Capítulo 34: Ver com os próprios olhos é melhor do que ouvir mil vezes

O Escritor de 1978 Sentado, contemplo a Montanha Jingting 3370 palavras 2026-01-30 14:21:48

Submeter um texto para a Revista de Letras de Xangai aconteceu no início de outubro. Agora, mais de dois meses se passaram; mesmo levando em consideração o tempo de envio pelo correio, essa eficiência é, no mínimo, preocupante. Antes, Lin Chaoyang achava que a Revista de Letras de Pequim era lenta, mas agora via que seus editores, na verdade, eram bastante diligentes.

Felizmente, embora a equipe editorial da Revista de Letras de Xangai não fosse eficiente, ao menos possuía bom olhar: o texto enviado por Lin foi aceito como ele desejava. A redação até especificou na carta que o pagamento seria enviado em alguns dias.

A iminente publicação do segundo conto deixou Lin Chaoyang novamente de bom humor.

O tempo avançou rapidamente até o final de dezembro, e ultimamente parecia haver uma atmosfera diferente e extraordinária na Cidade de Pequim.

Na manhã de 24 de dezembro, assim que chegou ao trabalho, Lin Chaoyang viu Hu Wenqiong sentada à mesa, absorta na leitura do jornal, o rosto sério. Em outros tempos, ela estaria limpando a mesa nesse horário.

Enquanto Lin Chaoyang limpava sua própria mesa, uma folha de jornal foi colocada diante dele. Olhando para cima, viu Hu Wenqiong, visivelmente emocionada, fitando-o.

— O que houve, irmã Hu?

— Uma boa notícia! Uma notícia grandiosa!

Hu Wenqiong sorriu radiante, exibindo o jornal para Lin Chaoyang.

— Veja, saiu um importante pronunciamento do nosso líder no Diário do Povo. A tempestade passou, o céu voltou a clarear!

Lin pegou o jornal, onde estava publicado o comunicado da recém-encerrada Terceira Sessão Plenária, junto com a importante fala do líder. Ele comentou sorrindo:

— Nos últimos dias, todos só falam disso. Agora sim, está definido.

Hu Wenqiong assentiu com força, apertando os lábios e com os olhos marejados:

— Agora sim, está decidido!

Naquele dia, a emoção de Hu Wenqiong era a regra, não a exceção. Lin Chaoyang sentia que, naquela manhã de 24 de dezembro de 1978, toda a comunidade universitária fervilhava de sentimentos intensos.

Na hora do jantar, até o sogro, raramente, serviu-se de uma dose de álcool.

A China, esse gigante cambaleante, após dez anos lutando no lamaçal, finalmente se livrava do lodo e começava a caminhar em direção à primavera.

Há quatro meses, se Lin Chaoyang tivesse lido aquela edição do Diário do Povo, provavelmente teria saltado de alegria. Mas agora era diferente; o ímpeto idealista de antes já fora suavizado pelo cotidiano.

Com o Ano Novo à porta, o mais importante era pensar em como agradar a esposa. Mesmo que o Natal não fosse uma tradição local, o Ano Novo era celebrado.

O conto “O Cavaleiro Pastor” e o ensaio sobre a criação haviam lhe rendido um total de cento e três yuan em direitos autorais; assim, seu pequeno cofre particular estava novamente abastecido, e ele pretendia comprar um presente para Tao Yushu.

Além de cobrir despesas do dia a dia, o maior uso do seu cofre era promover a harmonia doméstica.

Contudo, havia um problema: Lin Chaoyang entregava todo o salário em casa, e todo mês Tao Yushu só lhe deixava dez yuan para gastar, incluindo o almoço na universidade. Desde setembro, ele recebera o salário três vezes; somando ao saldo restante do cofre quando Tao Yushu pegou o dinheiro, subtraindo as despesas do almoço, o presente não poderia passar de vinte e cinco yuan, caso contrário não teria como justificar a origem do dinheiro.

Após pensar bem, ao meio-dia procurou Hu Wenqiong.

— Irmã Hu, ouvi dizer que seu cunhado trabalha na Livraria Xinhua, certo?

— Sim. Por quê, quer comprar livros?

Antes mesmo que Lin Chaoyang explicasse, Hu Wenqiong já perguntou. Ele respondeu:

— Será que é possível conseguir a Coleção dos Clássicos da Literatura Estrangeira? O ideal seria o conjunto completo.

— Esses livros são difíceis de conseguir — ponderou ela, sem se comprometer.

A Coleção dos Clássicos da Literatura Estrangeira vinha sendo planejada desde antes dos anos difíceis, e em 1978 foi relançada, numa parceria entre a Editora Popular de Literatura e a Editora de Tradução de Xangai. Todos os livros eram clássicos renomados mundialmente e, assim que chegaram ao mercado, tornaram-se objetos de desejo dos leitores. Como tinham sempre o mesmo padrão de capa bege quadriculada, eram carinhosamente chamados de “edição quadriculada”.

— Se fosse um ou dois volumes, até daria. Agora, mais que isso...

— Não precisa ser novo, se souber de alguém querendo vender, pode pedir ao seu cunhado que me avise. Pago vinte centavos a mais por exemplar — sugeriu Lin Chaoyang.

Naquele momento, a coleção era tão disputada que mesmo com um contato na livraria era difícil garantir o conjunto. Mas se Lin Chaoyang estava disposto a pagar um extra, o problema se resolvia: toda livraria tinha sobras ou perdas, e o dinheiro a mais poderia bancar um almoço para os colegas. Assim, Hu Wenqiong aceitou prontamente:

— Deixe comigo, isso fica por minha conta.

No almoço após o Natal, Lin Chaoyang encontrou Chen Jiangong e Wang Xiaoping no refeitório. Depois das saudações, ouviu os dois comentando sobre o rumoroso episódio do primeiro número da revista Hoje, tema quente entre os estudantes da capital.

Wang Xiaoping, um entusiasta da poesia, falava sobre a revista com admiração.

— O seu conto “O Cavaleiro Pastor” está fazendo sucesso! — disse Chen Jiangong em tom baixo.

— Acho que está pegando carona no sucesso de “Cicatrizes”.

— O conto é ótimo por si só, não precisa ser modesto. Pelo menos no nosso departamento de letras, todos gostaram.

Enquanto conversavam, Wang Xiaoping juntou-se à roda, falando alto como de costume. Lin Chaoyang o repreendeu:

— Xiaoping, fale mais baixo.

Só então Wang Xiaoping lembrou do pedido anterior de Lin, sorrindo envergonhado.

Diante de tanta espontaneidade, Lin Chaoyang ficou preocupado; o pseudônimo “Xu Lingjun” não permaneceria oculto por muito tempo.

Após o almoço, Chen Jiangong lhe entregou dois ingressos para o cinema. Desde a fundação do Clube Literário Quatro de Maio, sessões de filmes restritos tornaram-se um dos privilégios dos membros.

Diziam que eram exibições internas na Cinemateca Chinesa de Xiaoxitian. Lin Chaoyang aceitou os bilhetes sem cerimônia; afinal, seu trabalho como consultor da revista Lagoa Sem Nome era voluntário, então assistia aos filmes como uma pequena recompensa.

À noite, ao mostrar os ingressos em casa, Tao Yushu se interessou. Na Universidade Normal de Pequim, onde estudava, o departamento ocasionalmente organizava sessões de filmes restritos, muito disputadas pelos alunos.

— Onde conseguiu esses ingressos? — perguntou ela.

— Faço amizade com os estudantes do clube, reservo lugares para eles... e acabei ganhando — inventou Lin Chaoyang, mentindo com a mesma naturalidade da esposa.

— Nada mal, tem ótimos contatos — brincou Tao Yushu.

Ao saber que iriam a Xiaoxitian ver um filme restrito, a cunhada Tao Yumo ficou cheia de inveja, olhando para Tao Yushu com desejo mal disfarçado. O casal percebeu a intenção da jovem, mas estavam de acordo: criança tem que ter disciplina, não se pode ceder sempre.

No dia seguinte à tarde, foram juntos à sessão. Por ser um evento do Clube Quatro de Maio, muitos presentes eram membros, inclusive Chen Jiangong, Wang Xiaoping, Zha Jianying e Liu Zhenyun.

Antes, todos sabiam que Lin Chaoyang era genro do professor Tao do departamento de História, mas nunca haviam visto a filha do professor; apenas ouviam dizer, por Zhuang Yaozhong, que ela era muito bonita.

Ao vê-la, todos ficaram impressionados: ouvir falar não era o mesmo que ver.

Tao Yushu tinha traços marcantes e elegantes, correspondendo ao ideal de beleza chinês — alta, destacava-se entre a multidão.

— Aquela é a filha do professor Tao?

— Belíssima, tem um ar de distinção.

Wang Xiaoping e algumas colegas de letras comentavam. Ela mesma era considerada bonita entre as alunas, mas ao lado de Tao Yushu sentia-se inferior.

Os rapazes cochichavam entre si, todos resumindo: Lin Chaoyang tinha realmente sorte.

O filme exibido era uma coprodução franco-italiana, “O Corcunda de Notre-Dame”.

Como estudantes de letras, todos conheciam tanto a obra quanto o nome de Victor Hugo, e o evento ganhou ares de peregrinação.

O filme era de 1956, mas, mesmo passadas duas décadas, ainda era uma obra-prima.

No fim, todos ficaram admirados; até Tao Yushu expressou vontade de reler o romance.

Alguns dias depois, na última manhã do recesso de Ano Novo, Hu Wenqiong chegou ao trabalho e colocou um saco sobre a mesa.

— Chaoyang, dê uma olhada!

Radiante, Lin Chaoyang abriu e encontrou uma pilha de “edições quadriculadas”.

“Os Fantoches”, “Antologia Poética”, “O Jardim das Rosas”, “O Herói dos Tempos”, “Notas de um Caçador”, “Anna Kariênina”, “O Cavaleiro da Cruz”...

Contou dezesseis livros, alguns publicados nas décadas de 1950 e 1960, em excelente estado, quase novos, o que o deixou surpreso — era raro, após os anos conturbados, encontrar obras tão bem conservadas.

Agradeceu muito a Hu Wenqiong e lhe entregou o valor combinado.

Gastou vinte e seis yuan e meio, um pouco acima do planejado, mas nada grave.

No fim do expediente, Lin Chaoyang caminhava pelo campus com a bolsa de livros. Nos últimos tempos, proliferavam no campus capas de chuva iguais à de Du Qiu e chapéus ao estilo Mayumi — a influência cultural de “A Perseguição” ganhava corpo e se expandia.

Lin Chaoyang não se importava com isso; só pensava no rosto surpreso e feliz que Tao Yushu faria ao ver aqueles livros, e não pôde evitar sorrir de felicidade.