Capítulo 5: O Túmulo Ancestral em Chamas
— Não pense que será tão bom assim. Dizem que é para ser bibliotecário, mas na verdade ele vai fazer todo tipo de serviço.
Ao dizer isso, Taoyu olhou para o casal Lin Erchun e sua esposa.
— Pai, mãe, na biblioteca da universidade há alguns cargos reservados para familiares dos funcionários. Meu pai voltou ao trabalho, então podemos resolver o emprego de Chaoyang. Mas, por enquanto...
Taoyu hesitou um pouco ao falar:
— Chaoyang só pode ser temporário. Minha ideia é que ele trabalhe na biblioteca por um tempo, depois, ao chegar a Pequim, se inscreva num curso noturno, se esforce para melhorar a formação. Mesmo que não consiga um cargo definitivo na biblioteca, poderemos procurar outro emprego.
Taoyu expôs com clareza suas ideias ao casal Lin Erchun. Com a formação de Lin Chaoyang, conseguir um cargo efetivo na Universidade de Pequim não era fácil; só restava buscar um caminho alternativo.
Mas, após escutarem tudo, o maior questionamento dos dois era:
— Taoyu, seu pai é professor na Universidade de Pequim?
— Sim, ele passou anos em Hubei, só voltou para Pequim no início do ano, recuperou o emprego e o salário.
Lin Erchun assentiu:
— Ótimo, ótimo. Os tempos difíceis ficaram para trás.
A família Lin sempre soube que havia alguém na família de Taoyu trabalhando numa universidade em Pequim, mas, por receio de Taoyu se preocupar, nunca perguntaram muito sobre isso.
Agora que os pais estão bem, ela conseguiu entrar na universidade, e ainda pode levar o filho para Pequim. Sentia-se orgulhoso de não ter escolhido errado. Lin Erchun estava profundamente satisfeito.
Ainda mais contente estava com Lin Chaoyang. Antes, não entendia bem o filho, mas agora finalmente compreendia.
Quando Taoyu quis fazer vestibular, ele não só apoiou, como ajudou financeiramente; quando ela foi estudar, não a atrapalhou; quando o povo do vilarejo falava mal, ele ignorava. Esse rapaz não era ingênuo, era astuto.
Aproveitou a gratidão!
Depois de refletir sobre o próprio filho, Lin Erchun achou que até os cabelos de Lin Chaoyang pareciam ter passado gel, tão escorregadios que nem uma mosca conseguiria pousar.
A única preocupação era que, ao seguir Taoyu para Pequim, a documentação, moradia e trabalho dependeriam da família da esposa. Seria um genro que entra para a família da esposa, e, se isso se espalhasse, não seria bem visto.
Talvez percebendo a preocupação, Taoyu disse:
— Pai, ainda estou estudando, então teremos que dividir espaço em casa. Depois de formada, quando for designada para um emprego, a instituição providenciará um dormitório. Então eu e Chaoyang sairemos de casa.
O cuidado de Taoyu deixou Lin Erchun ainda mais satisfeito; a nora pensava em tudo, ele achou que não devia ser tão exigente e olhou para Chaoyang:
— Chaoyang, o que você acha?
Depois de ser ignorado por um tempo, Chaoyang respondeu, um pouco distraído:
— Taoyu pensou em tudo.
Lin Erchun pensou consigo, parece que o casal já havia combinado tudo.
— Sendo assim, não temos nada a dizer. Façam o que acharem melhor, nós apoiamos.
Lin Erchun finalizou.
Taoyu sorriu de felicidade e ainda lançou um olhar de orgulho para Chaoyang.
Nesse momento, Zhang Guiqin comentou:
— Antes de Taoyu e Chaoyang partirem, não deveriam realizar a cerimônia de casamento?
— Os pais de Taoyu não estão aqui — disse Chaoyang, atencioso.
Taoyu sorriu:
— Mãe, já pegamos a certidão, a cerimônia não é tão importante.
Zhang Guiqin resmungou:
— Tanto dinheiro de presente...
— Não seja mesquinha, Chaoyang e Taoyu juntos valem mais do que qualquer coisa — Lin Erchun repreendeu.
Depois da conversa, já era dez da noite. Lin Erchun organizou para todos dormirem.
O casal Lin Erchun dormiu na sala de fora, Chaoyang e Taoyu, os recém-casados, dormiram no quarto interno.
Ao trocar de roupa, Taoyu pediu, sem jeito, que Chaoyang virasse de costas.
Assim que terminou, antes que Chaoyang se virasse, ela, ágil como um coelho, pulou para debaixo do tapete vermelho.
— Precisa disso? Você me evita como se eu fosse um ladrão.
Durante o dia, ela era elegante, de presença marcante, compreensiva ao falar com os pais de Lin, atenta a tudo. Agora, com metade da cabeça escondida pelo tapete, fez-se de avestruz, e esse contraste despertava ainda mais o desejo de Chaoyang.
Chaoyang subiu na cama e tentou puxar o tapete, mas Taoyu não soltou de jeito nenhum. Ele riu e provocou:
— Pode fugir do primeiro, mas não do décimo quinto! Isso é como a ovelha entrando na boca do lobo.
Taoyu enfiou a cabeça para fora, falando baixo:
— Não faça besteira, meus pais estão no quarto ao lado.
Só uma parede separava os quartos, qualquer voz mais alta podia ser ouvida.
— Tem medo de quê? Já disse, somos marido e mulher de verdade. Você foi embora por seis meses, sabe o quanto sofri esperando?
Chaoyang, sem vergonha, entrou debaixo do tapete; ao tocar a pele de Taoyu, ela ficou tensa, o coração acelerou.
Ela tentou empurrar o peito dele, mas sentiu a firmeza dos músculos e o bater forte do coração, e o rosto ficou quente, ruborizado.
O olhar de Chaoyang era cheio de desejo.
— Casados há mais de meio ano, e eu ainda sou um rapaz inocente... Não faz sentido, não acha?
Taoyu riu, com brilho nos olhos, olhando para ele.
Os dois ficaram em silêncio, cada vez mais próximos.
— Vai com calma!
Foi a única coisa que Taoyu conseguiu dizer antes de ser envolvida por uma onda de calor.
Na manhã seguinte, Taoyu acordou e se movia de maneira um pouco constrangida; o casal Lin Erchun, muito discretos, nada comentou.
Depois do café, Lin Erchun entregou, às escondidas, uma pilha de dinheiro e vales para Chaoyang, pedindo que ele levasse Taoyu à cidade para comprar produtos locais.
A cidade ainda não era como as áreas urbanas modernas, mas isso não impediu Chaoyang e Taoyu de passearem.
Depois de meio ano com a certidão, finalmente se tornaram um casal de verdade; viviam a felicidade dos recém-casados.
Zhang Guiqin, recuperada, conversando com os vizinhos, “sem querer” revelou que Chaoyang e Taoyu estavam de partida para Pequim.
Ao saber que Taoyu arranjou emprego para Chaoyang na Universidade de Pequim, os moradores ficaram surpresos e cheios de inveja.
Nos bastidores, as fofocas sobre Chaoyang continuavam.
Mas, diferente do semestre anterior, quando era motivo de piada por “perder esposa e dinheiro”, agora era chamado de “aproveitador”, “sortudo”, entre outras coisas.
Quando Chaoyang e Taoyu foram ao escritório da cooperativa para transferir a documentação, andando pelas ruas, começaram a ser alvo de comentários.
Anos antes, Taoyu era famosa na Cooperativa Bandeira Vermelha como a mais bela jovem da cidade; sempre que aparecia, atraía multidões.
Depois, ao passar no vestibular e entrar na Universidade Normal de Pequim, sua fama aumentou ainda mais; por isso, muitos a conheciam na cooperativa.
Nos últimos dias, ao ouvirem que Taoyu ia levar o namorado da zona rural para Pequim, e ainda arranjou emprego para ele na principal universidade do país, o impacto foi enorme, como um terremoto.
Todos já ouviram histórias de jovens voltando à cidade, causando problemas, especialmente aquelas que se casaram e tiveram filhos na zona rural, muitos abandonaram as famílias.
No pensamento simples do povo, uma mulher como Taoyu, mesmo que não se casasse com alguém de alta posição, deveria ao menos escolher um homem da cidade.
Mas quem imaginaria que ela se casaria com um rapaz rural como Chaoyang?
Entrou na universidade, não pediu divórcio, pelo contrário, vai levar o “marido feio” para a cidade, e ainda arranjou emprego para ele na melhor universidade do país.
Na opinião dos moradores, Chaoyang não era apenas sortudo.
Era como se tivesse recebido uma bênção dos ancestrais.