Capítulo 30 - A publicação de "O Pastor de Cavalos"

O Escritor de 1978 Sentado, contemplo a Montanha Jingting 2420 palavras 2026-01-30 14:21:45

A partir de novembro, as temperaturas em Pequim caíam a cada dia, e muitos no campus já tinham trocado as roupas pelo traje de inverno. O aquecimento da biblioteca da Universidade de Yan ainda não tinha sido ligado nesses dias, e ficar ali dentro era um verdadeiro suplício.

Logo cedo, ao chegar, Lin Chaoyang foi primeiro à sala de periódicos de literatura chinesa e pegou emprestada a edição recém-chegada do dia de “Artes e Letras de Yan”. Trabalhar na Universidade de Yan tinha como maior vantagem o acesso gratuito à vasta maioria dos livros e jornais disponíveis ao público na época.

Naquela semana, era sua vez de ficar no balcão de atendimento. Pela manhã, atendeu uma onda de estudantes em busca de empréstimos, e, aproveitando uma pausa, começou a ler o exemplar de “Artes e Letras de Yan” que tinha acabado de pegar.

“O Pastor de Cavalos” — Xu Lingjun.

Com a publicação de “O Pastor de Cavalos”, Lin Chaoyang sabia que não podia usar seu próprio nome; precisava de um pseudônimo. Sem vontade de pensar muito, usou simplesmente o nome do protagonista do romance.

Ver as palavras que antes escrevera à mão em papel de carta transformadas em tipos de chumbo causava-lhe uma sensação estranha. Havia um certo orgulho, sim, mas também consciência de estar sobre os ombros de gigantes.

Afinal, o caminho sob seus pés fora todo pavimentado por grandes nomes.

Com o pagamento recebido e o romance publicado, Lin Chaoyang folheava a revista de bom humor.

Na hora do almoço, foi ao refeitório e, mais uma vez, decidiu firme ficar na fila do porco caramelizado.

— Ei, Zhenyun!

Encontrou um conhecido na fila e o chamou.

Liu Zhenyun estava abatido, com expressão de cansaço; ao ouvir Lin Chaoyang, virou-se devagar e respondeu distraidamente.

— O que houve? — perguntou Lin Chaoyang.

— Nada, passei a noite revisando texto, não dormi — respondeu Liu Zhenyun, bocejando.

Na verdade, ele não apenas dormira mal; simplesmente não dormira.

Na véspera, ao receber de Chen Jiangong o manuscrito com as devoluções, sentiu um impacto devastador — tão forte quanto quando lera “O Conde de Monte Cristo” pela primeira vez.

“Com esse nível, quem sou eu para escrever romance?”

Essa frase ecoava sem cessar em sua mente, lendo os comentários e correções no texto.

Quando finalmente se recompôs, decidiu, cerrando os dentes, tentar de novo — e passou a noite revisando, fumando dois maços de cigarros.

Pela manhã, seus colegas de dormitório reclamaram do ambiente carregado de fumaça; Liu Zhenyun, irredutível, respondeu: “Vocês nem pagam pelo meu fumo de segunda mão!”

Após uma noite em claro revisando, seguido de aulas pela manhã, não era de espantar que Lin Chaoyang encontrasse Liu Zhenyun com aquele aspecto de fantasma.

Liu Zhenyun não sabia que fora Lin Chaoyang quem revisara seu texto, mas Lin Chaoyang sabia muito bem de quem era o manuscrito que corrigira. Sentiu uma pontada de culpa ao ver o amigo naquele estado.

Puxou Liu Zhenyun da fila do tofu grelhado para a do porco caramelizado.

— Não tenho dinheiro! — Liu Zhenyun protestou.

— Eu pago! — insistiu Lin Chaoyang.

O entusiasmo de Lin Chaoyang era incompreensível para Liu Zhenyun, mas o aroma do prato venceu qualquer resistência.

Com a boca cheia da carne suculenta, Liu Zhenyun falou, radiante:

— Lin, quando eu publicar um romance numa revista, te pago um banquete.

— Não me chame de irmão mais velho, sou um ano mais novo que você.

Lin Chaoyang nascera em 1959, Liu Zhenyun em 1958.

Surpreso, Liu Zhenyun murmurou:

— Não parece, não...

Lin Chaoyang pensou consigo: “Nem para cachorro eu daria essa carne!”

Brincadeiras à parte, já tinha pago; não ia tirar a comida da boca do amigo. Da próxima vez, compensaria.

Ao voltar do refeitório, Lin Chaoyang percebeu que a “Artes e Letras de Yan” tinha sumido da mesa. A colega Hu Wenqiong do lado avisou:

— Lin, está comigo a revista. Aqui, pode pegar.

— Já li, fique à vontade. Só lembre de devolver na sala de periódicos depois.

— Obrigada.

Ao sair do refeitório, apesar do vento gelado que gelava o rosto, Liu Zhenyun sentia sono. Sem dormir à noite, aulas pela manhã e um almoço pesado... impossível não ficar sonolento. Correu de volta ao dormitório no prédio 32 para tirar um cochilo e desmaiou na cama.

Quando acordou, olhou pela janela: já era noite fechada.

Um calafrio percorreu seu corpo — perdera as aulas da tarde.

O veterano do dormitório, também estudante de Letras, notou que ele acordara e disse:

— Zhenyun, por que não foi à aula? O professor Xie perguntou de você.

Liu Zhenyun ficou pálido.

— O que vocês responderam?

— O que poderíamos dizer? Você voltou do almoço e dormiu, falamos a verdade.

Aflito, Liu Zhenyun começou a murmurar:

— Pronto, estou perdido...

Os colegas caíram na risada; ele logo percebeu que era brincadeira.

Ainda assim, estava preocupado com a falta. Continuou pressionando pelo que realmente haviam dito.

— Fica tranquilo, dissemos que você estava doente.

O sexto colega, lendo uma revista, não aguentou e contou-lhe a verdade; só então Liu Zhenyun relaxou.

O susto ajudou-o a despertar da letargia. Lembrou-se do manuscrito que passara a noite inteira revisando e ainda não tinha terminado.

— Ainda vai mexer nesse texto? Por que não escreve logo outro? — sugeriu o sexto colega.

Mas Liu Zhenyun não queria desistir.

— Vou tentar mais um pouco.

Sem conseguir convencê-lo, o outro atirou-lhe a revista.

— Não fique só tentando escrever; leia mais pra ver como os outros escrevem. Veja os contos desta edição de “Artes e Letras de Yan”, especialmente este, tão bom quanto “Cicatriz”, de Lu Xinhua.

Liu Zhenyun não deu muita importância. “Cicatriz” fora publicado meses antes, causara furor nacional e até gerara o termo “literatura da cicatriz”. Em sua opinião, o conto não era grande coisa, só um pouco melhor que os seus próprios escritos, e não merecia tanta fama.

Apesar disso, aceitou a sugestão e folheou o artigo que o colega lhe entregou.

“O Pastor de Cavalos”, Xu Lingjun.

“Ele era um filho abandonado por um rico.”

Logo na primeira frase, Liu Zhenyun foi sugado pela história.

Enquanto isso, a biblioteca da Universidade de Yan já fechara. Em geral, Hu Wenqiong arrumava suas coisas uns minutos antes de terminar o expediente, mas naquele dia ela continuou sentada, completamente absorta na revista, alheia ao que acontecia ao redor.

— Wenqiong, Wenqiong, já fechou — chamou Lin Chaoyang duas vezes até que ela despertasse. Respondeu distraída, mas não tirou os olhos da revista.

Só ao perceber que todos já tinham ido embora lembrou que precisava voltar para casa preparar o jantar. Guardou a revista na bolsa, decidida a terminar a leitura à noite.