Capítulo 99: Mime a sua própria esposa (três atualizações hoje)
Página (1/3)
Lin Chaoyang disse que ia convidar Amao para jantar em casa, mas no fim das contas não aconteceu no mesmo dia. Ele precisava primeiro ir ao Escritório de Assuntos de Estudantes Estrangeiros explicar a situação e obter a permissão, então o jantar ficou para o final da tarde do dia seguinte. Naquele dia, depois do expediente, Lin Chaoyang levou Amao para casa e descobriu que havia cinco rostos desconhecidos.
— Cunhado, estes são todos meus colegas de turma, do meu dormitório. — Tao Yumo apresentou os colegas a Lin Chaoyang um por um. As várias universitárias olhavam para Lin Chaoyang com o rosto envergonhado e os olhos cheios de curiosidade.
Desde o início das aulas, elas já sabiam pelos professores que Tao Yumo era filha do Professor Tao do Departamento de História, e que seu cunhado era o famoso Xu Lingjun. As moças estudavam Direito e não se interessavam muito por História, mas naquela época quase todas as universitárias eram, de alguma forma, amantes da literatura.
O nome Xu Lingjun tinha um fascínio enorme para elas, especialmente porque nos últimos meses, o nome de Xu Lingjun e suas obras haviam formado uma onda avassaladora entre os leitores. Em maio, a revista *Literatura e Arte de Yanjing* publicou *Os Sapatinhos*, que virou febre; em julho, *Outubro* publicou *A Ascensão Necessária e o Declínio da Literatura da Ferida*, provocando um grande debate no mundo literário; no fim de agosto, *Literatura do Povo* publicou *A Grinalda ao Pé da Montanha Alta*, e em menos de um mês, tornou-se conhecida em todo o país...
Como não ficariam essas moças empolgadas por poderem ter contato pessoal com um escritor tão famoso?
— Sentem-se, sentem-se, fiquem à vontade — disse Lin Chaoyang sorridente, organizando a recepção, e empurrou Amao para o meio das moças. — Amao, faça companhia às suas colegas de conversa.
Esse gesto de Lin Chaoyang deixou Amao nas nuvens, como se fosse o Porco Bajie entrando no Covil das Aranhas, com o sorriso de orelha a orelha, conversando com as moças em seu chinês meio torto. As colegas, embora adorassem escritores, também tinham grande curiosidade por estrangeiros. O mais importante é que todas estudavam inglês; decorar o que estava nos livros não era problema, mas a conversação sempre fora uma dificuldade.
E eis que um gringo de cabelo amarelo aparecia de graça para servir de treino. Todas estavam muito animadas, e até Tao Yushu não resistiu e foi praticar com Amao. Amao, que antes estava todo feliz, ao se ver diante de um grupo de moças cujo inglês era ainda pior que o chinês dele, viu o sorriso se transformar gradualmente em uma máscara de sofrimento.
Com Amao servindo de escudo, Lin Chaoyang não precisava responder às infinitas perguntas de todo mundo. Ficou lá, todo contente, quebrando sementes de girassol, muito mais tranquilo.
Lá fora, o grupo de jovens conversava animadamente, mas na cozinha o clima era de desgraça. Com seis convidados a mais em casa, era preciso recebê-los com boa comida e bebida, não é? O peso caiu naturalmente sobre a mãe de Tao. Com o trabalho aumentando de repente, como ela poderia estar de bom humor?
— Essa gente só quer me matar de cansada! — Mas ela só reclamava da boca para fora; na hora de servir os pratos, não faltou nada.
À noite, depois que todos foram embora, ela estava exausta, com dores nas costas, e foi se deitar gemendo. Foi quando Tao Yushu apareceu correndo, cheia de cuidados e carinho. A mãe de Tao fingia indiferença, mas por dentro estava satisfeita. No fim, Tao Yushu pegou o casaco que antes pretendia dar à tia Qi Hongying e o ofereceu como pagamento pelo esforço da mãe. A mãe de Tao fez algumas provocações, mas acabou aceitando-o tranquilamente.
De volta ao quarto, Tao Yushu fez um gesto de vitória para Lin Chaoyang. No dia em que foram à casa dos Du, Qi Hongying não aceitara o casaco e dissera a Tao Yushu para dá-lo à mãe. Tao Yushu conhecia bem o temperamento da mãe: se ela desse algo que a tia havia recusado, a mãe certamente diria na hora: "Está me tratando como mendiga?" Por isso, esperou alguns dias até encontrar aquela boa oportunidade — a mãe de Tao tinha trabalhado tanto, estava ressentida e reclamando; nessa hora, uma compensação seria bem mais difícil de recusar.
— Mulher, onde você aprendeu essas artimanhas? — perguntou Lin Chaoyang, abraçando Tao Yushu pelos ombros.
Como se diz, compreender o mundo é conhecimento; lidar com as pessoas é arte. Lin Chaoyang achava que sua esposa não puxara nem ao pai nem à mãe nesse aspecto, como se tivesse aprendido sozinha.
— É o ambiente que me obrigou — respondeu ela.
Lin Chaoyang pensou no gênio da sogra e concluiu que provavelmente era exatamente aquele o ambiente.
Outubro dourado, o outono em pleno vigor, o céu limpo e cristalino, e as copas das árvores nas margens do Lago Weiming começando a se transformar do verde para o amarelo, com camadas bem definidas. Naquele dia, ao meio-dia, Lin Chaoyang acabara de almoçar e passeava à beira do lago quando encontrou Chen Jiangong, que vinha da Praça Triangular.
— Chaoyang, estava justamente procurando você!
— O que houve?
— Depois de amanhã é a estreia da peça de teatro da nossa turma. Vem prestigiar!
— Pode ser.
Página (2/3)
A peça que Chen Jiangong mencionou não era a que ele próprio havia escrito, mas a de Li Chun, colega de turma, intitulada *O Belo Amor*. O roteiro foi escrito por Li Chun durante as férias de verão; quando as aulas voltaram, os estudantes do Departamento de Chinês se organizaram e marcaram a estreia para depois de amanhã, ou seja, 10 de outubro. Chen Jiangong escreveu *A Consciência* inspirado justamente por *O Belo Amor*, e nesse período a peça também estava em ensaios ativos, embora ainda levasse um tempo para ser apresentada.
À noite, ao voltar para casa, Lin Chaoyang contou à família, incluindo Tao Yushu, sobre a montagem da peça pelos alunos do curso de Chinês de 77. Naqueles anos, havia uma febre de teatro, e os universitários tinham um entusiasmo sem precedentes por ele. Tao Yushu ficou interessada ao saber e decidiu ir assistir também.
No dia da apresentação, ela foi com Lin Chaoyang ao auditório do Edifício Principal da Universidade Yan. Os professores e alunos do Departamento de Chinês foram os mais animados em prestigiar a peça montada pelos estudantes; além deles, havia também muitos professores e alunos de outros departamentos. Uma peça estudantil conseguiu encher o auditório quase por completo.
Quando Lin Chaoyang entrou, viu Chen Jiangong acenando para ele, mas como acabara de encontrar um conhecido, teve de cumprimentá-lo primeiro.
— Zicheng, meu velho!
— Chaoyang!
Anteriormente, Hong Zicheng procurara Lin Chaoyang para trocar ideias sobre a Literatura da Ferida, e descobrira que Lin Chaoyang tinha uma visão bastante profunda sobre a literatura contemporânea, passando a considerá-lo um alma gêmea. Depois disso, conversaram mais uma vez. Os dois se cumprimentaram, e Hong Zicheng convidou o casal para sentar-se ao seu lado.
Naquele dia, a apresentação não cobrava ingressos; professores e alunos sentavam onde quisessem. Mesmo assim, os estudantes, por consenso, deixaram as primeiras fileiras para os professores. Hong Zicheng fez o convite com tanta cordialidade que Lin Chaoyang não teve como recusar. Sentou-se com Tao Yushu. Lá longe, Chen Jiangong o viu sentado na fileira dos professores e estranhou.
— Por que o Chaoyang está sentado na fileira dos professores? — perguntou Zhang Yaozhong, que também tinha visto Lin Chaoyang.
— Ele não é estudante. Além disso, hoje não há lugares marcados; cada um senta onde quiser.
Zhang Yaozhong esticou o pescoço para olhar: — Aquele ao lado dele é o Professor Hong, não é? Desde quando eles ficaram tão próximos?
— Como é que eu vou saber? — disse Chen Jiangong em tom melancólico.
Ele antes achava que todos eram bons amigos, mas quem diria que você, Lin Chaoyang, acabaria entrando para o time dos professores? Isso não é uma traição à revolução?
*O Belo Amor* conta a história do rapaz Zhu Zi, que participou do vestibular de 77 e vai à casa da moça chamada Meili (Bela) para um encontro às cegas. O pai de Meili é um tanto interesseiro; durante o encontro, conversando com Zhu Zi, uma hora acha que ele pode passar no vestibular, outra hora acha que não, e por isso muda de atitude várias vezes. No fundo, é uma comédia de sátira. Todos os participantes da peça eram estudantes do Departamento de Chinês, de turmas diferentes, abrangendo as três classes de 76, 77 e 78. Liu Zhida, da turma de 77, assumiu o papel de diretor e de um dos protagonistas, o "pai"; também havia Xia Yinfa, da turma de 76, e Wu Beiling, Wang Xiaoping e Huang Beijia, da turma de 77, entre os atores.
Os figurinos e adereços foram todos emprestados pelos estudantes; o cenário e os cartazes foram pintados pelos próprios alunos com talento para o desenho; e os que tinham experiência como técnicos ficaram responsáveis por instalar os amplificadores e as lâmpadas de iodo-tungstênio... Embora a equipe fosse amadora, o efeito de *O Belo Amor* foi surpreendentemente bom. Talvez pelo envolvimento total dos estudantes, talvez pela tolerância do público, no dia da estreia o auditório ficou lotado, houve risos sem parar durante a apresentação e, ao final, recebeu aplausos de todo o público. Professores e estudantes no auditório comemoravam com gritos e pulos o sucesso da estreia.
Nos dias seguintes, *O Belo Amor* tornou-se o assunto mais quente no campus da Universidade Yan. Universitários curiosos corriam para o auditório, e todas as sessões ficavam lotadas, a ponto de até a biblioteca, normalmente cheia, esvaziar nas horas das apresentações.
O sucesso de *O Belo Amor* não só impulsionou a febre do teatro estudantil na Universidade Yan, mas também atraiu a atenção de outras instituições de ensino superior, incluindo os estudantes da Universidade Normal de Yan, onde Tao Yushu estudava.
Naquela noite, Tao Yushu estava debruçada sobre a escrivaninha escrevendo algo. Lin Chaoyang pensou que ela estivesse escrevendo mais uma crítica. Ao olhar de relance o conteúdo do papel, notou que o formato estava diferente e perguntou:
— Yushu, o que você está escrevendo?
— Um roteiro.
— Roteiro? Para quê?
Tao Yushu parou de escrever e disse:
— Ultimamente *O Belo Amor* fez sucesso, e muitas faculdades estão querendo montar peças estudantis. A nossa universidade, claro, não pode ficar para trás. Nosso Departamento de Chinês é o dos que manejam a caneta, e como costumo publicar bastante, o pessoal me passou essa tarefa.
— Você já escreveu algum roteiro?
— Nunca! — Tao Yushu fez uma careta de aflição. — Até sei o formato, mas não tenho nenhuma ideia para começar.
— Você devia pedir ajuda ao teu irmão mais velho!
Página (3/3)
— Pedir ajuda a ele? — Tao Yushu parecia ter ouvido uma piada. — Deixa pra lá. Ele é do curso de Dramaturgia, e nem o roteiro de homenagem que escreveu para a universidade foi aprovado. Quem sou eu para contar com ele?
— Uma cabeça pensa pouco, duas pensam muito!
Lin Chaoyang insistia que Tao Yushu procurasse o irmão, mas ela acabou voltando o olhar para ele.
— Você só fala para eu procurar ele. Por que você mesmo não pode ajudar?
A palavra "perigo" estava estampada bem à sua frente. Com olhar firme, ele disse:
— Eu só pensei que o irmão mais velho tem mais experiência em criação dramática. Mas se você não fizer questão, eu certamente topo ajudar.
Vendo aquela declaração, Tao Yushu assentiu satisfeita:
— Ótimo. Então me ajude a pensar também: o que devo escrever?
Lin Chaoyang sentou-se, como um conselheiro de araque:
— Mulher, vocês não podem ficar aí como moscas sem cabeça. No mínimo, precisam de uma direção e de ideias para a criação.
— Direção e ideias para a criação? — Tao Yushu ponderou por um instante e balançou a cabeça. — Nada. Se você quer mesmo saber, é preciso superar a Universidade Yan.
Pronto. Realmente eram universitários que se empolgavam por impulso.
— Me ajuda a pensar — suplicou Tao Yushu.
Já que a esposa tinha pedido, Lin Chaoyang naturalmente não podia recusar. Em sua vida futura, ele tinha assistido a muitas peças, mas poucas se encaixavam no clima social e no contexto daquela época. Pensando bem, lembrou-se de uma peça. Mas usar aquela obra-prima como exercício para estudantes não seria usar uma faca de matar boi para cortar um frango?
— Você tem alguma ideia?
— Tao Yushu parecia tratá-lo como um Gato Mecânico: bastava enfiar a mão no bolso para sair inspiração, e de tempos em tempos ficava cobrando uma resposta.
Ela não estava acostumada a depender dos outros nem nos estudos nem na vida; depois de casar com Lin Chaoyang, raramente precisara da ajuda dele. Naquele dia, de repente, ela olhava para ele com admiração e dependência, e Lin Chaoyang sentiu um certo orgulho.
— Achei! — disse Lin Chaoyang, decidido. Que se danasse a obra-prima; o que importava era a felicidade da esposa.
— Sério? — Tao Yushu saltitou de alegria. — Conta logo, conta!
Lin Chaoyang sorriu com carinho e disse:
— Você se lembra da última vez que nós...
A história estava na cabeça de Lin Chaoyang, e com uma impressão vívida; cada personagem, cada fala, ele conhecia de cor. Com tom calmo, sem pressa, deixou a história fluir de sua boca. Tao Yushu, sem perceber, foi envolvida por ela, encantada, hipnotizada.
Depois de cerca de meia hora, Lin Chaoyang, com um suspiro, concluiu:
— A cortina desce lentamente, fechando tudo para dentro, restando apenas aquele par de dísticos.
Tao Yushu estava imersa na história que ele tecera, com um gosto duradouro, sem voltar a si por um bom tempo.
— Que maravilha. Essa história você inventou agora? — perguntou ela.
Lin Chaoyang balançou a cabeça, sorrindo:
— Quem sou eu para tanto? Como eu poderia, num instante desses, inventar uma história tão completa? Foi uma ideia que tive da outra vez em que fomos comer na cidade.
Os olhos de Tao Yushu mostraram compreensão:
— Não é à toa. Você contou tão bem que sinto que é mais completa e melhor do que os roteiros que estudo em aula. Você é mesmo de guardar as coisas. Já pensou em tudo isso tão detalhado e ainda não pôs no papel?
— É que falta vivência. Tenho medo de que o que eu escrever seja superficial demais.
Ouvindo as palavras do marido, Tao Yushu deixou transparecer admiração. O que mais apreciava nele era a seriedade e o rigor na criação.
— Desta vez é só um teatro de estudantes, então não tem problema. Escreve um primeiro rascunho; no pior dos casos, você o aperfeiçoa mais tarde!
Por causa de uma brincadeira dela com os colegas, Lin Chaoyang estava se desgastando. Ela sentia ao mesmo tempo uma felicidade de ser valorizada e cuidada, e um pouco de culpa.
— Estou sendo muito mimada?
— Mimada? Que mimada o quê? — Lin Chaoyang bateu no peito. — Esposa é para se mimar. Quem dirá uma peça; se minha esposa precisar, dez peças não são problema.
Naquele momento, seu rosto claramente brilhava com duas palavras:
Puxa-saco!