Capítulo 1: A Senhora Tao, Fora da Lei

O Escritor de 1978 Sentado, contemplo a Montanha Jingting 8026 palavras 2026-01-30 14:21:20

— Ei, aquela menina da Tao Yushu afinal não voltou mesmo, né?
— Agora, nessa altura do campeonato, voltar pra quê! Dizem que já faz meio ano, nem sequer escreveu uma carta. Eu sempre disse, ela é uma jovem instruída da cidade, bonita como uma flor, ainda por cima passou numa das melhores universidades de Yanjing, como é que ia ficar com o Chaoyang?
— A Ercun vive de espertezas! Passou a vida toda tramando, e no fim, armou pra meter o próprio filho numa enrascada dessas!
— A família da Tao Yushu é de tradição literária, dizem que tem até professor universitário em casa. A Ercun queria melhorar a linhagem da família Lin, mas olha aí, perdeu a nora e ainda saiu no prejuízo!
— Hehe! Cada um com seu destino. Não adianta teimar, teimar não resolve nada!

A velha amoreira, típica das aldeias do norte, parecia já um ancião entre as árvores. No auge do verão, seus galhos formavam uma copa frondosa, projetando uma sombra generosa sob o sol. Debaixo dela, um grupo de mulheres de meia-idade, vestidas com simplicidade, conversava enquanto se ocupava com o trabalho, trocando histórias do cotidiano do grupo de produção.

O foco do assunto naquele dia era o chefe do grupo de produção de Xiaoyangtun, Lin Ercun, e seu filho Lin Chaoyang. Não era só nesse dia; há mais de seis meses, eles vinham sendo o tema favorito das conversas das mulheres da aldeia.

Foi quando uma mulher de aparência rude, com mais de cinquenta anos, rosto marcado por rugas e pelos duros anos de trabalho, passou por ali. Seus lábios mais finos do que o comum, evidenciavam uma tagarela nata.

Ao vê-la, as conversas sob a amoreira baixaram o tom, e os olhares se voltaram para ela, como se esperassem que ela passasse.

Zhang Guiqin não hesitou nos passos. Sabia muito bem do que aquelas mulheres falavam — sempre da vida de sua família.

Antes, se soubesse que andavam falando dela pelas costas, era capaz de ir até a porta da casa da fofoqueira e gritar impropérios por horas.

Casada com Lin Ercun há mais de vinte anos, sempre foi uma das figuras de maior presença no grupo, mas agora, já não tinha mais ânimo para isso.

Zhang Guiqin passou erguendo a cabeça, sem dirigir palavra às outras, caminhando de forma altiva. Mas, aos olhos das mulheres, sua postura mais parecia uma fuga apressada.

— Está se achando, é?
— Que nada! Tá é com a consciência pesada.

As mulheres explodiram em risadas descaradas.

Um jovem que passava apressado não gostou de ouvir aquele falatório.

— Vocês não cansam de fofocar? Trabalhem, mas a boca não pára, parece cinto de calça, não sossega nunca?

A mulher de rosto redondo e quadris largos rebateu:

— Seu moleque atrevido, duas caras, tem coragem de falar assim comigo? Quer apostar que mando teu pai te dar uma surra de cinta?

— Tia, não precisa chamar meu pai, melhor ver por onde anda o meu tio primeiro.

A mulher ficou sem resposta e, preocupada, perguntou:

— Ele não foi pro campo?

— Eu, pelo menos, não vi!

A mulher de rosto redondo se irritou de vez e saiu resmungando, indo atrás do marido, que devia estar jogando dinheiro no clube da vila. Com uma a menos, a roda de conversa ficou um pouco mais silenciosa.

O jovem, satisfeito por ter dispersado a mulher, saiu em busca de alguém.

Alcançou Zhang Guiqin.

— Tia, o Chaoyang tá em casa?

— Não. Saiu cedo, vai procurar na escola.

— Acabei de passar por lá, não tá.

— Então não sei — respondeu Zhang Guiqin, de mau humor, e seguiu para casa.

— Grande Sabichão! — gritou ele.

Sua voz rouca ecoou pelo grupo, mas não incomodou o jovem que descansava empoleirado numa pilha de lenha.

A pilha de milho seco era alta, com blocos empilhados como soldados em formatura. Lin Chaoyang estava deitado de costas, as mãos sob a cabeça, mastigando um galho de capim, desenhando círculos no ar. Pernas cruzadas, olhos vagando pelo céu parcialmente nublado, sentia-se mais leve do que nunca.

Tinha atravessado o tempo!

Talvez essa fosse a sorte grande de suas duas vidas.

Antes de atravessar, já passava dos trinta. Numa noite, voltou ao passado e não sentiu qualquer arrependimento. Não importa o quanto alguém tenha poder ou dinheiro, quem recusaria uma segunda chance?

Veio parar no corpo de um jovem que tinha o mesmo nome. Sentia no corpo uma energia e um desejo inesgotáveis, e o céu azul parecia prometer um futuro vasto. Era seu tempo de ouro.

Haveria coisa melhor?

Já fazia um ano que tinha atravessado para os anos setenta. O tempo voava!

Agora era agosto, as escolas estavam de férias. Como professorzinho da aldeia, não tinha serviço; era preciso ir pro campo, como todo mundo.

Hoje, quase não havia trabalho. De manhã, o alto-falante do grupo anunciou que à noite teria filme — ninguém queria saber de trabalhar, só esperavam pela sessão.

Nos últimos anos, o grupo de produção estava desmotivado, o trabalho e a disciplina já não eram como antes. Lin Chaoyang aproveitava o ócio para, escondido na pilha de lenha, pensar na vida.

Faltavam quatro meses para o grande encontro de dezembro. Só de pensar nas mudanças que viriam, sentia o peito inflar de ambição.

Mas o calor do sol logo amoleceu suas resoluções.

O entusiasmo era intermitente, a preguiça, constante — era o retrato de muitos em seu tempo anterior.

Antes de atravessar, Lin Chaoyang era um trabalhador comum. Depois de doze anos de esforço, entrou numa boa universidade, só para descobrir que, no mercado, um diploma de graduação não valia nada. A vida de empregado era dura, e enriquecer por esse caminho, quase impossível.

Trabalhou duro por dez anos para chegar à gerência. Para bater metas, entrava cedo e saía tarde, bajulava chefes, ajoelhava-se diante de clientes, não tinha tempo nem para namoro. No fim, percebeu que quem sobe não é o mais competente, mas o mais esperto — ou quem tem padrinho.

Ao chegar à meia-idade, já tinha se conformado em ser um funcionário acomodado, mas quando o país prosperou, ele foi “otimizado” — despedido, com nome bonito.

Malditos capitalistas!

No tempo de universidade, era um literato rodeado de garotas. Depois, o mundo o transformou em alguém que detestava ser.

Culpava o capitalismo por tudo.

Cuspiu o galho de capim, olhos fitos no vazio, imaginando os “gurus do empreendedorismo” e “titãs da tecnologia”, cheios de moral diante das câmeras.

— Trabalhar pros outros? Tsc! Nem cachorro merece isso!

Durante esse ano, Lin Chaoyang já tinha resolvido: quando a abertura econômica chegasse, usaria o conhecimento do futuro para fazer fortuna. Depois, arranjaria uns capangas para vender por ele e viveria como um peixe morto, deitado na rede.

Na vida anterior, foi empregado até cansar, sempre sob pressão, cuidando até dos erros dos mais jovens, sozinho em casa, sofrendo cobranças da família por não casar.

Agora que o destino lhe deu um bilhete premiado, não ia desperdiçar.

Se nesta vida não fosse um peixe morto deitado, não faria jus ao presente dos céus!

Só tinha pena de não ter vindo reencarnar num filho de oficial; se fosse, nem se preocuparia, bastava um despacho qualquer e já estaria tranquilo.

Enquanto as ideias pulavam na cabeça, de quando em quando surgia o rosto delicado e belo de alguém.

Como estará aquela minha esposa jovem instruída?

O pensamento passou, e Lin Chaoyang sorriu de canto.

Jovem instruída que passou na universidade? Igual cachorro solto, vai esperar que volte?

Zombando de sua própria ingenuidade, ouviu alguém chamar.

— Grande Sabichão!

O grito rústico chamou sua atenção. Ele ergueu os olhos.

O som se aproximava, cada vez mais forte, trazendo de volta a ligação com aqueles tempos.

Entre a poeira, uma figura apareceu como um furacão: mais de um metro e oitenta, forte como um touro, rosto quadrado, cabelo raspado realçando a brutalidade, só pecava pelo olhar estrábico, que estragava o conjunto.

— Que barulho é esse? — reclamou Lin Chaoyang.

Erguendo a cabeça, o grandalhão falou ansioso:

— Sabichão, adivinha quem eu vi no clube?

Lin Chaoyang deitou de novo, voz calma:

— Para de enrolar, fala logo ou não fala.

O outro não se apressou:

— Não quer mesmo saber?

— Não quero — respondeu semicerrando os olhos, mas de repente lembrou de algo e sentou-se: — Cadê meu jornal?

O amigo tinha ido ao clube, e Lin Chaoyang pedira que trouxesse dois jornais. Porém, ele veio de mãos vazias. Lin Chaoyang se irritou.

— Com tanta coisa acontecendo, só pensa em jornal? — reclamou o amigo.

— Que besteira! — xingou Lin Chaoyang.

Era verdade que ele tinha atravessado, mas nunca viveu de fato os anos iniciais da abertura. O que sabia vinha de livros e filmes, tudo superficial. Por isso, há meses, lia tudo quanto era jornal, não perdia uma transmissão do alto-falante, absorvendo tudo para preparar o caminho ao sucesso.

Com visão antecipada e conhecimento das políticas, quando chegasse sua hora, nada o impediria.

Ia dar uma lição ao amigo, quando foi interrompido:

— Eu vi a Tao Yushu!

Foi como se alguém com cistite travasse no banheiro. Só conseguiu balbuciar:

— Ela... ela voltou...?

Sempre pensou que, sendo alguém de futuro promissor, não deveria atrasar a vida dela.

Ainda mais: já que abriu mão, era melhor ser desprendido.

Mas, ao ouvir o nome “Tao Yushu”, sentiu o coração acelerar.

O amigo, vendo a reação, se encheu de orgulho.

— Precisa perguntar? Voltou pra te ver, são casados no papel! — respondeu.

Casados, sim, mas nunca consumaram, pensou Lin Chaoyang.

Tao Yushu tinha vindo para Xiaoyangtun em 1972, e logo encantou todos com sua beleza. Em menos de um mês, sua fama correu pelas aldeias e até a cidade, jovens viajavam só para vê-la, até brigas surgiram por sua causa.

Nos anos setenta, ser “solteira”, “bonita” e “jovem instruída” era quase certeza de uma vida difícil.

Mas, surpreendentemente, a vida de Tao Yushu no campo foi pacata. Era disciplinada, não era uma mocinha mimada, trabalhava duro, nunca se envolvia com os rapazes.

Lin Chaoyang era filho único de Lin Ercun, que já perdera outro filho pequeno. Por isso, os pais o mimavam, na medida do possível para a época.

Após terminar o ensino médio, virou professor da aldeia — um dos melhores empregos, só superado por quem ia estudar, trabalhar em fábrica ou servir o exército.

Ser professor não era privilégio, afinal, seu diploma era o mais alto da aldeia.

E, mesmo não sendo alto, um diploma de ensino médio era raro no campo.

Como professor, ganhava dez pontos de trabalho só por ensinar, vida fácil. Nas férias, trabalhava no campo como os outros e, assim, passou a conviver com os jovens instruídos.

No auge da juventude, Lin Chaoyang logo se apaixonou por Tao Yushu: bonita, culta, de família tradicional — era o sonho de qualquer rapaz. Mas era só um amor platônico.

Até que o pai percebeu.

Lin Ercun era homem de ideias. Apesar de ver os intelectuais sofrendo, acreditava que o país precisava deles. Depois da queda dos Quatro Grandes, ficou ainda mais convicto.

Se o filho casasse com Tao Yushu, talvez um dia saltassem do mundo rural para um futuro brilhante.

Ela era três anos mais velha. Dizem que mulher mais velha é sorte. Mulheres amadurecem cedo, e as mais velhas sabem cuidar melhor.

E, em quatro anos no campo, ela nunca deu motivo para fofocas.

Bonita, de boa família, de bom caráter — não havia defeito.

Lin Ercun queria que ela fosse sua nora; se contasse pra alguém, ririam, dizendo que era sonho demais para a família Lin.

Mas seguia à risca o ditado: tudo depende de levar as coisas a sério.

Para aproximar o filho dela, chegou a tirar Lin Chaoyang do posto de professor e o botar para trabalhar no campo com ela.

Seis meses passaram assim, e Lin Ercun achou que era hora de dar um passo adiante.

Só que antes que pudesse agir, Lin Chaoyang virou herói ao salvar Tao Yushu de um acidente, mas se feriu gravemente.

Foi esse acidente que matou o antigo Chaoyang e trouxe, em seu lugar, a alma do trabalhador cansado de décadas depois.

Acordou de um ferimento grave e viu Tao Yushu chorando de preocupação ao seu lado.

Na vida anterior, só tivera uma paixão universitária, logo esquecida. Depois, só trabalho e mais trabalho, nunca fora tratado com tanto carinho. Aceitou o novo papel sem dificuldades.

Ela ficou eternamente grata e cuidou dele durante a recuperação. O afeto cresceu rápido.

Assim que se recuperou, Lin Ercun apressou-se em pedir a mão de Tao Yushu para o filho.

Ela hesitou, mas contou que havia recebido carta do pai.

A família dela, por causa do passado, tinha sido dispersa, cada um pra um canto; só a irmã mais nova, beneficiada pelas políticas, ficara em Yanjing.

Depois da queda dos Quatro Grandes, Tao Yushu sentiu que a sorte estava mudando. Mas não imaginava que viria notícia tão boa.

O pai dizia, de forma velada, que o governo estudava restaurar o vestibular, e que ela devia aproveitar para tentar voltar a Yanjing como estudante.

Quando foram enviados ao campo, perderam o direito ao domicílio urbano, pensando que passariam a vida ali. Mas, depois de anos de dureza, muitos queriam voltar: filhos de militares tentavam entrar no exército, outros estudavam sozinhos para tentar uma vaga universitária...

Enquanto todos buscavam um jeito de retornar, Tao Yushu não se mexia, pois sabia que, pela origem, seria quase impossível. Mas a carta reacendeu a esperança.

Lin Chaoyang, com experiência de vida, sabia que não devia impedir o futuro dela, e admirou a honestidade dela em contar. Naqueles tempos, muitos faziam coisas vergonhosas para voltar à cidade.

Em 21 de outubro de 1977, o alto-falante anunciou: o vestibular voltaria!

Lin Chaoyang conseguiu para ela livros de ciências e outros materiais para estudar. Ela ficou tocada, mas os pais dele se irritaram.

Se ela passasse, o noivado do filho ia por água abaixo, e ainda assim ele ajudava? Só podia estar facilitando para que fosse embora!

Dois meses depois, em dezembro, ela fez a prova.

Em fevereiro seguinte, antes mesmo do Festival das Lanternas, chegou o telegrama: aprovada na Universidade Normal de Yanjing!

Só quatro pessoas do condado passaram, e ela foi a única a entrar numa universidade de prestígio.

Isso significava que ela partiria.

Mas, surpreendentemente, insistiu em casar com Lin Chaoyang antes de ir.

Ele, com mentalidade moderna, não queria — seria casado “no papel” mas deixado para trás, virando divorciado aos olhos dos outros.

Achou que era só gratidão. Não ia deixar ela arruinar o próprio nome por impulso.

A disputa magoou Tao Yushu, que chorou diante dos pais dele.

Eles ficaram sem saber o que fazer. Em outras famílias, quando o jovem instruído queria ir embora, todos imploravam para ficar. Na deles, era o contrário.

Lin Chaoyang expôs seu ponto de vista, e o pai reconheceu que podia ser problema.

Pensando muito, Lin Ercun teve uma ideia: ele mesmo, como chefe, podia emitir o comprovante de casamento, fazer o exame médico e, com a ajuda de conhecidos, registrar o casamento discretamente, sem festa.

Assim, se ela se divorciasse depois, ninguém ficaria sabendo que o filho era “de segunda mão”.

Para Lin Chaoyang, o pai estava obcecado com a ideia de melhorar a linhagem familiar.

Mas Tao Yushu contou com apoio da maioria e, mesmo contra a vontade dele, o casamento foi feito.

Em 20 de fevereiro de 1978, Lin Chaoyang recebeu o certificado de casamento, tornando-se marido à força, faltando ainda 349 dias para atingir a idade legal de 20 anos.

Segundo o professor Luo, Tao Yushu era uma criminosa fora da lei!

Mas, para a época, e até duas décadas depois, esse tipo de coisa na zona rural era normal.

Com o certificado em mãos, Lin Chaoyang decidiu exercer seus direitos de marido.

Mas antes que pudesse sequer tirar as calças, ela já estava na estação, embarcando para Yanjing. As aulas começavam dia 22.

Que casamento mais frustrante!

Sentiu-se dominado por uma jovem dos anos setenta e, na despedida, tascou-lhe um beijo francês escandaloso na estação.

Depois, ainda exibiu o certificado para os olhares chocados ao redor:

— Olham o quê? Somos marido e mulher de verdade!

Vendo o rosto de flor dela e os modos grosseiros dele, só podiam comentar:

— Que vergonha!

— Uma flor no esterco!

Depois do beijo, sentiu-se melhor, pronto para se despedir com leveza, mas ela o abraçou chorando:

— Espere por mim!

Nas novelas, isso sempre é sinal de separação sem volta. Já estava preparado para perdê-la.

Ela se foi, e Lin Chaoyang, depois de uns dias de ânimo baixo, voltou ao normal: dava aulas, trabalhava, lia e se preparava para a época de grandes mudanças.

O tempo passou, nem carta ela escreveu.

Não o surpreendeu. Apenas achou impressionante a rapidez das mulheres em virar a página.

Nesse meio tempo, ele virou alvo de falatórios:

“Quis demais pro seu bico”, “Perdeu o que tinha”, “Quis subir, mas caiu feio”...

E, longe de passar, as fofocas só aumentaram, a ponto de virar “mancha” para o resto da vida.

Ele não ligava, mas os pais estavam arrasados. Antes, eram respeitados; agora, evitavam conversar.

A lembrança se interrompeu, e Lin Chaoyang avisou o amigo:

— Não fala bobagem!

Ninguém sabia do casamento. Se soubessem, a pressão seria ainda maior.

Ele não se importava, mas temia pelos pais.

O outro fez um gesto de segredo:

— Fica tranquilo, minha boca é de ferro!

Lin Chaoyang concordou, era uma das poucas qualidades do amigo.

Num salto ágil, desceu da pilha de lenha e saiu a passos largos.

— Ei, vai pra onde? — perguntou o amigo.

— Comer, tô com fome! — respondeu sem olhar pra trás.

O amigo olhou para o sol, sem saber se era almoço ou jantar.