Capítulo 17: Escolher um lado exige reconhecer a realidade
Se fosse seguir o ritmo habitual, este seria o momento em que Lin Chaoyang deveria se destacar diante de todos, recitando casualmente um ou dois poemas clássicos famosos das gerações futuras para impressionar o público. Infelizmente, os jovens presentes não lhe deram essa chance; ninguém prestou muita atenção à sua chegada, trocaram apenas algumas palavras com ele e logo se perderam no entusiasmo pela poesia.
Lin Chaoyang não sentiu-se excluído; percebeu claramente que aquele grupo era movido por um genuíno amor pela arte. Contudo, não se sentiu particularmente animado com tudo aquilo. Quem acabou despertando seu interesse foi a conversa entre Chen Jianggong e Zhang Yaozhong, enquanto Cha Jianying prosseguia com a leitura dos poemas.
"Ei, Zou Shifang realmente escreveu uma carta ao senhor Mao Dun?" Zhang Yaozhong perguntou a Chen Jianggong.
"Sim, o pessoal do comitê da juventude concordou, ele é quem redigiu. O senhor Mao Dun é nosso ex-aluno, certamente nos dará essa honra."
Lin Chaoyang, curioso, perguntou sobre o assunto, e Zhang Yaozhong, sempre bem-informado, contou tudo o que sabia.
Nos anos cinquenta, a Universidade de Yanjing teve um famoso clube de poesia, o Clube Literário Cinco Quatro, reconhecido nacionalmente. Entre os primeiros membros estavam Wu Zuxiang, Xie Mian, Feng Zhi e Qian Liqun, todos tornaram-se posteriormente professores da universidade e figuras influentes na cultura chinesa.
Por diversas razões, o clube ficou anos sem atividade. No ano passado, com a retomada do exame nacional, alguns estudantes da turma de 77, liderados por Zou Shifang do departamento de filosofia e Chen Jianggong do de literatura, propuseram ao comitê da juventude a reativação do clube, recebendo aprovação.
Ao mesmo tempo, o comitê e o centro estudantil começaram a preparar a revista do clube, enviando uma carta ao senhor Mao Dun, pedindo que ele escrevesse o prefácio e nomeasse o novo periódico.
Lin Chaoyang ficou admirado ao ouvir a história, tanto pela capacidade de organização dos estudantes quanto pelo carinho da universidade por eles.
Durante uma pausa na conversa entre Zhang Yaozhong e Chen Jianggong, Lin Chaoyang lembrou-se do romance que estava escrevendo. Prevenindo-se para o futuro, sabia que, ao terminar, teria que publicá-lo. Como Zhang Yaozhong já havia publicado poemas na revista "Literatura de Yanjing", aproveitou para perguntar.
"Yaozhong, os critérios de seleção da 'Literatura de Yanjing' são rigorosos? Você conhece algum editor por lá?"
"Lin, você pretende enviar um texto?" Zhang Yaozhong perguntou, curioso.
Lin Chaoyang assentiu: "Tenho essa intenção."
Zhang Yaozhong interessou-se: "Qual é o gênero? Poesia, romance ou ensaio?"
"Romance."
"Romance, então..." ponderou. "Conheço os editores da seção de poesia, mas não cuidam dessa área."
Com um olhar rápido, empurrou Chen Jianggong para perto.
"Você deve procurar Jianggong, ele é um autor frequente da 'Literatura de Yanjing'."
Zhang Yaozhong explicou a intenção de Lin Chaoyang a Chen Jianggong, que respondeu com um sorriso aberto: "Eu, veterano? Só enviei alguns textos, nada demais. Mas, se não se importar, adoraria ler sua obra e dar algumas sugestões."
Lin Chaoyang sorriu: "Muito obrigado, Jianggong. Mas o romance ainda não está pronto, só aproveitei para conversar hoje. Assim que terminar, volto a incomodar você, pode ser?"
"Com prazer!"
Com um guia para a publicação, Lin Chaoyang agradeceu novamente a Chen Jianggong, conversou mais um pouco e, vendo que já era tarde, despediu-se.
Observando-o partir, Cha Jianying perguntou a Zhang Yaozhong: "Você é muito próximo desse colega?"
"Nos conhecemos no trem; o sogro de Lin é o professor Tao, do departamento de história."
Na apresentação anterior, Zhang Yaozhong só mencionara nomes e cargos, sem detalhes adicionais.
"Professor Tao!"
Todos conheciam o nome de Tao Jingfa, um dos professores mais respeitados do departamento de história, ainda que pouco famoso fora da universidade.
O genro do professor Tao: essa foi a primeira impressão dos colegas do departamento de letras sobre Lin Chaoyang.
Quando Lin Chaoyang chegou em casa, já eram seis e meia da tarde. Dona Tao e Zhao Li estavam servindo o jantar e, ao vê-lo entrar, a mãe de Tao mostrou-se pouco satisfeita.
"Domingo de descanso só pensa em ficar na rua, já fez a lição? Revisou os estudos?"
Tao Yumou, que chegara dois minutos antes, já ouvira alguns resmungos da mãe. Parecia perdida, achando injusto: se era para reclamar, deveria ter feito isso quando entrou, não agora, na hora do jantar.
Sentia-se magoada, mas era perspicaz e logo percebeu que as palavras da mãe tinham outro destinatário.
Sem entender, acabou transferindo a mágoa para Lin Chaoyang, lançando-lhe um olhar ainda mais hostil.
Tao Yushu, sempre astuta, compreendeu perfeitamente a indireta da mãe, mas diante daquele jeito ardiloso de criticar, nada podia fazer, restando apenas um olhar de solidariedade para Lin Chaoyang.
Lin Chaoyang sabia bem que a sogra tinha implicância com ele, mas achava que, em vez de tentar agradá-la, melhor seria dedicar-se ao sogro, que lhe tinha estima.
Dica de sobrevivência: no trabalho, só há um chefe, é preciso saber de que lado estar.
Com um tom casual, relatou as tarefas do dia, recebendo um aceno de aprovação do sogro.
"Você acaba de chegar ao trabalho, ajudar os colegas é bom para criar união." O pai de Tao pegou o prato e os talheres, pronto para servir-se, mas acrescentou: "Só não exagere, para não parecer obrigação."
"Sim, senhor."
"Certo, vamos comer."
Durante o jantar, Tao Yushu lançou um olhar de aprovação a Lin Chaoyang.
Depois de cinco ou seis dias, Lin Chaoyang já se adaptara ao trabalho na biblioteca da universidade, conhecendo os colegas e dominando as tarefas, sentindo-se cada vez mais à vontade.
O trabalho na biblioteca era intenso ou tranquilo, dependendo do horário. Pela manhã, tarde e noite era sempre corrido, pois os alunos, fora das aulas, lotavam o espaço, tanto na sala de empréstimos quanto nas salas de estudo.
Quando os alunos estavam em aula, o trabalho ficava mais leve, permitindo momentos de descanso.
Foi nesses intervalos que Lin Chaoyang concluiu seu primeiro conto.
Só terminar não bastava; precisava publicar para receber algum dinheiro.
Aproveitando o domingo, Lin Chaoyang não foi ajudar os colegas no trabalho, mas seguiu para o sul, levando o manuscrito recém-escrito.
O edifício número 32, construído em 1958 com tijolos cinzentos, era uma construção simples, situada ao sul do conjunto de residências dos professores, no jardim Yannan.
No dia do encontro no Pavilhão do Sino, Chen Jianggong informara o endereço do alojamento, dizendo que, ao terminar o manuscrito, era só procurá-lo ali.
Era domingo, sem aulas, e muitos estudantes circulavam pelos corredores, alguns com bacias cheias de roupas, provavelmente indo lavar no salão de água. Outros, levando artigos de higiene, saíam para tomar banho.
Também havia grupos animados, com roupas esportivas, e um de cada grupo carregava uma bola de basquete na cintura, prontos para jogar; Chen Jianggong estava entre eles.
"Jianggong!"
Lin Chaoyang chamou com naturalidade, recebendo uma saudação afetuosa: "Chaoyang!"
Sabendo que Lin Chaoyang viera entregar o texto, avisou aos colegas: "Vão vocês, tenho visita. Se eu não estiver, joguem bem, não percam feio."
"Sem você é melhor, vamos ganhar do departamento de economia por vinte pontos!" A provocação foi respondida entre risos, e o grupo se dispersou.
Chen Jianggong conduziu Lin Chaoyang ao alojamento e lhe serviu um copo d'água.
"Então, pelo visto, o manuscrito está pronto?"