Capítulo 20: O Segredo das Irmãs
Ouvindo com atenção, Lin Chaoyang não era um jovem inexperiente que nunca havia trabalhado, por isso não ficou entusiasmado com as palavras de Zhou Yanru.
Sem que o romance fosse publicado, nada tinha valor.
Zhou Yanru era apenas a chefe do grupo de romances da Revista Literária de Yanjing, mas acima dela havia um editor-chefe responsável pela revisão final.
A situação da Revista Literária de Yanjing era um pouco peculiar. O primeiro editor-chefe da publicação foi o senhor Lao She, mas desde 1966, quando ele faleceu, a revista jamais nomeou outro editor-chefe, sendo que o cargo era exercido por um líder do grupo principal, que assumia as funções do editor-chefe.
— Deixe o manuscrito conosco por enquanto, depois o comitê editorial irá discutir. Se for aprovado, alguém irá avisá-lo para fazer as correções.
Lin Chaoyang queria publicar logo, mas sabia que esse tipo de coisa não podia ser apressada. O manuscrito já fora entregue, era preciso esperar.
Quando saiu do departamento editorial, já era meio-dia.
Lin Chaoyang e Chen Jiangong trocaram de função e agora era ele quem conduzia a bicicleta.
— Jiangong, está com fome? Vamos encontrar um lugar, eu te convido para um almoço.
— Não está ruim. Vamos comer na escola, a comida é mais barata.
O refeitório da Universidade de Yanjing recebia subsídio estatal, de fato era muito mais barato que fora, e Chen Jiangong queria ajudar Lin Chaoyang a economizar.
O retorno levou mais de uma hora. Foram quase três horas de ida e volta pela manhã, e ambos estavam famintos, com o estômago colado nas costas. Lin Chaoyang puxou Chen Jiangong para ir ao restaurante Longa Marcha, fora do campus, para comer algo especial, mas Chen Jiangong o segurou.
— Só o refeitório já basta. Quando seu romance for publicado, aí sim eu vou te arrancar uma bela refeição.
O restaurante Longa Marcha era fora da universidade e um dos locais preferidos dos estudantes de Yanjing para se permitirem pequenas extravagâncias. Contudo, os pratos custavam mais caro do que na escola — um prato de carne de porco custava cinquenta centavos, o suficiente para três pratos de carne no refeitório.
Com muita fome, os dois comeram no refeitório, pediram quatro pratos de carne e gastaram apenas um yuan e vinte centavos.
Quando Lin Chaoyang voltou para casa já era quase três da tarde. Tao Yushu ainda estava mergulhada nos estudos, exatamente como quando ele saiu de casa pela manhã. Olhando para o brilho de dedicação que emanava das costas dela, Lin Chaoyang sentiu-se um pouco atordoado.
O tempo teria parado?
Ele abriu furtivamente a marmita que trouxera, e o aroma de carne logo invadiu o ambiente, atraindo instantaneamente a atenção de Tao Yushu.
— De onde veio isso? — perguntou ela, enquanto abria a janela.
— Almocei no refeitório e guardei especialmente para você.
Embora a família Tao fosse respeitada em Yanyuan, apenas no jantar serviam carne, e devido ao grande número de pessoas, raramente alguém podia comer carne à vontade.
Tao Yushu, nas raras vezes em que comia carne na escola, preferia pratos vegetarianos, poupando dinheiro para comprar livros e suprimentos.
Lin Chaoyang não tinha o hábito de economizar como as pessoas daquela época, sempre comia carne no refeitório. Hoje, enquanto se empanturrava com Chen Jiangong, lembrou de Tao Yushu, que estudava arduamente em casa, sentiu-se culpado e trouxe para ela uma porção de carne de porco ao molho.
O prato, ainda quente, envolto em molho avermelhado, brilhava de forma tentadora, despertando o apetite só de olhar.
Tao Yushu pegou um pedaço, colocou na boca, e seus olhos grandes se estreitaram de felicidade, as bochechas cheias parecendo um pequeno hamster furtivo.
Lin Chaoyang empurrou a marmita para ela.
— Coma devagar.
Ela pegou outro pedaço e ofereceu a ele, mas ele bateu no próprio estômago.
— Já estou cheio do refeitório.
Depois de comer alguns pedaços, ela largou os palitos.
— Não posso comer muito, senão vou ficar sonolenta.
— Se ficar com sono, tire uma soneca! — sugeriu Lin Chaoyang.
Mas Tao Yushu balançou a cabeça.
— Ainda não terminei minha resenha, todos já entregaram.
Lin Chaoyang levantou-se e massageou seus ombros.
— Não se cobre tanto. Os estudos são importantes, mas a vida também.
— Eu sei — disse ela acariciando sua mão. — É que...
— Eu entendo. Nossa geração desperdiçou e perdeu muito tempo, e agora você finalmente tem essa oportunidade.
Ela apertou ainda mais sua mão, olhando-o de lado.
— Obrigada.
— Casados legalmente, vai agradecer por quê? — brincou Lin Chaoyang. — Só não quero que você se canse. Aliás...
Ele se inclinou até o pescoço dela.
— Já faz tempo que nós dois não...
Sua voz foi ficando mais baixa, e a pele do pescoço de Tao Yushu ficou corada.
— Você sempre acaba desviando para esses assuntos.
Lin Chaoyang suspirou.
— Não é fácil ser genro que mora na casa da esposa!
No olhar dela, um sorriso mal contido, ela sabia que Lin Chaoyang queria se aproveitar.
— Aqui em casa não dá, as cunhadas ainda estão aqui.
Tao Yushu expôs as condições objetivas, e Lin Chaoyang ficou sem alternativas, coçando a cabeça ansioso.
— Então vamos ao alojamento?
— Você está maluco! — Tao Yushu bateu nele e rejeitou firmemente a sugestão, depois acalmou o marido inquieto.
Para evitar que Lin Chaoyang se tornasse um lobo, ela mudou de assunto.
— Ei, me ajuda a revisar minha resenha?
Sabendo que ela estava apenas distraindo-o, Lin Chaoyang pegou o texto que ela lhe entregou.
“... ‘Cicatrizes’, ao escolher o tema e construir os personagens, apresenta um estilo totalmente diferente das obras literárias dos últimos anos, por isso é normal ser questionado e criticado. O desastre profundo causado por ‘zumbidos’ à cena artística ainda influencia profundamente a literatura chinesa e toda a sociedade.
Segundo as orientações do Grande Líder no discurso feito no Encontro Literário de Yan’an, ‘concentrar os fenômenos cotidianos, tipificar os conflitos e lutas, criar obras literárias ou artísticas, assim o povo se despertará, se sentirá inspirado, avançando rumo à união e à luta’, o romance ‘Cicatrizes’ segue esse princípio, apenas apresenta uma história comum do cotidiano...”
Após ler a resenha de Tao Yushu, Lin Chaoyang comentou em tom de brincadeira:
— Isso não parece uma crítica literária, mas sim uma recomendação.
— O romance é realmente bom, mostra como os ‘zumbidos’ prejudicaram os chineses nos últimos anos.
— Do ponto de vista do significado social e da influência, concordo. Mas como estudante de Letras, você precisa abordar de forma mais técnica.
— Na minha opinião, o nível literário desse romance não é tão alto; seu sucesso não vem do texto em si, mas da empatia popular.
Tao Yushu ficou interessada com a análise de Lin Chaoyang.
— Explique melhor.
Ela sempre achou que o marido era uma pessoa de grande talento. Durante os anos no campo, no início tinham pouco contato, mas depois, trabalhando juntos, foram se aproximando. Uma vez, ele a salvou numa situação difícil, e isso os uniu.
Muitos achavam que ela estava retribuindo um favor, mas só ela sabia que, além da gratidão, o que realmente os juntou foram interesses e conversas em comum — literatura.
Naquela vila, ter alguém como Lin Chaoyang era um verdadeiro ponto de luz em sua vida árdua.
Lin Chaoyang era não só seu salvador, mas também o parceiro com quem podia trocar ideias profundas.
Sob sua insistência, Lin Chaoyang pensava em como se mostrar diante dela.
Mas neste momento, a porta do quarto se abriu de repente.
— Mana! — Tao Yumou apareceu à porta, chamando, mas seu olhar se fixou em Tao Yushu, surpreso.