Capítulo 62: Preparar o Quarto Nupcial com Dignidade
A opinião de Babain era remover todo o reboco velho das paredes, aplicar uma nova camada de argamassa e, então, passar cal branca. Giya e Baomuren discordaram, achando que isso tomaria tempo e dinheiro demais, e sugeriram simplesmente colar uma camada de jornal nas paredes. No fim, chegaram a um meio-termo seguindo o plano de Babain: seria necessário colar duas camadas! Primeiro uma base de jornal, depois uma camada de papel decorativo próprio para paredes e tetos.
Colar o papel decorativo era um trabalho minucioso, que exigia um artesão especializado. Se a própria família tentasse, não só poderia errar o alinhamento dos desenhos, como também deixar as paredes desniveladas. A base de jornal, no entanto, podiam fazer sozinhos, sem precisar de ajuda externa. Baomuren limpou toda a poeira das paredes e chamou a irmã, Baodaixiao, para preparar a cola de farinha.
Depois que Han Heihu e Li Sanfu romperam relações, ele deixou de receber qualquer notícia sobre Qiqige. Sem querer se rebaixar para pedir a intercessão de Li Sanfu, Han Heihu só podia tentar chamar a atenção de Qiqige à sua maneira.
Qiqige aparava as unhas da avó Anxinshi com um cortador, enquanto Shalina jogava no chão da cozinha um feixe de talos secos de milho. As folhas tinham sido comidas pelas ovelhas, sobrando os talos duros, perfeitos para alimentar o fogo.
Limpando o pó das roupas, Shalina entrou na sala oeste e falou: "Aquele Heihu, da família Han, passou várias vezes de bicicleta velha, fazendo um barulho danado na frente da nossa casa. O que será que esse menino quer?"
Anxinshi olhou pela janela: "Que horas foi isso? Não vi nada."
Qiqige segurou a mão da avó: "Vó, não olhe não. Se você se mexer e eu cortar seu dedo, não venha reclamar depois."
"Pode cortar, minha filha, minha pele é grossa, não dói."
"Você não liga, mas eu fico preocupada", respondeu Qiqige, rindo baixinho.
"Essa menina... Ah, quando você se casar, quem vai cortar minhas unhas?"
Qiqige corou e ficou em silêncio.
Shalina comentou: "Então é melhor arrumar um genro que venha morar com a gente. Assim, Qiqige não precisa sair de casa."
"Mãe!", Qiqige lançou um olhar repreensivo para a mãe.
Shalina continuou: "Não adianta negar. Eu sei que tem algo te preocupando, só não quer nos contar..."
"Olhem, o Heihu está passando aqui de bicicleta de novo!", exclamou Anxinshi, animada.
Giya e Baodaixiao trouxeram a cola quente da cozinha para o pequeno quarto leste, conversando e rindo. Naquele momento, Baomuren já havia tirado todo o pó das paredes, mas estava coberto de poeira. Giya pegou uma vassoura e o ajudou a se limpar.
Babain entrou com um cachimbo entre os dentes e um grande rolo de jornais debaixo do braço. Enquanto largava os jornais, comentou: "Esse Baihada é mesmo medroso, separou metade dos jornais antes de me entregar. Não sei se vai dar para a base."
"Economia besta! Tanto trabalho, seria melhor comprar papel branco para a base e, por fora, o papel decorativo, como você sugeriu. Ficaria tão mais bonito! Mas não, tinha que ser jornal velho. Só pensa em economizar!" Giya resmungou e saiu batendo a porta com força.
Na verdade, os jornais para as paredes tinham sido pedidos por Babain ao chefe da vila, Baihada. Todos os anos, a vila assinava jornais, que, lidos ou não, eram guardados para serem usados na reforma das casas no fim do ano. Quem chegava primeiro ou tinha amizade com os líderes conseguia alguns, a maioria não. Quem não conseguia, precisava comprar na cidade, pesando e pagando por quilo—ainda que não fosse caro, em tempos de economia extrema, qualquer gasto era sentido.
Babain, indo buscar jornais nessa época do ano, não encontrou concorrência, então conseguiu com facilidade. Mas, antes de entregar, Baihada inspecionou tudo, separando os que considerava importantes ou inadequados para colar nas paredes.
Giya, depois de dar uma volta, voltou para dentro. Babain sorriu para ela, mas Giya retrucou: "Sorrindo à toa, hein? Não sou eu quem está rindo contigo!"
Baomuren folheou os jornais: "Pai, o secretário Bai não é medroso, só está sendo extremamente cauteloso."
"Extremamente" era um dos bordões de Baomuren; ele costumava usá-lo para tudo, grande ou pequeno. Uma vez, numa roda de conversa, alguém soltou um pum silencioso, e Baomuren comentou: "Quem foi que soltou um pum tão extremamente fedorento?" Todos riram e brincaram: "Para Baomuren, até pum é extremo—será que existe algo pequeno para ele?"
Babain já estava acostumado ao jeito do filho e respondeu: "Há coisas que é melhor deixar para trás, não precisa agir como se tivesse um parafuso a menos. Olha só, a cola ficou meio seca, que desperdício! Será que foi a Daixiao?"
Baodaixiao riu: "Sabe o que é trabalhar e não ser reconhecida? Eu sou desse time."
Giya interveio: "Seu pai é assim mesmo, igual pedra de privada: dura e difícil, não leva a mal."
Babain suspirou: "Farinha de trigo está faltando, temos que economizar. Muren, use a nossa para o quarto leste—no nosso quarto, cola de milho serve."
"O que é isso? A farinha de milho é grossa demais, não serve para fazer cola! Cada ideia...", retrucou Giya, decidida a contrariar Babain naquele dia.
Babain não respondeu e continuou: "Se os jornais não forem suficientes, no nosso quarto é só passar uma vassoura e pronto. Ninguém vai lá mesmo, só ligam para o quarto novo. Isso é questão de aparência; o resto é só o miolo."
Baomuren olhou para a mãe e a irmã, mas nada disse. Saiu, trouxe para dentro uma mesa baixa da cozinha e posicionou as pernas de um lado sobre a plataforma, deixando as outras suspensas, apoiada só na travessa, criando uma inclinação ideal para, de pé, passar cola nos jornais.
Babain prendeu o cachimbo no cinto e começou a pincelar a cola. Baomuren tirou os sapatos e subiu na plataforma para começar a colar de lá.
"Não se esqueça: depois de colar o papel decorativo, tem que colocar dois pôsteres de ano-novo com meninos gordinhos na parede da cabeceira!" Giya avisou, entrando com metade do corpo pela porta.
Babain: "Então vá logo comprar na cooperativa, já deixe pronto."
Giya: "Você acha que ainda tem pôster de ano-novo na cooperativa hoje em dia?"
Baomuren: "É verdade. De qualquer maneira, não tem pressa. Em alguns dias, quando eu for para a cidade comprar outras coisas, passo na livraria."
De repente, Giya lembrou-se que precisava dar água para as ovelhas e saiu.
Babain comentou: "Muren, nesses dias, é bom você passar mais vezes na casa de Ulan Tuya, ver se precisa de ajuda por lá."