Capítulo 85 O romance "Outubro" Ficou Aquém das Expectativas
Mais um dia se passou e, finalmente, o exame nacional de acesso às universidades chegou ao fim para Taó Jade Negro, que voltou para casa radiante. Com esse grande evento terminado, a estudante do último ano, Taó Jade Negro, estava enfim completamente livre.
Após o jantar, ela começou a planejar como aproveitaria as férias para explorar as terras de Yan e Zhao. De repente, ouviu, vinda do quarto ao lado, uma voz de tom mecânico. Curiosa, ficou escutando por alguns instantes, depois correu até a porta para ouvir melhor. Sem esperar, a porta foi aberta por dentro.
— Se quer ouvir, ouça de uma vez, sem essa furtividade! — disse a irmã, num tom cortante.
Taó Jade Negro não se importou com as palavras afiadas de Taó Jade Livro, e seus olhos não paravam de sondar o interior do quarto, até que se fixaram no pequeno aparelho, do tamanho de um tijolo, sobre a escrivaninha.
Ela correu até lá, curiosa:
— Irmã, o que é isso? Um rádio?
— Não tem função de rádio, serve para reproduzir e gravar. Foi seu cunhado que me deu. — respondeu Taó Jade Livro.
Surpresa, Taó Jade Negro exclamou:
— Meu cunhado te deu isso?
Enquanto falava, pegou o aparelho para examiná-lo minuciosamente, com um olhar de cobiça.
— Quanto custou?
— Duzentos! — respondeu Taó Jade Livro, aumentando o preço em dez vezes, temendo que a irmã se interessasse demais.
Como esperado, ao ouvir o valor, Taó Jade Negro ficou espantada:
— Duzentos? Que caro!
Apesar das palavras, o rosto continuava encantado. Um aparelho tão pequeno e delicado, justificava o preço elevado. O problema é que, mesmo com dinheiro, era difícil encontrar algo tão bom. Era uma raridade.
— Seu cunhado achou que eu estava lenta no inglês. Nem fiquei sabendo, senão nunca teria deixado ele comprar, é muito caro! — lamentou Taó Jade Livro.
Taó Jade Negro engoliu em silêncio a provocação da irmã.
— Caro é, mas tem suas vantagens.
Ela imaginou como seria aparecer na escola com aquele aparelho: um verdadeiro chamariz! Pena que o exame já tinha acabado.
— O que está pensando? — Taó Jade Livro percebeu os perigosos pensamentos da irmã.
— Nada. — respondeu Taó Jade Negro, desviando o olhar para as fitas sobre a escrivaninha. — Teresa Teng?
Pegou a fita, animada:
— Irmã, onde conseguiu isso?
— Seu cunhado comprou junto com o aparelho.
— Ele é mesmo engenhoso, essas fitas são difíceis de achar. — Taó Jade Negro segurou firme as fitas e o aparelho, olhando intensamente para a irmã.
Taó Jade Livro já sabia o que ela queria:
— Esqueça, é para meus estudos de inglês.
— Irmã... — começou Taó Jade Negro, usando todo o seu talento para suplicar, tal como Taó Jade Livro fazia com Lin Aurora.
Taó Jade Livro, vencida pela insistência, cedeu:
— Quando eu não estiver usando, empresto para você.
— Combinado! — respondeu Taó Jade Negro prontamente.
Afinal, a irmã não estudaria inglês o dia inteiro; duas ou três horas no máximo, o resto do tempo seria dela.
Com a promessa garantida, Taó Jade Negro não saiu do quarto, acompanhando a irmã enquanto ela repetia as palavras e frases das fitas, recitando junto, cheia de interesse.
— Eu ouvi barulho vindo daqui! — Taó Jade Sincero entrou, curioso ao ver o aparelho sobre a escrivaninha de Taó Jade Livro, perguntando de onde vinha. Depois, gritou para fora:
— Pai, mãe, Aurora comprou um aparelho de gravação para Jade Livro, venham ver!
Os pais, menos curiosos que Taó Jade Sincero, vieram ver o aparelho. Ao saberem que custara duzentos, ficaram surpresos. Fora a televisão, aquele pequeno tijolo era o item mais caro da casa.
O genro gastar tanto para ajudar a filha a estudar deixou os olhos dos pais com um brilho de satisfação.
Quando estavam a sós, Lin Aurora comentou com Taó Jade Livro:
— Algo que custou pouco mais de dez, você diz que custou duzentos? Que ousadia!
— Se não falar que é caro, Jade Negro e os outros pequenos desmontam tudo em dois dias, você acredita?
Lin Aurora teve de admitir que a esposa pensava mais à frente que ele.
— Quando surgir oportunidade, compro o modelo mais novo para você! — prometeu Lin Aurora.
Taó Jade Livro sorriu:
— Este já é ótimo. É para estudar, não para ostentar. Por que gastar mais?
Lin Aurora segurou sua mão:
— Verdadeira esposa virtuosa! Veja, Jade Negro concluiu o exame...
— Sabia que você tinha segundas intenções! — disse Taó Jade Livro, fingindo desagrado, mas sem soltar a mão.
— Irmã! — a porta se abriu de repente e a jovem entrou, cobrindo os olhos.
— Mostre mais os olhos entre os dedos! — reclamou Taó Jade Livro.
Taó Jade Negro baixou a mão, corada:
— Irmã, cunhado, o pai disse que vamos à Fênix Imperial comer pato assado no fim de semana!
Fênix Imperial?
Lin Aurora imediatamente lembrou do forno de tijolos vermelhos, e do cardápio com "dez moedas por pato".
O sogro era mesmo generoso. Um jantar ali custaria quase um mês de salário!
— Entendido! — respondeu Taó Jade Livro, deixando claro o significado: "Pode se retirar".
Taó Jade Negro saiu obedientemente, fechando a porta.
— Essa garota! — Taó Jade Livro não pôde conter o sorriso.
Naquele dia, Liu Brilhante foi à biblioteca perguntar sobre Lin Aurora.
— Passei o texto para o exército, não faz nem meio mês, acho que não teremos resposta tão rápido — explicou Lin Aurora.
Liu Brilhante ficou decepcionado, mas pediu para ser avisado assim que houvesse autorização, para buscar o manuscrito.
Quanto a Zhang Virtuoso, ele mesmo teria de entregar o texto. Olhando para Liu Brilhante, só pela atitude, não seria correto negar o manuscrito.
— Pode confiar, eu aviso.
Antes de partir, Liu Brilhante deu a Lin Aurora um exemplar recém-publicado de "Outubro", onde estava o artigo "O Surgimento e Declínio Inevitável da Literatura da Cicatriz".
— Obrigado, Liu!
Comparando, ficou claro: o camarada Virtuoso ainda tem muito a aprender.
À noite, ao chegar em casa, Lin Aurora mostrou a edição de "Outubro" para Taó Jade Livro.
— Veja isto!
Taó Jade Livro pensou que era para se exibir, mas ao folhear a revista, viu seu próprio nome entre os autores.
— Isso... — a surpresa a deixou sem palavras.
— O que achou? — perguntou Lin Aurora, orgulhoso.
— Por que colocou meu nome? — Taó Jade Livro perguntou, confusa.
— Você ajudou bastante com o artigo, claro que merece o crédito. Senão, eu seria um impostor! — explicou Lin Aurora.
Com a explicação, Taó Jade Livro ficou radiante, jogando-se nos braços do marido.
Três dias após a visita de Liu Brilhante, Du Pico apareceu de bicicleta na casa dos Taó.
— Cunhado, veio notícia sobre seu texto.
— Tão rápido? — Lin Aurora esperava ao menos um mês.
— Estamos todos na capital, não precisa de envio postal, os textos são entregues de bicicleta — explicou Du Pico.
— E qual a opinião deles?
Du Pico não respondeu diretamente:
— Venha comigo ao quartel.
— Claro.
Ao chegarem ao quartel, Lin Aurora encontrou novamente o tio Du Bosque.
— Não há objeções quanto ao texto.
Sem objeções?
Lin Aurora ficou confuso, mas logo entendeu: sem objeções era a melhor resposta, pois significava aprovação.
— Mas há uma exigência.
— Qual?
— A revista onde será publicado não pode ser de nível baixo.
Lin Aurora compreendeu. Era um pedido para que o texto tivesse maior impacto nacional, pois seu conteúdo era uma excelente propaganda positiva para a guerra no sul, motivando as tropas.
— "Outubro" serve?
Du Bosque perguntou:
— "Outubro" tem que nível entre as revistas literárias do país?
Lin Aurora explicou:
— Apesar de ter sido fundada recentemente, "Outubro" é apoiada pela editora da capital e pela associação local de escritores.
Du Bosque ponderou:
— Revista de nível provincial...
Lin Aurora ficou sem saber o que dizer. Era verdade, mas parecia inadequado.
Após pensar, Du Bosque sugeriu:
— "Outubro" ainda é pouco. Conseguiria publicar em "Literatura Popular"?
Lin Aurora ficou sem palavras. "Literatura Popular" não era algo que dependesse apenas da vontade dele.
— Tio, isso não depende de mim!
Du Bosque assentiu:
— Entendo, não é qualquer um que consegue publicar na principal revista nacional.
Lin Aurora pensou: Tio, não vai considerar o sentimento de "Colheita"?
Du Bosque decidiu:
— Deixe isso conosco. O exército vai tentar contato.
— Mas tio, já prometi ao pessoal de "Outubro"...
— Prometeu à "Outubro"?
Lin Aurora confirmou.
— Não tem problema. Se houver reclamações, mande falarem comigo. Se não têm influência, não podem culpar os outros.
Lin Aurora achou graça. Depois de tanto tempo, finalmente viu o lado autoritário do tio.
— Não só nossos soldados, mas todo o povo deve ler este texto! — decretou Du Bosque.
O entusiasmo dele fez Lin Aurora esquecer qualquer ressalva.
Ao descer, Lin Aurora perguntou a Du Pico:
— Seu pai nunca lê revistas literárias, certo?
— Ele? Um homem rude, só lê documentos, mapas, "Diário do Povo" e "Jornal do Exército". Nada além disso.
— Então como sabe de "Literatura Popular"?
— Quem não conhece "Literatura Popular"?
Lin Aurora percebeu a ingenuidade da pergunta. Justamente por não ler revistas, o tio só conhecia a principal.
O nome "Popular" fala por si.
Ao sair do quartel, Lin Aurora sentiu-se constrangido. Liu Brilhante era boa pessoa, já tinha prometido o texto, mas agora tudo mudara.
Suspirou.
O camarada Du não era muito cuidadoso. Disse para reclamar, mas quem conseguiria falar com ele? No fim, seria Lin Aurora quem lidaria com o problema.
No dia seguinte, pediu licença no trabalho e foi até o número 51 da Rua Prosperidade Oriental.
— Aurora? O que faz aqui? Veio entregar o texto? — Liu Brilhante se surpreendeu ao vê-lo, ansioso.
— Bem... — Lin Aurora hesitou ao ver a expressão de Liu Brilhante. — O exército aprovou, mas...
— Mas o quê? — Liu Brilhante, feliz, não percebeu a gravidade.
Zhang Virtuoso comentou de lado:
— Querem uma revista de maior prestígio!
Liu Brilhante ficou indignado:
— Nossa revista tem pouco prestígio? Nossa revista tem pouco prestígio?
Zhang Virtuoso limpou o rosto:
— Não grite comigo!
Liu Brilhante se voltou para Lin Aurora:
— Por que dizem que nossa revista tem pouco prestígio?
Os outros editores também protestaram:
— Exatamente, como assim pouco prestígio?
Lin Aurora sorriu amargamente:
— "Outubro" não é pequena, mas o exército quer algo com impacto nacional...
Percebeu que sua explicação podia piorar as coisas.
"Outubro" não tinha impacto nacional?
— Quem querem?
Liu Brilhante olhou para Lin Aurora com desafio.
Lin Aurora, envergonhado, respondeu:
— "Literatura Popular".
— "Literatura Popular"? "Literatura Popular" é...
Liu Brilhante preparava uma resposta, mas foi interrompido pelos colegas.
— Calma, calma, Brilhante!
Apesar da relutância, todos sabiam que "Outubro" estava abaixo de "Literatura Popular".
Os colegas acalmaram Liu Brilhante, e Zhang Virtuoso perguntou:
— Então está decidido pelo exército?
— Sim.
Lin Aurora respondeu timidamente, temendo causar discórdia entre civis e militares.
Os editores suspiraram. Lin Aurora era sensível, mas já que o exército decidira, o texto não seria publicado em "Outubro".
Liu Brilhante, porém, não se conformava. Quanto mais pensava, mais se irritava, batendo na mesa.
— "Literatura Popular", que afronta!
"Literatura Popular": ???
O endereço da web da 83 中文网...