Capítulo 52 - Da Produção à Venda: Um Sistema Integrado
Naquele fim de expediente, Lin Chaoyang não voltou para casa, mas sim foi ao Edifício 32, dormitório dos estudantes de Letras, e encontrou o quarto 334.
— Chaoyang, o que te traz aqui? — perguntou Chen Jiangong, surpreso e feliz ao reencontrar Lin Chaoyang depois de todo um verão sem se verem.
— Vim te procurar por um motivo — respondeu Lin Chaoyang, vendo que alguns estudantes do curso estavam ocupados, e cumprimentou-os com um sorriso. — Parece que está todo mundo por aqui.
— “Lago Sem Nome” vai estrear em breve. Aliás, já que você está aqui, como conselheiro, vai usar um pseudônimo ou...
— Pode usar Xu Lingjun mesmo.
Agora que já tinha contado tudo para Tao Yushu, podia usar esse nome sem reservas.
— Não vai mais manter segredo? — indagou Chen Jiangong.
Lin Chaoyang estreitou os olhos para ele. Será que ele não sabia por que não precisava mais de segredo?
Chen Jiangong entendeu o recado.
— E então... O que você queria comigo?
— Me passa o horário de aulas do curso de vocês.
— Para quê? Vai assistir como ouvinte? Não vai mais trabalhar?
— E quem trabalha não pode assistir aula?
Chen Jiangong apontou para ele.
— Vai cabular serviço!
— Que bobagem! Não sabe o que é dedicação aos estudos? Estou aproveitando meu tempo livre.
— Só estava brincando, espera aí.
Chen Jiangong arrancou uma folha de papel, copiou o horário e entregou a Lin Chaoyang.
— Aqui está o horário deste semestre.
Lin Chaoyang guardou, pronto para ir embora, mas Chen Jiangong o segurou.
— Não vai não, já que está aqui, dá uma olhada nos nossos textos.
— Dissemos que eu seria conselheiro, e agora quer me usar como editor?
— Conselheiro faz a revisão final! — Lin Chaoyang acabou ficando mais duas horas, revisando textos de graça, antes de finalmente ir para casa.
Quando chegou, Tao Yushu perguntou:
— Por que demorou tanto para voltar?
Lin Chaoyang contou sobre sua conversa com Xie Daoyuan durante o dia, explicando que fora ao curso de Letras buscar o horário de aulas.
Ao saber que Lin Chaoyang teria tempo para assistir aulas no curso de Letras, Tao Yushu ficou muito contente, mas também um pouco desapontada.
— Você não quer mesmo entrar no grupo de pesquisa em automação?
— Com a minha formação, recém-chegado à biblioteca, isso só colocaria o diretor em situação difícil. Mesmo que ele não se importe, eu não me sentiria bem.
— Você sempre pensa nos outros — disse ela, levantando-se.
Lin Chaoyang perguntou:
— Onde vai?
— Vou contar para meu pai sobre o que você fez. Essa dívida de gratidão do tio Xie era para ser dele, mas agora você o livrou disso.
Lin Chaoyang não conseguiu impedir Tao Yushu, e viu-a sair animada para procurar o pai. Só pôde sorrir, resignado.
Quando Tao Yushu voltou ao quarto, perguntou:
— E como vai fazer para organizar seu tempo para assistir às aulas?
— Ao diretor não preciso nem dizer. Depois vou conversar com o pessoal, e em feriados e folgas cubro alguns turnos para eles. Também posso levar uns agrados de vez em quando.
Lin Chaoyang já tinha pensado em assistir aulas na Universidade de Yan antes, não dava muita importância ao diploma. O que lhe atraía era que os professores atuais eram praticamente os últimos grandes mestres da China; em poucos anos, quando se aposentassem, não haveria mais essa oportunidade. Antes, o expediente coincidia com o horário das aulas dos estudantes, então não tinha chance. Agora, poderia ir sem preocupações.
Claro que teria que pedir favores aos colegas, mas como sempre deixara boa impressão e cobria turnos para eles, compensar com pequenos presentes seria tranquilo.
Tao Yushu assentiu.
— Então vou te dar cinco yuan.
— Não precisa, ainda tenho dinheiro.
No dia seguinte, houve aula magna no curso de Letras: “Teoria da História da Literatura Chinesa”, com Wu Zuxiang.
Lin Chaoyang avisou Hu Wenqiong logo cedo, e foi ao grande auditório do prédio norte de Química. Quando chegou, a sala já estava lotada. Era uma aula conjunta dos três cursos de Letras, com alunos do 77º e 78º grupos. Como entraram juntos na universidade, frequentavam as mesmas disciplinas, tornando o ambiente bastante animado.
Logo ao entrar, Lin Chaoyang viu Chen Jiangong acenando para ele.
— Você veio mesmo!
Alguém cedeu um lugar ao lado de Chen Jiangong, e Lin Chaoyang sentou-se ali.
Muita gente do curso conhecia Lin Chaoyang; vários membros do Clube Literário Quatro de Maio sabiam que ele era o autor de “O Cavaleiro dos Pampas”.
Na época, Lin Chaoyang pedira a Chen Jiangong para manter segredo. Apesar do burburinho interno no clube, ninguém espalhava a informação para fora.
Os colegas o olhavam surpresos, cochichando entre si.
— Vocês, universitários, amam estudar, mas nós, bibliotecários, não ficamos atrás — brincou Lin Chaoyang com Chen Jiangong.
Conversaram descontraidamente até que, próximo ao início da aula, um ancião entrou e subiu à tribuna.
Wu Zuxiang, já com mais de setenta anos, era de compleição magra, olhos vivos, sobrancelhas ralas e vestia um tradicional traje cinza, transmitindo altivez e dignidade.
Assim que entrou, o burburinho cessou de imediato; a sala mergulhou numa atmosfera solene.
Wu Zuxiang dava aula de maneira descontraída, sem roteiro, jamais repetia livros nem seguia apostilas, abordando temas que cruzavam tempos e histórias, relatando causos literários com naturalidade.
O curioso é que sempre acabava desviando para “O Sonho do Pavilhão Vermelho”, e naquela aula se alongou sobre a maestria de Cao Xueqin ao retratar o amor de Bao e Dai.
Segundo Chen Jiangong, esse hábito de divagar era considerado um dos “defeitos” do professor, mas não diminuía em nada o entusiasmo dos alunos.
Wu Zuxiang era profundo conhecedor de “O Sonho do Pavilhão Vermelho”; para os estudantes, ouvir suas aulas era um privilégio.
Durante toda a manhã, a sala ecoava risos e comentários bem-humorados.
Ao final, enquanto os alunos saíam, Wu Zuxiang permanecia sentado, bebendo água.
Aos mais de setenta anos, dar uma aula dessas era exaustivo; era preciso recuperar o fôlego.
Ao sair com os demais, Lin Chaoyang o cumprimentou:
— Professor Wu!
Wu Zuxiang acenou e sorriu.
— Você também veio assistir aula?
— Dizem que suas aulas são excelentes. Nosso diretor fez questão que eu viesse ouvir.
Wu Zuxiang, como a família Tao, morava no edifício à beira do Lago Langrun. Eram praticamente vizinhos.
Após trocarem algumas palavras, Lin Chaoyang saiu com os demais. Já fora do prédio, Chen Jiangong, visivelmente invejoso, perguntou:
— Você conhece bem o professor?
— Que nada, só moramos no mesmo prédio.
— Ser genro de professor deve ser bom, hein! — suspirou Chen Jiangong.
Lin Chaoyang brincou:
— Quer que eu te apresente uma vizinha?
— Você nunca nem foi à casa deles e quer me apresentar alguém...
Riram um pouco, e Lin Chaoyang se preparou para voltar à biblioteca. Já tinha passado a manhã fora, precisava retornar.
Mas Chen Jiangong o segurou.
— Não vai embora!
— O que foi?
Chen Jiangong o levou ao quarto 334 do Edifício 32. O dormitório, que funcionava como redação do “Lago Sem Nome”, estava cheio de exemplares recém-impressos da revista.
— Dá uma força!
— Como assim?
— Compra uns exemplares.
— Eu?
— Claro!
Lin Chaoyang olhou nos olhos de Chen Jiangong.
— Sou conselheiro de graça, agora também tenho que garantir as vendas? Quer que eu faça tudo, produção e venda? Estou com cara de bobo?
— Como assim bobo? Isso é apoiar nosso trabalho estudantil. Você é funcionário da universidade, é seu dever!
Diante da insistência de Chen Jiangong — que tanto já o ajudara —, Lin Chaoyang acabou comprando cinco exemplares fresquinhos do “Lago Sem Nome”.