Capítulo 44 – "Crisântemo de Outono Busca Justiça"

O Escritor de 1978 Sentado, contemplo a Montanha Jingting 2711 palavras 2026-01-30 14:21:55

Do ponto de vista tradicional e mundano dos chineses, o casamento de Lin Chaoyang e Tao Yushu era, desde o início, repleto de desencontros sob todos os aspectos, tanto pelas condições pessoais quanto pelo histórico familiar de cada um. Além disso, devido às particularidades da época, a união deles dispensou toda formalidade e cerimônia.

Nem Lin Chaoyang nem Tao Yushu se importavam com isso; na verdade, eles nem sequer tiraram fotos de casamento. No entanto, já se passara um ano desde a união e os pais de ambos ainda não haviam se encontrado, o que, de fato, parecia pouco razoável.

Em parte, isso se devia à distância e à dificuldade de transporte, mas havia também uma razão mais importante: a cautela das famílias.

Do ponto de vista dos pais de Lin, ter um genro universitário de família distinta, vinda de uma linhagem de eruditos da maior universidade, tornava o encontro delicado. Se sugerissem o encontro e fossem aceitos, ótimo; mas, se não, poderiam acabar causando desconforto e até antipatia, deixando a impressão de quererem forçar uma aproximação por interesse.

Já os pais de Tao nunca tiveram grande conhecimento sobre Lin Chaoyang ou seus familiares antes de conhecê-lo pessoalmente. Aceitaram a ida dele para a capital apenas após muita insistência da filha. Enquanto não tivessem certeza de que Lin Chaoyang era digno da confiança e do futuro da filha, não pretendiam aceitar a união de forma precipitada.

Naquela noite, ao receberem um generoso presente dos pais de Lin, o senhor Tao sugeriu, espontaneamente, um encontro das famílias para o ano seguinte. Isso revelava que, nos últimos meses, Lin Chaoyang havia conquistado a aprovação dele, passando a ser visto como verdadeiro genro.

Diante dos familiares, Tao Yushu manteve-se contida, mas assim que voltou ao quarto, lançou-se nos braços de Lin Chaoyang.

— O presente dos meus pais chegou mesmo na hora certa!

O que realmente importava para Tao Yushu não era o presente em si, mas o fato de a união receber a aprovação e bênção de ambas as famílias. Por mais que, no dia a dia, enfrentasse a mãe como se fosse um pequeno furacão, no fundo, como toda filha, desejava o reconhecimento e o apoio dos pais para o próprio casamento.

Sem dar tempo para Lin Chaoyang responder, ela continuou:

— Aquela remessa de produtos do campo é enorme, certamente não foi barata. Antes de irmos embora, mamãe me deu quinhentos yuan — eles realmente se esforçaram.

— Mas você não vai mandar cem yuan de volta para meus pais? É assim que funciona a reciprocidade.

— Não é igual. Esse dinheiro já era dos meus pais e, mesmo que depois usemos o nosso, é nosso dever demonstrar respeito e cuidado com eles. Agora, esses produtos do campo vieram de seus pais para os meus, então precisamos dar um jeito para meus pais também retribuírem.

Lin Chaoyang não conteve o riso:

— Você não tem medo de ouvir um sermão da sua mãe?

— Ora, você mesmo disse: reciprocidade! — respondeu Tao Yushu, indiferente.

— E como sabe que meus pais não vão preparar algo para retribuir?

Tao Yushu pensou por um instante:

— É verdade. Mesmo que minha mãe não queira retribuir, meu pai certamente vai lembrar disso.

— Falar mal da sogra pelas costas, hein? Cuidado que eu conto!

— Não distorça minhas palavras. Minha mãe pode não ser a mais calorosa, mas não chega a ser grosseira. Ela só não conseguiu te aceitar ainda. Não guarde mágoas dela, é só uma questão de tempo para mudar de ideia.

Lin Chaoyang segurou suavemente sua mão:

— Ela me deu uma filha maravilhosa para ser minha esposa, só posso agradecer! Além disso, mesmo que ela não demonstre simpatia, nunca me deixou sem uma boa refeição.

Tao Yushu, enlevada pelo carinho, sentiu o coração aquecer. Mas logo ele acrescentou:

— Só não dá para elogiar a habilidade culinária.

Ela não resistiu e deu-lhe um tapa de leve:

— Cuidado para não ser ouvido por mamãe!

— E se ela souber, vai ser culpa sua!

Como o casal previa, na manhã seguinte, o senhor Tao começou a providenciar o presente de retribuição para os sogros, levando a contragosto a esposa para fazer compras.

Quando Lin Chaoyang chegou em casa após o trabalho, tudo já estava devidamente embalado.

— Chaoyang, amanhã cedo envie as coisas pelo correio. Acho que não chegará a tempo do Ano Novo. — O tom do senhor Tao era levemente pesaroso, pois receber antes das festas tornaria o presente ainda mais especial.

Na manhã seguinte, Lin Chaoyang despachou o pacote e só depois foi trabalhar na biblioteca.

Durante as férias de inverno, a biblioteca abria às oito, tornando sua rotina mais tranquila. Havia menos frequentadores, estava tudo mais calmo, mas vez ou outra aparecia algum serviço pesado.

Como naquele dia: havia chegado um novo lote de livros, pouco mais de dez mil exemplares. Para a biblioteca, que contava com dezenas de funcionários, não era tanto assim. O problema maior era que as estantes eram fixas; ao entrarem novos livros, era preciso substituir parte dos antigos, trabalho conhecido como "troca de prateleira" — uma das tarefas mais cansativas, perdendo apenas para quando o elevador de carga quebrava.

Se houvesse espaço livre nas estantes, tudo bem; o problema era quando estavam lotadas, pois não bastava apenas reorganizar, era preciso registrar e classificar, o que tornava tudo ainda mais trabalhoso.

Lin Chaoyang era uma das forças jovens do local e não hesitava em assumir essas tarefas. Aliás, mesmo que quisesse, o diretor não permitiria que se esquivasse. Cada lado de uma estante comportava mais de dois mil livros e, naquele dia, seria preciso trocar pelo menos quatro ou cinco lados.

Após terminar uma parte do serviço, Lin Chaoyang já sentia o cansaço pesar e disse à parceira de trabalho, Du Rong:

— Vamos descansar um pouco!

Du Rong, ofegante, respondeu:

— E você, sendo homem, aguenta menos que eu?

Ser alvo de provocação feminina não trouxe vergonha alguma a Lin Chaoyang:

— Trocar prateleiras exige mais paciência e resistência do que força. E nisso vocês, mulheres, realmente são melhores.

Du Rong brincou:

— Agora entendo como conseguiu conquistar a filha do professor Tao. Você realmente sabe falar!

A maior parte do dia foi gasta nesse serviço. À tarde, Lin Chaoyang estava exausto na cadeira, sem vontade de se mover, enquanto Du Rong ainda tinha ânimo para ir à sala de periódicos buscar revistas.

A maioria das revistas era publicada quinzenal ou mensalmente; sendo dia 20 de janeiro, provavelmente havia uma nova remessa. Pensando nisso, Lin Chaoyang lembrou que a "Literatura e Arte de Xangai" também era lançada todo dia 20. Será que sua novela teria saído nesta edição? Já passavam quase quatro meses desde o envio.

Com isso na cabeça, foi até a sala de periódicos, mas, ao perguntar, soube que todas as cópias recém-chegadas de "Literatura e Arte de Xangai" já haviam sido emprestadas — justamente pelos próprios funcionários.

Lin Chaoyang não pôde evitar um suspiro interior, lamentando a pressa dos colegas.

Ao voltar para casa, encontrou Tao Yushu com um exemplar de "Literatura e Arte de Xangai" nas mãos.

— "Literatura e Arte de Xangai", hein? Tem alguma boa obra nesta edição? — perguntou ele.

Tao Yushu, com os olhos fixos na revista, respondeu:

— Acabei de comprar, ainda não tive tempo de ler.

— Deixa eu ver.

Mas, antes que ele pudesse pegar, ela desviou:

— Deixa eu ler primeiro, depois te dou.

Enquanto falava, parou e abriu exatamente na primeira página de uma novela.

No topo, lia-se: "O Processo de Qiu Ju", autor: Wang Qinglai.

Um pseudônimo!

Mais um pseudônimo!

"O Processo de Qiu Ju" era justamente a novela que Lin Chaoyang enviara para "Literatura e Arte de Xangai" sob um nome falso, e que lhe rendera cento e sessenta e oito yuan de direitos autorais. Pena que andara gastando demais ultimamente e agora só restavam cem yuan daquele dinheiro.

Na última vez, ele até confessara sobre "O Pastor", mas não mencionara "O Processo de Qiu Ju". Afinal, todo escritor precisa de alguns pseudônimos! E a reserva financeira precisava ser mantida, pois ele ainda tinha um grande objetivo:

Juntar dinheiro para comprar uma casa maior.

Trocar de cama foi apenas uma meta de curto prazo para melhorar a vida. Agora, era preciso mirar mais alto.

O problema era que, naquela época, o mercado imobiliário era muito restrito e encontrar uma casa adequada não era nada fácil.

Apesar de brincar que queria uma vida tranquila, sabia que, antes de tudo, era preciso criar as condições certas para isso. Não só por ele, mas por Tao Yushu e pelo bem-estar da família.

Ter uma casa própria faria Tao Yushu muito feliz, sem dúvidas.

Ao imaginar a surpresa dela naquele dia, Lin Chaoyang sentiu o coração aquecer de expectativa.