Capítulo 71: Yuan Zhenfu Está Prestes a Ser Expulso do Dormitório

Há um Rio Meia-Lua na Estepe Pastor Lin Xi 2303 palavras 2026-03-04 20:14:11

O diretor da Escola Primária do Rio Lua Crescente, Saihan, já havia dado o ultimato final: em uma semana, Yuan Zhenfu precisava desocupar o pequeno chalé onde vivia atualmente.

Na tarde daquele dia, após o fim das aulas, Yuan Zhenfu, com o semblante carregado, arrumava seu pequeno dormitório, preparando-se para partir. Mas para onde iria? Será que realmente teria que se mudar para a casa de Sun Dehou?

Yuan Zhenfu interrompeu o que fazia, com o olhar perdido. Durante o intervalo da manhã, Sun Dehou o procurara, consolando-o e convidando-o a ficar em sua casa, caso não tivesse outro lugar para ir.

— Não, tio Sun, não quero causar transtorno para você e para a tia Sun — respondeu Yuan Zhenfu, recusando educadamente.

Sun Dehou fechou o rosto:

— Vai ficar se fazendo de estranho comigo? É a vontade da sua tia Sun. O quarto já está arrumado para você, é um cômodo só seu. Daqui dois ou três dias, você se muda. Está decidido.

Yuan Zhenfu tentou explicar, mas Sun Dehou apenas gesticulou para que não insistisse. Era uma ordem: que ele se apressasse e cumprisse o combinado.

De repente, ouviu batidas na porta. Yuan Zhenfu chamou, “Entre”, sem ir ao encontro. Sabia que, se fosse Sun Dehou ou outro professor, dificilmente bateriam à porta; no máximo, tossiriam diante dela. Naquele horário, quem batia provavelmente era um aluno, talvez para perguntar sobre algum dever de casa. Alguns alunos travessos nunca prestavam atenção quando o professor passava as tarefas, depois vinham perguntar.

Esperou um tempo, mas ninguém entrou. Yuan Zhenfu ficou intrigado, até que as batidas se repetiram, mais fortes.

— Entre!

Dessa vez, sua voz foi mais alta, mas ainda assim ninguém respondeu. Irritado, largou o que estava segurando e foi ver o que era. Pensou consigo: será que algum aluno veio aprontar? Justo agora, que momento inoportuno!

Saiu, respirando fundo, e ao abrir a porta, ficou surpreso. Era An Qiqige, que estava ali, envergonhada.

Yuan Zhenfu abriu a boca, mas não conseguiu falar nada.

Qiqige olhou para Yuan Zhenfu, depois abaixou a cabeça e disse:

— Vim... queria dizer que... eu sei quem arrombou a janela da sua turma para furtar coisas.

— Quem foi? — Yuan Zhenfu se animou.

— Foi... foi Han Heihu.

— Han Heihu? Como você sabe que foi ele?

Qiqige respondeu:

— O nunchaku que você confiscou de Alaifu era do Han Heihu. Li Sanfu pegou com ele para dar ao meu irmão Alaifu. Quando Han Heihu quis de volta, soube que você tinha confiscado, então ele...

Yuan Zhenfu franziu o cenho:

— Obrigado por me contar. Qiqige, como você ficou sabendo disso?

— Não pergunte, só sei que foi ele, não tem erro. Eu acho...

Qiqige deixou a frase pela metade e não continuou.

Yuan Zhenfu olhou para ela, desviando o olhar rapidamente:

— Você acha o quê?

— Eu acho... que você deveria falar com o diretor Saihan, e também com o secretário Bai do vilarejo. Se eles ouvirem você, não vão mandar alguém te expulsar.

Ao terminar, Qiqige abaixou novamente a cabeça. Desta vez, o rosto estava levemente ruborizado.

— Obrigado pela dica — Yuan Zhenfu coçou a cabeça, o cabelo bagunçado, tentando arrumá-lo. — Mas, sabe, eu não posso falar.

Qiqige ficou surpresa e perguntou:

— Por quê?

— Se eu for falar, vão pensar que estou tentando me livrar da culpa, botando a culpa no Han Heihu.

— Impossível! Todo mundo sabe quem é Han Heihu. Se você não falar, ninguém vai descobrir direito e vão acabar culpando você. Aí você vai... ter que se mudar...

Yuan Zhenfu olhou para o pátio vazio da escola e sorriu amargamente:

— Podem culpar, não faz diferença. Já estou acostumado.

Qiqige percebeu que Yuan Zhenfu estava desistindo de tudo, que sua boa intenção era recebida com indiferença, e sentiu-se irritada. Virou-se para sair, e ao dar alguns passos, voltou-se:

— Você só sabe fingir de pobre!

Havia um tom de reprovação, mas também de compaixão e preocupação, até uma certa frustração, como quem lamenta que o ferro não vire aço. Contudo, Yuan Zhenfu só ouviu a provocação — porque era muito sensível àquela palavra: pobre!

— Eu sou pobre mesmo! Sou um miserável! Mas quem quer ser pobre a vida toda?

Essas três frases Yuan Zhenfu gritou de uma vez, pois o “pobre” de Qiqige era como uma lâmina, ferindo seu coração. Yuan Zhenfu não percebeu que, naquele contexto, “fingir de pobre” era igual a “fingir de esperto”; se tivesse perguntado ao “dicionário vivo” Gegen, ele teria explicado bem, e talvez não houvesse esse mal-entendido.

Qiqige parou, pensou e repensou, mas no fim não voltou. Com lágrimas nos olhos, correu para fora do pátio da escola.

Yuan Zhenfu, desolado, entrou no quarto, empurrou para o chão as coisas que acabara de arrumar, deitou-se na cama e deixou o destino decidir tudo...

...

No dia seguinte, ao meio-dia, Qiqige voltou do trabalho na lavoura, carregando a enxada e caminhando sem ânimo pela estrada do vilarejo, sem o vigor de sempre. Ao passar em frente à casa de Sun Dehou, Liu Guang estava sentada sob a grande árvore, aproveitando a sombra, e chamou Qiqige.

— Tia Sun...

— Qiqige, estava na lavoura? Venha comigo, preciso conversar com você.

Qiqige olhou ao redor, hesitou, mas entrou no pátio com Liu Guang, deixando a enxada apoiada na parede.

Dentro de casa, Liu Guang serviu um copo de água fria, que Qiqige pegou, mas não bebeu.

— Qiqige, parece que você está triste, aconteceu alguma coisa?

— Não — respondeu Qiqige, balançando logo a cabeça e forçando um sorriso.

Liu Guang sorriu e disse:

— Embora já tenha passado tanto tempo, é como uma pedra que pesa no meu coração. Naquele encontro, não pensamos direito...

— Tia Sun, deixe o passado para trás — Qiqige falou suavemente.

— Mas é preciso falar. Quero dizer que, se o professor Yuan errou, peço que releve. Ele só queria o bem do Alaifu, não se aborreça, por favor. Claro, já disse isso mil vezes, mas sempre que vejo você, sinto vontade de repetir, porque acho que vocês dois nasceram um para o outro. Nestes dias, o professor Yuan vai se mudar para minha casa, eu queria muito te ver, hoje aconteceu, parece que foi obra do destino... Qiqige, não me ache insistente.

Qiqige respondeu:

— Não, tia Sun. Ele é professor, é normal que ele repreenda os alunos, até os pais dos alunos têm que aceitar, não podemos reclamar. Nós, gente simples, não ousamos criticar os professores.

Ai, Liu Guang percebeu o tom de ressentimento. Apressou-se em consolar e perguntar, e Qiqige, depois de pensar, reuniu coragem para contar que foi ver Yuan Zhenfu, e disse:

— Eu contei a ele que foi Han Heihu quem entrou escondido na sala e fez bagunça. Pedi que ele procurasse o diretor Saihan, mas ele não quis ir, ainda ficou bravo comigo. Acho que me meti demais, ele não deu valor.