Capítulo 17: Uma das ovelhas alocadas à família morre
Quando passou de “nosso” para “meu”, o significado mudou profundamente! Bai Hada, como secretário do distrito, depois de presidir a divisão de terras “terra para cada família”, conduziu também a reunião para a divisão da produção, repartindo igualmente os bens coletivos, ainda usando o sorteio como método. O local escolhido foi em frente à sede da administração do distrito. Desta vez, Bai Hada não subiu na grande pedra, mas trouxe de propósito uma cadeira de madeira, colocou-a ao lado da pedra e ficou de pé sobre ela.
Algumas famílias mandavam os idosos sortear, dizendo que eles eram mais ponderados. Outras preferiam as crianças, acreditando que tinham melhor sorte. Outras ainda escolhiam os homens, certos de que sua força lhes traria terras ensolaradas. Algumas mandavam as mulheres, achando que sua delicadeza lhes garantiria os melhores animais. E havia famílias nas quais marido e mulher sorteavam juntos, mostrando união e cooperação...
O ambiente era mais animado do que nas festas de Ano Novo ou apresentações teatrais. Quem era escolhido para sortear sentia-se eufórico e ansioso, enquanto os preteridos ficavam visivelmente desapontados. Isso era ainda mais evidente entre as crianças: as escolhidas ostentavam orgulho não só diante da família, mas também faziam questão de provocar as demais, transmitindo sua superioridade para outros lares. As que não foram escolhidas reclamavam aos pais, dizendo que o “sortudo” não lavou bem as mãos, tinha sujeira debaixo das unhas, ou ainda que mexeu no nariz com os dedos antes...
Mesmo nas famílias em que o sorteio era feito por um adulto, as crianças se ressentiam e comparavam com outras casas, esperando que os pais lhes concedessem uma chance. Mas uma vez decidido o sorteador, não havia volta.
Bao Bayin, com seu cachimbo de tabaco pendurado na cintura, confiante, foi ele mesmo sortear e acabou com algumas ovelhas, o que não lhe agradou. Por experiências passadas, perdera o interesse e a confiança na criação de ovelhas e ficou descontente com o resultado.
Já na casa de An Setenta e Sete, a atenção estava voltada para Aleif, que subiu ao palco meio acanhado e sorteou um cavalo. Setenta e Sete não ficou satisfeito, mas nada disse no momento. Faltava mão-de-obra masculina em casa, e ele queria criar ovelhas para mudar a situação da família.
O sorteio tinha dessas incertezas. Assim, algumas famílias não ficaram satisfeitas. Mas, como diziam as regras, o que se sorteia é o que se recebe, sem direito a arrependimento. Afinal, melhor ter algo do que nada.
Bai Hada, notando que uns celebravam e outros se lamentavam, sugeriu:
— Atenção, escutem! O sorteio é justo e igualitário, cada um tem a sua chance. Por isso, o que saiu é o que vale, não estamos brincando! Mas ouvi dizer que alguns queriam cavalo e tiraram ovelha, outros queriam ovelha e saiu boi — não faz mal, vocês podem negociar entre si e trocar. Assim como fizemos com as terras, onde se podia trocar arrozal por terreno seco ou terras mais próximas por mais distantes, desde que ambas as partes concordem. Quanto ao que cada um oferece de compensação, isso é questão de vocês, desde que seja um acordo mútuo.
— Ótimo, se a administração permite, é uma boa ideia! — concordaram todos.
...
Após negociações amistosas, Bao Bayin e An Setenta e Sete chegaram a um acordo de troca.
An Setenta e Sete disse: Lembro que o “Dicionário Vivo”, Geguen, dizia que ser rico é ter terra suficiente para que todos da família possam cultivar. Ter terra é riqueza; terra, ovelhas e um cavalo é o caminho para prosperar.
Bao Bayin respondeu: Para viver bem, precisamos de método; sem planejamento e sem economia, ninguém vai longe. Levar a vida na pobreza é motivo de vergonha.
Assim, as duas famílias entraram numa espécie de competição para enriquecer.
Naquele histórico e memorável início de primavera, o entusiasmo era inédito. O povo do Rio da Lua Crescente, com uma paixão há muito esquecida pela terra, começou verdadeiramente a cultivar o que agora lhes pertencia, e com grande empenho.
...
A família de An ficou com as ovelhas, ganhando um importante animal para a criação. Com a terra dividida e a liberdade de cultivo, o trabalho em casa aumentou consideravelmente. Mas ninguém reclamava do cansaço, pois havia esperança e objetivo, força para sair do buraco da pobreza.
Mas, quem diria, as ovelhas não correspondiam às expectativas. No coletivo, todas engordavam bem, mas na casa de An Setenta e Sete, não se sabia se por manejo inadequado ou por birra dos bichos, começaram a emagrecer. Uma delas, quase não comia, ficou apática, e acabou morrendo. Ver a ovelha morta deixou An Setenta e Sete profundamente triste, sem entender o motivo.
Sarina consolou: Já morreu, não tem mais solução. Ficar triste não adianta, melhor tirar logo o couro, ainda dá para vender.
Setenta e Sete procurou a faca, afiando-a enquanto resmungava: Como pode? Eu cuido delas de manhã à noite, mas não engordam. Será que não tenho sorte para criar ovelhas?
Sarina respondeu: Que sorte, que nada! Você não é lobo para ter conflito com ovelha, não acredita nessas bobagens. Você é o chefe da casa, não devia dar ouvidos a isso. Nunca criamos esses animais, falta experiência, vamos aprender aos poucos.
Nesse momento, Qiqige saiu para ver a ovelha morta. Tendo perdido um dos animais, sentia o golpe. Sarina apressou-se: Volte para dentro, ver bicho morto não faz bem para moça.
Qiqige riu: Mãe, quanta superstição!
Setenta e Sete: É isso mesmo, sua mãe acabou de me dizer para não acreditar em sorte e agora aparece com essas crendices. Se eu não tivesse te impedido, no começo da primavera você teria ido rezar para a pedra suada em frente à administração, só que era água derramada por algum brincalhão.
— Não adianta discutir com vocês dois. Qiqige, vem, vamos para dentro — Sarina, sentindo-se exposta, puxou a filha.
Qiqige virou-se para o pai: Pai, por que não vai perguntar ao tio Bao? Ele conhece o pessoal da família Bao, do Campo do Pavão, que entende de criação de ovelhas.
An Setenta e Sete concordou, vendo razão nas palavras da filha, mas relutava em ir perguntar, por orgulho. Afinal, fora ele quem propusera a troca do cavalo pelas ovelhas, dizendo que não tinha força de jovem para lidar com o cavalo. Se agora não desse conta das ovelhas, o que pensariam da família An?
Enquanto Setenta e Sete tirava o couro da ovelha, Aleif chegou correndo, e ao ver a cena, pulou de alegria, gritando:
— Vai ter carne de ovelha! Vai ter carne de ovelha!