Capítulo 55: Estariam dispostos a oferecer um bom preço?

O Escritor de 1978 Sentado, contemplo a Montanha Jingting 2382 palavras 2026-01-30 14:22:02

Descendo as escadas, Dorong perguntou a Lin Chaoyang:

— O que Liu Xinwu queria com você?

No dia da cerimônia de reinstalação do Círculo Literário Quatro de Maio de Yanda, Liu Xinwu também estava presente como um dos convidados. Dorong e o pessoal da biblioteca já o conheciam, sabendo que ele era um dos escritores jovens e de meia-idade mais populares do país no último ano.

Há pouco, Liu Xinwu apareceu no balcão de empréstimo reservado à biblioteca dizendo que procurava Lin Chaoyang; foi então que Dorong escreveu o bilhete e o enviou para ele no andar de cima.

Lin Chaoyang balançou a cabeça, dizendo que não sabia do que se tratava. De fato, ele não fazia ideia do motivo pelo qual Liu Xinwu o procurava, afinal nunca tinham tido contato antes, exceto por um breve encontro naquele evento do Círculo Literário Quatro de Maio. Ainda assim, Lin Chaoyang tinha suas suspeitas.

Ele pediu a Dorong que ficasse um tempo no terraço; havia dois funcionários no balcão, e só Tuman Sheng era o suficiente para ficar.

— Professor Liu! — disse Lin Chaoyang, mantendo o hábito adquirido no futuro de chamar pessoas do meio cultural dessa forma.

Liu Xinwu não se acostumava com tal tratamento.

— Pode me chamar de Xinwu ou de Velho Liu, como preferir.

— Então, vou te chamar de Velho Liu, é mais afetuoso.

Liu Xinwu assentiu, e juntos caminharam até o Triângulo.

— Vim em nome da revista Outubro para te pedir um texto. Você tem algum manuscrito em andamento? — abordou Liu Xinwu.

Como Lin Chaoyang desconfiava, Liu Xinwu estava ali por causa de um pedido de texto.

— Tenho um romance que estou escrevendo.

O rosto de Liu Xinwu se iluminou, pronto para falar, mas Lin Chaoyang continuou:

— Mas Zhang Dening, de Yanjing Literatura e Arte, tem me pressionado constantemente, e hoje mesmo recebi uma carta de convite da revista Colheita.

As palavras de Lin Chaoyang fizeram Liu Xinwu sentir-se um pouco incomodado. Yanjing Literatura e Arte foi a primeira revista a publicar um trabalho de Lin Chaoyang, havia um laço de gratidão ali. Colheita tinha o consagrado Senhor Ba Jin no comando e, agora que havia sido relançada, estava em alta.

Com essas duas revistas de olho em seus manuscritos, não seria fácil para Liu Xinwu conseguir a nova obra de Lin Chaoyang.

— Pedir um texto só tem valor se for feito pessoalmente — comentou Liu Xinwu, com aquele jeito sutil típico entre literatos.

Ele já era editor há alguns anos, tinha experiência em reunir textos, e sabia ser firme quando era necessário. Diante do prestígio de Colheita e Ba Jin, decidiu explorar o fato de que pediram por carta, transmitindo menos sinceridade, para tentar conquistar a preferência de Lin Chaoyang.

Lin Chaoyang sorriu sem responder, mentalmente colocando Liu Xinwu na categoria de “velho dissimulado”.

— Faz quase quatro meses que seu conto O Pastor de Cavalos foi publicado, não? — perguntou Liu Xinwu.

— Sim, saiu na edição de novembro do ano passado.

Liu Xinwu suspirou:

— Está realmente excelente. Sinto que o impacto só cresceu nos últimos meses. Só no Jornal de Literatura e Arte, já li uns dois ou três artigos de crítica sobre ele.

Lin Chaoyang fez um comentário modesto, e Liu Xinwu perguntou:

— Se importa de contar sobre o assunto e o conteúdo desse novo romance? Continua explorando temas de literatura de cicatrizes?

— Não exatamente, acho que se encaixa mais como literatura rural.

— Literatura rural? Sobre o quê?

— Sobre um par de sapatos.

Quando Lin Chaoyang mencionou sapatos, o primeiro pensamento de Liu Xinwu foi sobre O Sapato Bordado, mas afastou a ideia.

— Pode me contar mais detalhes?

Lin Chaoyang, sempre prestativo, sabia que Liu Xinwu estava ali representando a revista Outubro para pedir um texto. Trinta anos adiante, isso seria como um cliente vindo espontaneamente procurar um serviço; apresentar o produto seria o mínimo.

Caminhando pelo Triângulo, chegaram à margem do Lago Weiming, conversando pelo trajeto. No início de março, as margens do lago ainda não haviam se despido do inverno, com um ar meio desolado, mas a presença de tantos jovens energéticos preenchia o local de vitalidade.

— Essa sua história... — Liu Xinwu ouviu o relato de Lin Chaoyang por mais de vinte minutos, ficando com os olhos marejados em vários momentos. No fim, com a voz embargada, disse:

— É maravilhoso!

Limpou a garganta e continuou:

— Ouvir sobre seu novo romance me fez lembrar de O Pastor de Cavalos. Há algo que une os dois trabalhos...

— Calor humano! — Liu Xinwu pensou e resumiu em uma palavra.

Lin Chaoyang assentiu levemente. O olhar aguçado de Liu Xinwu, como editor e escritor, era notável.

— Essa palavra é bem apropriada.

Sorrindo, Liu Xinwu perguntou:

— Você gosta de histórias calorosas?

— Não necessariamente, gosto de todo tipo de história. Só acho que a literatura pode dar mais força às pessoas. Em vez de apenas expor a escuridão ou satirizar a realidade, oferecer coragem para enfrentar as adversidades da vida é algo que considero ainda mais importante.

Enquanto ouvia Lin Chaoyang, Liu Xinwu passou a encará-lo de forma mais séria.

Tinham se encontrado pela primeira vez na cerimônia de reinstalação do Círculo Literário Quatro de Maio, quando Chen Jiangong tentou apresentá-lo, mas Lin Chaoyang estava apressado para voltar à biblioteca. Liu Xinwu o vira como um jovem ainda imaturo e impetuoso.

Mas, depois dessa conversa, percebeu nele algo diferente.

Liu Xinwu refletiu que, na idade de Lin Chaoyang, seu entendimento sobre literatura estava longe de ser tão profundo. Claro, literatura é um tema grandioso e cada um carrega seu próprio entendimento.

Mas transpor o que se pensa para o papel e criar algo tão excelente quanto O Pastor de Cavalos não é para qualquer um; trata-se da unidade entre saber e agir, como dizia Wang Yangming.

Diante disso, Liu Xinwu sentiu o entusiasmo esmorecer. Percebeu que Lin Chaoyang era alguém com opiniões muito próprias, e dificilmente mudaria de ideia. Se ele realmente quisesse publicar o novo romance em Yanjing Literatura e Arte ou Colheita, não haveria argumento que o fizesse mudar de ideia — melhor ser direto.

Com essa decisão, Liu Xinwu não rodeou mais.

— Chaoyang, você já decidiu que esse romance vai para Yanjing Literatura e Arte, não é?

— Na verdade, ainda não — respondeu Lin Chaoyang.

Liu Xinwu se surpreendeu.

— Então vai para Colheita?

Lin Chaoyang balançou a cabeça de novo.

Para nenhuma das duas?

Diante de duas negativas, Liu Xinwu ficou confuso e, ao mesmo tempo, surgiu uma pontinha de esperança.

— Então, que tal publicar conosco?

— Não disse isso, disse? — Lin Chaoyang respondeu, desta vez sem rodeios, deixando Liu Xinwu ainda mais atônito.

— Vai publicar com quem, então? — perguntou ele.

— Isso... ainda não decidi.

Ao ouvir isso, os olhos de Liu Xinwu brilharam. Pelo visto, a ligação de Lin Chaoyang com Yanjing Literatura e Arte não era tão forte quanto pensava. Preocupou-se à toa.

Já se preparava para insistir ainda mais, quando Lin Chaoyang falou:

— Yanjing Literatura e Arte me disse antes que podem pagar sete yuans por cada mil caracteres. Colheita mandou a carta hoje, então ainda vou escrever para saber qual é o valor deles. E vocês...

Seus olhos, cheios de sinceridade, voltaram-se para Liu Xinwu.

— Velho Liu, vocês estariam dispostos a pagar um valor mais alto?