Capítulo 7: Um Grande Retrocesso
Lin Chaoyang desfrutava com plena consciência do serviço de Tao Yushu, e ao final era o jovem do outro lado quem começava a se sentir constrangido, pois o casal recém-casado exibia seu afeto sem o menor pudor. Lin Chaoyang também se interessou pelo rapaz, pois notou o distintivo escolar preso no lado esquerdo do peito de sua camisa.
Universidade de Yanjing.
No ano passado, com a retomada do exame nacional, quatro estudantes do condado foram aprovados na universidade; Tao Yushu teve o melhor desempenho, sendo aceita na Universidade Normal de Yanjing. Este ano, o exame foi realizado pela segunda vez; parece que de fato houve um aprovado para a Universidade de Yanjing, mas, naquele momento, o estudante ainda não havia se apresentado oficialmente, certamente não teria o distintivo.
— Jovem, vejo pelo seu distintivo que é estudante da Universidade de Yanjing? — Lin Chaoyang puxou conversa.
O rapaz sorriu com modéstia, mas havia orgulho em seu semblante. — Sim.
— Impressionante, muito impressionante — elogiou Lin Chaoyang, sorrindo.
— O senhor também vai estudar em Yanjing? — perguntou o rapaz, naturalmente.
— Eu? Não tenho qualificação para entrar na universidade — respondeu Lin Chaoyang com leveza.
Ele só tinha o ensino fundamental, nunca teve sequer a chance de se inscrever para o exame universitário.
— Então o senhor está viajando a trabalho? — perguntou o rapaz.
— Não, estou acompanhando minha esposa para a universidade.
Enquanto respondia, Lin Chaoyang lançou um olhar para Tao Yushu. Ela ficou um pouco sem palavras, mas colaborou, tirando do bolso o próprio distintivo e prendendo-o ao peito.
Universidade Normal de Yanjing.
O olhar do rapaz para Tao Yushu ganhou um tom de admiração. E, ao olhar para Lin Chaoyang, já não era uma expressão de “há algo especial nele”, mas sim: “você não passa de um velho astuto!”
Pela aparência, Tao Yushu era bela, com traços marcantes e uma presença notável; agora, somava-se a isso o prestígio de uma universidade renomada — era o equilíbrio perfeito entre beleza e talento. Lin Chaoyang, por sua vez, era de aparência comum, pele clara, talvez no máximo considerado mediano; ainda disse que não tinha condições de passar no vestibular, podendo ser visto como alguém sem talento nem beleza.
Para conseguir uma companheira tão notável, devia ter alguma vantagem.
O jovem já imaginava um enredo vulgar: filho de algum quadro do partido se apaixona por uma jovem brilhante, persegue-a incansavelmente, usa de todos os meios até finalmente conquistar a moça.
Mas...
Ele voltou a olhar para Lin Chaoyang, que desfrutava tranquilamente do gesto de Tao Yushu, enrolando cebolinha em tofu seco para ele.
Sim, essa camarada certamente deve estar nas mãos dele por algum motivo.
— Venha, venha, prove um pouco — Lin Chaoyang ofereceu ao rapaz alguns vegetais com molho. O jovem quis recusar por educação, mas não resistiu à insistência.
Comendo e conversando, rapidamente tornaram-se próximos.
O rapaz chamava-se Zhang Yaozhong, tinha vinte anos, também havia ingressado na universidade em 1977 e agora cursava Letras na Universidade de Yanjing. Era de Xangai e aproveitava as férias para visitar a avó no Nordeste.
— Letras na Universidade de Yanjing? Eu queria muito ter passado para lá! — exclamou Tao Yushu, com um tom de leve arrependimento ao saber do curso de Zhang Yaozhong.
Lin Chaoyang sabia que o pesar de Tao Yushu tinha a ver com seu pai, mas Zhang Yaozhong não sabia disso. Saber que sua universidade era o sonho de outros lhe trazia um orgulho contido.
— A Universidade Normal também é excelente. Tenho um colega que também passou para lá.
No desenrolar da conversa, Tao Yushu notou a revista “Literatura de Yanjing” sobre a mesa, aberta.
— Espere... Esse Zhang Yaozhong é você? — perguntou, surpresa.
Lin Chaoyang seguiu o olhar de Tao Yushu e também viu o nome na revista.
Zhang Yaozhong sorriu com modéstia. — Sou eu. Escrevi um pequeno poema há algum tempo e, por sorte, foi publicado.
Desde que subiu no trem e viu o distintivo da Universidade de Yanjing no peito de Zhang Yaozhong, Lin Chaoyang percebeu que ele era um verdadeiro exibicionista.
O exibicionista não se destaca apenas por sua habilidade, mas pela capacidade de deixar os outros constrangidos enquanto ele se diverte. Zhang Yaozhong parecia dominar essa arte.
Tao Yushu pegou a revista que ele lhe entregou e leu com interesse; Lin Chaoyang também espiou.
“...
Escalar montanhas, dar a própria contribuição
No peito, milhares de livros de conhecimento
Formar talentos, disputar o tempo
Com grandes ambições, erguer planos grandiosos
...”
O poema era curto, chamá-lo de “pequeno” não era modéstia; Lin Chaoyang achou que seus textos do ensino fundamental eram melhores, quem dirá os que escreveu na universidade.
Não passava de uma trova banal.
Na última década, a produção literária na China havia sofrido um grande retrocesso. Lin Chaoyang, já vivendo ali há um ano, conhecia bem o contexto; lia jornais e livros sempre que podia, mas o conteúdo era quase só notícias políticas. Depois das campanhas de perseguição, era muito difícil encontrar obras literárias, especialmente para alguém do campo.
A revista “Literatura de Yanjing” que Zhang Yaozhong trouxe era conhecida por Lin Chaoyang: lançada em 1950, com Lao She como editor-chefe, passara por várias interrupções e retomadas, sendo oficialmente renomeada para “Literatura de Yanjing” em 1980.
Na época, era reconhecida como uma das principais revistas do meio, tendo publicado contos de grande repercussão como “O Amor Não Se Esquece” de Zhang Jie, “A Fita da Pipa” de Wang Meng e “A Ordenação” de Wang Zengqi.
Agora, antes da mudança de nome, a “Literatura de Yanjing” ainda era presa às velhas fórmulas, conservadora e limitada.
Lin Chaoyang sabia que era um resquício dos tempos difíceis; embora o pior já tivesse passado, o medo ainda pairava. Só após o quarto congresso dos escritores o cenário mudaria de vez.
— Está muito bem escrito! — elogiou Tao Yushu, com um sorriso sincero, fazendo Zhang Yaozhong abrir um largo sorriso — os colegas da Universidade Normal, de fato, sabiam reconhecer talento.
Aproveitando que o rapaz foi ao banheiro, Lin Chaoyang brincou:
— Você elogia até demais!
Tao Yushu piscou para ele:
— Mas está mesmo melhor que os outros textos, compare para ver.
“Os trabalhadores acenam,
O exército de aço segue o Partido,
Por quatro modernizações lutamos,
Cavalos galopam, sacudindo as crinas.”
“Ventos de primavera tingem de verde as pontas dos salgueiros,
A estrada ensolarada brilha reluzente,
Se perguntarem de que é feito o asfalto,
Ha-ha, é de piche preto.”
...
Lin Chaoyang ficou sem resposta.
A vivacidade e esperteza de Tao Yushu só apareciam em particular com Lin Chaoyang; quando Zhang Yaozhong voltou, ela voltou a ser a universitária culta e bela.
Comendo, conversando, descansando, lendo jornais e revistas, o tempo passou depressa. Ao chegarem a Shenyang, Lin Chaoyang e Tao Yushu trocaram de trem.
Zhang Yaozhong ainda seguiu viagem com eles, embora não no mesmo vagão. Despediu-se do casal com certo pesar.
Após uma noite dormindo no trem, ao raiar do dia, Tao Yushu acordou Lin Chaoyang.
O casal lavou o rosto e se arrumou. O trem já estava prestes a chegar ao destino.
Por volta das nove da manhã, soou o alto-falante do trem:
“Senhores passageiros, a viagem do trem é limitada, mas a jornada revolucionária é infinita.
Contribuamos, cada um em seu posto, para acelerar a modernização socialista!
Senhores passageiros, estamos prestes a chegar à estação final, Estação Yanjing. Assim que o trem parar completamente, desembarquem em ordem.”