Capítulo 14: Pela Harmonia Familiar
O dinheiro que Tao Yushu recolheu era todo fruto do salário que Lin Chaoyang ganhara nos últimos anos como professor. Ele atuava como docente na pequena equipe, recebendo diariamente dez pontos de trabalho tanto nas aulas quanto nos dias de trabalho no campo. No vilarejo de Yang, um ponto valia cinco centavos, o que significava cerca de quinze yuans por mês.
Além disso, o departamento de educação do condado concedia uma ajuda trimestral de dez yuans, o que, dividido mensalmente, resultava em três yuans e trinta centavos, conhecidos como "os três e trinta que nunca fecham". Assim, os dezoito yuans e pouco eram o rendimento mensal de Lin Chaoyang nos últimos anos. Antes de se casar, ele havia economizado mais de trezentos yuans. Mas, após apenas meio ano de casamento, seus bolsos estavam mais limpos que seu rosto.
Agora, trabalhando como bibliotecário na Universidade de Yanjing, seu salário parecia ter aumentado, chegando a quarenta e sete yuans mensais, um salto significativo em relação ao que ganhava antes. Contudo, ao perceber que esse dinheiro mal passaria por suas mãos, Lin Chaoyang sentiu que sua vida mergulhava na escuridão, sem perspectivas.
Afinal, o que o casamento trouxe para o homem?
Tao Yushu percebeu seu abatimento; apesar de ser avarenta, ainda tinha um pouco de consciência e deixou-lhe um trocado: dezesseis yuans e trinta centavos.
No primeiro encontro de Lin Chaoyang com a família Tao, as roupas que vestia haviam sido compradas por ela, exceto por um par de sapatos, que ela achava inadequado. Agora, com algum dinheiro em mãos, Tao Yushu decidiu comprar-lhe um par de sapatos de couro.
Inicialmente, Lin Chaoyang ficou satisfeito, mas logo percebeu o incômodo. Afinal, era seu próprio dinheiro que estava sendo usado; quando será que ele deixaria de viver às custas de sua esposa?
"Quando chegar o Ano Novo, vou te comprar um relógio!" disse Tao Yushu, dissipando qualquer insatisfação que Lin Chaoyang sentia. Ele não era vaidoso, mas, naquele tempo, um relógio era realmente útil. Um bom relógio custava até duzentos yuans, o que equivalia a vários meses de salário e, portanto, era considerado um luxo para a classe trabalhadora.
"Aliás, papai te elogiou há pouco, disse que você é esforçado", comentou Tao Yushu.
"Não foi nada, só peguei um livro emprestado", respondeu Lin Chaoyang, percebendo que ela estava tentando agradar. Ele se alertou para não cair na armadilha e, ao mesmo tempo, começou a pensar em formas de aumentar a renda.
O cofrinho se foi, o salário se foi; sem buscar novas fontes de renda, como sustentar a vida?
Descansar quando se tem dinheiro é ser peixe morto, mas descansar sem dinheiro é só esperar pela morte.
Ele respondeu aos comentários de Tao Yushu de forma distraída e, em pouco tempo, ela pegou os livros e se dedicou ao estudo.
Quando ainda estavam na terra natal, Lin Chaoyang achava que Tao Yushu lia à noite apenas para ostentar, mas, ao voltar para a cidade, percebeu que ela preenchia quase todo seu tempo livre estudando.
E não era para menos: o perfil de sua esposa concentrada em aprender era belo. À luz do abajur, ela tinha um rosto clássico, em formato de ovo, próprio de beldades tradicionais. O nariz, levemente curvado, só aumentava seu ar juvenil. Após meio ano na cidade, sua pele estava clara e rosada, lembrando um ovo descascado; quanto mais a olhava, mais gostava.
Lin Chaoyang ficou observando Tao Yushu por um tempo, mas ela nem percebeu. Quando se cansou, pegou o livro "Viva a Juventude", que havia emprestado naquele dia, e começou a ler.
Por volta das oito e meia, a mãe de Tao bateu à porta.
Lin Chaoyang lembrou-se então da taxa de alimentação, mas, como estava sem dinheiro, lançou um olhar para Tao Yushu.
Ela, contrariada, contou uma pilha de notas e entregou à mãe: "Cinquenta centavos por dia de alimentação; este mês tem vinte e nove dias, para nós dois dá vinte e nove yuans. Aqui está!"
A mãe, ao ver a filha, resmungou: "Parece uma cobradora de dívidas!"
Ao fechar a porta, Tao Yushu ficou com um ar de tristeza: "Um yuan por dia, trezentos e sessenta e cinco por ano."
Lin Chaoyang sorriu e abraçou os ombros dela: "Você precisa ver o problema de outro ângulo. Você recebe uma ajuda de vinte e dois yuans e meio por mês, eu ganho quarenta e sete; juntos são sessenta e nove yuans e meio. Se entregarmos trinta à família, ainda sobram quase quarenta."
Tao Yushu era uma jovem enviada ao campo, e conforme a decisão do Estado, o tempo de serviço era considerado como referência para o auxílio estudantil: após cinco anos, ela podia receber o valor máximo, ou seja, vinte e dois yuans e meio por mês.
"Almoçamos na escola sem pagar nada, então, se gastarmos cinquenta centavos por dia, dá quinze yuans por mês; restam vinte e cinco. E os materiais de estudo, os livros, não custam? E os itens de uso diário, roupas, sapatos..."
O sorriso de Lin Chaoyang se desfez; fazendo as contas, era mesmo verdade.
Setenta yuans por mês, e ainda assim estavam apertados.
Viver em Yanjing era realmente difícil.
A chama de buscar renda reacendeu, e se antes ele pensava nisso apenas para garantir uma vida burguesa, agora era um esforço pela sobrevivência proletária.
Pensou por um bom tempo, mas não encontrou saída.
O motivo era simples: estavam em setembro de 1978, e a abertura econômica ainda não se espalhara; ganhar dinheiro não era tarefa simples.
Empreender não era opção: faltava tempo, energia e capital. O mais importante era que, naquele momento, empreender significava especulação, o que era inadmissível.
Nem o próprio Ma Huating daria conta!
Ser rentista era impossível; as opções eram vender conhecimento ou força de trabalho.
Enquanto refletia sobre a própria estratégia, batia os dedos ritmicamente na mesa, perturbando Tao Yushu, que estudava concentrada.
"Pare de bater!"
Lin Chaoyang conteve-se um pouco. Tao Yushu guardou o livro "História da Literatura Chinesa" e pegou um jornal: era o "Jornal Wen Hui" de Xangai.
"Você estuda com o jornal?"
"É um dever de casa: temos que escrever uma crítica literária de um conto."
Tao Yushu respondeu, voltando sua atenção ao jornal. O conto em questão ela já lera antes, mas agora precisava analisá-lo palavra por palavra para redigir a crítica.
"Marcas", autora: Lu Xinhua.
Naquele momento, Lin Chaoyang teve uma inspiração.
Os anos 1980 estavam prestes a chegar; a abertura econômica fervilhava, mas o fervor literário não ficava atrás.
Filas enormes se formavam nas portas das livrarias, e os leitores aguardavam noites inteiras para comprar livros; sob as luzes da Praça Tiananmen, leitores sentavam-se para estudar; casais se encontravam nos cantos de inglês, trocando palavras de carinho em línguas hesitantes...
Os dez anos recém-terminados haviam devastado o cenário cultural, tornando-o árido e desolado, e a vida espiritual das massas era tão vazia quanto um buraco negro.
Logo, o furacão literário iniciado no fim dos anos 1970 varreria toda a China; líderes, operários, estudantes, homens e mulheres, jovens e idosos, todos se entregariam ao banquete de renascimento literário, e, graças à voracidade desse consumo, a década de 1980 seria marcada pelo esplendor das letras.
Lin Chaoyang lembrou-se do livro "Arte Literária de Yanjing", que Zhang Yaozhong exibira no trem; se aquele nível era suficiente para publicação, ele, que fora um jovem literato, tinha motivos para acreditar que conseguiria também.
E, se não conseguisse, ao menos poderia prestar uma homenagem.
Depois de tanta agitação, ocorreu uma reviravolta no tratamento dado aos intelectuais no país; nesse tempo, ser alguém da área cultural era sinônimo de status e privilégios.
O mais importante era...
Lin Chaoyang olhou para Tao Yushu, que lia concentrada; sua esposa era uma estudante dedicada, e, nem que fosse apenas pela harmonia familiar, ele precisava se reinventar como homem de cultura.
Pensando nisso, seu olhar assumiu uma determinação inédita.
Sim, tudo o que faço é pelo bem-estar da família.