Capítulo 38: As mesas-redondas são apenas bajulação

O Escritor de 1978 Sentado, contemplo a Montanha Jingting 4378 palavras 2026-01-30 14:21:51

À noite, antes de dormir, Taísa Yushu lia a última edição do Jornal das Artes. Ela havia enviado para essa edição um artigo crítico sobre “O Pastor de Cavalos”, mas não foi aprovado; sentia-se um pouco injustiçada. Coincidentemente, naquela edição havia um texto de Yan Gang, “Com Xuling Jun”, e ela queria ver onde estava sua diferença.

— Pare de ler, vá dormir.

— Só mais um pouco.

Taísa Yushu folheou o artigo de Yan Gang várias vezes, depois comparou com o seu próprio, procurando falhas e corrigindo.

— Se não foi aprovado, pare de corrigir — comentou Lin Chaoyang, provocando um olhar de irritação de Taísa Yushu. — Tudo bem, vou dormir primeiro, continue aí.

Ah, por que fui arrumar uma esposa tão competitiva?

Na manhã seguinte, Lin Chaoyang acabava de escovar os dentes quando encontrou Taísa Yumo, ainda sonolenta.

— Bom dia, cunhado!

Taísa Yumo saudou com doçura.

— Bom dia, Yumo! — respondeu Lin Chaoyang.

O irmão mais velho, Taísa Yucheng, espreguiçando-se, ficou surpreso. Desde quando essa menina ficou tão próxima do cunhado?

Durante o café da manhã, o irmão mais velho, saboreando mingau de arroz, disse à mãe:

— Mãe, já temos o tíquete. Vamos comprar a televisão hoje à tarde?

Taísa Yumo ficou com os olhos brilhando:

— É verdade, mãe. O Ano Novo está chegando, as televisões estão em alta, melhor comprar logo para não ficar sem.

— Certo, vou ao Xidan hoje.

— Eu vou contigo, não tenho aula à tarde — disse Taísa Yucheng animado.

No caminho para Xidan, Taísa Yucheng comentou com a mãe:

— Mãe, Chaoyang me deu cinquenta yuans ontem à noite.

A mãe ficou surpresa:

— Por que ele te deu dinheiro?

— Disse que era para o tíquete da televisão. Fui eu quem consegui, mas ele acha que ele e Yushu também devem contribuir.

— Sabe mesmo como agradar, por que não compra logo uma televisão?

— Mãe! — Taísa Yucheng protestou, — Chaoyang é do campo, mas é uma boa pessoa. Já casou com Yushu, não seja tão dura.

A mãe lançou um olhar para Yucheng, que se calou, resmungando:

— Se você não gosta, o que pode fazer? Eles já se casaram.

A mãe não quis ouvir mais as lamúrias do filho, apressou o passo e afastou-se.

O irmão mais velho, tendo ou não aula, não perde a chance de participar da compra da televisão.

Lin Chaoyang sentia certa inveja; sempre dizia que queria ser um peixe morto, mas a realidade não permitia. Comparado a ele, Yucheng — com pais por perto e esposa ajudando — era o verdadeiro peixe morto: nunca se esforçava no trabalho, no máximo oferecia um jantar.

Por sorte, a biblioteca também tinha seus momentos tranquilos, especialmente nas férias de inverno e verão.

Na Universidade Yantai, a biblioteca permanecia aberta de segunda a sábado mesmo nas férias, mas o trabalho era muito mais leve, já que havia menos estudantes pegando livros e estudando.

Os departamentos estavam entrando em recesso, o campus de Yantai ficava visivelmente mais vazio.

Lin Chaoyang chegou cedo à biblioteca, marcou presença e pediu para Hu Wenqiong vigiar por um tempo, então correu ao departamento de Letras para falar com Chen Jianggong sobre o encontro de poesia.

Ao saber que Lin Chaoyang estava perguntando em nome da cunhada, Chen Jianggong sorriu:

— Ela está de olho em Zhao Zhenkai?

— Vocês vão ter Zhao Zhenkai no encontro?

— Sim.

Com o sucesso de “Hoje” entre as universidades de Yantai, o nome do poeta Zhao Zhenkai se espalhou rapidamente, tornando-se ídolo de muitos estudantes.

Chen Jianggong ponderou:

— Participarão alguns editores da Revista de Poesia, membros do comitê estudantil, e os demais são do grupo de poesia do nosso clube literário. Sua cunhada pode participar, eu arranjo um lugar, mas tem que avisar: ela será apenas ouvinte, não pode falar, só escutar.

— Sem problemas — Lin Chaoyang bateu no ombro de Jianggong. — Obrigado, Jianggong.

— Nada, uma coisa simples.

Chen Jianggong perguntou:

— Tem alguma novidade literária?

— Ainda não pensei — respondeu Lin Chaoyang.

“O Pastor de Cavalos” era um conto, mas em dois meses já havia causado grande debate entre leitores e críticos. Chen Jianggong pensava: para um primeiro trabalho ser tão bom, certamente Lin Chaoyang seria muito cuidadoso com os próximos.

— Tem que pensar bem, afinal sua estreia foi deslumbrante. Ah, parabéns!

— Parabéns pelo quê?

Chen Jianggong ficou surpreso:

— Você não sabe?

Vendo Lin Chaoyang confuso, explicou:

— Dias atrás, Ding Ling publicou um artigo no Jornal das Notícias, elogiando seu “O Pastor de Cavalos”.

Ding Ling era uma escritora famosa. No futuro, seu nome não seria tão destacado quanto Xiao Hong ou Bing Xin, mas sua importância na literatura do século XX era incontestável. Era considerada a escritora de maior influência na história revolucionária da China.

Naquele momento, Ding Ling estava apenas reabilitada, mas sua reputação ainda não restaurada.

Chen Jianggong confidenciou:

— Você não sabia? Ding Ling acabou de voltar a Pequim, ainda não apareceu publicamente. Seu primeiro texto publicado após o retorno foi justamente a análise do seu conto. Você, rapaz, está por cima!

“Um Hino Patriótico” foi o primeiro texto público de Ding Ling em anos de silêncio, onde analisou profundamente a trajetória e o caráter do protagonista Xuling Jun, misturando suas próprias experiências de vida, tornando o texto profundo e dialético.

Ao falar de adversidade e sofrimento, Ding Ling escreveu: adversidade, sofrimento, dez, vinte anos, podem fazer alguém perder seus sonhos, sua graça e até a vida, mas também podem forjar o espírito do revolucionário, destemido, cheio de coragem, esperança no futuro e paixão pelo povo. Xuling Jun pertence a este último grupo.

Depois de conversar com Chen Jianggong, Lin Chaoyang procurou o Jornal das Notícias mencionado. Trabalhar na biblioteca da Universidade Yantai tinha essa vantagem: acesso gratuito aos jornais e revistas mais completos e recentes do país.

Ao ler o artigo, percebeu que “Um Hino Patriótico”, mais do que elogiar “O Pastor de Cavalos”, era uma metáfora para a própria Ding Ling, usando o protagonista como símbolo de seus valores e caráter.

Ding Ling escolheu comentar “O Pastor de Cavalos” como sua primeira manifestação pública após a reabilitação, uma escolha muito astuta.

Claro, isso não impedia que “O Pastor de Cavalos” recebesse enorme benefício com isso.

Um golpe duplo, experiência é tudo!

Após ler, Lin Chaoyang devolveu o jornal à sala de periódicos. Nos últimos dois meses, os comentários sobre “O Pastor de Cavalos” só aumentavam; pelo ritmo, seria discutido por mais meio ano pelo menos. O melhor era tratar com naturalidade.

À tarde, Zhang Dening, da revista “Arte de Yanjing”, apareceu na biblioteca.

— Você leu o Jornal das Notícias de dias atrás? — perguntou logo a Lin Chaoyang.

— Acabei de ler.

Zhang Dening estava visivelmente animada:

— Ding Ling voltou ao cenário literário após anos e sua análise foi sobre seu conto! Sua história já faz parte da literatura contemporânea chinesa!

Mas Lin Chaoyang não parecia tão emocionado quanto ela imaginava, parecia até indiferente.

— Não está emocionado?

— Estou feliz pelo elogio, mas não é como se tivesse recebido pagamento, então não é de se empolgar tanto.

— Pagamento, pagamento, só pensa nisso — Zhang Dening repreendeu. — Só pensa em dinheiro!

Ela ficou séria:

— Nosso departamento editorial quer realizar um encontro sobre “O Pastor de Cavalos”. Qingquan pediu para eu saber sua opinião primeiro.

— Um encontro? Precisa que eu participe?

— Claro!

— Então não concordo — respondeu Lin Chaoyang, firme.

Zhang Dening ficou perplexa:

— Por quê?

— Sem motivo, só não quero participar. Aconselho vocês a não realizarem esses encontros. O escritor deve falar por meio da obra. Encontros literários são só elogios mútuos, não têm graça.

Lin Chaoyang não estava tentando parecer arrogante, mas seu instinto de trabalhador fazia rejeitar reuniões de qualquer tipo. Assistir à fundação do clube literário, tudo bem, mas participar de um encontro literário, imaginar um grupo discutindo interminavelmente um conto, era insuportável.

Zhang Dening ficou aborrecida:

— Elogios mútuos? Sua ideia é... deixa pra lá, não vou discutir. Pense melhor.

Como ela não insistiu, Lin Chaoyang não falou mais.

Zhang Dening perguntou:

— Tem novas ideias ou projetos?

— Hum... ainda não pensei.

Lin Chaoyang não podia dizer que não tinha nada; até para fugir do trabalho há que saber como se portar.

Quando um chefe pergunta, o certo é responder: “já está encaminhado”, “em execução” — esse é o bom trabalhador.

— Tenho grande expectativa em você, e os colegas do editorial também. “O Pastor de Cavalos” lhe garantiu um lugar na literatura, os próximos trabalhos devem ser cuidadosamente lapidados, não desperdice este bom momento.

— O próximo trabalho precisa ser bem feito.

Lin Chaoyang não prometeu nada. Como trabalhador, sabia que prometer cedo era se prejudicar.

Despediu-se de Zhang Dening, relaxou um pouco, e já era hora de ir embora.

A casa dos Lin estava especialmente animada naquela noite. A mãe de Taísa saiu de manhã e só voltou à tarde com a televisão; o irmão mais velho, Taísa Yucheng, lutava para instalar a antena, mas depois de mais de uma hora, ainda não tinha conseguido. Quando Lin Chaoyang chegou, ele ainda estava tentando.

— Deixa que eu faço, irmão — Lin Chaoyang se ofereceu para ajudar.

— Você é um verdadeiro senhor! — Taísa Yumo, que estava só esperando, zombou do irmão.

Taísa Yucheng, contrariado:

— O fio é difícil de torcer, e esticar o braço pela janela é complicado.

Mal terminou de falar, Lin Chaoyang chamou da janela:

— Yumo, fique de olho na TV, vou girar a antena. Quando estiver bom, avise e eu fixo.

— Ok!

Taísa Yumo respondeu, olhos grudados na tela, que só mostrava estática.

— Está funcionando! Está funcionando! — Lin Chaoyang mal girou a antena e ouviu Taísa Yumo gritar, excitada. — Cunhado, está funcionando!

Lin Chaoyang fixou a antena e pulou da janela.

Taísa Yumo não tirava os olhos da tela, mas aproveitou para provocar o irmão:

— Veja, cunhado resolveu em dois minutos, você ficou meia hora e nada.

Depois olhou para Lin Chaoyang, sorrindo, quase bajulando:

— Cunhado, você é demais!

Lin Chaoyang pensou: essa menina muda de humor como quem vira uma página.

— O irmão preparou tudo antes, senão não seria tão rápido.

A humildade de Lin Chaoyang devolveu algum crédito ao irmão:

— Está vendo? Foi meu preparo.

Taísa Yumo torceu o nariz para o irmão, sem discutir, com um jeito adorável.

— Antena instalada? Finalmente algo útil.

A mãe de Taísa, que estava preparando o jantar, veio ver a televisão já funcionando e comentou.

— Foi o cunhado quem instalou — Taísa Yumo, antes do irmão dizer algo, atribuiu o mérito a Lin Chaoyang.

A mãe olhou para Lin Chaoyang, assentiu:

— Certo, então vamos jantar.

A televisão foi instalada no quarto dos pais de Taísa; naquele momento, o canal principal transmitia um curta educativo sobre eletrônica. Taísa Yumo assistia fascinada, nem piscava durante o jantar.

Não só ela, mas toda a família fazia o mesmo, especialmente os pequenos Taísa Xiwen e Taísa Xiwu, de olhos arregalados, quase entrando na TV.

Naquele tempo, havia poucos canais e programas, nem novelas; mesmo um programa educativo era divertido para todos.

Depois do jantar, Taísa Yumo finalmente tirou os olhos da TV e seguiu Lin Chaoyang discretamente:

— Cunhado, sobre aquele assunto...

— Amanhã cedo, vá ao prédio 32 procurar Chen Jianggong do departamento de Letras. Ele vai te ajudar a entrar, mas lembre-se: não fale, apenas escute.

Taísa Yumo ficou radiante:

— Obrigada, cunhado, obrigada!

— Somos família, não precisa agradecer tanto.

— Claro, cunhado tem razão.

Lin Chaoyang ficou satisfeito com a reação da cunhada; mais uma aliada na frente unificada.