Capítulo 40: A Consciência do Líder é Elevada

Há um Rio Meia-Lua na Estepe Pastor Lin Xi 2161 palavras 2026-03-04 20:13:12

Na época em que era chefe de equipe na brigada de produção, Bai Hadá sempre era o primeiro a iniciar o trabalho. Antes do amanhecer, já estava conduzindo os trabalhadores ao campo, sempre à frente de todos. Depois, ao tornar-se secretário-geral da brigada, embora não precisasse mais liderar pessoalmente o trabalho com tanta frequência, cabia a ele distribuir as tarefas, o que exigia acordar ainda mais cedo. Assim, o hábito de madrugar permaneceu com ele ao longo dos anos.

Ao se levantar, Bai Hadá lavou o rosto rapidamente em casa, tomou às pressas uma tigela de mingau e seguiu para a sede da brigada — hoje chamada de “sede da vila”. Esse era outro costume adquirido pelo trabalho ao longo dos anos.

Bai Hadá caminhava pelas ruas da vila de mãos cruzadas nas costas e o casaco jogado sobre os ombros. Esse era o típico ar de autoridade dos líderes da aldeia naqueles tempos, e mesmo sendo ainda jovem, Bai Hadá inevitavelmente acabara por adotar essa postura. Seus olhos percorriam os telhados das casas, calculando mentalmente: “De quem será a chaminé que primeiro solta fumaça? Em qual casa o sorgo amadurece antes?” Dedicado como era, não suportava gente preguiçosa.

Enquanto andava, Bai Hadá refletia sobre as mudanças: da cooperativa de nível inicial à cooperativa avançada, da brigada de produção à vila Gacha, as denominações e os modos de trabalho mudaram bastante; não havia mais aquelas mobilizações em massa pelos campos, mas a iniciativa individual aumentara. No fim das contas, todas essas reformas eram para que o povo pudesse viver melhor. Com a consciência elevada de um veterano do Partido, Bai Hadá sempre executava as políticas e exigências superiores sem faltar um ponto sequer.

Ao lembrar das grandes mobilizações, da época em que comandava “milhares de soldados e cavalos”, Bai Hadá sentiu-se nostálgico. Realmente, havia algo de empolgante e divertido naqueles tempos.

“Leste é vermelho, o sol nasceu, na China surgiu um...” O canto familiar e vibrante ecoou pelos alto-falantes da brigada, sinalizando ao povo do Rio da Lua Crescente que era hora de ir para o trabalho.

Bai Hadá subiu em uma grande pedra diante da sede da brigada, observando as pessoas que se reuniam lentamente. De mãos cruzadas nas costas, casaco sobre os ombros e olhar fixo à frente, Bai Hadá parecia imponente, quase uma estátua sob a luz dourada da manhã.

A pedra gigante media mais de quatro metros e meio de comprimento, dois metros de largura e pelo menos um metro de altura, lisa e regular, parecendo um púlpito natural. Era o local onde as pessoas sentavam para conversar e onde as crianças disputavam uma espécie de “alto do morro” em suas brincadeiras, mas nessa hora da manhã, a pedra pertencia inteiramente ao secretário Bai Hadá. Ele preferia ficar de pé sobre ela, de onde podia distribuir as tarefas diárias de trabalho.

Bai Hadá retirou a mão direita das costas e fez um gesto com ela; ao baixar o braço, todas as conversas cessaram de imediato. Ele falou:

— Chefes de equipe, verifiquem se todos os membros das suas equipes estão presentes. Temur, e o pessoal da primeira equipe de produção? Ei, não estou vendo Wu Renqing.

Temur era o chefe da primeira equipe de produção, ainda não tinha vinte anos na época, forte e cheio de vigor juvenil. Seu nome, que significa “ferro” em mongol, fez com que muitos o chamassem de “Irmão Ferro”, “Mano Ferro” e, mais tarde, “Tio Ferro”. Naquele ano, ele acabara de ficar noivo, e as famílias já haviam trocado as taças cerimoniais. Felicidade faz bem ao espírito, e Temur, animado com o futuro, era um exemplo de dedicação.

Ao ouvir o secretário Bai Hadá perguntar por Wu Renqing, Temur se pôs nas pontas dos pés e olhou ao redor, confirmando que realmente não o via. Respondeu:

— Esse preguiçoso... Se ninguém for chamá-lo, capaz do sol já estar alto e ele ainda não ter saído da cama.

— Esse rapaz, nunca vi ninguém tão preguiçoso; faça frio ou calor, vive enrolado nas cobertas!

— Bem feito esse preguiçoso ficar sozinho. Mesmo que consiga casar, sendo tão preguiçoso, vai acabar deixando a esposa morrer de fome ou fugindo de casa.

— Cala essa boca! Se não acredita, arranco tua língua pra ver se tem verruga!

Quem disse isso foi Tong Weiqi, homem de uns trinta anos, tio materno de Wu Renqing. Assim como seus irmãos, gostava de ajudar a matar porcos e conseguir algo para comer e beber. Mas não dizia isso para defender o sobrinho, e sim porque não suportava ouvir a frase “deixar a esposa morrer de fome”, que lhe feria o orgulho. No fundo, Tong Weiqi tinha suas próprias marcas e vergonhas que preferia não ver relembradas.

Bai Hadá interveio rapidamente:

— Chega de discussão! Usem essa energia daqui a pouco, no campo!

Temur respondeu:

— Esse Wu Renqing precisa mesmo de uma lição! Secretário Bai, já vou mandar alguém chamá-lo.

Assim que Temur falou, alguém se prontificou a buscar Wu Renqing.

Bai Hadá pigarreou e iniciou seu discurso diário:

— Companheiros, dizem que quem é diligente começa a primavera cedo, mas sem esforço ninguém adianta a primavera. Se não aproveitarmos a estação, o outono será vazio. Hoje, a primeira e a segunda equipes vão preparar o terreno nos arrozais. Quero reforçar: nivelar o solo é fundamental, senão a água não se distribui direito e não dá para semear bem, o que prejudica o broto. Terceira e quarta equipes, vocês vão revirar o monte de esterco, para que fermente direito. Prestem atenção, tem que revirar bem, tirar tudo desde a base, nada de fazer corpo mole! “A colheita depende do adubo”, todos sabem disso, sem adubo bom, não há broto forte nem boa produção. Chefes de equipe, registrem quem veio; quem faltar, descubram o motivo e descontem os pontos! Pronto, vamos ao trabalho!

A multidão dispersou-se, cada qual seguindo seu chefe de equipe para o local de trabalho. Bai Hadá saltou da pedra e puxou Temur de lado, dizendo-lhe em voz baixa:

— Preste atenção no Wu Renqing. Ele é forte e tem potencial, mas essa preguiça tem que acabar. A família dele já está com dificuldades, tudo por culpa dele mesmo! Se continuar faltando ao trabalho, nem o básico para comer vão ter. Vocês, chefes de equipe, são responsáveis por esses casos.

Temur bateu no peito e respondeu:

— Pode deixar, secretário Bai!

...

— Bom dia, secretário Bai — uma saudação trouxe Bai Hadá de volta ao presente.

— Bom dia, bom dia, todos madrugando — respondeu ele.

Bai Hadá sabia que os moradores que queriam falar com ele sempre chegavam cedo à “plataforma do comandante” diante da sede da vila.

Como de costume, Bai Hadá sentou-se na grande pedra. Desde que deixara de comandar as grandes mobilizações, já não subia mais nela para discursar.

Sobre a origem da pedra, havia diversas versões. A mais lendária e respeitada dizia que era uma “pedra sagrada caída do céu”, trazida especialmente para que Gengis Khan montasse a cavalo. Muitos acreditavam nisso, pois não havia pedra igual em muitos quilômetros ao redor; mesmo que houvesse, como uma rocha tão grande teria sido trazida ao Rio da Lua Crescente?