Capítulo 54: Desperdiçar a terra, isso está fora de questão

Há um Rio Meia-Lua na Estepe Pastor Lin Xi 2288 palavras 2026-03-04 20:13:20

Salina respondeu: Não tem terra da família Han, né? Esse moleque está maluco de novo, hein? Sempre gosta de andar pela margem do Rio Lua Crescente, será que pensa que vai encontrar ouro de tolo por lá?

Alaf riu com um “puf”, e An Setenta e Sete perguntou por que ele estava rindo. Ele respondeu: “Minha mãe disse que ele está maluco, por isso ri.”

Salina lançou um olhar de reprovação ao filho: O que é que tem de engraçado nisso? Acho que quem vai ficar louco é você!

“Muito bem dito, concordo plenamente.”

“Todo dia você fica implicando com todo mundo.” Salina ergueu os palitos como se fosse bater em Alaf, mas no fundo, não tinha coragem.

An Xin, sorrindo, foi proteger o neto.

Alaf não aguentou mais, virou-se rápido, e uma porção de arroz saiu pela boca antes de cair na gargalhada…

Han Tigre Negro, fiel à sua obsessão, ainda vagava pela curva do rio. A noite já avançava, o ar úmido à beira do rio pesava, e com a camiseta de mangas curtas sentia frio. Corria de um lado para o outro, as mãos agitadas espantando os mosquitos.

Alaf, deitado sob as cobertas, imaginava Han Tigre Negro naquele momento e não pôde evitar o riso, apressando-se a cobrir a boca com o edredom.

“Li Sanfu, seu moleque! Estamos montando burro para assistir ao espetáculo, vamos ver quem ri por último! Seu velho idiota!”

Han Tigre Negro amaldiçoava em pensamento. Estava gripado, e todo o corpo coberto de vergões causados pelos mosquitos, uma coceira insuportável. No dia seguinte, nem conseguiu trabalhar na lavoura. Mas não ir para a terra era algo frequente para ele. Coincidentemente, Temur passou pela terra da família Han, viu o campo em estado lastimável, e balançou a cabeça repetidas vezes.

Ao voltar para casa ao meio-dia, Temur hesitou, mas acabou entrando na casa dos Han. Queria alertar Tigre Negro, se ele não cuidasse logo, o mato ia superar as plantas.

Temur não suportava ver gente maltratando a terra.

Assim que entrou na casa dos Han, Temur viu Han Tigre Negro com rosto e braços cobertos de grandes e pequenos vergões vermelhos, assustou-se.

“Isso… isso não é alguma doença contagiosa, né? Corre para o hospital!”

“Vai te catar, velho idiota! Só fala bobagem!” Han Tigre Negro xingou mentalmente.

Han Audacioso, há anos com a coluna ruim, já não podia fazer trabalho pesado. Apoiado num cajado, sustentando o corpo trêmulo, disse: Não, não! Esse moleque só voltou de madrugada, foi picado por mosquitos e outros bichos, não é nada grave, basta descansar um pouco. Definitivamente não é doença contagiosa, não precisa se preocupar…

Temur respirou aliviado: Tigre Negro, parece que você mexeu num ninho de mosquitos, hein? Tem coragem de sobra.

Han Tigre Negro, sofrendo, respondeu: Eu é que “mexi num ninho de vespas”.

“Você está delirando! Se tivesse mexido num ninho de vespas, já teria morrido!” Han Audacioso bateu o chão com o cajado, irritado. E disse a Temur: “Capitão Temur, acho que Tigre Negro hoje não vai conseguir trabalhar, vou pedir um dia de folga.”

“Pai, está confundindo as épocas? Não é mais tempo de coletivo, nem de pedir folga ou ir para o trabalho.” Tigre Negro lembrou.

Han Audacioso deu um tapa na testa e sorriu.

Temur acompanhou a risada: Não precisa pedir folga, não vim cobrar trabalho, isso ficou no passado. Mas preciso dizer umas palavras, não me levem a mal. Hoje passei pela terra de vocês, está abandonada, vim só para lembrar, é preciso cuidar, seja arrancando o mato ou capinando, não pode deixar assim. Caso contrário, no outono só vai colher sementes de capim, não vai conseguir colher grãos.

“Ah…” Han Audacioso suspirou, olhando para Tigre Negro, balançou a cabeça resignado: “A culpa é minha, virei um inválido. O menino é pequeno, não pode fazer muita coisa…”

Temur ficou em silêncio, tocou a testa de Tigre Negro, sentiu que estava quente: Tigre Negro, está com febre? Vai ao posto de saúde procurar o médico, tome algum remédio. Vou indo, não esqueça de buscar o médico.

Han Audacioso respondeu prontamente, acompanhando Temur até a porta. Tigre Negro pensou em ir junto, mas Temur o impediu.

O “grande lenço” bordado por Qiqige era, na verdade, uma fronha, já finalizada. Uma trazia bordado “os mandarins brincando na água”, outra, “voo duplo lado a lado”. O casal de mandarins, vivo e radiante, parecia capaz de agitar as ondas com um leve movimento. Os pares de andorinhas, ainda mais vívidos, a da frente olhava com ternura para a de trás, parecia até que suas asas estavam em movimento.

Qiqige admirava seu trabalho, quando Salina entrou pela porta. Ela rapidamente escondeu a fronha atrás das costas.

Salina sorriu discretamente: Qiqige, não precisa esconder de mim. Sei o que está bordando, menina crescida é assim mesmo.

Qiqige, envergonhada: Mãe, que história é essa?

Salina sentou à beira do fogão e continuou: Quando eu tinha sua idade, já estava casada com seu pai. Qiqige, você já está crescida, está na hora de encontrar alguém para se casar. Sua avó e seu pai, todos nós nos preocupamos com isso, sabia?

Qiqige ficou calada, com os olhos fixos nos potes de vidro coloridos na janela. Pensava que a água de dois deles começava a ficar turva, não tão límpida, era hora de trocar.

“Antes, você sempre gostava de competir com Bao Dai, mas agora ela já se casou, como vai competir? Qiqige, pedi a sua tia do segundo sítio para ajudar a encontrar alguém, está marcado para depois de amanhã. A família do rapaz é boa…”

“Não vou!” Antes que a mãe terminasse, Qiqige respondeu, deitando-se na cama, demonstrando que não queria mais ouvir.

Salina sabia que insistir não adiantava, então levantou-se para sair, mas na porta voltou e disse: Qiqige, pense com calma, somos nós que estamos pedindo essa família. Sua tia e a família do rapaz já acertaram tudo, não é certo recusar. Pelo menos veja uma vez, para não deixar sua tia sem graça.

“De qualquer forma não vou, quem quiser ir que vá!” Qiqige respondeu com má vontade.

“Teimosinha! Se não quer ver este, nem aquele, não sei que tipo de pessoa está procurando!” Salina bateu a cortina da porta, furiosa, e saiu.

“O prazo de arrendamento da terra deve ser, em geral, de no mínimo quinze anos. Para projetos de ciclo longo ou de desenvolvimento, como pomares, florestas, montanhas e terras áridas, o prazo deve ser mais longo. Antes de prolongar o prazo, se a comunidade quiser ajustar a distribuição, pode-se seguir o princípio ‘grande estabilidade, pequenos ajustes’, mediante ampla discussão e ajuste coletivo…”

“Na zona rural, após a implantação do sistema de responsabilidade pela produção, surgiram os especialistas, que lideram o trabalho árduo para prosperar, promovem a produção comercial, e melhoram as técnicas de produção. São fenômenos novos e devem ser valorizados e apoiados… Onde houver condições, aos especialistas em grãos e aos que desenvolvem produção, pode-se incentivar economicamente por meio do equilíbrio interno da cooperativa. Algumas organizações de economia cooperativa, que adotam ‘gestão unificada, arrendamento especializado, divisão por contrato’, além dos especialistas, também usam equipes e grupos especializados para dividir tarefas…”