Capítulo 56: Quando o "Espião" é Desprezado
Após ouvir as astutas maquinações de Baoyin, Temuer soltou uma gargalhada e disse: "Tio Baoyin, você realmente é esperto, faz contas como ninguém, suas ideias para enriquecer são imbatíveis. Eu digo, crie seus animais sem medo, ninguém vai competir com você. De leste a oeste, quem tem dinheiro para comprar ovelhas não tem a sua sagacidade; alguém tão perspicaz quanto você não consegue nem tirar papel do bolso..."
Baoyin riu discretamente e disse: "É melhor ser cauteloso. Para conseguir essas poucas ovelhas de raça pura, deu trabalho de verdade."
Temuer riu novamente: "Deu trabalho? Com um parente na Planície do Pavilhão do Pavão, e sendo ele mesmo um grande criador, arranjar umas ovelhas é brincadeira, não é? Estou certo, irmão Mu Ren?"
Mu Ren, um pouco constrangido, respondeu: "Não é bem assim, irmão. As ovelhas de raça 'Lã Fina das Estepes' não são comuns; meu sogro, aliás, o senhor Bao, nem tem ovelhas tão boas."
"Então, essas ovelhas de vocês são mesmo tesouros? Tudo bem, só estava brincando, não se preocupem. Com a índole de vocês dois, como poderiam roubar ovelhas? Querem esconder, escondam, é direito de vocês. E mais, Baoyin, você disse que o secretário Bai já falou com você, se nem ele conseguiu convencer, eu vou? Só pode ser uma piada."
Baoyin apressou-se em explicar: "Não é questão de não ouvir, é que temos... nossos próprios planos. Acho melhor esconder bem, ou então entregar as ovelhas, é mais seguro. Nossa família chama muita atenção."
Mu Ren: "É isso, irmão, se descobrirem, o plano do meu pai não vai dar certo, a situação fica complicada. Hoje foi sorte encontrar você, se fosse outro, seria complicado."
Temuer percebeu que insistir não faria diferença, então disse: "Então entreguem, entreguem. Assim ficam tranquilos. Ah, Baoyin, seu parente consentiu?"
"Consentiu", respondeu Baoyin sorrindo. "Meu plano deu certo, ele aproveita junto, é bom para ambos."
"Além de Jin Shunlai, conseguir convencer Tian Xinghua também foi impressionante. No fim das contas, ninguém faz nada sem interesse."
Temuer terminou de falar e percebeu, surpreso, que as seis ovelhas estavam com as bocas tampadas.
Baoyin sorrindo explicou: "É para não ficarem berrando, eu arrumei isso."
"Com o tampão elas não berram?"
Mu Ren apressou-se em responder: "Berram, mas bem menos. Meu pai mandou eu colocar um punhado de milho dentro de cada tampão, assim as ovelhas ficam ocupadas comendo e esquecem de berrar."
Temuer observou a engenhosidade dos dois e riu bastante.
Baoyin: "Meu querido sobrinho, não... presidente..."
Mu Ren: "Ele é o chefe de segurança!"
"Isso, chefe Tie, por favor, não conte nada disso a ninguém, de jeito nenhum. Meu tio pede."
Temuer assentiu, saiu com as mãos às costas.
Baoyin apressou Mu Ren para agilizar. Mu Ren, aflito, pegou uma ovelha no colo e saiu correndo, mas logo voltou e sussurrou ao pai: "Pai, não se preocupe, vou entregar e volto para buscar você..."
...
Han Heihu não aceitou a derrota facilmente. Li Sanfu, depois de ter sido duramente repreendido por ele, ouviu ainda que nunca mais poderia tocar na bicicleta de Han Heihu, nem mesmo emprestando para Xizi, mas nunca para Li Sanfu! Tudo porque transmitiu informações erradas, levando Han Heihu a ser atacado por mosquitos, pegar um resfriado, sentir-se coçando e dolorido, com coriza e lágrimas, uma sofrência sem igual.
Li Sanfu estava ainda mais desconsolado, tentou ajudar e acabou prejudicado. O que mais lhe irritava era Han Heihu compará-lo ao "Grande Tolo"! Muito bem, que Xizi leve as mensagens de agora em diante! Ele próprio se recusava a servir, como o Porco Zhu Baji jogando a enxada: não vou servir mais!
Encostado em uma árvore, Han Heihu nem olhava para Li Sanfu, temendo perder o controle e acabar chutando ou dando um tapa nele.
Li Sanfu apertou os punhos em silêncio, mas não ousava reagir. Pensava consigo mesmo: "Quando eu crescer, vou te dar o troco!"
Han Heihu tirou um doce do bolso, intencionalmente devagar, amassou o papel em uma bolinha elegante e lançou longe. Depois, colocou o doce na boca e mastigou ruidosamente.
Li Sanfu engoliu em seco, furioso, murmurando por dentro: "Gastador, tomara que quebre os dentes!"
Han Heihu saiu de repente, montou na bicicleta velha e partiu, sem dar a mínima para Li Sanfu. Parecia que havia perdido toda esperança no seu "pequeno espião", nem um pedaço de doce lhe ofereceu.
Li Sanfu sentiu-se abandonado, um vazio difícil de explicar. Ao ver Han Heihu se afastando com sua bicicleta velha, soltou, ressentido: "Estercos de vaca! Quando eu tiver dinheiro, vou comprar uma bicicleta nova, uma 'Pomba Voadora', só para te deixar com inveja!"
Apesar da bravata, Li Sanfu procurou o papel de doce que Han Heihu havia jogado, e realmente achou. Olhou ao redor, apressou-se a pegar, cuidadosamente abriu e alisou sobre as pernas.
O desenho do papel era bonito. Certificando-se de que ninguém via, Li Sanfu colocou o papel perto do nariz e inspirou, sentindo-se completamente envolvido.
Colecionar papéis de doce era hobby de muitas crianças, especialmente das meninas. Cada papel novo era cuidadosamente guardado entre páginas de livros, até ficar bem lisinho, e então colocado em uma caixinha especial. Os desenhos vibrantes traziam cor à vida cinzenta.
Li Sanfu colecionava não para admirar, mas para competir; em resumo, era acúmulo de capital para "se gabar". Entre os amigos, quem tinha mais papéis provava que comia mais doces e era de família mais rica. Se conseguisse um papel de bala de leite, era ainda mais valorizado.
"Se vai comer doce, chupe direito, pra quê mastigar? Pobre metido!" Li Sanfu resmungou, indignado com o desprezo de Han Heihu pelo doce e com a ingratidão do garoto.
...
Mesmo irritado, só podia engolir a raiva. Li Sanfu não podia enfrentar Han Heihu, mas ousava desafiar Alaifu.
"Ah, Huang, não pensei que você fosse um cão amarelo tão astuto!" Li Sanfu murmurou com olhos pequenos, provocando Alaifu.
Alaifu ardia de raiva, esforçando-se para se controlar. Sabia que a professora Yuan, diretora da turma, já não era tão benevolente com ele, e se cometesse algum erro, não escaparia.
Li Sanfu já suspeitava que Alaifu o havia manipulado, mas não podia dizer abertamente, pois ser "informante" não era algo de que se orgulhasse. Só podia procurar formas de irritar Alaifu nos bastidores. Na escola, deliberadamente confrontava Alaifu, sempre que podia mencionava o "incidente das cuecas" entre os colegas e gritava, chamando-o de "Cão Amarelo"...