Capítulo 70: Jovens Revoltados Americanos

O Escritor de 1978 Sentado, contemplo a Montanha Jingting 2719 palavras 2026-01-30 14:22:14

Prometer mundos e fundos, oferecer palavras de encorajamento, manipular e resistir à manipulação emocional — todas são habilidades indispensáveis para quem navega pelo ambiente profissional contemporâneo.

Com poucas palavras, Lin Chaoyang despertou Du Feng de seu torpor, levando-o a exclamar: “É realmente fácil convencer os jovens!” Observando Du Feng revigorado e cheio de energia, Lin Chaoyang pensou que o único lamento era pelas cartas de amor que escrevera; ao menos não havia copiado nenhum autor famoso, então não era uma grande perda.

— Cunhado, nunca admirei muitas pessoas nesta vida, mas você certamente é uma delas! — declarou Du Feng, ainda emocionado.

— Entre nós, esse tipo de conversa não faz sentido — Lin Chaoyang acenou, descontraído.

Du Feng quis saber sobre o andamento dos planos de Lin Chaoyang, que respondeu:

— Já estruturei bem minhas ideias. Acho que hoje mesmo posso começar a escrever.

— Excelente!

Mesmo que não fosse ele o autor, sentia-se orgulhoso por ter contribuído indiretamente para o surgimento de uma obra que celebraria os soldados na linha de frente, protegendo a pátria. O orgulho era tanto que, por um instante, sentiu-se parte daqueles combatentes.

— Cunhado, se precisar de algo, me avise. Farei o possível — garantiu Du Feng.

— Combinado.

No dia seguinte, Lin Chaoyang levantou cedo para ir ao trabalho e, no lado leste da biblioteca, avistou Amau.

Desta vez, Amau parecia não estar mais aborrecendo o velho Zhu. De algum lugar, arranjara um traje esportivo simples, calçava sapatos de pano e usava pesos amarrados nas pernas, correndo com imponência e determinação.

Logo atrás, vinha Liu Huimin, do departamento de História, com cara de quem acabara de sair da cama, arrastando-se como um cão cansado.

Ao notar Amau e Liu Huimin, Lin Chaoyang também foi percebido pelos dois. Amau acenou de longe, entusiasmado como um grande labrador dourado.

O olhar de Liu Huimin para Lin Chaoyang carregava um quê de rivalidade pessoal. Amau já lhe contara que todas aquelas ideias vinham das dicas de Lin Chaoyang.

Então, é você o verdadeiro instigador por trás disso? — pensou Liu Huimin.

— Amau, como tem se sentido ultimamente? — perguntou Lin Chaoyang.

— Maravilhosamente bem! — O rosto de Amau brilhava de suor e estava ruborizado, mas ele transbordava energia, embora o odor exalado pelo corpo fizesse qualquer um ao lado dele querer se afastar.

— Lin, você tinha razão. Um homem deve ter um corpo forte; só assim terá capital para lutar por grandes causas!

— O corpo é o capital das grandes causas. Sua determinação é admirável.

O elogio de Lin Chaoyang deixou Amau orgulhoso. Ele então puxou Lin Chaoyang para perto e, num tom misterioso, confidenciou:

— Ultimamente, a embaixada dos Estados Unidos está recrutando estudantes estrangeiros. Pretendo aproveitar a oportunidade para colher informações e me preparar antecipadamente para a grande causa.

Por um instante, Lin Chaoyang ficou chocado.

Meu Deus, eu estava só brincando, não me assuste! Se isso virar caso de espionagem, estamos ambos perdidos!

Liu Huimin, ao lado, também ficou alarmado — será que ouvir conversas assim sem pagar era mesmo permitido?

Esforçando-se para manter a serenidade, Lin Chaoyang adotou um semblante sério:

— Camarada Amau!

Sentindo a solenidade do tom, Amau endireitou-se imediatamente:

— Camarada Chaoyang, ordens!

Liu Huimin olhava, espantado, para Lin Chaoyang. Até então, só sabia das intenções de Amau de fortalecer o corpo para a causa, mas não imaginava que Lin Chaoyang também estivesse envolvido.

Então, você é o verdadeiro cabeça por trás disso tudo?

Sem se importar com a expressão de Liu Huimin, Lin Chaoyang dirigiu-se a Amau:

— Ir à embaixada para buscar informações, você sabe que tipo de conduta é essa? Isso é espionagem. Nosso objetivo é difundir a luz do comunismo pelo mundo; revoluções violentas e sacrifícios sangrentos não são nosso propósito.

— Que revolução não envolve sangue? — Amau rebateu, surpreendendo Lin Chaoyang.

O que mais espantava Lin Chaoyang era ouvir tal frase sair da boca de Amau, cuja formação acadêmica não parecia suficiente para tal reflexão.

Um olhar rápido para o lado revelou Liu Huimin desviando o olhar, desconfortável.

Ultimamente, no dormitório, Amau vinha pedindo a Liu Huimin para lhe contar histórias das revoluções chinesas. Sendo estudante de história, Liu Huimin se empolgava com o pedido, falando sem parar.

— Não! Camarada Amau, seu pensamento está equivocado. O mundo chegou a um estágio em que revoluções violentas já não são a tendência principal.

Pelo que vejo, por trás do aparente esplendor da União Soviética, há muitos conflitos internos. Atualmente, o Ocidente intensifica a guerra de informação contra os soviéticos. A situação parece estável, mas, quando os problemas internos vierem à tona, desencadearão reações em cadeia. Como parte do bloco socialista, devemos aprender com as lições deles.

Por isso, a urgência revolucionária hoje não é mais o confronto físico, mas sim o embate espiritual e no campo das ideias. Você entende?

Os olhos de Amau brilhavam com entusiasmo ao ouvir Lin Chaoyang e ele assentiu, pensativo:

— Lin, o que você diz faz muito sentido. Então, o que devo fazer?

— Estudar! — Lin Chaoyang respondeu de pronto. — Não basta ter um corpo forte; a alma e o espírito também precisam ser vigorosos. Nós, chineses, falamos em “ser virtuoso por dentro para governar por fora”. Só quem se fortalece de dentro para fora não teme inimigos e pode inspirar outros a se unir à causa.

— Concordo. Ultimamente, apesar de me sentir mais saudável, percebo uma carência espiritual.

Aliviado, Lin Chaoyang prosseguiu:

— Você pode começar assistindo às aulas de história do partido e de economia política.

— Excelente sugestão!

Com a crise contornada, Lin Chaoyang ainda recomendou:

— Esqueça a embaixada. Nós, chineses, temos um ditado: “O sábio não fica sob muros que podem cair”.

— Não, não, tenho mesmo que ir! O salário é de sete dólares por hora, seria um desperdício não aproveitar — Amau protestou, gesticulando.

Então, no fim das contas, era pelo salário? Sete dólares por hora — mais de dez yuans! Para a época, os americanos eram realmente prósperos.

— Pena que a embaixada não aceita chineses! — lamentou Liu Huimin ao lado, desejando poder tomar o lugar de Amau.

Conversaram mais um pouco e Lin Chaoyang finalmente entendeu. Apesar de Amau ser americano, sua situação financeira não era das melhores; por isso, escolhera estudar na China.

Agora, tudo fazia sentido para Lin Chaoyang. Por falta de dinheiro, Amau fora um jovem revoltado nos Estados Unidos, e, ao vir estudar na China, bastaram algumas palavras para que se empolgasse com ideias revolucionárias.

— O que você precisa agora é estudar, se exercitar e ganhar dinheiro. Há um ditado chinês: “Acumule grãos, espere o momento certo para se destacar”.

Amau assentiu; conversar com eles era mesmo enriquecedor. Em poucos minutos, aprendera vários provérbios chineses.

Com Amau tranquilizado, Lin Chaoyang relaxou. Pela manhã, aproveitou para assistir à aula de Le Daiyun sobre “Estudos de Mao Dun”. O nome da disciplina era esse, mas logo desviava do tema.

Le Daiyun era pesquisadora em literatura comparada — termo ainda pouco conhecido na academia chinesa da época. Em resumo, trata-se de analisar a literatura através de diferentes nacionalidades, línguas, culturas e disciplinas. Surgiu na França no século XIX e, depois, desenvolveu-se bastante no Ocidente.

Para os estudantes de letras, as aulas de literatura comparada de Le Daiyun eram muito mais interessantes do que as sobre Mao Dun.

Esse desejo intenso de absorver conhecimentos externos era típico dos intelectuais daquele tempo, após tanto isolamento. No entanto, tal busca desenfreada às vezes gerava problemas, como a admiração cega pelo estrangeiro ou o sentimento de inferioridade.

Após a aula, Lin Chaoyang retornou ao balcão de empréstimos e foi abordado por Hu Wenqiong:

— Chaoyang, uma moça está à sua procura!

— Quem é? Ela já foi embora?

— Cansou de esperar e eu a mandei para a sala de jornais.

— Certo, Hu, pode ficar de olho para mim mais um pouco, por favor.

Após agradecer, Lin Chaoyang dirigiu-se à sala de jornais.