Capítulo 49: O Bom Vento Aproveita a Força

O Escritor de 1978 Sentado, contemplo a Montanha Jingting 2466 palavras 2026-01-30 14:21:58

No caminho de volta para casa, Taó Yu Shu perguntou a Lin Chao Yang:

— O que você estava fazendo lá em cima?

— Nada demais! — respondeu ele.

— Yu Mo já me contou tudo.

Taó Yu Mo apenas mencionara que vira a carta de amor escrita por Du Feng. Taó Yu Shu, lembrando-se de quando Du Feng chamou Lin Chao Yang para subir, acabou por deduzir o que havia acontecido.

— Aquela carta de amor dele estava tão insípida que resolvi dar uma melhorada — disse Lin Chao Yang, sem esconder a verdade, surpreendendo Taó Yu Shu que só estava tentando sondá-lo.

— E como você escreveu? — ela quis saber, disfarçando um leve ciúme na voz.

— Ah, só escrevi qualquer coisa. Mas, como você sabe, meu talento é impossível de esconder. Rabisquei umas linhas e já deixei meu cunhado impressionado.

Lin Chao Yang percebeu o tom de ciúme de Taó Yu Shu e tentou amenizar com uma piada.

— Hmpf! — resmungou ela baixinho. — E para mim você nunca escreveu uma carta de amor.

— Eu posso escrever uma agora, se quiser — respondeu ele, já se preparando para improvisar algo poético.

Mas Taó Yu Shu o interrompeu: — Deixa disso, só estou te provocando. Se tem energia para escrever cartas de amor, é melhor usar para pensar na sua próxima obra.

Lin Chao Yang fez uma expressão amarga:

— Querida, o ano mal começou, o Festival das Lanternas nem passou ainda.

— E o que tem uma coisa a ver com a outra? — rebateu ela. — Você finalmente está de folga, não pensa em nada novo?

Ela piscou os grandes olhos para ele, usando todo seu charme.

Todos diziam que ele era um sortudo por ter se casado com a professora Taó, mas poucos sabiam que, por trás desse casamento, havia uma esposa incansável, que, além de se exigir ao máximo, ainda o arrastava junto nessa maratona.

Lin Chao Yang suspirou resignado, olhando para o teto:

— Acho que tenho umas ideias, sim.

O tempo passou rapidamente e logo chegou o décimo quinto dia do primeiro mês lunar. Durante esses dias, Taó Yu Shu não parava de pressionar Lin Chao Yang para começar a escrever uma nova obra. A resposta dele era sempre a mesma: “Ainda estou amadurecendo a ideia”.

Desde que confessara à esposa seu envolvimento com a escrita de romances, já não precisava temer ser descoberto, mas, em contrapartida, encarava agora o alto padrão e as exigências rigorosas dela.

Ela, acostumada a competir consigo mesma, passou a exigir dele o mesmo ritmo. Lin Chao Yang já conseguia imaginar o futuro: se tivessem filhos, a rotina deles seria um verdadeiro campo de batalha.

Naquele dia, Taó Yu Shu acabara de enviar, depois de inúmeras revisões, sua crítica sobre “O Cavaleiro dos Pampas” para a revista “Arte Literária de Yanjing”. Se o “Jornal das Letras” não aceitasse, mandaria para outra publicação; o importante era ser publicada, não se apegava a detalhes.

De volta para casa, ela conversou com Lin Chao Yang sobre a nova obra. Ele queria viver tranquilo, mas não ao ponto de desprezar o dinheiro. Também sonhava com uma casa espaçosa, banho quente a qualquer hora, uma sala iluminada, um escritório só seu...

Mas quem já trabalhou sabe: se você termina o trabalho em um dia, seu chefe passa a exigir aquele ritmo sempre — e nunca vai baixar o padrão, só aumentar.

Com o perfil competitivo de Taó Yu Shu, se Lin Chao Yang realmente escrevesse um romance em uma semana, jamais teria paz novamente.

— Tenho umas ideias, sim. Hoje à noite começo a rascunhar alguma coisa.

Mas também não podia adiar para sempre. Se era para escrever, que escrevesse. Afinal, inspiração de escritor é como o humor de uma mulher: surge sem aviso, vai embora sem explicação, impossível de controlar.

Por isso, escrever devagar não era pecado.

Desde que Taó Yu Shu descobrira que o marido também escrevia, a escrivaninha, antes de uso exclusivo dela, passou a ser compartilhada: sentavam-se frente a frente, escrevendo juntos.

Enquanto enrolava, Lin Chao Yang percebeu Taó Yu Shu lendo e sorrindo, e perguntou:

— O que está lendo de tão divertido?

— Primeiro escreva, depois eu te mostro — respondeu ela.

Lin Chao Yang largou a caneta:

— Pronto, terminei. Pode me mostrar agora.

Ela lhe lançou um olhar de censura e entregou a revista:

— Saiu um artigo sobre “O Cavaleiro dos Pampas” na “Arte Literária de Gansu”.

Ele pegou a revista, sem dar muita importância.

Já fazia mais de três meses desde a publicação de “O Cavaleiro dos Pampas”. Desde a primeira crítica de Hu De Pei até os artigos de Yan Gang e Ding Ling, cada novo comentário parecia mais relevante e impactante. Lin Chao Yang já estava anestesiado.

Ele sabia que o entusiasmo do meio literário com “O Cavaleiro dos Pampas” já transcendera a própria obra: surfava na onda da “literatura da cicatriz”.

Depois que “O Professor” e “Cicatriz” inauguraram e popularizaram esse novo movimento literário, “O Cavaleiro dos Pampas” captou perfeitamente a atenção e o carinho do público.

Comparada às anteriores, sua obra era indiscutivelmente mais acessível para a maioria dos leitores.

No fundo, a essência da história era um típico conto "Jack Su".

Quem era Xu Ling Jun?

Filho de um rico comerciante, alto, bonito, gentil. Embora tenha sido rejeitado e enviado para trabalhos forçados, sempre havia alguém disposto a ajudá-lo, alguém querendo arranjar-lhe uma esposa, alguém o indicando para ser professor primário, e, anos depois, até o pai rico que o abandonara apareceu para reconhecê-lo.

Uma história que, trinta anos depois, só se leria em romances na internet.

A trama simples, somada ao tom elevado, fazia de “O Cavaleiro dos Pampas” uma obra destinada a ir mais longe que suas predecessoras.

Lin Chao Yang folheou distraidamente o artigo da “Arte Literária de Gansu”, quando percebeu que Taó Yu Shu, antes sorridente, agora parecia preocupada.

— Veja só, sua primeira novela já causou tanto impacto. Como vai ser com as próximas?

— Quanto a Lu Xinhua, de “Cicatriz”, nem comento. Sua obra, como você mesmo disse, foi filha do momento. Liu Xinwu é muito talentoso, mas li todas as novelas que publicou no ano passado em revistas importantes e, embora sejam boas, nenhuma teve o mesmo impacto de “O Professor”.

Taó Yu Shu se angustiava por ele, mas Lin Chao Yang estava sereno e até a consolou:

— Você precisa ver por outro ângulo. A popularidade da literatura da cicatriz responde a um clamor do povo. Para mim, nenhum gênero literário costuma receber tanta atenção e entusiasmo em tão pouco tempo — não é normal.

Se restringirmos o olhar ao mesmo tipo de obra, ou à produção de um curto período, corremos o risco de perder o senso crítico.

Olhemos mais longe: cinco, dez, vinte anos... Talvez essas obras ainda tenham espaço garantido na história da literatura chinesa, mas nós, quem ainda se lembrará de nós?

Se houver boas obras, haverá repercussão. Se não, desapareceremos na multidão.

É sempre assim neste mundo.

A literatura, no fim das contas, depende das obras, mas não só delas: fatores de época e contexto social também influenciam. Veja Kafka, Stendhal... Será que suas obras não eram boas?

O esforço humano tem limites. Estamos só começando. Não vale a pena se angustiar por antecipação.

Durante a conversa, Lin Chao Yang transmitia uma calma imperturbável, uma serenidade que cativava Taó Yu Shu sem que ela percebesse.