Capítulo 63: Um Grande Escritor Surge na Biblioteca
— O que ele faz? Nós já o vimos por aí? — perguntou o rapaz, tomado pela curiosidade.
— Quem frequenta a biblioteca com frequência certamente já o viu. Ele trabalha na seção de empréstimos fechados, lembra-se daquele jovem?
— Acho que sim, tenho uma vaga lembrança. Como ele é mesmo? Não consigo recordar, mas é daquele tipo que, se jogado no meio de uma multidão, ninguém o encontraria.
— Exatamente, essa descrição é perfeita. Fiquei até meio desapontada na época; ele não era nada parecido com o personagem Xu Lingjun do livro.
— Haha! Você levou a sério demais, viu?
...
Os dois estudantes conversavam animadamente sobre fofocas enquanto trabalhavam, sem perceber que Du Rong e Hu Wenqiong estavam ali ao lado, ouvindo tudo.
Com o rosto tomado pela surpresa e dúvida, Hu Wenqiong só perguntou após alguns passos:
— Du Rong, aquele de quem eles falaram...
Du Rong respondeu com dificuldade:
— Deve ser o Chaoyang, não?
Na seção de empréstimos fechados, havia cinco funcionários, mas só Du Rong e Lin Chaoyang eram jovens. Excluindo Du Rong, só restava Lin Chaoyang.
Além disso, os dois estudantes foram bastante claros: "jogado na multidão, ninguém nota". Era mesmo Lin Chaoyang.
Hu Wenqiong lembrou-se de Lin Chaoyang escrevendo durante o expediente, enquanto ela achava que aquilo era só um hobby. Chegou até a aconselhá-lo com boas intenções. Ao recordar aquela situação, sentiu as faces queimarem de vergonha.
Ainda assim, custava a acreditar: Lin Chaoyang era realmente o autor de "O Pastor"?
— Será mesmo ele? — questionou, hesitante.
Du Rong, sempre prática e despreocupada, puxou Hu Wenqiong:
— Vamos lá perguntar, é só isso.
Quando voltaram à biblioteca, Lin Chaoyang sorriu ao vê-las:
— Voltaram!
Levantou-se para ir ao refeitório, mas Du Rong, misteriosa, aproximou-se dele e perguntou:
— Chaoyang, você publicou aquele texto que escreveu?
Os colegas da seção sabiam do hábito de Chaoyang escrever, mas ele nunca mencionara nada sobre publicações. Todos achavam que era só diversão pessoal.
Agora que todos sabiam, Lin Chaoyang não tinha motivo para esconder.
Antes que respondesse, Du Rong explicou, apressada:
— Quando saí do refeitório, ouvi alguns estudantes conversando enquanto descarregavam carvão na porta. Eles diziam que o jovem da seção de empréstimos fechados era o Xu Lingjun.
Ao dizer isso, seus olhos estavam cheios de curiosidade e investigação.
Todos na biblioteca sabiam que Lin Chaoyang era originalmente um professor do ensino fundamental rural, mas conseguiu emprego na cidade por ter se casado com a filha do Professor Tao, do departamento de história. Assim, foi designado para a biblioteca como familiar de funcionário.
A maioria dos colegas não tinha opinião formada sobre Lin Chaoyang, mas adorava comentar sua história com Tao Yushu. Onde há pessoas, há fofocas; a biblioteca não era um paraíso, e sempre havia alguém espalhando comentários maldosos.
Du Rong tinha boa impressão de Lin Chaoyang; após meio ano de convivência, o relacionamento era ótimo, e ela nunca participava dessas conversas. Quando falava, era só em tom de brincadeira.
Ela jamais imaginou que aquele rapaz do interior, aparentemente comum e que só havia conseguido emprego graças à esposa e ao sogro, fosse, na verdade, um escritor oculto.
Desde outubro do ano anterior, "O Pastor" causara enorme repercussão entre leitores e críticos literários. Quem gostava de literatura certamente já lera aquele conto.
Du Rong estava profundamente abalada.
— Sim, tive sorte de publicar um texto — respondeu Lin Chaoyang, com modéstia.
Mesmo esperando por isso, Du Rong e Hu Wenqiong não conseguiram esconder o espanto no rosto ao ouvir sua confirmação.
Após meio ano de convivência, aquele rapaz singelo do interior transformou-se, repentinamente, num grande escritor. Era difícil para ambas se acostumarem à nova identidade de Lin Chaoyang.
— Então é você mesmo! — exclamou Du Rong.
— Quem diria! Temos um grande escritor entre nós!
Du Rong reagiu com entusiasmo, de acordo com sua natureza extrovertida.
Hu Wenqiong, por outro lado, olhava para ele de modo introspectivo, lembrando-se de quando o aconselhou.
— Chaoyang, já que publicou, por que não contou para todos?
Lin Chaoyang percebeu um tom de irritação envergonhada na voz dela e fingiu timidez:
— Irmã Hu, ninguém perguntou, eu teria vergonha de falar. Se achassem que era exibicionismo, logo começariam as fofocas.
Se tivesse um ano a mais, aquela postura já pareceria artificial. Mas, recém completados vinte anos, Lin Chaoyang ainda era convincente.
O argumento não era totalmente persuasivo, mas ao menos poupou Hu Wenqiong do constrangimento. Ela sabia que, de fato, alguns colegas espalhavam comentários sobre ele.
— Não ligue para as fofocas desses tagarelas — disse, e completou, autoirônica: — Veja só, eu, sem saber de nada, ainda fui te orientar.
— Você só queria me ajudar — respondeu Lin Chaoyang, mudando de assunto: — E o almoço do refeitório, como está hoje?
— Tem peixe-galo.
— Então, depois conversamos. Preciso ir logo — disse Lin Chaoyang, pegando a marmita.
Du Rong animou-se:
— Vou subir para contar ao senhor Tu e ao senhor Zheng, temos um grande escritor na seção!
Lin Chaoyang saiu sorrindo.
Terminando o almoço, Lin Chaoyang voltou à biblioteca e encontrou Zhang Dening esperando na porta.
— Chaoyang! — ela o cumprimentou.
— Precisa que eu revise o manuscrito? — perguntou.
Zhang Dening balançou a cabeça:
— Não, só vim avisar que o texto será publicado, saiu para a edição de maio.
Lin Chaoyang ficou contente:
— Desta vez, vocês foram bem rápidos!
— Foi o senhor Li quem revisou pessoalmente, o senhor Zhou nem terminou de ler e ele já aprovou.
— O senhor Li é eficiente! — brincou Lin Chaoyang, depois perguntou: — E o pagamento?
— Você nunca esquece do pagamento, hein! — Zhang Dening não resistiu a uma provocação antes de explicar: — Sete yuan por mil palavras, a tarifa máxima. Daqui a alguns dias envio pelo correio, assim você não precisa vir buscar.
— Muito justo! — agradeceu Lin Chaoyang.
Depois de tratar do pagamento, Zhang Dening perguntou:
— Tem algum texto novo?
Lin Chaoyang balançou a cabeça, resignado:
— Sabia que não era só para me avisar da publicação, querem é mais textos.
Zhang Dening defendeu-se:
— Você quer ganhar com isso, não? Estamos oferecendo o melhor pagamento, é para estimular sua criatividade!
— Acabei de terminar esse texto, deixe-me descansar um pouco.
— Jovem, aproveite enquanto há inspiração. Quando envelhecer, vai querer escrever e não conseguirá.
Zhang Dening voltou a tentar convencê-lo, mas ele não se deixou levar:
— Tem mais alguma coisa? Preciso trabalhar!
Vendo que Lin Chaoyang não cedia, Zhang Dening concluiu:
— Então escreva quando puder, quanto mais melhor. O pagamento, lembre-se do pagamento!
Já entendeu que, para Lin Chaoyang, falar de literatura e criatividade não adiantava, era o pagamento que o movia.
— Está bem. Ah, antes, aquela crítica de "O Pastor" assinada por Tao Yushu, foi aprovada?
Zhang Dening olhou para ele, intrigada:
— Foi você quem escreveu?
— Que ideia! — negou Lin Chaoyang.
— Que susto! Se você tivesse escrito, seria... — ela interrompeu o pensamento.
— Foi minha esposa quem escreveu.
Zhang Dening, surpreendida, engoliu as palavras que ia dizer.
— Vocês dois, um escreve, o outro comenta, que maravilha! — quase aplaudiu.
— Não basta só maravilha, foi aprovado ou não?
— Acho que sim, ouvi Liu Heng mencionar.
Lin Chaoyang bateu palmas, satisfeito:
— Ótimo!
— Vai voltar para casa receber prêmios, hein? — brincou Zhang Dening.
— Chamamos isso de progresso conjunto, aprenda conosco — respondeu Lin Chaoyang, e acrescentou: — Pergunte ao senhor Li se dá para publicar nossos textos juntos na edição de maio.
Apesar da brincadeira, Zhang Dening sentiu uma pontinha de inveja daquele desejo de publicar lado a lado. Como diziam os antigos, marido e esposa em harmonia, como cordas de um instrumento.
— Pode deixar.
Enquanto Lin Chaoyang acompanhava Zhang Dening até a saída, três jovens belas atravessavam o Lago Wuming.
— Gong Yun, será que vamos mesmo conhecer Xu Lingjun? — perguntou uma das meninas de tranças.
— Com certeza. Minha irmã disse que ele trabalha na biblioteca. Hoje não é feriado, se não está lá, onde estaria? — respondeu uma jovem bela e delicada.
Outra, de aparência marcante, comentou:
— Meu cunhado também trabalha na biblioteca. Nunca imaginei que ele fosse colega de Xu Lingjun.
A menina de tranças provocou:
— Yu Mo, seu cunhado não é o Xu Lingjun, né?
Tao Yumou respondeu, irritada:
— Que bobagem!
Involuntariamente, veio à sua mente o rosto de seu cunhado, depois o do imaginado Xu Lingjun, alto e bonito. Os dois rostos se aproximavam, mas, como carrinhos de bate-bate, nunca se fundiam.
Ela riu sozinha: como poderia meu cunhado ser o Xu Lingjun?