Prefácio: As vidas passadas e presentes do Rio Lua Crescente
“O bem-estar é medido pelo bem-estar do povo.” O anseio e a busca por uma vida próspera são os sonhos mais simples dos camponeses, contudo, no caminho em direção a esse sonho, há uma pedra difícil de desviar: a pobreza.
A pobreza não é motivo de vergonha, mas está longe de ser motivo de orgulho. Afinal, o tempo em que se vangloriava da miséria já ficou para trás. Não é a pobreza que assusta, mas sim o contentamento com ela, o medo de enfrentar o “demônio da miséria”. É verdade que as causas da pobreza são muitas, e as formas de vencê-la também, mas existe um elemento essencial: a luta!
Sem luta, não há ascensão! Sem ascensão, não há progresso! No ideograma antigo para “lutar”, o centro representa um pássaro, a parte superior lembra asas prestes a voar, enquanto a parte inferior simboliza a terra vasta. Assim como as aves alçam voo, a humanidade só alcança grandes conquistas com os pés no chão – esta é a verdadeira luta. Para que ela aconteça, são necessários fatores internos e externos. Os fatores externos são importantes, como a temperatura e a umidade adequadas para que o ovo se transforme em pintinho; mas os fatores internos são ainda mais cruciais: se o ovo está estragado, de nada adianta criar o ambiente perfeito, pois nada nascerá dele, apenas se terá um ovo vazio.
Por isso, se o povo deseja avançar através da luta, tornando-se verdadeiros sonhadores no caminho do bem-estar, precisa constantemente despertar sua força interior. Isso requer apoio e estímulo externos, o envolvimento das organizações partidárias, o exemplo dos líderes e pioneiros, a inovação dos personagens de destaque...
Assim, vale contar a história de três gerações, quarenta anos de luta contínua e incansável contra a pobreza – uma história cheia de amarguras e alegrias, de queixas e gratidão, de risos e lágrimas. O início desta narrativa nasce de um rio sinuoso e extenso...
O Rio Baoyin, que nasce ao sul das Montanhas Xing’an, ao deixar o coração da floresta já carrega um espírito impetuoso. À medida que os pequenos riachos vão se unindo, como cordas entrelaçadas, o rio se torna vigoroso e cheio de força.
O Baoyin desce impetuoso, desde as montanhas, atravessando colinas e planícies, ganhando um ímpeto cada vez maior. Orgulhoso, o rio parece ignorar as belezas de suas margens e, cantando alegremente, flui das pradarias de Pingueim do Pavão até chegar à cidade de Glória Vermelha, famosa por suas tradições heroicas. Ali, o terreno é suave, as águas se tornam mais gentis, o rio experimenta uma bela transformação: de jovem travesso a donzela tranquila.
Ao passar pelos arredores de Glória Vermelha, o Baoyin faz uma curva ao nordeste, como uma echarpe branca flutuando sobre a pradaria, envolvendo uma série de vilarejos, grandes e pequenos. As pessoas, desejando que esta “echarpe” trouxesse sorte e felicidade, nomearam os povoados de Alta Hada, Média Hada e Baixa Hada, entre outros. Mais tarde, esses povoados formaram a Comuna de Hada.
A sede administrativa da Comuna de Hada foi estabelecida em Baixa Hada, por sua proximidade com a cidade, facilitando os trâmites e aproveitando a vantagem geográfica.
O vilarejo de Média Hada é cercado em três lados pelo Baoyin. Visto do alto, o rio se parece mais a uma meia-lua, brilhante como um anzol ou uma foice. Como um anzol, pesca fartura; como uma foice, ceifa abundância. Assim, não se sabe ao certo quando, mas começaram a chamar este trecho do rio de “Rio Meia-Lua”, e o povoado passou a ser conhecido como “Equipe da Meia-Lua”, depois “Aldeia Meia-Lua” – “aldeia” em mongol é “gacha”, e assim o nome “Aldeia Meia-Lua” se consolidou como o nome oficial deste pequeno povoado.
“Baoyin” é uma transliteração do mongol, cujo significado é “sorte” ou “felicidade”. Os protagonistas desta história vivem à beira do Baoyin, do alto ao baixo curso do rio, e o palco principal é a Aldeia Meia-Lua.
É um pequeno povoado nos arredores da cidade, impregnado de costumes mongóis;
um vilarejo onde convivem mongóis, coreanos, chineses Han e outros povos;
um lugar gracioso, entre montanhas e águas;
um cenário de histórias calorosas;
um povoado incansável na sua luta, corajoso no enfrentamento da pobreza!
O infindável Baoyin parece brotar das profundezas do tempo, levando a felicidade através dos séculos, testemunhando o passar das eras e tudo o que acontece às suas margens.
Por quarenta anos, para superar a pobreza e viver de modo digno, três gerações fizeram da Aldeia Meia-Lua o seu centro. Sob a luz das políticas de prosperidade do Partido, guiados com dedicação pelas organizações de base, combateram a indigência e a ignorância em união.
Assim, nasceram inúmeras histórias...
Entre elas, as esperanças sofridas dos “anciãos” como An Setenta e Sete, Bao Baoyin e Bao Rocha; a perseverança do “grupo de meia-idade” como Yuan Zhenfu, Bao Muren e Bao Qing Shan; a inovação dos “jovens” como Yuan Lua, Yuan Ye e Arslan!
Enfim, para realizar o sonho de vencer a pobreza e alcançar o bem-estar, geração após geração, com a terra como papel e o rio como tinta, escreveram histórias de luta e de prosperidade...
Em silêncio, as águas do Baoyin seguem seu curso, e às margens do Meia-Lua a paisagem é infinita...