Capítulo 48: Uma descoberta inesperada
— Onde está sua cunhada?
Depois de quase duas horas de trabalho na cozinha com as cunhadas e sobrinhas, quando já estava quase na hora de comer, a mãe de Tao não viu sinal de Lin Chaoyang e perguntou a Tao Yumei.
— Acho que ela subiu com o irmão mais velho.
Du Feng era um ano mais velho que Tao Yumei, e ela o chamava de irmão.
Na visita de Ano Novo à casa do primo, a maior preocupação da mãe de Tao era Lin Chaoyang, temendo que ela fizesse alguma besteira. Franziu a testa e ordenou a Tao Yumei:
— Chame-a para descer, diga que já vamos comer.
— Tá bom.
Tao Yumei subiu as escadas um tanto contrariada, pensando que se era para chamar, que a própria mãe fosse, não precisava mandar ela.
Tendo crescido na casa do tio desde pequena, Tao Yushu nunca teve cerimônia; ao chegar à porta do quarto de Du Feng, empurrou e entrou.
— Cunhada!
A súbita entrada da moça pegou Lin Chaoyang impassível, mas assustou Du Feng, que estava absorto nas palavras escritas no papel. Ele, atrapalhado, escondeu a folha atrás das costas, o rosto aflito.
— O que estão fazendo?
— Nada não.
Pelo jeito de Du Feng, até um tolo perceberia que havia algo errado.
Tao Yumei desconfiou, mas não demonstrou.
— Já vai ter comida, mamãe mandou vocês descerem.
— Sabemos, pode sair agora — disse Du Feng.
— Vou descer antes.
Avisou Lin Chaoyang, e desceu, seguida por Tao Yumei.
Só quando os dois já tinham saído, Du Feng retirou novamente a folha de papel, leu as palavras e sentiu a onda de romantismo que delas emanava.
Dobrou o papel com cuidado e o guardou na gaveta do criado-mudo — afinal, era sua garantia de felicidade futura.
Passados uns vinte minutos, as duas famílias estavam reunidas à mesa, compartilhando uma atmosfera harmoniosa.
De repente a porta do quarto se abriu; Tao Yumei entrou sorrateira, foi direto ao criado-mudo.
Abriu a gaveta, encontrou o que buscava e sorriu, vitoriosa.
Desdobrou o papel e deparou-se com letras delicadas e marcantes:
“Já senti teu cheiro, és o ar úmido do sul,
O perfume típico da estação das chuvas.
Como o verde tenro brotando dos velhos salgueiros à entrada da vila,
Como o azul brilhante e o branco límpido após a primeira estiagem.
Sonho contigo ao ver as flores de pêssego em março,
Brilhantes, espalhadas por todos os montes.
Sentados sob a pequena ponte feita de lajes,
O riacho murmurando,
Gostas de molhar os pés na água fresca,
Enquanto recito poemas ao teu lado.
Escuta:
O ar pesado e úmido, uma tarde de verão,
A chuva se aproxima...
Teus braços erguidos sobre minha cabeça...
A água da chuva escorre dos meus cílios, das tuas sobrancelhas, despedaçando-se entre nós.
Prendemos a respiração,
As flores de lótus no lago acenam, tu vês?
As gotas nas folhas anunciam a novidade,
O amor, o amor,
Ele se transforma num rio impetuoso sob a chuva...”
A jovem estava totalmente absorvida pelas palavras, os cílios tremiam levemente, os olhos brilhavam, as faces ruborizadas, o coração palpitando.
Com a mão pendendo, ainda segurando a carta, Tao Yumei continuava imersa na atmosfera criada pelo texto, incapaz de se conter.
Que jovem não é sensível, que moça não sonha com o amor?
“Tum, tum, tum!”
O som repentino de passos na escada despertou a moça de seu devaneio. Assustada, recolocou a carta rapidamente na gaveta. Mal abriu a porta, foi surpreendida por Du Feng.
— Ah, te peguei! De novo com tuas investigações secretas!
— Que investigação, nada! Só perdi um grampo de cabelo, vim procurar.
Tao Yumei inventou a desculpa na hora.
— Continua inventando! Vamos, diz logo, o que fez aqui? — Du Feng a olhou ameaçador.
— Nada demais.
Du Feng lançou um olhar por trás dela:
— Mexeu na minha gaveta, não foi?
Vendo que não adiantava negar, Tao Yumei estufou o peito:
— Mexi, li, e daí?
— Você...
Du Feng estava sem saída. Cresceram juntos, sempre brigando, e nunca soube como lidar com as confusões da irmã. Se levasse para os pais, era ele quem se daria mal.
Além disso, não queria que se espalhasse pela casa que escrevia cartas de amor.
— Em pleno Ano Novo, não vou perder tempo contigo. Mas não conte nada para ninguém, senão vai ver só!
Tao Yumei não se importou com a ameaça, e ainda perguntou:
— Quem te escreveu?
Agora Du Feng tinha certeza de que ela viu de fato.
— Quem mais seria? Fui eu mesmo!
Tao Yumei quase revirou os olhos até o céu:
— Eu não sei do teu nível? Para de se gabar!
— Foi eu mesmo quem escrevi.
Vendo que ele não admitia, Tao Yumei sorriu com desdém:
— Não precisa dizer, já sei.
Na verdade, ela não tinha certeza, queria apenas testar Du Feng.
Du Feng a empurrou porta afora:
— Vai, vai, para de bagunçar meu quarto!
Os dois irmãos desceram, e o banquete continuava animado.
Havia gente demais, então separaram em duas mesas: uma para os homens, outra para as mulheres e crianças, tudo muito alegre.
O tio Du Ruolin servia bebida ao pai de Tao, Lin Chaoyang sentava-se quieta ao lado, pois não era coisa para os mais jovens se meterem.
Desde que desceu a escada, o olhar de Tao Yumei não saía de Lin Chaoyang, cheio de curiosidade e suspeita.
Sentou-se ao lado da irmã Tao Yushu e perguntou:
— Mana, como foi que você se interessou pelo meu cunhado?
Tao Yushu estranhou um pouco a pergunta:
— Por que quer saber?
— Curiosidade, só isso!
Na mesa, as mulheres conversavam, as crianças brincavam, e todos transbordavam felicidade naquela atmosfera acolhedora.
Ninguém prestou atenção às irmãs. Tao Yushu olhou discretamente para Lin Chaoyang, sentada em silêncio.
— Porque eu sabia que ele era um diamante bruto!
Tao Yumei viu no rosto da irmã aquela expressão de quem se orgulha de enxergar o que ninguém mais vê, e em sua mente ecoavam as palavras que lera há pouco.
Ela não tinha certeza se as palavras vinham mesmo do cunhado.
Arriscou:
— Então você se apaixonou pelo talento dele?
Tao Yushu se surpreendeu:
— Como percebeu isso?
Embora não tenha respondido diretamente, Tao Yumei captou a confirmação nos olhos da irmã.
— Nada demais, só de ouvir vocês conversando às vezes, percebo que ele tem conteúdo mesmo.
Tao Yumei respondeu de forma vaga, mas seus olhos voltaram, sem querer, para Lin Chaoyang.
Não pôde evitar lembrar da primeira vez que viu o cunhado: um rosto sem atrativos, o corpo ereto na roupa tradicional, mas os sapatos de pano destoando, meio caipira.
Como uma irmã tão bonita escolheria um homem tão simples, sem beleza nenhuma?
Esse mistério a intrigava há muito tempo.
Mesmo depois de mudar sua atitude em relação a Lin Chaoyang, foi apenas por obrigação moral, não por simpatia verdadeira.
Agora, parecia finalmente ter descoberto algo.
— Mana, ele já te escreveu cartas de amor?
— Cartas de amor? — Tao Yushu achou a irmã estranha naquele dia — Por que pergunta?
— Ah, nada não. É que, subindo agora há pouco, vi o irmão escrevendo uma carta para uma garota.
Tao Yumei, sem peso na consciência, entregou Du Feng de bandeja.