Capítulo 95: O Mestre Também Ama Tanto o Dinheiro Assim? (Capítulo extra por 20.000 votos mensais)

O Escritor de 1978 Sentado, contemplo a Montanha Jingting 3548 palavras 2026-01-30 14:22:37

Faltando menos de uma semana para o feriado de Onze de Outubro, o romance "Grinaldas ao Pé da Montanha", que já estava sendo publicado há um mês, tornava-se cada vez mais popular e influente. Uma evidência clara desse impacto era que, enquanto Lin Chaoyang trabalhava no balcão de empréstimo da biblioteca, acabava sempre se tornando o centro das atenções entre os estudantes.

Além disso, a repercussão na mídia também crescia. Diferentemente do que ocorrera com "O Cavaleiro das Estepes" e "Os Sapatinhos", que eram populares entre os leitores, mas tinham a crítica literária como principal voz, "Grinaldas ao Pé da Montanha" despertou, desde que estourou, uma onda de leitores que escreviam e enviavam resenhas e comentários para jornais e revistas de diferentes regiões.

Em apenas um mês, dezenas de publicações locais, como o "Diário de Yanjing", o "Diário de Shanxi", o "Diário de Shenyang", a "Lagoa de Lótus" e a "Pátria do Norte", trouxeram impressões e críticas de leitores sobre o livro. Embora esses textos em sua maioria não fossem de profissionais da literatura, eram relatos genuínos e emocionados vindos do público.

Esse entusiasmo crescente impulsionou ainda mais a fama nacional de "Grinaldas ao Pé da Montanha". Em comparação ao retorno emocional dos leitores comuns, a crítica literária foi mais lenta em se manifestar. Artigos especializados, publicados geralmente em revistas de maior prestígio e circulação mensal, bimestral ou até trimestral, não conseguiam acompanhar a velocidade dos comentários do público.

Especialmente no caso do sucesso repentino de "Grinaldas ao Pé da Montanha", o meio literário foi pego de surpresa. Assim, até mesmo as críticas que haviam surgido recentemente, como as provocadas pelo artigo "A Inevitável Ascensão e Queda da Literatura da Cicatriz", foram abafadas por essa onda de entusiasmo, sem chance de reação.

Por isso, nos últimos tempos, Tao Yushu passou a concentrar seus esforços em reunir avaliações positivas sobre "Grinaldas ao Pé da Montanha" e sobre Lin Chaoyang, em vez de rebater críticas negativas. Num fim de semana, ela foi novamente à biblioteca de Yanda para consultar jornais e revistas, encontrando em menos de uma hora quatro artigos sobre o romance. Procurou também pelos textos que antes criticavam Lin Chaoyang, mas não encontrou nenhum.

Esse fato lhe trouxe uma sensação de frustração. Quando seu marido era alvo de críticas constantes, ela se enchia de ânimo e determinação para tentar, sozinha, mudar o rumo das opiniões e poupá-lo dos ataques. Contudo, nos últimos dois meses, apesar de ter publicado três artigos, seu impacto foi praticamente nulo, e as críticas do meio literário continuavam.

Tao Yushu pretendia persistir na luta, mas desde que "Grinaldas ao Pé da Montanha" se tornou um sucesso, os antigos críticos — que não perdiam oportunidade de atacar "Xu Lingjun, que morde a mão que o alimenta" — pareciam ter desaparecido em consenso, e esse tipo de texto sumiu de repente dos jornais.

Apesar de todo o seu esforço, nada mudou. Seu marido, por outro lado, seguia tranquilo, superando as críticas apenas pela força de sua obra.

Tao Yushu não sabia ao certo se deveria sentir-se feliz ou desanimada. Naquela noite, antes de dormir, ela ficou observando o perfil do marido. Sentindo o olhar dela, Lin Chaoyang, que lia um livro, virou-se curioso.

— Por que está me olhando assim?

Tao Yushu o fitou desconfiada:

— Você já sabia, não é?

— Saber o quê?

— Não se faça de desentendido!

Quanto mais Lin Chaoyang fingia, mais suspeita ela ficava, misturando teimosia à voz:

— É sobre aqueles artigos que te atacavam, estão todos em silêncio agora. Você já sabia que "Grinaldas ao Pé da Montanha" seria um sucesso e abafaria as críticas com seu impacto?

Lin Chaoyang sorriu, sem saber se ria ou chorava:

— Vai me comparar a um oráculo? Quem decide se faz sucesso ou não são os leitores. Antes, eles me criticaram tanto, talvez tenham cansado.

— Não acredito!

Desde que começaram a namorar, Tao Yushu sempre o defendia das más línguas, criando o hábito de se colocar à frente dele, enfrentando e resolvendo sozinha as dificuldades.

Agora, sem perceber, Lin Chaoyang já havia crescido a ponto de ela precisar admirá-lo, e os desafios que enfrentava superavam em muito o que ela, sozinha, poderia resolver.

Com ternura, Lin Chaoyang a envolveu nos braços, entendendo bem que aquele pequeno capricho dela vinha do sentimento de frustração.

— Você se esforçou muito nesses tempos. Agora que quase não há mais críticas, pare um pouco de escrever e descanse.

— De jeito nenhum! — Tao Yushu se desvencilhou rapidamente — Eu preciso ganhar meus honorários!

— Ora, sua danada! — Lin Chaoyang fingiu atacar como um tigre faminto — Então não é por pena de mim, e sim para lucrar às minhas custas!

— Socorro...

No dia seguinte, ao chegar ao trabalho, o senhor Xie da portaria foi procurar Lin Chaoyang.

— Chaoyang, você recebeu um telefonema.

Naquela época, quando não se encontrava pessoalmente ou escrevia cartas, telefonar era raro, só possível se ambos trabalhavam e tinham acesso à linha do serviço.

Lin Chaoyang não estranhou o contato; quando esteve na Editora de Humanidades para tratar de "Os Sapatinhos", Li Shuguang pedira seu número para posteriores conversas.

Ao atender, de fato era Li Shuguang informando que o conteúdo de "Os Sapatinhos" para a edição avulsa já estava pronto e que logo começariam as encomendas. Pediu para que Lin Chaoyang arranjasse alguém para escrever o prefácio e, se não conhecesse ninguém, poderia ajudar a contactar.

— Certo, depois levo pessoalmente.

Acostumado à entrega expressa dos tempos modernos, Lin Chaoyang não se sentia confortável com a lentidão do correio da época, preferindo entregar em mãos sempre que possível.

Li Shuguang sugeriu que ele encontrasse alguém para escrever o prefácio do livro. Embora não fosse íntimo do meio literário, não seria difícil conseguir alguém.

A primeira pessoa em quem pensou foi Zhang Dening, editora de "Os Sapatinhos", mas ela não era uma figura conhecida. Para o prefácio, seria melhor alguém de renome, com ligação à literatura. Lembrou-se então do vizinho do andar de cima.

— Professor Wu, aceita um cigarro?

Naquela noite, Lin Chaoyang encontrou o Professor Wu Zuxiang fumando no jardim do prédio. Ofereceu-lhe um cigarro e, após alguma conversa, pediu um favor:

— Professor Wu, poderia me ajudar com uma coisa?

— O que posso fazer por você? — respondeu Wu Zuxiang.

— Meu livro "Os Sapatinhos" vai sair em edição avulsa, e a editora pediu para eu arranjar alguém para escrever o prefácio. Eu sou novato e não conheço os veteranos do meio. Por isso venho pedir sua ajuda.

— Oh — Wu Zuxiang sorriu, assentindo — Tão rápido já vai publicar? O velho Tao conseguiu um bom genro!

— É só uma edição avulsa, um livrinho, nem conta como publicação — respondeu Lin Chaoyang, modesto. — Então, o senhor aceita?

— Claro — respondeu prontamente Wu Zuxiang.

Lin Chaoyang ficou radiante:

— Muito obrigado, professor Wu, muito obrigado...

Mas Wu Zuxiang o deteve:

— Não se apresse em agradecer, vamos tratar de negócios.

Negócios? Lin Chaoyang ficou confuso.

Wu Zuxiang esfregou os dedos e levantou as sobrancelhas:

— E quanto ao honorário?

Lin Chaoyang entendeu a indireta e sentiu-se derrotado. O mundo está mesmo perdido, pensou, até os grandes mestres agora só pensam em dinheiro!

Devia ter chamado o velho Zhu, cuja língua era afiada, mas pelo menos não sangraria seu cofrinho.

— Veja só, não posso deixar que trabalhe de graça! — disse ele, já resignado — Diga o valor.

Wu Zuxiang, sem responder, apanhou a caixa de cigarros de Lin Chaoyang:

— Esse cigarro é bom.

— Fique com ele.

Wu Zuxiang riu:

— Tem coragem de oferecer meia caixa só?

— Dou uma cartela. Meu dinheiro do mês é contado — Lin Chaoyang passou a se lamentar.

— Está bem — Wu Zuxiang aceitou, mas advertiu — Deixe comigo e me traga um maço em dois dias.

Lin Chaoyang percebeu que o velho estava sendo controlado em casa, recorrendo a ele para suprir o vício.

— O senhor já está numa idade avançada, deveria fumar menos.

Wu Zuxiang arregalou os olhos:

— Quando me ofereceu, não disse isso! Vai negar uns cigarros? Deixa pra lá, não escrevo mais!

— Não, não, é só preocupação com a sua saúde!

— Eu sei cuidar de mim, não preciso de sermão.

— Tem razão, desculpe. Não faltará nem um cigarro.

— Assim está melhor.

Wu Zuxiang, satisfeito, fumou mais dois cigarros e voltou para casa.

Na manhã seguinte, quando Lin Chaoyang estava saindo para o trabalho, encontrou Wu Zuxiang agachado à entrada do prédio.

— Aqui está!

O velho tirou algumas folhas de papel do bolso, olhando ao redor como se estivesse numa operação secreta.

Lin Chaoyang mal acreditava. Pedira o favor no final da tarde e já recebia o texto pela manhã, sem nem tempo para revisão.

— Está querendo bater o recorde de produtividade? Não podia ter se dedicado um pouco mais?

Wu Zuxiang empurrou as folhas para ele:

— Por uma cartela, quer uma obra-prima?

Quem é mesmo o cliente aqui?

— O senhor não tem jeito.

Apesar das reclamações, Lin Chaoyang folheou o texto e viu que, embora breve, estava bem escrito, elogiando tanto o autor quanto "Os Sapatinhos" com entusiasmo.

— E o cigarro? Comprou?

— Só ontem à noite acertamos, como ia conseguir tão rápido?

— Amanhã à noite, me traga um maço.

Wu Zuxiang assentiu:

— Certo. E não esqueça o ardian.

— Está bem.

Caminhando para a biblioteca, Lin Chaoyang sentiu um certo pesar. Quando será que o cunhado vai começar a namorar? Ele também precisava ganhar uns honorários.