Capítulo 87: O Queridinho da Sociedade de Letras

O Escritor de 1978 Sentado, contemplo a Montanha Jingting 4465 palavras 2026-01-30 14:22:28

— Desaparecer? Quando foi que eu disse isso? — perguntou Lin Chaoyang, surpreso.

— Li num artigo de jornal que você teria dito isso.

— Eu só disse que iria declinar. Você deveria procurar o texto original, a minha crítica sobre a literatura das cicatrizes foi publicada na “Outubro”.

Gong Yun assentiu, ligeiramente envergonhada.

Tao Yumo, curiosa, indagou:

— Gong Yun, em qual jornal saiu isso?

Gong Yun olhou para Lin Chaoyang, hesitou em responder.

— Por que está me olhando assim? Fale com franqueza, é só um artigo — disse Lin Chaoyang, sorrindo.

— Foi numa crônica da “Gazeta Noturna de Yanjing”. O texto gira em torno da opinião do cunhado sobre o artigo na “Outubro”. Eu não li o artigo do cunhado, mas esse texto… hum… parece pouco amistoso. Diz que o cunhado ganhou notoriedade com a literatura das cicatrizes, mas agora se aproveita diminuindo-a, buscando atrair os holofotes, fazendo sensacionalismo…

Enquanto Gong Yun falava, observava a expressão de Lin Chaoyang, e, ao perceber que ele permanecia tranquilo, não interrompeu. Tao Yumo, ao lado, não gostou nada do que ouviu:

— Quem é esse sujeito? Como pode falar assim?

Lin Chaoyang gesticulou para Tao Yumo:

— Yumo, Gong Yun está só repassando o que ouviu, não precisa se exaltar.

— Cunhado, esse sujeito foi longe demais. Você não tem nenhuma desavença com ele, por que falar de você dessa forma? Eu é que acho que ele quer chamar atenção!

A indignação de Tao Yumo fazia parecer que era ela quem estava sendo insultada, não Lin Chaoyang.

— Gong Yun, de que edição era esse jornal? — perguntou Tao Yumo.

Antes que Gong Yun respondesse, Lin Chaoyang a interrompeu:

— Chega, críticas e elogios são absolutamente normais no mundo literário.

Tao Yushu também comentou:

— Não se preocupe com os assuntos do seu cunhado.

Tao Yumo protestou:

— Mas não dá para deixar que insultem e não responder!

Lin Chaoyang balançou a cabeça, sorrindo:

— Isso nem é insulto. Se alguém te critica, escute se quiser; se não quiser, finja que não ouviu. Imagina, com tanta gente na literatura, se eu fosse responder a todos, acabaria exausto.

Vendo Lin Chaoyang tratar o assunto com leveza, Tao Yumo também se acalmou. Gong Yun, ao observar a atitude de Lin Chaoyang, sentiu um profundo respeito.

Era isso que se chamava grandeza de espírito de um escritor.

O pai de Tao, ao ver a serenidade de Lin Chaoyang, também assentiu satisfeito; era raro, para alguém tão jovem, manter-se imperturbável diante de elogios ou insultos.

Depois que Gong Yun e Tao Yumo partiram, Lin Chaoyang e Tao Yushu entraram em casa. Tao Yushu resmungou:

— Usar palavras venenosas sem motivo, isso mostra que essa pessoa não tem educação.

O que mais irritava Tao Yushu não era o artigo ofensivo, mas sim o fato de terem assinado com dois nomes e, ainda assim, não a terem mencionado.

— É só uma crítica, não vale a pena se irritar. Não faltam elogios também. Quem escreve está sempre sujeito a comentários, mas não dá para responder a todos. Se a gente se preocupar com cada crítica que aparece num jornal, vai acabar se desgastando demais.

Lin Chaoyang não era exatamente magnânimo, apenas adotava uma postura de indiferença. Escrevia para ganhar o pagamento, a fama era apenas consequência. Se alguém o criticava, que criticasse; afinal, era por isso que recebia.

Não era como certas celebridades do futuro, que ganhavam em um filme o que o povo jamais ganharia em toda a vida, e ainda apareciam chorando na tela, dizendo como era difícil atuar, querendo chamar ambulância por um arranhão, só para conseguir destaque nas redes.

Não era absurdo?

— Você tem uma postura admirável!

— Isso chama-se compostura de general! — gabou-se Lin Chaoyang.

— Só falta dizer que é gordo para bufar!

O casal brincou e Lin Chaoyang logo esqueceu o assunto.

Na manhã seguinte, Lin Chaoyang foi ao trabalho na biblioteca, Tao Yushu também. Ela disse que ler na biblioteca era mais fresco, e ele não deu importância.

Ao chegarem, Lin Chaoyang foi para o balcão de empréstimos, enquanto Tao Yushu mergulhou na sala de periódicos.

— Gazeta Noturna de Yanjing… Gazeta Noturna de Yanjing… — murmurava ela, vasculhando pilhas de jornais.

Depois de um bom tempo procurando, finalmente encontrou o jornal mencionado por Gong Yun.

“Refutando o chamado ‘Declínio Inevitable da Literatura das Cicatrizes’ de Xu Lingjun”.

Tao Yushu leu atentamente o artigo, que não era extenso; tinha menos de duas mil palavras. Os primeiros mil e poucos eram razoáveis, mas no final o texto descambava. O autor parecia um entusiasta veterano da literatura das cicatrizes, ou talvez um criador. Na segunda metade, não conseguiu conter o rancor diante do pessimismo de Lin Chaoyang, tornando-se mordaz e agressivo, saindo do âmbito da discussão.

Além de insultar o marido, ainda ignorava a própria Tao Yushu, inadmissível!

No entanto, ao terminar a leitura, Tao Yushu sentiu-se aliviada.

O texto era medíocre, provavelmente escrito por um universitário irritado, ou um autor amador de literatura das cicatrizes; não era algo que pudesse causar grande impacto.

Ela largou o jornal, mas logo pensou que havia algo errado.

Sendo honesta, o artigo do marido era pertinente, mas também não era incorreto apontar o declínio da literatura das cicatrizes. No momento, esse gênero estava em alta no país inteiro, e a crítica dele era como remédio amargo, verdade difícil de ouvir; inevitável que muitos discordassem, e certamente não seria o único artigo contrário.

Ela reuniu mais jornais e procurou durante quase uma hora, até encontrar outro artigo.

Pelo título, também se opunha ao marido, mas ao menos permanecia no campo da discussão. Tao Yushu terminou de ler e o deixou de lado.

Ela refletiu: não fazia nem duas semanas que a edição de “Outubro” havia saído, e já havia encontrado duas críticas só na biblioteca, ao acaso.

Vale lembrar que jornais nunca foram o principal palco de debates literários; as revistas especializadas é que são.

Se os jornais já exibem opiniões contrárias, em mais um mês certamente as revistas estarão repletas de debates.

Discutir não era problema, mas o que preocupava eram textos como o da “Gazeta Noturna de Yanjing”, que poderiam ser educados e, ao invés disso, eram agressivos.

Tao Yushu achou prudente se preparar. O marido não se importava com insultos, mas ela não conseguia ignorar.

Sair insultando um por um os autores não era solução; só iria se estressar e desperdiçar tempo e energia, sem ganhar nada.

Tao Yushu pensou: se a opinião pública começasse a criticar o marido em massa, isso seria ruim. Melhor seria agitar as águas, deixar as opiniões divididas, assim ninguém se preocuparia mais com o artigo dele.

Em escrever críticas ela era capaz, e podia aproveitar para treinar.

Lin Chaoyang, pescando no acervo, não sabia que a esposa, após ler apenas dois artigos, já se preparava para combater a literatura das cicatrizes. Ele, entre uma tarefa e outra, escreveu cerca de mil e poucas palavras, quando recebeu um bilhete do andar de baixo: alguém o procurava.

Descendo, encontrou Zhou Yanru.

Após algumas palavras de cortesia, Zhou Yanru foi direto ao assunto:

— O livro “Sapatos Pequenos” já está acertado. Está em alta, e a Editora Humanidades está muito interessada em colaborar. Quando tiver tempo, me acompanhe até lá.

— Amanhã, peço meio dia de folga e vou de manhã.

— Ótimo, te espero na porta da editora. Você sabe onde fica, não é?

— Rua Central, número 166! Quem não conhece?

Zhou Yanru assentiu, conversaram mais um pouco e ela se despediu.

Na manhã seguinte, Lin Chaoyang chegou ao número 166 da Rua Central. O prédio de cinco andares da Editora Humanidades erguia-se silenciosamente na rua, e, sendo hora de entrada, muitos chegavam de bicicleta.

De longe, Lin Chaoyang viu Zhou Yanru esperando na porta, apoiada na bicicleta.

— Zhou, esperou muito? — Lin Chaoyang cumprimentou.

— Acabei de chegar, vamos!

Entraram no pátio e, ao chegarem à portaria, Zhou Yanru chamou:

— Zhai, registro!

Era claro que eram conhecidos. O porteiro pegou o livro de registros, anotou para Zhou Yanru e lançou um olhar a Lin Chaoyang.

— Você é novo por aqui, autor novo?

— Conhece Xu Lingjun, não? — apresentou Zhou Yanru.

— Xu Lingjun, claro, já ouvi falar — respondeu Zhai, pegando o registro dos dois.

Ao subirem, ele deu uma olhada no nome escrito — Lin Chaoyang.

O rapaz tinha letra bonita!

O escritório de literatura contemporânea da editora ficava no terceiro andar. Zhou Yanru o conduziu até lá, onde havia oito ou nove mesas encostadas nas paredes, cada editor com pilhas de manuscritos sobre as mesas e até no chão, em envelopes de papel pardo.

— Li, trouxe o autor! — chamou Zhou Yanru.

Um homem de rosto quadrado e óculos levantou-se sorrindo, cumprimentou Zhou Yanru e, em seguida, apertou a mão de Lin Chaoyang com entusiasmo.

— Este é o camarada Xu Lingjun, não?

— Este é Li Shuguang, vice-diretor do escritório. Ele cuidará do seu caso — explicou Zhou Yanru.

— Pode me chamar de Li — disse Li Shuguang.

— Pode me chamar de Chaoyang, meu nome é Lin Chaoyang — respondeu ele, sorrindo.

Após algumas apresentações, Li Shuguang chamou:

— Yue!

Um jovem de cerca de trinta anos levantou-se. Li Shuguang explicou:

— Yue Hongzhi, editor responsável pelo seu livro. Eu faço a segunda revisão, o editor-chefe faz a final.

Após a breve apresentação, Yue Hongzhi trouxe duas cadeiras, serviu água.

— Não se preocupe, ele precisa voltar ao trabalho, melhor sermos breves — sugeriu Zhou Yanru.

Não havia muito a discutir: a editora queria publicar “Sapatos Pequenos” em volume único, e o encontro servia apenas para familiarizar autor e editor.

Conversaram sobre assuntos cotidianos, e ao saber que Lin Chaoyang trabalhava na Biblioteca da Universidade de Yanjing, Yue Hongzhi mostrou respeito; era um lugar notável.

Conversaram sobre o processo de criação de “Sapatos Pequenos”, quando uma voz masculina ecoou pelo corredor:

— Xu Lingjun já chegou? Onde está?

Os presentes pararam de falar e olharam para a porta.

Um homem de meia-idade, de semblante austero, apareceu à porta, vasculhou a sala e, ao avistar Lin Chaoyang, fixou o olhar nele.

Na sala só estavam Lin Chaoyang e Zhou Yanru como visitantes, e Lin Chaoyang era claramente novo ali.

Li Shuguang sorriu, resignado:

— Nem terminamos de conversar!

— Não tem problema, sigam conversando, só vim ver — disse o homem, mas seus olhos, como se avistassem um manjar, não se desviavam de Lin Chaoyang.

Li Shuguang comentou com Lin Chaoyang:

— Agora você é o queridinho da Editora Humanidades!

— Pois é! Se surgir algum problema, Yue entra em contato. Agora vá atender o visitante — Li Shuguang indicou a porta.

Há quatro ou cinco dias, o escritor militar Xu Huaizhong foi ao escritório da “Literatura Popular”, procurou o editor-chefe Zhang Guangnian, conversou um pouco e deixou um manuscrito.

Zhang Guangnian encaminhou o texto ao responsável pelo grupo norte, Cui Daoyi, para revisão.

A editora seguia o sistema de três etapas, Cui Daoyi era chefe do grupo norte, contando com Wang Fu e outros. Normalmente, os editores subordinados faziam a primeira leitura, ele a segunda, e o editor-chefe a última. Em caso de polêmica ou impacto relevante, o editor-geral participava da última revisão.

Zhang Guangnian pediu diretamente a Cui Daoyi que revisasse o texto, o que inicialmente o fez pensar em nepotismo, desagradando-o.

Mas, ao ler o manuscrito por meia hora, mudou de opinião.

Em dois dias de leitura atenta, Cui Daoyi concluiu com certeza: era uma obra extraordinária sobre temas de guerra.

Mas, ao ver o nome no manuscrito, ficou intrigado: Xu Lingjun era bem conhecido — “O Pastor de Cavalos” no ano passado, “Sapatos Pequenos” neste ano, um autor em ascensão — mas por que o texto vinha do exército?

Cui Daoyi procurou Zhang Guangnian para entender o caso. Pressionado, Zhang Guangnian explicou que, por tratar de uma guerra ainda em curso no sul, o manuscrito fora enviado ao exército para revisão; os líderes gostaram e queriam publicá-lo numa revista de prestígio, por isso o encaminharam à “Literatura Popular”.

Compreendida a situação, Cui Daoyi não se opôs, desde que não fosse nepotismo.

Quando se fala no florescimento literário dos anos oitenta, não se pode esquecer dos editores ilustres. Na época, Yanjing tinha quatro editores chamados “Os Quatro Grandes”, e Cui Daoyi era um deles.

Cui Daoyi era rigoroso com a profissão, e não queria ver obras sem mérito publicadas na “Literatura Popular”, referência máxima da literatura chinesa.