Capítulo 23 - O Consultor de Lago Sem Nome
Para surpresa de Lin Chaoyang, além de Chen Jiangong havia um rosto novo no pavilhão.
— Venha, Chaoyang, deixe-me apresentá-lo. Este é Zhou Shifang, do curso de Filosofia de 1977 da nossa universidade.
— Este é Lin Chaoyang, nosso bibliotecário da Universidade de Yanjing, um excelente romancista — acrescentou Chen Jiangong, apresentando-os com entusiasmo. Depois de algumas palavras cordiais, explicou logo o motivo de ter chamado Chaoyang naquele dia.
Depois de amanhã, ou seja, 23 de setembro, será realizada a cerimônia de reabertura da Sociedade Literária Quatro de Maio na Universidade de Yanjing. Após mais de dez anos interrompida, a sociedade retorna com um evento de grande porte, reunindo nomes de peso do meio cultural.
Entre os dirigentes da universidade estarão o vice-secretário Ma Shijiang, o vice-reitor Ji Xianlin, os professores Zhu Guangqian e Wang Yao. Representantes do meio literário incluem o crítico de poesia Xie Mian, o poeta Zhang Zhimin, Zhou Yanru, chefe do grupo de romances da revista “Artes e Letras de Yanjing”. Haverá ainda jornalistas dos jornais “Diário do Povo” e “Juventude da China”.
Enquanto Chen Jiangong relatava entusiasmado os preparativos para o evento, seu rosto irradiava orgulho e expectativa. Não era para menos: como um dos principais envolvidos na recriação da Sociedade Literária Quatro de Maio, sentia-se realizado. Tanto ele quanto Zhou Shifang seriam, futuramente, vice-presidentes da sociedade.
No fim, com um leve tom de pesar, comentou: — É uma pena que o senhor Mao Dun esteja ocupado e não possa comparecer.
Após ouvir toda a explicação, Lin Chaoyang ainda não entendia o motivo de ter sido chamado. Foi Zhou Shifang quem, impaciente, interveio: — Jiangong, fale do assunto principal.
— Ah, claro! Perdão, Chaoyang, empolguei-me demais — desculpou-se Chen Jiangong, entrando então no cerne da questão.
— Após a reabertura da Sociedade Literária Quatro de Maio, nosso primeiro grande projeto será lançar nosso próprio periódico. Gostaríamos de convidá-lo para ser nosso consultor.
— Consultor? — Lin Chaoyang surpreendeu-se. Ele era apenas um bibliotecário; embora o periódico não fosse de grande circulação, não se sentia à altura do cargo.
Além disso, sendo um periódico estudantil, a participação deveria ser restrita aos alunos. O que justificaria sua presença, um funcionário da universidade, na equipe?
Expressou sua hesitação de forma sutil, mas Chen Jiangong apenas sorriu.
— Não seja modesto, Chaoyang. Eu li seu “O Cavaleiro Pastor”. Considero-me alguém com alguma experiência em escrita, mas comparado a você, ainda me falta muito. Muitos veteranos ofereceram-se para nos ajudar, mas todos têm suas próprias ocupações e não podemos incomodá-los sempre. Por isso, sugeri seu nome para nos ajudar a revisar os trabalhos.
— Fique tranquilo, ser consultor não exige muito; só pediremos sua opinião em casos especiais ou em obras importantes — concluiu Chen Jiangong.
Lin Chaoyang não pôde deixar de pensar: “Não quer incomodar os anciãos, mas acha justo incomodar a mim?”
O periódico “Lago Sem Nome” seria a publicação oficial da sociedade, e o cargo de consultor não traria qualquer remuneração — trabalho voluntário, pura e simplesmente. Lin Chaoyang não era dado a sacrifícios altruístas.
Além disso, seu nome figurando como consultor seria facilmente notado. Seu sogro trabalhava ali, e com a influência da universidade, o periódico acabaria circulando em todas as faculdades de Yanjing. A possibilidade de Tao Yushu se deparar com seu nome era grande.
Se descobrissem que aquele bibliotecário escrevia romances, não seria difícil cruzar as informações. Lin Chaoyang sentiu um calafrio.
Tinha sido descuidado!
Rapidamente puxou Chen Jiangong de lado: — Com quem mais você comentou sobre meus escritos?
— Apenas com os colegas que estão organizando o evento — respondeu Chen Jiangong, sem entender o motivo.
Lin Chaoyang, sério, advertiu: — Não espalhem isso.
Chen Jiangong, prestes a questionar, conteve-se. Apesar de sua curiosidade, já se aproximava dos trinta anos e soube respeitar o silêncio do amigo.
— Está bem, avisarei a todos — concordou.
Lin Chaoyang assentiu.
— Então você não quer ser consultor? — perguntou Chen Jiangong.
Percebendo que Lin Chaoyang preferia manter sua autoria em segredo, Chen Jiangong deduziu que ele não queria aceitar o cargo.
Lin Chaoyang esboçou um sorriso de desculpas:
— Sinto muito, Jiangong, não vou participar como consultor. Mas, se precisarem, posso ajudar de outra forma.
Chen Jiangong compreendeu: Lin Chaoyang não queria que seu nome aparecesse.
De súbito, teve uma ideia:
— Pode usar um pseudônimo. Garantimos que sua identidade será preservada.
— Bem... — Lin Chaoyang hesitou. Chen Jiangong já o havia ajudado antes, e recusar novamente seria indelicado.
Após alguns segundos de reflexão, concordou:
— Está bem!
Ao ouvir a resposta positiva, Chen Jiangong e Zhou Shifang se alegraram, prontos para apresentá-lo aos outros fundadores da sociedade.
— Não precisa — apressou-se Lin Chaoyang, segurando o braço de Chen Jiangong. — Prefiro não participar das atividades da sociedade nem conhecer muita gente. Se precisarem, Jiangong, deixe um bilhete para mim na biblioteca.
Parecia um encontro secreto de resistência clandestina.
Chen Jiangong e Zhou Shifang trocaram olhares. Já que ele aceitara ajudar, não havia motivo para insistir em sua presença.
— Combinado, então.
Antes de ir embora, Lin Chaoyang reforçou:
— E, por favor, não divulguem que escrevo romances.
— Pode deixar.
Atrasado por causa do compromisso, Lin Chaoyang chegou em casa quase às seis e meia. Tao Yushu ainda não havia voltado, e a sogra já estava colocando os pratos na mesa.
— Ei! — chamou Tao Yumo.
Quando ele olhou, ela avisou, de forma seca:
— Chegou uma carta para você.
Lin Chaoyang pegou a carta sem demonstrar nada. Era raro a cunhada lhe dirigir a palavra; pelo visto, aquela meia porção de carne de porco ao molho vermelho ainda tinha efeito. Afinal, quem recebe, deve ser cordial — e Tao Yumo era uma pessoa de princípios.
Após o jantar, Lin Chaoyang e Tao Yushu leram as cartas da família. O conteúdo era simples: manifestações de carinho e preocupação dos pais de Lin Chaoyang quanto à vida e ao trabalho do casal. Ele escreveu a resposta e, no dia seguinte, enviou-a para a cidade natal.
No dia seguinte, logo ao chegar ao trabalho, Lin Chaoyang foi chamado à sala de reuniões.
Naquele dia, a Sociedade Literária Quatro de Maio realizaria sua cerimônia de reabertura na sala de conferências da biblioteca, e alguns jovens funcionários foram convocados para ajudar na preparação do local.