Capítulo 90: A Reação de uma Pessoa Normal

O Escritor de 1978 Sentado, contemplo a Montanha Jingting 4570 palavras 2026-01-30 14:22:32

— Você não pensa em publicar algum artigo explicando o verdadeiro motivo por trás do seu texto?
— Hm... — Lin Chaoyang franziu a testa, ponderando. — Não é má ideia, além disso, dá pra ganhar um dinheirinho com os direitos autorais.
Tao Yushu bateu levemente na testa, sem palavras:
— Veja só, que ambição a sua.
— Não foi você que disse o mesmo antes? — O comentário de Lin Chaoyang deixou Tao Yushu sem argumentos.
Pois é, ela teve que admitir.
No quesito ganhar dinheiro com direitos autorais, os dois realmente pareciam ter uma certa obsessão.
Com o fim de agosto se aproximando, Lin Chaoyang recebeu pelo correio uma carta de aceitação e a folha de pagamento referente aos direitos autorais de "Literatura Popular".
Sua obra seria publicada oficialmente na edição de agosto de 1979 da revista, com setenta e duas mil palavras. Receberia sete yuans por cada mil palavras, totalizando 504 yuans, o maior valor que Lin Chaoyang já recebera em uma única vez desde que começou a escrever.
De repente, com quinhentos yuans a mais no orçamento, o casal ficou radiante.
Mais animador ainda foi que, poucos dias depois, Tao Yushu também recebeu respostas das revistas para as quais havia enviado artigos.
Naquele período, o meio literário fervilhava de críticas ao artigo "A Inevitável Ascensão e Queda da Literatura das Cicatrizes", mas isso pouco afetou Lin Chaoyang.
Havia sempre algum exaltado tentando despejar a raiva sobre "Xu Lingjun", mas, na maioria das vezes, as críticas eram feitas ao conteúdo, não à pessoa.
De vez em quando, colegas traziam esses textos para provocar Lin Chaoyang, que reagia com total indiferença e até se divertia analisando os méritos e falhas do texto.
Sua postura serena e desapegada impressionava muitos colegas. Não eram poucos os que, no fundo, se perguntavam se teriam a mesma leveza e amplitude de espírito naquela situação.
Ter um genro professor realmente não era para qualquer um.
Além de escrever bem, aquela postura e visão de mundo eram difíceis de igualar.
Lin Chaoyang nem imaginava que, graças às críticas, sua reputação na biblioteca só melhorava.
Ao contrário dele, Tao Yushu estava muito mais ocupada. Estimulada pelos artigos críticos, sua inspiração transbordava, e ela escreveu e enviou cinco artigos em menos de um mês, recebendo já duas respostas positivas.
Primeiro, o "Jornal da Juventude Chinesa" publicou seu artigo "Para onde vai a Literatura das Cicatrizes sob o Domínio do Valor Emocional?". Depois, a "Arte e Literatura de Hebei" aceitou "Os Limites Estéticos e o Espelho Histórico da Literatura das Cicatrizes".
Antes do início das aulas, Tao Yushu já havia recebido duas cartas de aceitação. Acertar dois em cinco era um ótimo índice de sucesso, especialmente para uma estudante universitária.
Isso não só a compensava das críticas a Lin Chaoyang, como também da sensação de ser ignorada.
Afinal, ambos assinavam os textos, mas as críticas miravam sempre uma só pessoa. Será possível que fossem cegos?
Logo vieram as folhas de pagamento: doze yuans de uma revista, vinte e quatro de outra, trinta e seis no total. Somando com os direitos autorais de uma crítica anterior sobre "O Cavaleiro dos Pampas", Tao Yushu percebeu que já havia arrecadado setenta yuans naquele ano.
Mas ainda estava longe da meta que prometera a Lin Chaoyang: trezentos yuans. Só escrevendo críticas, precisaria de mais de uma dúzia de textos.
A publicação dos artigos só aumentava sua vontade de escrever. Ao chegar em casa, ela só queria se dedicar aos manuscritos, e a raiva dos textos críticos aos poucos dava lugar ao entusiasmo pela publicação e pelo dinheiro dos direitos autorais.
Numa noite, Tao Yushu permanecia absorta, escrevendo sem parar.
Lin Chaoyang olhou as horas: já eram nove e meia.
Deitado de lado na cama, falou num tom levemente ressentido:
— Yushu, está na hora de dormir!
— Vai na frente, dorme você — respondeu ela, sem desviar os olhos do papel.
— Ai...
Lin Chaoyang suspirou fundo. Jamais imaginara que o maior impacto das críticas externas sobre ele seria na vida conjugal.
— Já está tarde, nove e meia — insistiu.
Tao Yushu levantou os olhos:
— Dez horas. Às dez eu vou.
Vendo o quanto ela estava imersa no trabalho, Lin Chaoyang não quis insistir. Esperou, obediente, até as dez.
Quando, relutante, ela largou a caneta e deitou na cama, sentiu a mão do marido pousar em seu ombro.
— Quem vê pensa que você escreve só pra defender seu marido. Quem não sabe, acha que é só pelo dinheiro.
Ao ouvir isso, Tao Yushu sentiu-se um pouco culpada, franziu as sobrancelhas e respondeu com firmeza:
— Não suporto ver esse pessoal te atacando!
Depois de tanto tempo juntos, Lin Chaoyang conhecia bem a esposa. Sabia que ela reagia assim, e só queria provocá-la um pouco.
Ao ver sua resposta, sorriu.
— Pois é, eles abusam porque me veem calmo demais. Sorte a minha ter você para me defender.
O tom era descontraído, sem a menor sensação de sofrimento, o que fez Tao Yushu revirar os olhos.
— O mais despreocupado dessa casa é você!
— Discordo! E o meu cunhado, onde fica nessa história?
Os dois começaram a falar mal do cunhado pelas costas, e Tao Yushu não conteve o riso:
— Você não se cansa dessas piadinhas?
— Então, deixemos as piadas. Que tal uma ação mais concreta? — disse Lin Chaoyang, aproximando-se sorridente.
A noite era de uma escuridão absoluta.
A cama balançava num ritmo constante, como se acompanhasse a melodia das sombras, até que, de repente, uma mão puxou e apertou a barriga do homem.
O movimento cessou de súbito. Lin Chaoyang ficou tenso:
— O que foi?
— Você engordou ultimamente, não?
— Acho que não! — ele negou, ignorando o pneuzinho.
Ela não comentou mais, e a cama voltou a balançar até tarde da noite.
Na manhã seguinte, Lin Chaoyang caminhava em direção à biblioteca para trabalhar.
De repente, o diálogo da noite anterior lhe veio à mente, e ele apertou a barriga, pensativo.
Teria engordado?
Com certeza era por passar tanto tempo escrevendo — tudo em nome da família!
Assim se consolava enquanto, chegando perto da biblioteca, avistou uma figura magra e saltitante ao leste.
— Senhor Zhu, o senhor não falha, faça chuva ou faça sol!
Lin Chaoyang acompanhou Zhu Guangqian na corrida, puxando conversa.
O velho só lançou um olhar de soslaio, mantendo os lábios cerrados, sem responder.
Parecia mesmo preocupado em não perder o fôlego.
Lin Chaoyang não insistiu. Correram juntos cerca de vinte minutos. Vendo que o horário de abertura da biblioteca se aproximava, apressou o passo para chegar a tempo.
Correr com o velho Zhu foi ideia de última hora. A crítica da esposa na noite anterior despertou um sentimento de urgência.
Afinal, não era fácil viver às custas da mulher; ela queria não só talento, mas também um corpo atraente.
Ah, mulheres exigentes!
Mas tinha que admitir: desde que chegara a Pequim, levava uma vida muito cômoda, sem esforço físico algum.
Buscar e devolver livros era trabalhoso, mas não cansativo. O único serviço pesado era reorganizar as estantes, o que acontecia uma ou duas vezes por trimestre.
Costumava chegar vinte minutos mais cedo ao trabalho, e ao ver o velho Zhu se exercitando todos os dias, decidiu aproveitar esse tempo para correr também.
A dignidade masculina não podia ser deixada de lado!
Em setembro, o campus da Universidade de Pequim, vazio durante as férias de verão, voltou a se encher de vida.
Nesse dia, Lin Chaoyang estava de plantão no balcão de empréstimos quando Liu Zhenyun, que há tempos não via, se aproximou.
— Chaoyang!
— Zhenyun, veio pegar uns livros?
Liu Zhenyun entregou alguns cartões de requisição. Enquanto Lin Chaoyang registrava os dados, ele comentou:
— Li aquele seu livro.
— Qual deles?
Naquele ano, Lin Chaoyang publicara dois: "Os Sapatinhos", em maio, na "Arte e Literatura de Pequim", e em agosto, "A Coroa de Flores ao Pé da Montanha", na "Literatura Popular".
— Claro que falo de "A Coroa de Flores ao Pé da Montanha"!
— Ah, esse.
Lin Chaoyang manteve a expressão neutra, mas Liu Zhenyun sentiu vontade de lhe dar um soco.
— Publicar na principal página da "Literatura Popular" é uma façanha! — apesar de achar Lin Chaoyang um pouco convencido, Liu Zhenyun falou com sinceridade.
— Obrigado, foi questão de sorte. O pessoal do exército apreciou bastante.
— Exército? — Liu Zhenyun estranhou. Por que mencionar o exército ao falar de literatura de guerra?
Lin Chaoyang não escondeu nada e explicou a situação. Liu Zhenyun então comentou:
— Eu realmente me perguntava por que você, de repente, se dedicou a temas militares. Agora entendi.
Enquanto conversavam, uma jovem de aparência vibrante aproximou-se do balcão.
— Cunhado! — Tao Yumo chamou alegremente.
— Por que não foi para casa esses dias? — perguntou Lin Chaoyang.
Com o início das aulas, Tao Yumo, caloura da turma de 79 da Universidade de Pequim, mudara-se para o dormitório estudantil. Parecia um peixe finalmente devolvido ao mar, uma tigresa solta na selva. Fazia dias que a família Tao não a via.
— As aulas estão puxadas!
— E fora das aulas? E à noite também? — Lin Chaoyang expôs a mentira da cunhada, acrescentando: — Mamãe anda de mau humor ultimamente.
Tao Yumo, sem medo algum, sorriu com despreocupação:
— Deve estar xingando bastante, não? Não faz mal, pode xingar à vontade, eu nem escuto.
A alegria da vida universitária fazia Tao Yumo esquecer até de voltar para casa.
Lin Chaoyang, ao observar o comportamento da cunhada, teve a sensação de ver surgir uma nova "Tao Yushu". Será que as mulheres da família Tao, ao entrar na universidade, ganhavam esse espírito indomável?
— Cunhado, já é hora do almoço. Me paga uma refeição?
— Sua irmã me dá só umas moedinhas por mês. E você ainda tem coragem de me pedir almoço? — reclamou Lin Chaoyang, fingindo pobreza.
Tao Yumo fez cara de quem não nasceu ontem:
— Teve dinheiro pra comprar gravador pra minha irmã, mas não tem pra me pagar o almoço?
Lin Chaoyang silenciou.
O argumento da cunhada era irrefutável: tinha dinheiro pra um gravador de duzentos yuans, mas não para um almoço de cinquenta centavos?
Por dentro, Lin Chaoyang suspirava. O gravador tinha custado só treze!
Jamais imaginara que a fala da esposa sobre duzentos yuans abriria um buraco tão grande, transformando-o num "alvo" para a cunhada.
— Zhenyun, venha também.
Já que não tinha como escapar, resolveu ser generoso.
Desde que Tao Yumo apareceu, Lin Chaoyang percebeu que Liu Zhenyun a olhava de maneira furtiva, querendo ver mas sem coragem.
Tao Yumo e a irmã, Tao Yushu, eram parecidas, ambas herdaram os bons traços de sua mãe, mas Tao Yumo tinha um ar ainda mais jovial e encantador.
Lin Chaoyang levou os dois ao restaurante "Longa Marcha", pediu dois pratos de carne e os três comeram com gosto, gastando um yuan e oitenta centavos.
— Obrigada, cunhado!
Depois do almoço, Tao Yumo limpou a boca e foi embora, deixando Liu Zhenyun olhando-a, saudoso.
— Deixe de olhar, ela já sumiu — avisou Lin Chaoyang.
Flagrado, Liu Zhenyun corou.
Tinha apenas um ano a menos que Lin Chaoyang, mas este já estava casado há quase dois anos, enquanto ele continuava solteiro. Era natural se encantar por garotas bonitas.
— Chaoyang, "A Coroa de Flores ao Pé da Montanha" está realmente excelente!
O comentário surgiu meio abruptamente, mas Lin Chaoyang, cordial, respondeu:
— O que achou de bom?
Deixando de lado a timidez, Liu Zhenyun pensou um pouco antes de responder:
— O que mais me marcou foram dois pontos: a veracidade e a tridimensionalidade dos personagens.
Os soldados de "A Coroa" são bem diferentes daqueles que vemos normalmente na literatura e no cinema. Não seguem aquele padrão superficial dos heróis perfeitos, mas têm um mundo emocional rico e uma humanidade complexa. Liang Sanxi, com sua simplicidade e firmeza, Zhao Mengsheng evoluindo... Esse realismo torna os personagens mais próximos da vida real, aumentando o poder de impacto da obra.
Outra coisa é a consciência trágica e a preocupação humanista. O foco não está só na narrativa militar, mas nos conflitos e na dramaticidade, com um forte tom de tragédia e profundo humanismo.
Você aprofunda a reflexão sobre o custo da guerra e o valor da vida, especialmente ao discutir o sentido do sacrifício dos soldados e sua responsabilidade para com a família, levantando questões sociais agudas.
Liu Zhenyun falou com desenvoltura, bem diferente de seu jeito normalmente reservado. Lin Chaoyang brincou:
— Não é à toa que é do curso de Letras. Análise perfeita!
Liu Zhenyun ficou sem graça:
— Falar disso na sua frente, como autor, é até constrangedor.
Veja só, isso sim é a reação normal de quem comenta uma obra diante do autor.