Capítulo 85 O romance "Outubro" Ficou Aquém das Expectativas

O Escritor de 1978 Sentado, contemplo a Montanha Jingting 4615 palavras 2026-01-30 14:22:27

Mais um dia se passou e, finalmente, o exame nacional de acesso às universidades chegou ao fim para Taó Jade Negro, que voltou para casa radiante. Com esse grande evento terminado, a estudante do último ano, Taó Jade Negro, estava enfim completamente livre.

Após o jantar, ela começou a planejar como aproveitaria as férias para explorar as terras de Yan e Zhao. De repente, ouviu, vinda do quarto ao lado, uma voz de tom mecânico. Curiosa, ficou escutando por alguns instantes, depois correu até a porta para ouvir melhor. Sem esperar, a porta foi aberta por dentro.

— Se quer ouvir, ouça de uma vez, sem essa furtividade! — disse a irmã, num tom cortante.

Taó Jade Negro não se importou com as palavras afiadas de Taó Jade Livro, e seus olhos não paravam de sondar o interior do quarto, até que se fixaram no pequeno aparelho, do tamanho de um tijolo, sobre a escrivaninha.

Ela correu até lá, curiosa:

— Irmã, o que é isso? Um rádio?

— Não tem função de rádio, serve para reproduzir e gravar. Foi seu cunhado que me deu. — respondeu Taó Jade Livro.

Surpresa, Taó Jade Negro exclamou:

— Meu cunhado te deu isso?

Enquanto falava, pegou o aparelho para examiná-lo minuciosamente, com um olhar de cobiça.

— Quanto custou?

— Duzentos! — respondeu Taó Jade Livro, aumentando o preço em dez vezes, temendo que a irmã se interessasse demais.

Como esperado, ao ouvir o valor, Taó Jade Negro ficou espantada:

— Duzentos? Que caro!

Apesar das palavras, o rosto continuava encantado. Um aparelho tão pequeno e delicado, justificava o preço elevado. O problema é que, mesmo com dinheiro, era difícil encontrar algo tão bom. Era uma raridade.

— Seu cunhado achou que eu estava lenta no inglês. Nem fiquei sabendo, senão nunca teria deixado ele comprar, é muito caro! — lamentou Taó Jade Livro.

Taó Jade Negro engoliu em silêncio a provocação da irmã.

— Caro é, mas tem suas vantagens.

Ela imaginou como seria aparecer na escola com aquele aparelho: um verdadeiro chamariz! Pena que o exame já tinha acabado.

— O que está pensando? — Taó Jade Livro percebeu os perigosos pensamentos da irmã.

— Nada. — respondeu Taó Jade Negro, desviando o olhar para as fitas sobre a escrivaninha. — Teresa Teng?

Pegou a fita, animada:

— Irmã, onde conseguiu isso?

— Seu cunhado comprou junto com o aparelho.

— Ele é mesmo engenhoso, essas fitas são difíceis de achar. — Taó Jade Negro segurou firme as fitas e o aparelho, olhando intensamente para a irmã.

Taó Jade Livro já sabia o que ela queria:

— Esqueça, é para meus estudos de inglês.

— Irmã... — começou Taó Jade Negro, usando todo o seu talento para suplicar, tal como Taó Jade Livro fazia com Lin Aurora.

Taó Jade Livro, vencida pela insistência, cedeu:

— Quando eu não estiver usando, empresto para você.

— Combinado! — respondeu Taó Jade Negro prontamente.

Afinal, a irmã não estudaria inglês o dia inteiro; duas ou três horas no máximo, o resto do tempo seria dela.

Com a promessa garantida, Taó Jade Negro não saiu do quarto, acompanhando a irmã enquanto ela repetia as palavras e frases das fitas, recitando junto, cheia de interesse.

— Eu ouvi barulho vindo daqui! — Taó Jade Sincero entrou, curioso ao ver o aparelho sobre a escrivaninha de Taó Jade Livro, perguntando de onde vinha. Depois, gritou para fora:

— Pai, mãe, Aurora comprou um aparelho de gravação para Jade Livro, venham ver!

Os pais, menos curiosos que Taó Jade Sincero, vieram ver o aparelho. Ao saberem que custara duzentos, ficaram surpresos. Fora a televisão, aquele pequeno tijolo era o item mais caro da casa.

O genro gastar tanto para ajudar a filha a estudar deixou os olhos dos pais com um brilho de satisfação.

Quando estavam a sós, Lin Aurora comentou com Taó Jade Livro:

— Algo que custou pouco mais de dez, você diz que custou duzentos? Que ousadia!

— Se não falar que é caro, Jade Negro e os outros pequenos desmontam tudo em dois dias, você acredita?

Lin Aurora teve de admitir que a esposa pensava mais à frente que ele.

— Quando surgir oportunidade, compro o modelo mais novo para você! — prometeu Lin Aurora.

Taó Jade Livro sorriu:

— Este já é ótimo. É para estudar, não para ostentar. Por que gastar mais?

Lin Aurora segurou sua mão:

— Verdadeira esposa virtuosa! Veja, Jade Negro concluiu o exame...

— Sabia que você tinha segundas intenções! — disse Taó Jade Livro, fingindo desagrado, mas sem soltar a mão.

— Irmã! — a porta se abriu de repente e a jovem entrou, cobrindo os olhos.

— Mostre mais os olhos entre os dedos! — reclamou Taó Jade Livro.

Taó Jade Negro baixou a mão, corada:

— Irmã, cunhado, o pai disse que vamos à Fênix Imperial comer pato assado no fim de semana!

Fênix Imperial?

Lin Aurora imediatamente lembrou do forno de tijolos vermelhos, e do cardápio com "dez moedas por pato".

O sogro era mesmo generoso. Um jantar ali custaria quase um mês de salário!

— Entendido! — respondeu Taó Jade Livro, deixando claro o significado: "Pode se retirar".

Taó Jade Negro saiu obedientemente, fechando a porta.

— Essa garota! — Taó Jade Livro não pôde conter o sorriso.

Naquele dia, Liu Brilhante foi à biblioteca perguntar sobre Lin Aurora.

— Passei o texto para o exército, não faz nem meio mês, acho que não teremos resposta tão rápido — explicou Lin Aurora.

Liu Brilhante ficou decepcionado, mas pediu para ser avisado assim que houvesse autorização, para buscar o manuscrito.

Quanto a Zhang Virtuoso, ele mesmo teria de entregar o texto. Olhando para Liu Brilhante, só pela atitude, não seria correto negar o manuscrito.

— Pode confiar, eu aviso.

Antes de partir, Liu Brilhante deu a Lin Aurora um exemplar recém-publicado de "Outubro", onde estava o artigo "O Surgimento e Declínio Inevitável da Literatura da Cicatriz".

— Obrigado, Liu!

Comparando, ficou claro: o camarada Virtuoso ainda tem muito a aprender.

À noite, ao chegar em casa, Lin Aurora mostrou a edição de "Outubro" para Taó Jade Livro.

— Veja isto!

Taó Jade Livro pensou que era para se exibir, mas ao folhear a revista, viu seu próprio nome entre os autores.

— Isso... — a surpresa a deixou sem palavras.

— O que achou? — perguntou Lin Aurora, orgulhoso.

— Por que colocou meu nome? — Taó Jade Livro perguntou, confusa.

— Você ajudou bastante com o artigo, claro que merece o crédito. Senão, eu seria um impostor! — explicou Lin Aurora.

Com a explicação, Taó Jade Livro ficou radiante, jogando-se nos braços do marido.

Três dias após a visita de Liu Brilhante, Du Pico apareceu de bicicleta na casa dos Taó.

— Cunhado, veio notícia sobre seu texto.

— Tão rápido? — Lin Aurora esperava ao menos um mês.

— Estamos todos na capital, não precisa de envio postal, os textos são entregues de bicicleta — explicou Du Pico.

— E qual a opinião deles?

Du Pico não respondeu diretamente:

— Venha comigo ao quartel.

— Claro.

Ao chegarem ao quartel, Lin Aurora encontrou novamente o tio Du Bosque.

— Não há objeções quanto ao texto.

Sem objeções?

Lin Aurora ficou confuso, mas logo entendeu: sem objeções era a melhor resposta, pois significava aprovação.

— Mas há uma exigência.

— Qual?

— A revista onde será publicado não pode ser de nível baixo.

Lin Aurora compreendeu. Era um pedido para que o texto tivesse maior impacto nacional, pois seu conteúdo era uma excelente propaganda positiva para a guerra no sul, motivando as tropas.

— "Outubro" serve?

Du Bosque perguntou:

— "Outubro" tem que nível entre as revistas literárias do país?

Lin Aurora explicou:

— Apesar de ter sido fundada recentemente, "Outubro" é apoiada pela editora da capital e pela associação local de escritores.

Du Bosque ponderou:

— Revista de nível provincial...

Lin Aurora ficou sem saber o que dizer. Era verdade, mas parecia inadequado.

Após pensar, Du Bosque sugeriu:

— "Outubro" ainda é pouco. Conseguiria publicar em "Literatura Popular"?

Lin Aurora ficou sem palavras. "Literatura Popular" não era algo que dependesse apenas da vontade dele.

— Tio, isso não depende de mim!

Du Bosque assentiu:

— Entendo, não é qualquer um que consegue publicar na principal revista nacional.

Lin Aurora pensou: Tio, não vai considerar o sentimento de "Colheita"?

Du Bosque decidiu:

— Deixe isso conosco. O exército vai tentar contato.

— Mas tio, já prometi ao pessoal de "Outubro"...

— Prometeu à "Outubro"?

Lin Aurora confirmou.

— Não tem problema. Se houver reclamações, mande falarem comigo. Se não têm influência, não podem culpar os outros.

Lin Aurora achou graça. Depois de tanto tempo, finalmente viu o lado autoritário do tio.

— Não só nossos soldados, mas todo o povo deve ler este texto! — decretou Du Bosque.

O entusiasmo dele fez Lin Aurora esquecer qualquer ressalva.

Ao descer, Lin Aurora perguntou a Du Pico:

— Seu pai nunca lê revistas literárias, certo?

— Ele? Um homem rude, só lê documentos, mapas, "Diário do Povo" e "Jornal do Exército". Nada além disso.

— Então como sabe de "Literatura Popular"?

— Quem não conhece "Literatura Popular"?

Lin Aurora percebeu a ingenuidade da pergunta. Justamente por não ler revistas, o tio só conhecia a principal.

O nome "Popular" fala por si.

Ao sair do quartel, Lin Aurora sentiu-se constrangido. Liu Brilhante era boa pessoa, já tinha prometido o texto, mas agora tudo mudara.

Suspirou.

O camarada Du não era muito cuidadoso. Disse para reclamar, mas quem conseguiria falar com ele? No fim, seria Lin Aurora quem lidaria com o problema.

No dia seguinte, pediu licença no trabalho e foi até o número 51 da Rua Prosperidade Oriental.

— Aurora? O que faz aqui? Veio entregar o texto? — Liu Brilhante se surpreendeu ao vê-lo, ansioso.

— Bem... — Lin Aurora hesitou ao ver a expressão de Liu Brilhante. — O exército aprovou, mas...

— Mas o quê? — Liu Brilhante, feliz, não percebeu a gravidade.

Zhang Virtuoso comentou de lado:

— Querem uma revista de maior prestígio!

Liu Brilhante ficou indignado:

— Nossa revista tem pouco prestígio? Nossa revista tem pouco prestígio?

Zhang Virtuoso limpou o rosto:

— Não grite comigo!

Liu Brilhante se voltou para Lin Aurora:

— Por que dizem que nossa revista tem pouco prestígio?

Os outros editores também protestaram:

— Exatamente, como assim pouco prestígio?

Lin Aurora sorriu amargamente:

— "Outubro" não é pequena, mas o exército quer algo com impacto nacional...

Percebeu que sua explicação podia piorar as coisas.

"Outubro" não tinha impacto nacional?

— Quem querem?

Liu Brilhante olhou para Lin Aurora com desafio.

Lin Aurora, envergonhado, respondeu:

— "Literatura Popular".

— "Literatura Popular"? "Literatura Popular" é...

Liu Brilhante preparava uma resposta, mas foi interrompido pelos colegas.

— Calma, calma, Brilhante!

Apesar da relutância, todos sabiam que "Outubro" estava abaixo de "Literatura Popular".

Os colegas acalmaram Liu Brilhante, e Zhang Virtuoso perguntou:

— Então está decidido pelo exército?

— Sim.

Lin Aurora respondeu timidamente, temendo causar discórdia entre civis e militares.

Os editores suspiraram. Lin Aurora era sensível, mas já que o exército decidira, o texto não seria publicado em "Outubro".

Liu Brilhante, porém, não se conformava. Quanto mais pensava, mais se irritava, batendo na mesa.

— "Literatura Popular", que afronta!

"Literatura Popular": ???

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