. Ao redor da mesa, silêncio absoluto, só o som da mastigação dela. Quando finalmente engoliu a comida, disse:
“Foi ele quem escreveu.”