Capítulo 35: A Família An Recrimina o Professor Yuan

Há um Rio Meia-Lua na Estepe Pastor Lin Xi 2311 palavras 2026-03-04 20:13:10

Alayev respondeu prontamente, balançando a cabeça repetidamente.

A anciã Anxin entendeu mal o sobrenome e interrompeu: — Inventar? Se até o professor inventa, como é que vai educar bem os alunos?

Alayev achou graça, mas Qiqige ficou irritada e beliscou-lhe o braço discretamente. Alayev soltou um “ai”, mas não ousou reclamar, pois temia a irmã.

Salina lançou um olhar reprovador a Qiqige e disse: — Você não se comporta como uma irmã mais velha! Leve Alayev de volta pra casa.

Antes que Qiqige respondesse, Alayev se adiantou: — Não vou com minha irmã, volto pra casa sozinho.

Despediu-se de Sun e Liu e saiu correndo.

Liu Guang comentou: — Alayev é um menino educado.

Sun Dehou então disse: — Amigo, deixa eu te falar uma coisa sem querer te ofender: esse menino... não pode ser mimado demais. Além disso, hoje o professor Zhenfu chamou a atenção do Alayev só pelo bem dele. Sei que sua família entende as coisas, só ficou envergonhada na hora, mas tenho certeza de que depois vocês vão perdoar o Zhenfu.

An Qishiqi sorriu amargamente e respondeu: — Professor Sun, esse elogio seu pesa como um fardo.

Liu Guang, vendo que as coisas poderiam se acalmar, puxou Salina e disse: — Fiquem mais um pouco, vamos entrar, conversamos e eu faço o jantar...

— Não dá. Já estamos na rua, como é que vamos voltar? Deixa pra lá. Liu Guang, você sempre ajudou minha cunhada quando ela precisou, nunca esqueço. Mas, olha, o que aconteceu hoje não foi por causa de você nem do professor Sun. A questão é que todo mundo tem o seu orgulho — disse Salina, dando leves tapas no próprio rosto.

Com as palavras ditas nesse tom, Sun Dehou e Liu Guang só puderam sorrir com amargura. O casal ainda tentou persuadi-los, mas a família An teimou em voltar para casa.

Durante todo o episódio, Qiqige permaneceu calada, sem se posicionar. Liu Guang ia se aproximar para perguntar o que ela achava, mas Sun Dehou o impediu. Sabia que, naquele momento, Qiqige não diria nada.

...

Nada disso chegou ao conhecimento de Yuan Zhenfu, que continuava parado, intrigado com o que teria acontecido, tentando adivinhar a história de Alayev, o que se passava no coração da bela Qiqige...

Quando Sun Dehou e sua esposa entraram em casa, Yuan Zhenfu perguntou ansioso: — Tio Sun, tia, o que houve com eles?

Sun Dehou sorriu e disse calmamente: — Chamar a atenção dos alunos não está errado, mas é preciso jeito e, principalmente, escolher o momento certo.

Liu Guang suspirou e falou: — Pra ser sincero, Alayev é filho da família An, filho de An Qishiqi e irmão caçula de Qiqige; é o tesouro da casa.

Diante disso, Yuan Zhenfu só conseguiu exclamar: — Ah... — confirmando suas suspeitas e arrependendo-se profundamente.

Liu Guang, solidário, comentou: — Yuan, você chamou a atenção do menino de forma dura, sem considerar os sentimentos da família. Como eles não ficariam ofendidos?

— Eu... eu realmente não sabia...

— Sabendo ou não, não dá pra ser tão impulsivo...

...

O encontro acabou antes mesmo de começar. Alayev era o irmão querido de Qiqige, o xodó dos An. Yuan Zhenfu, recém-chegado à vila da Lua Crescente, desconhecia isso. Para piorar, An Qishiqi, influenciado pelo amigo Baobayin, também se tornou alguém muito vaidoso: “Prefiro sofrer no corpo do que ser desonrado”. Controlou-se na casa de Sun para não perder a compostura diante do professor, mas em casa desabafou, furioso: — Chamar a atenção do meu filho na frente dos outros é como me dar um tapa no rosto!

— Pois é. Não importa de quem seja o filho, esse jeito de chamar atenção não serve! E ainda desrespeita os mais velhos? — Salina aumentou o fogo.

— O professor Yuan não gosta de mim, vive me chamando atenção na escola. Ainda me faz fazer tarefas extras, não me deixa ir embora. Ele pega no meu pé de propósito! — Alayev aproveitou a chance para se queixar, como se tivesse um monte de razões.

— Bem feito! — Qiqige não aguentou e repreendeu o irmão: — Você faz coisa errada e ninguém pode te corrigir? Por acaso você é o rei do mundo?

Salina arregalou os olhos e retrucou: — Qiqige, o que você está querendo dizer?

Qiqige ficou em silêncio e foi para seu quarto.

Anxin interveio: — Salina, para de gritar, discutir não resolve nada. Falar alto não significa estar certa. Esse “professor Bian” não serve, então que o Sun Dehou nos apresente outro. Ou então o “professor Fang”! Se não der, tem o “professor Yuan”! Não acredito que minha neta, tão bonita, não vai encontrar um bom partido!

An Qishiqi e Salina caíram na risada, e Alayev gargalhou se dobrando...

...

Enquanto isso, Yuan Zhenfu estava deitado em seu pequeno aposento, olhando para o teto, perdido em pensamentos. Seu penteado impecável já estava todo desarrumado...

...

Uns se preocupam, outros se alegram; não é injustiça do destino, é apenas a variedade da vida. Entre tristezas e alegrias, os anos se sucedem.

Enquanto Yuan Zhenfu e Qiqige fracassavam no encontro, outro casal de jovens da vila da Lua Crescente avançava a passos largos — Bao Daixiao e Jinbao estavam prestes a se casar.

Desde o dia em que viu Bao Daixiao à beira do rio Lua Crescente, Jinbao parecia viver um sonho. Chegou em casa correndo, contou tudo aos pais e não parava de pular de empolgação. Jin Shunlai e Tian Xinghua mal acreditavam, estavam atordoados. Com medo de perder a chance, no dia seguinte a família Jin pediu a mão de Bao Daixiao através de um intermediário.

Bao Bayin e Jiya também ficaram surpresos, e mais ainda porque Bao Daixiao aceitou na hora.

Como assim? Seria vontade do destino?

Bao Bayin ainda hesitava, mas Jiya estava radiante.

Assim, após uma rápida reunião familiar, entraram em consenso com o intermediário. Logo começaram as conversas sobre dote e cerimônia. Bao Muren, sem saber como agir, saiu correndo.

Bao Daixiao, alheia, trancou-se no quarto. Pensava: “Que falem o que quiserem, que decidam o que for, não me diz respeito!”

E assim, o casamento foi acertado com uma rapidez surpreendente, quebrando todos os recordes da vila. Bao Bayin e Jiya se sentiam flutuando, como se aquilo tudo fosse irreal. Quando pensavam melhor, sentiam-se culpados em relação à filha.

— Jiya, você acha que a Daixiao está mesmo certa disso? Por que mudou de ideia tão depressa?

Jiya, arrumando as roupas do armário, suspirou fundo, os olhos marejando: — Essa menina... ela carrega uma tristeza no peito.