Capítulo 18 — "Arte e Literatura de Pequim"
Os dois se sentaram em cadeiras em lados opostos da escrivaninha. Lin Chaoyang colocou diretamente o manuscrito do romance sobre a mesa e disse: "Nunca enviei um texto antes, não entendo muito disso, poderia dar uma olhada para mim?"
Lin Chaoyang não acreditava que viajar no tempo lhe conferisse onipotência, assim como não era capaz de reproduzir fielmente as obras literárias que lera, apenas podia, a partir de memórias fragmentadas, juntá-las e acrescentar um pouco de sua própria criação.
Chen Jiangong sorriu e respondeu: "Eu só enviei algumas vezes a mais que você, para mim também é uma oportunidade de aprendizado."
"Pastor?" Ele leu suavemente o título na folha de rosto do manuscrito.
"Há algum tempo o Diário dos Trabalhadores publicou uma reportagem sobre o casal de universitários dos anos cinquenta, Yan Jitong e Wang Boling."
Chen Jiangong pensou por um instante: "Lembro vagamente, são aqueles que abandonaram a cidadania e a herança dos chineses no Brasil para permanecer no país e servi-lo, não é?"
Lin Chaoyang assentiu. "Este romance foi inspirado pela história desse casal."
Ao ouvir isso, Chen Jiangong ficou interessado: "Então preciso ler com atenção. Tome um pouco de água primeiro."
Ele empurrou a caneca de chá para Lin Chaoyang e, em seguida, começou a folhear o manuscrito por conta própria.
Enquanto Chen Jiangong se ocupava com a leitura, Lin Chaoyang, sem ter o que fazer, observava o dormitório ao redor.
Os rapazes do Departamento de Letras Chinesas moravam no prédio 32, um edifício de quatro andares onde o departamento ocupava o terceiro e o quarto andares; os departamentos de Línguas Orientais e Ocidentais ocupavam, respectivamente, o primeiro e o segundo andares.
O dormitório masculino era um quarto de cerca de dez metros quadrados para seis pessoas, contendo três beliches de metal, uma escrivaninha e duas cadeiras — esse era todo o mobiliário do local.
Era possível ver todo o dormitório de relance, não havia muito o que olhar.
Vendo que Chen Jiangong estava absorto no manuscrito, Lin Chaoyang pegou um livro sobre a mesa: "Um Dia na Vida de Ivan Denissovich", obra-prima do escritor soviético Soljenítsin.
Os sons ocasionais vindos do corredor não perturbaram os dois leitores, e o tempo passou lentamente à medida que o sol se movia pelo céu.
O romance de Lin Chaoyang tinha suas origens em "Alma e Carne", um romance que ele lera no futuro. Embora muitos talvez nunca tivessem ouvido falar desse nome, o filme "O Pastor" era bastante conhecido, e justamente esse filme fora adaptado do romance "Alma e Carne".
Lin Chaoyang transferira o nome do filme para seu romance, batizando-o de "O Pastor".
Em outro universo, esse conto foi publicado no início dos anos oitenta, conquistando imediatamente o apreço dos leitores e tornando seu autor, Zhang Xianliang, famoso na cena literária chinesa, consolidando sua posição na história da literatura da nova era do país.
Com pouco mais de dezessete mil palavras, o texto não era longo, mas Chen Jiangong o leu com atenção, levando mais de uma hora para terminá-lo.
Ao levantar os olhos das folhas de papel, viu Lin Chaoyang do outro lado, concentrado na leitura, e seus olhos estavam cheios de admiração.
Ele colocou o manuscrito sobre a mesa, o som interrompendo a leitura de Lin Chaoyang.
Lin Chaoyang ergueu a cabeça, cheio de expectativa. "Terminou?"
Chen Jiangong assentiu. "Terminei."
"E então?"
"Excelente! Muito bom!" Chen Jiangong expressou seu apreço pelo romance em três palavras. Achando ainda insuficiente para descrever sua admiração, acrescentou: "Eu não seria capaz de escrever algo tão bom!"
Lin Chaoyang ficou surpreso e lisonjeado. "Você está sendo generoso, foi apenas minha primeira tentativa."
Ao ouvi-lo, um sorriso amargo surgiu no rosto de Chen Jiangong, misturado com um pouco de inveja.
"Conseguir escrever um romance tão bom logo na primeira vez!"
Tais elogios fizeram Lin Chaoyang perceber que mais humildade seria hipocrisia; ele apenas sorriu levemente, sem orgulho nem falsa modéstia.
Aos olhos de Chen Jiangong, isso era uma mostra de confiança tanto em si mesmo quanto na qualidade de sua obra.
E era mesmo para ser assim. Genro de um professor do Departamento de História de Yanda, como poderia ser alguém comum? No primeiro encontro, dias atrás, não demonstrara nada de especial, apenas porque ainda não era o momento de se revelar. Agora, com o surgimento da obra, era como uma lâmina desembainhada, exibindo todo o seu brilho.
Chen Jiangong, nascido no mesmo ano que a República, só ingressou na universidade aos vinte e oito anos. Já com maturidade intelectual, pensou consigo mesmo que, se Lin Chaoyang dizia a verdade ao afirmar que esta era sua primeira tentativa de ficção, então seu futuro seria ilimitado.
Pensando nisso, levantou-se num impulso: "Vamos!"
"Para onde?"
"Vou te levar à redação da Revista Literária de Yanjing."
"Não basta enviar pelo correio?"
"Para casos especiais, há procedimentos especiais." Chen Jiangong disse isso com confiança, convicto pela qualidade de "O Pastor".
Lin Chaoyang o lembrou: "Hoje é domingo."
"Se você não dissesse, eu teria esquecido." Só então Chen Jiangong se deu conta, mas seu entusiasmo não diminuiu. Como primeiro leitor de "O Pastor", mal podia esperar para apresentar o romance ao mundo.
"A redação às vezes tem gente aos domingos. Vamos tentar a sorte; se não houver ninguém, voltamos depois."
Ir em um dia útil não seria melhor? Essa pergunta ficou apenas no pensamento. Chen Jiangong estava sendo gentil e, naquela época, com as comunicações pouco desenvolvidas, todos estavam acostumados a buscar e a esperar. Uma ida extra à redação não era problema para ele.
Chen Jiangong pediu que Lin Chaoyang esperasse um momento e foi até o comitê da juventude pegar emprestada uma bicicleta Feige, modelo 28. Bateu no bagageiro traseiro e disse a Lin Chaoyang: "Suba!"
O gesto confiante de Chen Jiangong encheu Lin Chaoyang de entusiasmo; com o manuscrito no peito, subiu na garupa.
A Universidade de Yanda ficava fora do quarto anel viário noroeste, enquanto a redação da Revista Literária de Yanjing estava situada no cruzamento de Liubukou, na Rua Oeste Chang'an — cem anos atrás, seria o coração do poder imperial.
O trajeto de mais de dez quilômetros levou cerca de uma hora e meia de bicicleta. Ao chegarem à Rua Chang'an, próximo ao cruzamento com Xidan, havia um grande portão ao norte, ali ficava o número sete da Rua Oeste Chang'an, sede do Departamento de Cultura da cidade de Yanjing.
Ao entrar pelo portão, uma rua larga se abria; do lado leste, havia um muro antigo feito de grandes tijolos. Passando por um majestoso salão antigo em direção ao oeste e depois ao norte, entrava-se em outra rua, e logo à frente surgia um prédio: a União de Escritores de Yanjing.
Era um edifício isolado, com um frontão de estilo europeu, mas divisões internas ao modo tradicional. Ali reuniam-se várias associações; depois de anos de turbulências, o meio cultural estava desolado e o prédio exibia certo ar de decadência.
Diante das portas das salas dessas associações pendiam placas de identificação. Guiados por Chen Jiangong, logo encontraram a redação da Revista Literária de Yanjing.
Os dois estavam prestes a bater à porta quando ouviram alguém chamar por Chen Jiangong ao lado.
Virando-se, era uma jovem alta, com mais de um metro e setenta — algo raro na época. Apesar da altura, era esguia e tinha feições delicadas e serenas.
"Denin!" Chen Jiangong chamou o nome da jovem e a apresentou a Lin Chaoyang.
A jovem chamava-se Zhang Denin, era uma das editoras jovens da revista e, por coincidência, também editora responsável por Chen Jiangong.
"Não está de folga hoje?" cumprimentou ele.
"Você chegou na hora certa, acumulou-se muito trabalho ultimamente, estamos todos fazendo hora extra." Zhang Denin conduziu os dois até o escritório, onde várias mesas estavam cobertas de manuscritos. Uma editora mais velha e outra mais jovem concentravam-se na leitura e não prestaram atenção à chegada, até que Zhang Denin chamou.
"Tia Zhou, Chen Jiangong trouxe um amigo autor."