Capítulo 88: Os Céus São Justos

O Escritor de 1978 Sentado, contemplo a Montanha Jingting 3849 palavras 2026-01-30 14:22:29

O manuscrito foi entregue a Zhang Guangnian para a revisão final, e Cui Daoyi estava justamente pensando em entrar em contato com Xu Lingjun, o autor. No entanto, ontem, enquanto fumava um cigarro no andar de baixo, ouviu dizer que a redação de Literatura Contemporânea planejava publicar em volume único "Os Sapatinhos", de Xu Lingjun.

Que coincidência, não? Logo no início do expediente, ele foi até a redação de Literatura Contemporânea e, de fato, conseguiu encontrá-lo.

Li Shuguang apresentou Lin Chaoyang e Cui Daoyi um ao outro.

— Você é Xu Lingjun? — A pergunta de Cui Daoyi era retórica, pois a admiração em seu olhar era impossível de ocultar.

— Olá, professor Cui! — Se Cui Daoyi não sorrisse, seu rosto pareceria severo, mas ele estava sempre sorridente. — Que professor Cui, que nada, pode me chamar de velho Cui.

Nessa época, todos já estavam acostumados a chamar os mais velhos de "velho" seguido do sobrenome.

Lin Chaoyang, adaptando-se prontamente, chamou: — Velho Cui. — Os dois conversaram animadamente, enquanto Zhou Yanru, ao lado, sentia-se incomodada, quase como se alguém estivesse roubando seu trabalho diante de seus olhos.

Mas, ouvindo a conversa, ela logo percebeu algo estranho: o novo conto de Lin Chaoyang seria publicado em "Literatura Popular"? Não havia sido prometido para "Outubro"?

Cui Daoyi convidou Lin Chaoyang para visitar o grupo norte, e Zhou Yanru os seguiu de perto, a passos sincronizados.

Cui Daoyi lançou a Lin Chaoyang um olhar inquisitivo: O que está acontecendo aqui?

Zhou Yanru só queria saber qual seria o destino do manuscrito de Lin Chaoyang, fingiu não ver o olhar de Cui Daoyi e seguiu os dois até o escritório do grupo norte de "Literatura Popular".

Se fosse para classificar as revistas literárias chinesas como escolas de artes marciais, "Literatura Popular" seria equivalente ao Templo Shaolin ou ao Monte Wudang.

O nome "Popular" já indicava sua origem ilustre; mesmo entre revistas de influência nacional, sua posição era naturalmente superior às demais.

Com a editora Literatura Popular e a Associação Nacional de Escritores por trás, a revista conquistou uma posição inigualável no cenário literário chinês.

Acompanhando o crescimento da Nova China, essa revista literária provou seu valor com inúmeras obras clássicas.

Claro, uma revista tão autoritária também tinha seus defeitos.

Forte carga política e estética literária antiquada eram questões presentes, como Zhang Denin costumava comentar em particular, mas, sendo o padrão mais alto das publicações oficiais, seu conservadorismo e cautela eram compreensíveis.

Mesmo assim, no início do ano anterior, "Literatura Popular" ousou publicar "O Professor Responsável", de Liu Xinwu, lançando as bases para a popularização da literatura de cicatrizes no país.

O escritório do grupo norte era semelhante ao da redação de Literatura Contemporânea, inclusive na faixa etária dos editores.

Na divisão de tarefas, Cui Daoyi era o responsável pelo grupo norte, cujo núcleo era formado pelo grupo de escritores de Yanjing; a chegada de uma força jovem como Lin Chaoyang o deixava naturalmente animado.

Cui Daoyi já havia lido o manuscrito e, ao conversar com Lin Chaoyang, discutiu ideias sobre o processo criativo. Os dois conversaram por quase uma hora.

Cui Daoyi queria continuar, mas Li Shuguang acabara de lembrar que Lin Chaoyang precisaria voltar ao trabalho ao meio-dia, então encerrou a conversa, dizendo por fim:

— Seu manuscrito está na fase final de revisão. Concordo plenamente com ele. Se passar pela revisão, deve ser publicado na edição de agosto.

Lin Chaoyang assentiu. — Muito obrigado.

Quando Lin Chaoyang saiu da editora, Zhou Yanru não se conteve e perguntou:

— Mas você não tinha dito que esse conto seria para "Outubro"? Como acabou vindo parar em "Literatura Popular"?

Durante a conversa entre Lin Chaoyang e Cui Daoyi, o motivo da mudança de revista não foi mencionado, e Zhou Yanru quase explodiu de curiosidade. Agora, finalmente, pôde perguntar.

— Meu conto trata de um tema sensível e precisava ser revisado pelo exército. Os líderes militares gostaram, mas não aprovaram a influência de "Outubro". Queriam uma revista mais autoritária.

— Ah! — Zhou Yanru quase caiu na risada, mas se conteve a tempo.

O destino é justo! Você, Liu Xinwu, achou que ao roubar o manuscrito de Lin Chaoyang, iria publicá-lo em "Outubro"?

Isso sim é o caçador sendo caçado!

O melhor de tudo é que o "pássaro dourado" nem precisou se mexer, trouxeram a presa até ele.

Mas, após a alegria inicial, Zhou Yanru ficou um pouco frustrada.

O manuscrito não ficou com "Outubro" e também não foi para "Yanjing Literatura e Arte". Dessa vez, ambos saíram perdendo, e "Literatura Popular" saiu ganhando.

— Nossa revista também tem influência, não podia ter pensado na gente? — perguntou ela, inconformada.

Lin Chaoyang lançou-lhe um olhar sem palavras.

Camarada Zhou, sejamos realistas, pode ser?

Ao voltar para casa à noite, depois do jantar, Tao Yushu sentou-se à escrivaninha, escrevendo com afinco.

Lin Chaoyang comentou que nos próximos dois meses poderiam receber dois pagamentos de direitos autorais, totalizando cerca de mil e oitocentos yuans. Ela apenas murmurou um "hmm", reação tão calma que Lin Chaoyang estranhou.

Quando foi que sua pequena amante do dinheiro reagiu tão friamente ao ouvir falar de dinheiro?

Aproximou-se da escrivaninha e viu que Tao Yushu continuava escrevendo sem parar.

"O Destino da Literatura de Cicatrizes sob a Égide do Valor Emocional"

— Yushu, está escrevendo um artigo crítico? — perguntou Lin Chaoyang.

— Sim.

— Por que resolveu escrever sobre isso?

Tao Yushu parou a caneta, olhou para ele com seriedade:

— Hoje, na biblioteca, encontrei dois artigos sobre você.

— E daí?

— Seu artigo foi publicado há poucos dias e já existem dois artigos a respeito. Se continuar assim, logo surgirão mais.

— E por isso...? — Lin Chaoyang não entendeu.

Tao Yushu arregalou os grandes olhos:

— Então vou escrever alguns artigos em sua defesa. Não nos importamos com as críticas, mas às vezes, numa controvérsia, o volume de vozes importa. Se você nunca responde, os outros vão achar que não tem como retrucar. Os leitores podem ser induzidos a pensar que você só quer chamar atenção.

Ao ver a expressão dela, Lin Chaoyang achou-a especialmente fofa e não resistiu a beijá-la.

Tao Yushu, séria, ficou surpresa:

— O que foi isso?

— Nada. — Lin Chaoyang segurou a mão dela e disse: — Não vale a pena perder tempo com essas opiniões. Com esse tempo, não seria melhor darmos as mãos e passearmos juntos?

A voz de Lin Chaoyang era suave. Tao Yushu, imaginando a cena, sentiu uma felicidade crescer no peito, mas ainda assim respondeu:

— Não é perda de tempo, ainda ganho um dinheiro com isso!

— Hã? — Lin Chaoyang riu, então era esse seu objetivo?

O marido causa polêmica, a esposa produz artigos em série para debater com os outros, e o dinheiro dos direitos autorais entra rápido no bolso.

Lin Chaoyang sacudiu a ideia da cabeça, mas ao vê-la tão confiante, cheia de energia e determinação, não teve coragem de desanimá-la.

— Pode escrever, mas não exagere, e jamais se aborreça por causa disso.

Sentindo o carinho de Lin Chaoyang, Tao Yushu se encheu de ternura:

— Não se preocupe, só não quero que você pareça isolado.

Lin Chaoyang a abraçou suavemente. Com uma esposa assim, o que mais poderia desejar?

— Quanto você disse que vai receber de direitos autorais? — Tao Yushu, aninhada em seu peito, perguntou com a voz abafada.

— Uns mil e poucos.

Um conto será publicado, outro em volume único, juntos passam de 130 mil caracteres, ganhar uns mil e poucos é razoável.

Tao Yushu franziu levemente as sobrancelhas ao ouvir o valor.

— Você já ganhou tanto em direitos autorais este ano?

Lin Chaoyang brincou:

— Sentiu-se pressionada?

— Só você sabe ganhar? Eu também sei. — Os olhos dela brilharam de determinação.

— Quinhentos! — disse ela, hesitando um pouco. — Não, trezentos! Este ano eu vou ganhar trezentos yuans em direitos autorais!

Seu ar teimoso tinha um quê de adorável. Lin Chaoyang comentou:

— O importante não é quanto ganha, mas não se sobrecarregar.

Tao Yushu apoiou a cabeça no ombro dele e respondeu suavemente:

— Tá bom.

O tempo passou rápido e chegou agosto. No dia 7, era possível consultar o resultado do vestibular.

De férias, Tao Yushu acompanhou a irmã ao departamento de admissões do distrito para verificar a nota, e as duas voltaram para casa radiantes.

Na época, o vestibular era unificado nacionalmente, com total de 510 pontos, cada disciplina valendo 100, exceto inglês, que, embora tivesse 100 pontos, só valia 10% na soma total.

Tao Yumó era de humanas: política, chinês, inglês, matemática, história e geografia, totalizando 510 pontos. Ela fez 442.

Segundo o funcionário do departamento de admissões, esse resultado a colocava entre as 30 melhores de Yanjing.

O primeiro lugar nacional era Ying Zhiqiang, recém-formado da Segunda Escola Afiliada à Universidade Normal de Xangai, com 454 pontos.

Faltaram apenas 12 pontos para o topo nacional e 3 para ser a melhor de Yanjing em humanas. Tao Yumó estava feliz e levemente frustrada.

— Só três pontinhos!

O pai alertou:

— O vestibular é só o primeiro passo de uma longa caminhada; buscar pequenas diferenças só ofusca a visão.

O irmão mais velho, Tao Yucheng, também consolou:

— Isso, estar entre os trinta já é ótimo, pelo menos melhor que sua irmã, certo?

Ao lado, Tao Yushu não deixou barato:

— Pelo menos sou melhor que você!

Comparando assim, o cunhado animou-se e apontou para Lin Chaoyang, querendo brincar, mas Tao Yushu o interrompeu e, sem pensar, falou:

— Yumó, em vez de pedir ajuda ao seu cunhado, foi pedir pra ele revisar redação, não é à toa que não ficou em primeiro!

— Ei, ei, ei!

O cunhado não esperava que Tao Yushu jogasse a culpa para outro e, ao ver a expressão da irmã, tentou se explicar.

— Chega de briga. — A mãe, impaciente, interrompeu. — Vamos preencher o formulário. Amanhã, Yucheng e Yushu, vocês levam Yumó para entregá-lo.

Na época, os estudantes preenchiam dois formulários: um de inscrição às instituições de ensino superior e outro de avaliação política.

Com as mudanças políticas, a avaliação política havia se tornado menos rigorosa, facilitando a vida de estudantes de famílias com histórico "problemático".

Para a família de Tao Yumó, preencher o formulário não era difícil. O pai era professor da Universidade de Yanjing, então sua primeira opção era óbvia: Universidade de Yanjing, curso de Direito.

Ela preencheu apenas a coluna de "universidades-chave nacionais" e nem olhou para a de "outras instituições", confiança garantida pelos 442 pontos.

O gesto ousado de Tao Yumó não foi repreendido. Apesar de, no ano passado, 6,1 milhões terem prestado o vestibular, com apenas 402 mil aprovados (taxa de 6,6%), e de este ano não ser muito melhor, com sua nota ela podia se dar a esse luxo.

Na verdade, isso nem era ousadia, era autoconfiança.

Tao Yucheng, vendo a irmã preencher o formulário, comentou animado:

— Agora temos dois da Universidade de Yanjing na família. Daqui a pouco, Xiwén e Xiwǔ também vão para lá, e teremos "quatro acadêmicos"!

Os irmãos mais novos, Xiwén e Xiwǔ, disputando balas, nem se davam conta do desafio que o pai acabara de impor a eles.