Capítulo 35: Se minha esposa diz que emagreci, então realmente emagreci
Quando Lin Chaoyang chegou em casa com os livros, Tao Yushu ainda não havia voltado. Ele escondeu primeiro os livros no guarda-roupa, planejando surpreendê-la.
Durante o jantar, Tao Yumou comentou repentinamente com o pai: "Pai, vejo que as outras famílias assistem televisão à noite, não deveríamos comprar uma também?"
No edifício do Lago Langrun moravam muitos professores da Universidade de Yan, todos com rendas altas para a época, e não eram poucos os que já tinham televisão em casa. Para a família Tao, adquirir um aparelho não era algo difícil, mas o pai sempre foi discreto e nunca cogitou comprar um.
Ninguém comentou, mas o irmão mais velho, Tao Yucheng, foi o primeiro a apoiar a ideia.
"Ótima sugestão, Yumou! Mamãe, os programas de televisão são variados, mais práticos que ler o jornal; dá até para assistir peças e filmes."
A mãe, entretanto, ponderou: "Uma televisão custa centenas de yuans, e ainda tem a conta de luz."
Tao Yushu sempre dizia que a mãe era filha de um capitalista, mas, de acordo com os padrões da época, ela era bastante econômica. Isso tinha tudo a ver com as dificuldades enfrentadas nos anos anteriores.
"Mamãe, a TV Central transmite óperas de Pequim toda semana."
A mãe não respondeu ao filho mais velho. Ela gostava mesmo de ópera, mas preferia as apresentações ao vivo, com toda sua autenticidade.
"Pai, na televisão também tem palestras de matemática e inglês, o que ajuda nos estudos", acrescentou Tao Yumou, tentando convencer o pai dos benefícios do aparelho.
A cunhada Zhao Li manteve-se como sempre em silêncio. Lin Chaoyang e sua esposa trocaram olhares e não disseram nada.
Tao Yushu estava completamente absorvida pelos estudos e não tinha interesse algum em televisão; Lin Chaoyang menos ainda, depois de ter vivenciado o boom do entretenimento nos tempos modernos, era difícil se animar com programas daquela época.
A mãe, pensativa, sugeriu: "Que tal votarmos? Os dois mais novos não contam. Quem concorda em comprar uma televisão, levante a mão."
Imediatamente, Tao Yucheng e Tao Yumou levantaram as mãos e olharam para os demais. Sob o olhar do marido, Zhao Li também levantou a mão, somando três votos a favor.
Restavam o pai, a mãe, Lin Chaoyang e Tao Yushu, que não levantaram a mão, totalizando quatro votos contrários.
Tao Yucheng insistiu com a mãe: "Mamãe!"
Mas ela não se incomodou, fixando os olhos em Tao Yushu.
Lin Chaoyang observou Tao Yushu, que não teve reação alguma, sem entender o que se passava entre mãe e filha.
"Não vamos votar?", perguntou em voz baixa.
"Quem vota tem que pagar. Você vai pagar?", retrucou ela.
Só então Lin Chaoyang compreendeu: votar implicava arcar com o custo?
Ele não se importava em contribuir, embora não tivesse dinheiro, mas era evidente que Tao Yushu não estava disposta.
Percebendo que os quatro restantes não se moviam, Tao Yumou ficou visivelmente ansiosa.
"Irmã!"
Não adiantava o apelo; Tao Yushu estava decidida a não desembolsar nada. Não era questão de não poder pagar, mas ela sabia que a irmã ainda estudava e não precisaria contribuir, e o irmão mais velho não conseguia economizar nada, tampouco pagaria. Não importava o valor, se ela pagasse, seria injusto.
Irmãos, contas claras.
Ela podia gastar com a família, mas não com algo tão nebuloso. Conhecia bem as pequenas artimanhas da mãe.
Ao perceber a hesitação dos quatro, Tao Yucheng e Tao Yumou ficaram aflitos e resignados.
A mãe, vendo que Tao Yushu não cedia, olhou para o pai, disposta a levantar a mão.
Nesse momento, o pai disse: "Vou votar a favor. A televisão pode ser comprada com meu salário."
Decidido, Tao Yucheng e Tao Yumou sorriram, animados a discutir qual marca comprar, enquanto Tao Yushu permaneceu calada.
Depois, ao voltar ao quarto, Lin Chaoyang comentou: "Se a família vai comprar televisão, é justo contribuirmos."
Tao Yushu respondeu: "Cada coisa em seu lugar. A televisão foi ideia do irmão e da Yumou; nenhum deles vai pagar, a mãe quer que eu pague. No fundo, acha que estou tirando proveito da família."
"De fato, estamos aproveitando os benefícios da casa."
"Mas o irmão não aproveita ainda mais?"
Lin Chaoyang não conseguiu argumentar. Cada um tem suas fraquezas. Tao Yushu era sempre sociável e inteligente diante dos outros, mas com a mãe, buscava uma igualdade de tratamento com o irmão, e ele compreendia esse sentimento contraditório.
Sempre que o assunto era a preferência da mãe pelo irmão, Tao Yushu sentia-se injustiçada, mas era sensata e logo se acalmava, sem precisar de conselhos.
"Vamos pagar também o aluguel daqui em diante."
Ao dizer isso, ela sentiu uma pontinha de dor. Eles já não conseguiam economizar muito a cada mês; se pagassem o aluguel, estariam quase como quem vive de salário em salário. O objetivo de morar com a família era economizar, mas acabava gastando cada vez mais.
"Se for preciso, posso pedir um quarto no dormitório da universidade", sugeriu Lin Chaoyang.
Ele não estava incentivando a esposa a se mudar, mas achava que não era ideal viver indefinidamente na casa dos sogros, com tantas pessoas e tantos assuntos. A sogra nunca simpatizou com ele, então talvez fosse melhor manter certa distância.
Naquela época, o setor imobiliário ainda não existia no país, e a maior parte dos trabalhadores urbanos morava em casas pertencentes ao Estado. Mesmo aqueles que possuíam casas há muito tempo não viram seus imóveis crescerem, mas sim o número de moradores, tornando as condições bastante apertadas.
"Não é tão simples como você imagina. Não se informou, né? A Universidade de Yan tem problemas até com dormitórios para alunos; alguns professores e assistentes ainda dividem quartos de solteiros. Você nem foi efetivado, tem muita gente esperando; mesmo que peça, vai demorar para ser atendido!"
Lin Chaoyang sabia que ela tinha razão. Em conversas com colegas, já ouvira falar dessas dificuldades.
"Mas podemos tentar pedir, pelo menos."
"Mudar para fora significa morar num quarto de solteiro, dividindo banheiro e cozinha com outros. Melhor ficar na casa da família por enquanto", concluiu Tao Yushu.
Ela estava certa: mudar-se também tinha seus inconvenientes.
"Vamos falar de coisas mais alegres!", propôs Lin Chaoyang, percebendo que ela não estava animada. Mudou de assunto, abriu o guarda-roupa e entregou a ela a sacola cheia de clássicos.
"Veja o que eu trouxe para você!"
Tao Yushu pegou a sacola e, ao ver o conteúdo, ficou radiante.
"De onde você conseguiu isso?"
"O colega de que te falei, a família dele trabalha na Livraria Nova China", explicou Lin Chaoyang, sem entrar em detalhes.
Ela retirou todos os livros, alguns publicados nos anos cinquenta, ficando ainda mais contente.
"Esses são difíceis de encontrar hoje em dia. Quanto custaram?"
"Preço normal. Como está chegando o Ano Novo, é um presente para você."
Tao Yushu acariciou os livros repetidamente, encantada.
No quarto do casal havia uma pequena estante, onde ela guardava suas obras. Colocou os novos livros ali, admirando-os por um bom tempo, cada vez mais satisfeita. Por fim, retirou uma coletânea de poemas de Saadi, "O Jardim das Rosas".
Com expressão de plena felicidade, declarou: "Vou ler esse nos próximos dias! Aposto que quase ninguém da minha turma conhece esse livro."
Falava com certo orgulho. Os estudantes de Letras sempre comparavam discretamente o volume de suas leituras, e aquela coleção, obtida graças a Lin Chaoyang, certamente permitiria que ela se destacasse entre os colegas.
Recebendo o presente do marido, Tao Yushu sentiu-se radiante. Após se aconchegar um pouco em seus braços, levantou a cabeça.
Ela só dava a Lin Chaoyang dez yuans por mês de mesada, já contando o almoço, mas o preço total daqueles livros ultrapassava vinte yuans. Ao pensar que ele economizava uma refeição por dia para conseguir comprar os livros para ela, sentiu-se profundamente tocada.
Acariciou o rosto dele com ternura: "Você está mais magro!"
Lin Chaoyang também passou a mão pelo próprio rosto, sentindo ainda uma camada de gordura, firme e macia.
Mais magro?
Se a esposa dizia que estava, então estava.